Filipe, Duque de Edimburgo

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Filipe
Duque de Edimburgo
Príncipe Consorte do Reino Unido e dos
Reinado 6 de fevereiro de 1952
Presente
Predecessora Isabel Bowes-Lyon
Esposa Isabel II do Reino Unido
Descendência
Carlos, Príncipe de Gales
Ana, Princesa Real
André, Duque de Iorque
Eduardo, Conde de Wessex
Nome completo
Filipe Mountbatten
Casa Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg
Pai André da Grécia e Dinamarca
Mãe Alice de Battenberg
Nascimento 10 de junho de 1921 (94 anos)
Corfu, Grécia
Religião Anglicanismo
(anteriormente Ortodoxa Grega)

Filipe da Grécia e Dinamarca, Duque de Edimburgo (Corfu, 10 de junho de 1921) é o marido da rainha Isabel II e consorte do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte desde 1952. Ele é o consorte mais velho e de maior reinado na história da monarquia britânica, além de o homem mais velho da história da família real.

Filipe é filho do príncipe André da Grécia e Dinamarca e sua esposa a princesa Alice de Battenberg, sendo membro das famílias reais grega e dinamarquesa. Ele nasceu na Grécia, porém foi expulso do país junto com os pais enquanto ainda era criança. Filipe estudou na França, Inglaterra, Alemanha e Escócia, entrando na Marinha Real Britânica em 1939 aos dezoito anos. Ele começou a se corresponder no mesmo ano com a princesa Isabel, filha mais velha e herdeira do rei Jorge VI do Reino Unido. Ele serviu no Mediterrâneo e no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial.

Depois da guerra, Filipe recebeu permissão do rei para se casar com Isabel. Ele abandonou seus títulos gregos e dinamarqueses antes do anúncio oficial, se converteu para o anglicanismo e se naturalizou um cidadão britânico, adotando o sobrenome Mountbatten a partir de seus avôs maternos. Os dois se casaram no dia 20 de novembro de 1947 após cinco meses de noivado. Ao se casar Filipe recebeu o estilo do "Sua Alteza Real" e o título de Duque de Edimburgo. Ele continuou no serviço ativo da marinha até Isabel ascender ao torno em 1952, tendo alcançado a patente de comandante.

Filipe e Isabel têm quatro filhos: Carlos, Ana, André e Eduardo. Ele também tem oito netos e cinco bisnetos. Filipe atualmente é patrono de mais de oitocentas organizações e realiza diversos deveres oficiais sozinho e principalmente junto com Isabel.

Início de vida[editar | editar código-fonte]

Mon Repos, local de nascimento de Filipe.

Filipe nasceu na vila de Mon Repos na ilha de Corfu, Grécia, no dia 10 de junho de 1921, o quinto filho e único menino do príncipe André da Grécia e Dinamarca, filho do rei Jorge I da Grécia, e da princesa Alice de Battenberg.[1] Suas quatro irmãs mais novas eram Margarida, Teodora, Cecília e Sofia. Ele foi batizado na Igreja Ortodoxa Grega, com seus padrinhos sendo sua avó paterna a rainha Olga e Alexander S. Kokotos, prefeito de Corfu representando toda a comunidade da ilha.[2]

Seu avô materno o príncipe Luís de Battenberg, então conhecido como Luís Mountbatten, 1.º Marquês de Milford Haven, morreu em Londres pouco depois do nascimento de Filipe. Luís era um cidadão britânico naturalizado que, após uma carreira na Marinha Real Britânica, havia renunciado seus títulos germânicos e adotado o sobrenome de Mountbatten durante a Primeira Guerra Mundial. Filipe e sua mãe visitaram Londres para o funeral e logo em seguida voltaram para a Grécia, onde André tinha permanecido por estar comandando uma divisão do exército durante a Guerra Greco-Turca.[3]

