Filipe Camarão

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Nota: Se procura o bairro de Natal, Rio Grande do Norte, consulte Felipe Camarão (bairro).
Filipe Camarão
Retrato anônimo de Filipe Camarão, do século XVII, no Museu do Estado de Pernambuco
Outros nomes Poti, Potiguaçu
Nascimento Raposa - Vale do Baquipe,Ceará Mirim. 1600/1601
Morte 24 de agosto de 1648
Recife
Nacionalidade brasileira
Cônjuge Clara Camarão
Ocupação líder potiguar, líder da Insurreição Pernambucana
Religião cristianismo
Filipe Camarão
Litografia em rótulo de cigarro com os quatro heróis: André Vidal de Negreiros, Fernandes Vieira, Henrique Dias e Filipe Camarão

Antônio Filipe[1] Camarão (Raposa, Vale do Baquipe - Ceará Mirim, c. 1580/1600  — Recife, 24 de agosto de 1648) foi um indígena brasileiro da tribo potiguar, nascido no início do século XVII em Raposa, vale do Baquipe, (Ceará Mirim), na então Capitania do Rio Grande (hoje, o estado do Rio Grande do Norte). Tinha, como nome de nascença, Poty ou Potiguaçu, nomes tupis que significam, respectivamente, "camarão" e "camarão grande". Ao ser batizado e convertido ao catolicismo em 1614, recebeu o nome de Antônio e adotou o "Filipe Camarão" em homenagem ao soberano dom Filipe II (1598-1621).

Educado pelos jesuítas, era ele, segundo frei Manuel Calado, "destro em ler e escrever e com algum princípio de latim"; considerava de suma importância a correção gramatical e a pronúncia do português, "era tão exagerado em suas coisas, que, quando fala com pessoas principais, o fazia por intérprete (posto que falava bem o português) dizendo que fazia isto porque, falando em português, podia cair em algum erro no pronunciar as palavras por ser índio". Seu trato era comedido e "mui cortesão em suas palavras e mui grave e pontual, que se quer mui respeitado".

Uma visão romântica de Filipe Camarão, por Victor Meireles

No contexto das invasões holandesas do Brasil, auxiliou a resistência organizada por Matias de Albuquerque desde 1630, como voluntário para a reconquista de Olinda e do Recife. À frente dos guerreiros de sua tribo, organizou ações de guerrilha que se revelaram essenciais para conter o avanço dos invasores.

Sempre acompanhado de sua esposa, Clara Camarão, tão combatente quanto ele, destacou-se nas batalhas de São Lourenço (1636), de Porto Calvo (1637) e de Mata Redonda (1638). Nesse último ano participou ainda da defesa de Salvador, atacada por Maurício de Nassau.

Distinguiu-se, na primeira, comandando a ala direita do exército rebelde na Primeira Batalha dos Guararapes (1648), pelo que foi agraciado com a mercê de "dom", o "hábito de cavaleiro da Ordem de Cristo", o "foro de fidalgo com brasão de armas" e o título de "capitão-mor de Todos os índios do Brasil".

Morreu no Arraial Novo do Bom Jesus (Pernambuco), em 24 de agosto de 1648, em consequência de ferimentos sofridos no mês anterior, durante a Batalha dos Guararapes. Após a sua morte, foi sucedido no comando dos soldados insurgentes indígenas por seu sobrinho dom Diogo Pinheiro Camarão.

O Palácio Filipe Camarão, sede da prefeitura de Natal, e um bairro da mesma cidade, homenageiam o seu nome. Da mesma forma, o Exército Brasileiro denomina a Sétima Brigada de Infantaria Motorizada como Brigada Filipe Camarão.

Em 6 de agosto de 2012, a Lei Federal 12 701, reconhecendo sua importância na história do Brasil, determinou que o nome de Antônio Filipe Camarão fosse inscrito no Livro de Heróis da Pátria (conhecido como "Livro de Aço"), depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, um cenotáfio que homenageia os heróis nacionais localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília.[1]

Seus restos mortais encontram-se sepultados na igreja imperial de Nossa Senhora do Rosário no bairro da Várzea em Recife, capital do estado de Pernambuco.

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Filipe Camarão


Observações[editar | editar código-fonte]

  • O nome é comumente grafado Antônio Felipe Camarão, com o nome "Filipe" escrito segundo a antiga norma ortográfica da língua portuguesa. Há que se observar, todavia, que a antiga norma ortográfica portuguesa foi obsolecida por sucessivas reformas, notadamente a do Formulário Ortográfico de 1943 da Academia Brasileira de Letras.
  • Sua naturalidade é disputada por quatro estados nordestinos, sendo eles Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Referências

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=603544

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • GONSALVES DE MELLO, José Antônio, D. Antônio Felipe Camarão, Capitão-mor dos Índios da Costa do Nordeste do Brasil.
  • BARÃO DE STUART, "Datas e Fatos" - Vide Dicionário Histórico e Geográfico do RN - Vol 1 - A - E
  • JULIO GOMES DE SENNA, Ceará Mirim Exemplo Nacional

Ligações externas[editar | editar código-fonte]