A guerra seguiu mal para a Grécia, com os turcos conseguindo grandes vitórias. O rei Constantino I, tio de Filipe, foi forçado a abdicar do trono em 22 de setembro de 1922 e o novo governo militar prendeu André junto com vários outros. Georgios Hatzianestis, comandante do exército grego, e outros cinco políticos proeminentes foram executados dias depois. Acreditava-se que a vida de André estava em perigo, com Alice estando sob vigilância. Uma corte revolucionária por fim baniu o príncipe e sua família pelo restante de suas vidas em dezembro.[4] O cruzador rápido britânico HMS Calypso evacuou a família de André do país, com Filipe, então com dezoito meses de vida, sendo carregado em um berço feito a partir de caixas de frutas. Eles foram para a França, onde se estabeleceram na comuna de Saint-Cloud perto de Paris em uma casa emprestada por sua tia, a princesa Maria Bonaparte.[5] Por ter deixado a Grécia ainda quando bebê, Filipe tem pouco conhecimento da língua grega.[6]

Juventude[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

Gordonstoun, escola onde Filipe estudou na Escócia.

Filipe começou sua educação em uma escola americana em Paris dirigida por Donald MacJannet, que descreveu o príncipe como um menino "áspero, efusivo ... mas sempre incrivelmente educado".[7] Ele foi enviado para o Reino Unido em 1928 a fim de estudar na Escola Cheam, vivendo junto com sua avó materna a princesa Vitória de Hesse e Reno no Palácio de Kensington e com seu tio Jorge Mountbatten, 2.º Marquês de Milford Haven, na Mansão Lynden em Bray, Berkshire.[8] Nos três anos seguintes suas quatro irmãs se casaram com nobres germânicos e foram viver na Alemanha, com sua mãe sendo colocada em um sanatório ao ser diagnosticada com esquizofrenia paranoide[9] e seu pai indo morar em um pequeno apartamento em Monte Carlo. Pelo restante de sua infância, Filipe teve pouco contato com Alice.[10] Ele foi enviado em 1933 para a Escola do Castelo de Salem porque tinha a "vantagem de se economizar taxas escolares" por ser propriedade de Bertoldo, Marquês de Baden e marido de sua irmã Teodora.[11] Kurt Hahn, o fundador judeu de Salem, fugiu da Alemanha por causa da ascensão do nazismo e fundou a escola Gordonstoun na Escócia. Filipe foi para Gordonstoun após dois semestre em Salem.[12] Sua irmã Cecília, o marido dela Jorge Donatus, Grão-Duque Hereditário de Hesse e Reno, os dois filhos meninos do casal e a mãe de Donatus a princesa Leonor de Solms-Hohensolms-Lich, morreram em 1937 em um acidente aéreo perto de Oostende, Bélgica; Filipe tinha dezesseis anos e compareceu ao funeral em Darmstadt.[13] Seu tio o Marquês de Milford Haven morreu um ano depois de câncer.[14]

Serviço naval[editar | editar código-fonte]

Filipe deixou Gordonstoun em 1939 e se juntou à Marinha Real Britânica, se formando no ano seguinte na Real Escola Naval em Dartmouth como o melhor cadete de sua turma.[15] Ele continuou servindo com as forças britânicas durante a Segunda Guerra Mundial enquanto dois de seus cunhados, Bertoldo e o príncipe Cristóvão de Hesse-Cassel, lutaram no lado alemão.[16] Ele foi comissionado aspirante de marinha em janeiro de 1940, passando quatro meses no couraçado HMS Ramillies protegendo comboios da Força Expedicionária Australiana no Oceano Índico, seguido por designações mais curtas no HMS Kent, HMS Shropshire e no Ceilão (atual Sri Lanka). Filipe acabou transferido para o HMS Valiant na Frota do Mediterrâneo depois da invasão italiana da Grécia em outubro de 1940.[17]

O HMS Valiant, um dos navios em que Filipe serviu durante a guerra.

Filipe se envolveu em vários confrontos durante a guerra, como na Batalha de Creta e na Batalha do Cabo Tênaro, em que ele foi mencionado nos despachos por suas ações no controle dos holofotes. Ele também recebeu o Cruz de Guerra grega por bravura.[15] Deveres menos gloriosos incluíram alimentar as caldeiras do navio de transporte RMS Empress of Russia.[18] O príncipe foi promovido a subtenente após uma série de cursos em Portsmouth, em que ele conseguiu nota máxima em quatro das cinco seções do exame de qualificação.[19] Filipe foi designado em junho de 1942 para o contratorpedeiro HMS Wallace, que se envolveu na escolta de comboios pela costa britânica e na invasão Aliada da Sicília.[20]

Ele foi promovido a tenente em 16 de julho de 1942. Em outubro do mesmo ano ele se tornou aos 21 anos o primeiro tenente (segundo em comando) do Wallace, um dos mais jovens marinheiros a alcançar tal posição na história da Marinha Real. Filipe acabou salvando o navio e seus companheiros em julho de 1943 de um bombardeio aéreo durante a invasão da Sicília: ele criou um plano de lançar uma jangada com fumos que acabou distraindo os aviões inimigos e permitiu que o Wallace fugisse sem ser percebido.[20] No ano seguinte o príncipe foi transferido para o HMS Whelp, onde serviu junto da Frota Britânica do Pacífico na 27ª Flotilha de Contratorpedeiros.[21] [22] Filipe esteve presente na Baía de Tóquio quando o instrumento de rendição do Japão foi assinado. Ele voltou para o Reino Unido em janeiro de 1946 a bordo do Whelp, sendo em seguida postado como instrutor no HMS Royal Arthur da Escola de Suboficiais em Corsham, Wiltshire.[23]

Casamento[editar | editar código-fonte]

Filipe e Isabel em 1950.

O rei Jorge VI do Reino Unido e sua esposa a rainha Isabel Bowes-Lyon visitaram a Real Escola Naval de Dartmouth em 1939. Durante a visita, a rainha e Luís Mountbatten, 1.º Conde Mountbatten da Birmânia e tio de Filipe, pediram que o príncipe acompanhasse as duas filhas do rei, as princesas Isabel e Margarida, que eram suas primas de terceiro grau através da rainha Vitória do Reino Unido e de segundo grau uma vez removidas pelo rei Cristiano IX da Dinamarca.[24] Isabel, então com apenas treze anos de idade, logo se apaixonou por Filipe e os dois começaram a se corresponder por cartas com o consentimento do rei.[25] Depois da guerra o príncipe pediu a Jorge em 1946 a mão de sua filha em casamento. O rei aceitou o pedido, contanto que qualquer compromisso oficial fosse adiado até o aniversário de 21 anos de Isabel em abril do ano seguinte.[26] Filipe abandonou seus títulos grego e dinamarquês em fevereiro de 1947 e adotou o sobrenome Mountbatten de sua família materna, sendo também naturalizado um cidadão britânico apesar de legalmente já ser um como descendente de Sofia de Hanôver. O noivado foi anunciado oficialmente em 10 de julho.[27] Apesar dele aparentemente "sempre ter se considerado um anglicano", tendo inclusive comparecido a serviços anglicanos junto com seus colegas de classe e parentes, Geoffrey Fisher, o Arcebispo da Cantuária, queria "regularizar" a posição de Filipe ao oficialmente recebê-lo na Igreja Anglicana,[28] o que aconteceu em outubro.[29] Jorge concedeu a Filipe o estilo de "Sua Alteza Real" um dia antes do casamento e no dia seguinte lhe deu os títulos de Duque de Edimburgo, Conde de Merioneth e Barão Greenwich.[30]

Filipe e Isabel se casaram em uma cerimônia realizada na Abadia de Westminster no dia 20 de novembro de 1947, gravada e transmitida pela BBC para mais de duzentas milhões de pessoas ao redor do mundo. Entretanto, não era aceitável no Reino Unido pós-guerra que qualquer um dos parentes germânicos do duque fossem convidados para o casamento, incluindo suas três irmãs ainda vivas, todas casadas com príncipe germânicos, alguns dos quais tendo conexões nazistas. O casal logo em seguida passou a morar na Casa Clarence em Londres[31] e pouco depois tiveram seus dois primeiros filhos: príncipe Carlos em 1948 e princesa Ana em 1950.[32]

O duque voltou para a marinha depois da lua de mel, primeiro em um trabalho de escritório no Almirantado Britânico e depois no quadro de funcionários da Real Escola Naval em Greenwich.[15] A partir de 1949 ele foi designado como primeiro tenente do HMS Chequers, navio líder do 1º Esquadrão Contratorpedeiro da Frota do Mediterrâneo, residindo na Vila Guardamangia em Malta.[33] Filipe foi promovido a tenente-comandante em 16 de julho de 1950 e colocado no comando da fragata HMS Magpie.[34] [35] Dois anos depois ele foi promovido a comandante,[15] porém sua carreira militar ativia havia terminado em julho de 1951.[36] [37]

A saúde de Jorge VI estava piorando cada vez mais e Isabel e Filipe foram nomeados para o Conselho Privado em 4 de novembro de 1951. O casal realizou uma viagem de ponta a ponta do Canadá e em janeiro de 1952 partiram para uma nova viagem desta vez pela Commonwealth. O rei morreu em 6 de fevereiro de 1952 e Isabel ascendeu ao trono enquanto o casal estava no Quênia, com Filipe contando as notícias para a esposa. A viagem foi cancelada e eles imediatamente voltaram para o Reino Unido.[38]

Consorte da rainha[editar | editar código-fonte]

Casa real[editar | editar código-fonte]

Retrato de coroação de Isabel junto com Filipe, junho de 1953.

A ascensão de Isabel levantou a questão do nome da casa real britânica. Luís Mountbatten defendeu que o nome deveria passar a ser Casa de Mountbatten, já que Isabel tradicionalmente teria assumido o sobrenome do marido ao se casarem; entretanto, a rainha Maria de Teck, viúva do rei Jorge V e avó paterna de Isabel, soube sobre a sugestão e informou o primeiro-ministro Winston Churchill, que aconselhou a nova rainha a emitir uma proclamação declarando que a casa real permaneceria sendo conhecida como a Casa de Windsor. A forte antipatia pessoal de Churchill com lorde Mountbatten, quem ele considerava um rival perigoso e subversivo que tinha perdido a Índia, pode ter contribuído para isso. O duque reclamou particularmente: "Eu não passo de uma maldita ameba. Sou o único homem no país que não tem permissão de dar seu nome aos próprios filhos".[39]

Anos depois da morte da rainha Maria e da renúncia de Churchill, Isabel emitiu em 8 de fevereiro de 1960 uma Ordem em Conselho declarando que o sobrenome de todos os descendentes da rainha e do duque na linhagem masculina que não possuem o estilo de Alteza Real, ou tenham o título de príncipe ou princesa, seria Mountbatten-Windsor.[40] Apesar de parecer que Isabel estava "absolutamente estabelecida em seu coração" sobre tal mudança e que a tinha em mente há algum tempo, ela ocorreu apenas onze dias antes do nascimento do príncipe André em 19 de fevereiro, e apenas três meses depois de uma prolongada correspondência entre o especialista constitucional Edward Iwi (que declarou que, sem tal alteração, a criança real nasceria com "o Emblema da Bastardia") e o primeiro-ministro Harold Macmillan (que tentou sem sucesso repelir Iwi).[41]

A rainha também anunciou pouco depois de sua ascensão que Filipe teria "posição, preeminência e precedência" logo depois dela "em todas as ocasiões e em todas as reuniões, exceto onde estabelecido o contrário por Ato do Parlamento".[42] Isso significa que o duque assumiu precedência sobre seu filho mais velho, o Príncipe de Gales, exceto oficialmente dentro do parlamento britânico.[43] Entretanto, Filipe comparece ao parlamento apenas quando acompanha Isabel para a anual Cerimônia de Abertura, onde ele caminha e se senta ao seu lado.[44]

Contrário a diversos rumores ao longo dos anos, confidentes já afirmaram que Isabel e Filipe sempre mantiveram uma relação forte durante todo seu casamento, apesar dos desafios do reinado.[45] [46] De fato, a rainha já declarou durante um discurso celebrando seu aniversário de cinquenta anos de casamento em 1997 que o duque "tem sido, simplesmente, minha força e apoio todos esses anos, e eu, e toda sua família, e este e muitos outros países, temos com ele uma dívida muito maior que ele nunca reivindicaria ou que nós jamais saberemos".[46]

Deveres[editar | editar código-fonte]

Como consorte da rainha, Filipe apoia sua esposa em todas suas funções como soberana, acompanhando-a em diversas cerimônias como a Abertura do Parlamento, visitas a outros países e banquetes de estado. Como presidente da Comissão de Coroação, o duque se tornou o primeiro membro da família real britânica a voar em um helicóptero a fim de visitar tropas que fariam parte da cerimônia.[47] A coroação de Isabel ocorreu em 2 de junho de 1953, porém Filipe não foi coroado também; ele se ajoelhou na frente da rainha segurando suas mãos e jurou ser seu "vassalo de vida e membro".[48]

A princesa Margarida, irmã mais nova de Isabel e cunhada de Filipe, considerou no início da década de 1950 se casar com Peter Townsend, um homem mais velho e divorciado, com a imprensa acusando o duque de ser contrário à união. Ele reclamou dizendo que "Eu não fiz nada". Filipe realmente não tinha interferido, escolhendo permanecer distante da vida amorosa de outras pessoas.[49] Eventualmente, Margarida e Townsend desistiram de seus planos juntos. Entre 1953 e 1954 durante seis meses, Filipe e Isabel viajaram pela Commonwealth, porém novamente Carlos e Ana permaneceram no Reino Unido.[50]

Isabel e Filipe com seus filhos Ana e Carlos, outubro de 1957.

Filipe e Kurt Hahn fundaram em 1956 o Prêmio do Duque de Edimburgo com o objetivo de dar aos jovens "um sentimento de responsabilidade para consigo mesmos e suas comunidades". No mesmo ano ele também estabeleceu a Conferência de Estudos da Commonwealth. Filipe viajou ao redor do mundo entre 1956 e 1957 a bordo do recém comissionado iate real HMY Britannia, durante o qual ele oficialmente abriu os Jogos Olímpicos de Verão de 1956 em Melbourne, Austrália, e visitou a Antártida. Isabel e seus filhos permaneceram em casa. Na viagem de volta, Michael Parker, secretário particular do duque, foi processado por sua esposa para um divórcio. Assim como Townsend alguns anos antes, a imprensa britânica retratou o caso como um escândalo e eventualmente Parker teve de abrir mão de seu cargo. Ele mais tarde afirmou que Filipe foi muito apoiador e "a Rainha foi maravilhosa do começo ao fim. Ela considerou o divórcio uma tristeza, não guardando ofensas".[51] Isabel fez de Parker um Comandante da Real Ordem Vitoriana em uma demonstração pública de apoio.[52]

Outros relatos da imprensa afirmavam que a rainha e o duque estavam se afastando, algo que enfureceu Filipe e consternou Isabel, que publicou uma negação contundente.[53] Ela conferiu ao marido em 22 de fevereiro de 1957 o título e estilo de um Príncipe do Reino Unido através de cartas-patente, restaurando sua posição principesca que ele havia formalmente renunciado dez anos antes. No mesmo dia foi declarado que ele passaria a ser conhecido como "Sua Alteza Real, O Príncipe Filipe, Duque de Edimburgo".[54] No mesmo ano em 14 de outubro ele foi nomeado para o Conselho Privado canadense, fazendo seu juramento diante de Isabel em Rideau Hall, a residência canadense do governador-geral e consequentemente do monarca.[55]

Desde o início de seu reinado como consorte, Filipe se tornou patrono de aproximadamente oitocentas organizações de diferentes ramos, como por exemplo meio ambiente, industrial, esportes e educação. Ele atuou entre 1961 e 1982 como presidente britânico da World Wildlife Fund e presidente internacional de 1981 até 1996, sendo em seguida nomeado como presidente emérito. O príncipe também é patrono da The Work Foundation, foi presidente da Federação Eqüestre Internacional entre 1964 e 1986 e também serviu como chanceler das universidades de Cambridge, Edimburgo, Salford e País de Gales.[56]

Filipe escreveu para seu filho Carlos no início de 1981 o aconselhando a se decidir sobre pedir Diana Spencer em casamento ou encerrar a relação entre os dois.[57] O Príncipe de Gales se sentiu pressionado por seu pai a tomar uma decisão e assim acabou pedindo Diana em casamento em fevereiro, com a cerimônia ocorrendo seis meses depois.[58]

Filipe em 1992.

O casamento de Carlos e Diana ruiu por volta de 1992. Filipe e Isabel realizaram um encontro com o casal tentando alcançar algum tipo de reconciliação entre eles, porém sem sucesso.[59] O duque depois escreveu para a Princesa de Gales expressando sua decepção sobre os relacionamentos extra-conjugais tanto do filho quanto dela, pedindo para que Diana examinasse os comportamentos de ambos os lados a partir da perspectiva do outro.[60] Ele foi direto e ela foi sensível,[61] achando as cartas difíceis de ler, porém mesmo assim apreciando que Filipe havia agido com boas intenções. Diana e Carlos se separaram e se divorciaram oficialmente em 1996.[62]

Diana morreu em um acidente de carro em Paris no dia 31 de agosto de 1997. Na época, grande parte da família real estava no Castelo de Balmoral na Escócia. Isabel e Filipe blindaram da imprensa seus netos os príncipes Guilherme e Henrique, filhos de Diana e Carlos, durante cinco dias em Balmoral, onde poderiam ficar de luto em particular. O isolamento da família real causou uma consternação pública,[63] porém o humor geral do país mudou de hostilidade para respeito após uma transmissão realizada pela rainha em 5 de setembro. No funeral no dia seguinte, os filhos de Diana hesitaram sobre caminhar atrás do caixão da mãe durante a procissão. Filipe conversou com Guilherme e lhe disse que "Se você não caminhar, eu acredito que você irá se arrepender mais tarde. Se eu caminhar, você caminha comigo?". Dessa forma, Filipe, Carlos, Guilherme, Henrique e Charles Spencer, 9.º Conde Spencer e irmão mais velho de Diana, caminharam atrás de seu esquife pelas ruas de Londres.[64]

Pelos anos seguintes, Mohamed Al-Fayed, cujo filho Dodi Al-Fayed estava em um relacionamento com Diana e também morreu no acidente de carro, afirmou que Filipe havia ordenado a morte de Diana e que todo o acidente foi encomendado. Os inquéritos sobre a morte da Princesa de Gales se encerraram em 2008 e concluíram que não haviam quaisquer indícios de uma conspiração.[65]

Filipe recebe uma anuidade parlamentar, que desde 1990 é de 359 mil libras, que é utilizada para cobrir despesas oficiais realizadas no cumprimento de deveres públicos. Essa anuidade não foi afetada pela reforma das finanças reais ocasionadas pelo Decreto de Concessão do Soberano de 2011.[66] Qualquer porção dessa pensão que não é utilizada em despesas oficiais está sujeita a impostos. Na prática, toda a anuidade é usada para financiar seus deveres oficiais.[67] Sua fortuna pessoal foi estimada em 2001 como estando por volta de 28 milhões de libras.[68]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Filipe foi homenageado pelo Presidente da Câmara dos Comuns em 2002 durante as celebrações do Jubileu de Ouro de Isabel por seu papel no apoio da rainha. Em 2009 ele superou a rainha Carlota de Mecklemburgo-Strelitz, esposa do rei Jorge III, como o consorte de maior reinado na história britânica, sendo também o homem de maior longevidade da família real.[69]

Títulos, honras e brasões[editar | editar código-fonte]

Monograma real de Filipe.

Títulos e estilos[editar | editar código-fonte]

  • 10 de junho de 1921 – 28 de fevereiro de 1947: "Sua Alteza Real, Príncipe Filipe da Grécia e Dinamarca"
  • 28 de fevereiro de 1947 – 19 de novembro de 1947: "Tenente Filipe Mountbatten"
  • 19 de novembro de 1947 – 20 de fevereiro de 1947: "Sua Alteza Real, Sir Filipe Mountbatten"[30]
  • 20 de fevereiro de 1947 – 22 de fevereiro de 1957: "Sua Alteza Real, o Duque de Edimburgo"[30]
  • 22 de fevereiro de 1957 – presente: "Sua Alteza Real, o Príncipe Filipe, Duque de Edimburgo"[54]

Filipe já recebeu e manteve diversos títulos durante sua vida. Ele nasceu com o título e estilo de um príncipe da Grécia e Dinamarca, porém abandonou estes antes de seu casamento e logo em seguida foi criado um duque britânico, dentre outros títulos. Entretanto, foi apenas em 1957 através de cartas-patentes emitidas pela rainha que ele novamente recebeu o título de príncipe, desta vez um do Reino Unido.[54]

Ao conversar com Filipe, ou com qualquer outro membro homem da família real com a exceção do soberano, a prática e regras da etiqueta ditam que deve-se primeiro chamá-lo de "Sua Alteza Real" e em diante de "Senhor".[70]

Honras[editar | editar código-fonte]

Filipe com o 3º Batalhão do Real Regimento Canadense, abril de 2013.

O príncipe foi nomeado um cavaleiro da Ordem da Jarreteira pelo rei Jorge VI em 19 de novembro de 1947, um dia antes de seu casamento.[71] [72] Desde então ele já recebeu 17 nomeações e condecorações diferentes na Commonwealth e outros 48 de países estrangeiros.[72] Além disso, os habitantes da ilha de Tanna em Vanuatu veneram Filipe como um deus; os ilhéus possuem diversos retratos do duque, alguns enviados pelo próprio, e realizam banquetes em sua homenagem no dia de seu aniversário.[73]

Ao Isabel ascender ao trono em 1952, Filipe foi nomeado almirante do Corpo de Cadetes Marinhos, coronel chefe da Força de Cadetes do Exército e comodoro chefe do ar do Corpo de Treinamento Aéreo.[74] No ano seguinte ele foi nomeado às posições equivalentes no Canadá, também sendo feito almirante da frota da Marinha Real, capitão-general dos Fuzileiros Reais, marechal de campo do Exército Britânico e marechal da Força Aérea Real.[75] Outras nomeações militares ocorreram posteriormente na Austrália e Nova Zelândia.[76] Filipe foi nomeado pela rainha em 2011 para a posição de Lorde Grande Almirante da Marinha Real, a mais alta patende da organização, como um presente para celebrar seus noventa anos de idade.[77]

Brasões[editar | editar código-fonte]

Ao se casar com Isabel em 1947, Filipe recebeu do rei Jorge VI o direito de portar seu próprio brasão de armas. Ele consistia no real brasão de armas da Grécia encimado por um escudo interior contendo o real brasão de armas da Dinamarca. No primeiro quartel estava o brasão de sua bisavó materna a princesa Alice do Reino Unido, que consistia no real brasão de armas do Reino Unido diferenciado por um lambel argento de três pés, com o pé central possuindo uma flor goles e os laterais um erminho. O escudo eram envolto pelo colar da Ordem da Jarreteira e encimado por uma coroa de príncipe de cruzes pattée e flores-de-lis, estando acima dela um elmo affronte e um timbre formado por um coronel or de duque, do qual saem cinco plumas alternadamente sable e argento. Os suportes são um figura de Hércules proper no lado dexter, e um leão queue fourche ducalmente coroado or, empanturrado por uma coroa naval azure. Seu lema é "God is My Help" (Deus é meu auxílio).[78]

Seu brasão foi alterado em 1949 por ser considerado "insatisfatório". Ele passou a ser esquartelado: I or, semée de corações goles, três leões passant em pala (pela Dinamarca); II azure, uma cruz argento (pela Grécia); III argento, duas paletas sable (por Battenberg/Mountbatten); IV argento, uma rocha proper, acima um castelo de pedra sable de três torres, com janelas, portão, bandeiras e palhetas goles (por Edimburgo). Os suportes, coroa, elmo, timbre e lema permaneceram inalterados.[79]

Coat of Arms of Philip Mountbatten (1947-1949).svg Coat of Arms of Philip, Duke of Edinburgh.svg
Brasão de Filipe entre 1947 até 1949
Brasão de Filipe desde 1949

Descendência[editar | editar código-fonte]

Nome Nascimento Casamento
Data | Cônjuge
Seus filhos Seus netos
Carlos, Príncipe de Gales 14 de novembro de 1948 29 de julho de 1981
Divórcio em 28 de agosto de 1996
Diana Spencer Guilherme, Duque de Cambridge Jorge de Cambridge
Carlota de Cambridge
Henrique de Gales
9 de abril de 2005 Camila Shand
Ana, Princesa Real 15 de agosto de 1950 14 de novembro de 1973
Divórcio em 28 de abril de 1992
Mark Phillips Peter Phillips Savannah Phillips
Isla Phillips
Zara Phillips Mia Tindall
12 de dezembro de 1992 Timothy Laurence
André, Duque de Iorque 19 de fevereiro de 1960 23 de julho de 1986
Divórcio em 30 de maio de 1996
Sara Ferguson Beatriz de Iorque
Eugênia de Iorque
Eduardo, Conde de Wessex 10 de março de 1964 19 de junho de 1999 Sofia Rhys-Jones Luísa Windsor
Jaime, Visconde Severn

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Brandreth 2004, p. 56
  2. Demoskoff, Yvonne. "Christenings of the Royal Family". Yvonne's Royalty Home Page. Consult. 22 de dezembro de 2015. 
  3. Brandreth 2004, pp. 58–59
  4. (5 de dezembro de 1922) "News in Brief: Prince Andrew's Departure". The Times p. 12.
  5. Heald 1991, p. 31; Vickers 2000, pp. 176–178
  6. Rocco, Fiammetta (13 de dezembro de 1992). "A strange life: Profile of Prince Philip". The Independent. Consult. 22 de dezembro de 2015. 
  7. Heald 1991, p. 34
  8. Heald 1991, pp. 35–39
  9. Brandreth 2004, p. 66; Vickers 2000, p. 205
  10. Brandreth 2004, p. 67
  11. Brandreth 2004, p. 72
  12. Brandreth 2004, p. 72; Heald 1991, p. 42
  13. Brandreth 2004, p. 69; Vickers 2000, p. 273
  14. Brandreth 2004, pp. 77, 136
  15. a b c d "The Duke of Edinburgh: Naval career". The British Monarchy. Consult. 24 de dezembro de 2015. 
  16. Vickers 2000, pp. 293–295
  17. Heald 1991, p. 60
  18. "Royal Naval Reserve (RNR) Officers 1939-1945 — M". Unithistories.com. Consult. 24 de dezembro de 2015. 
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  23. Brandreth 2004, p. 176
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  25. Brandreth 2004, pp. 132–136, 166–168
  26. Brandreth 2004, p. 183
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Heald, Tim. The Duke: A Portrait of Prince Philip. Londres: Hodder and Stoughton, 1991. ISBN 0-340-54607-7
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  • Vickers, Hugo. Alice, Princess Andrew of Greece. Londres: Hamish Hamilton, 2000. ISBN 0-241-13686-5

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