Filipe de França, Duque de Orleães

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Filipe I, Duque de Orleães)
Ir para: navegação, pesquisa
Filipe de França
Duque d'Orleães
Cônjuge Henriqueta Ana Stuart
Isabel Carlota do Palatinado
Descendência
Maria Luísa, rainha de Espanha
Filipe Carlos
Ana Maria, Rainha da Sardenha
Alexandre Luís, Duque de Valois
Filipe, Duque de Orleães
Isabel Carlota, Duquesa de Lorena
Nome completo
Philippe de France
Casa Bourbon
Pai Luís XIII de França
Mãe Ana de Áustria
Nascimento 21 de setembro de 1640
Saint-Germain-en-Laye, França
Morte 9 de junho de 1701 (60 anos)
Saint-Cloud, França
Enterro Basílica de Saint-Denis, Paris, França

Filipe de França , Duque d'Orleães (Saint-Germain-en-Laye; 21 de setembro de 1640, - Saint-Cloud; 19 de junho de 1701) foi o segundo filho do Rei Luís XIII com sua esposa Ana da Áustria, Infanta de Espanha.

Depois da morte de seu tio Gastão de Orleans, irmão de Luís XIII, Filipe herdou o patrimonio deste, no qual se encontrava o Ducado que lhe representaria pelo resto da vida, o Ducado de Orléans. Por isso ficou conhecido como Filipe, Duque de Orleáns ou Filipe I de Orleans.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filipe vestido para a coroação de seu irmão, c.1654 por um artista desconhecido

Desde sua infância (quase toda transcorrida durante a Fronda), Filipe demonstrou sua "originalidade", seu jogo preferido era colocar cintas e maquiar-se. Suas tendências homossexuais e sua superficialidade foram estimuladas porque um Príncipe extravagante teria menos oportunidade de fazer sombra a seu irmão que, desta forma, não corria perigo de Filipe disputar com ele o poder, não repetindo assim o caso de Gastão de França (irmão de Luís XIII).

Por isso, Filipe foi reconhecido por sua libertinagem e sua homossexualidade, assim como por seus costumes extravagantes. Seu primeiro favorito foi Julio Mancini Mazzarino, sobrinho do Cardeal Mazarino e logo Duque de Nevers, o primeiro a "corromper-lhe" segundo as memórias do Duque de Saint-Simon. Mais tarde Armand de Gramont, Conde de Guiche, filho do Marechal de Gramont, Príncipe de Vidache. Guiche levou Monsieur a uma tirania escandalosa que produziu mais de uma crise na Família Real. Paralelamente, Guiche, acabaria enganando Monsieur, tentanto cortejar Henriqueta Ana de Inglaterra, esposa de Monsieur. Luís XIV acabou exilando Guiche da corte (tanto pela vontade de seu irmão, como pelos escândalos que provocavam os avanços de Guiche ante Henriqueta Ana.).

Depois de Guiche, Monsieur teve outros favoritos, como o Marquês de Effiat (sobrinho do Marquês de Cinq-Mars). Mas o mais famoso dos seus favoritos foi o Cavaleiro da Lorena, Filipe de Lorena. O Cavaleiro de Lorena era um dos filhos do Conde de Harcourt, pertencente à estirpe principesco-ducal de Lorena. O Cavaleiro de Lorena governou quase tiranicamente a Casa de Monsieur, estando sempre em conflito com as Duquesas de Orléans. A primeira Henriqueta Ana Stuart conseguiu exilá-lo em Roma durante algum tempo. Mas depois da morte desta (Que alguns atribuíam ao próprio Cavaleiro), Luís XIV o permitiu voltar a corte. O Rei Luís XIV consentiu com a influencia de Lorena sobre seu irmão, a fim de ter controlada a Casa de Orléans. O Cavaleiro de Lorena gozava de apartamentos contíguos a dos de Monsieur em todas as suas residências e mais tarde se converteu no Governante do Duque de Chartres, o futuro Regente, Filipe II de Orleães.

O Duque de Orléans e suas residencias[editar | editar código-fonte]

Depois da morte de seu tio, Gastão em 1660, Filipe se tornou o Duque de Orléans. Este ducado o converteu em um dos personagens mais ricos do Rei, o que o permitiu viver com um conforto equivalente ao da Corte e ser um grande mecenas. Foi o responsável pela construção do Canal de Orléans, que financiou a ampliação e o embelezamento do Château de Saint-Cloud e do Palais Royal.

Teve duas principais residências:

  • Palais Royal: Recebeu-o como patrimonio, decorou-o com Grandes Frescos e era onde Monsieur oferecia Grandes festas.
  • Château de Saint-Cloud: Presente de Luís XIV em 1658, no qual Filipe realizou numerosas reformas, em particular a construção de grandes jardins a francesa.

Vida militar e social[editar | editar código-fonte]

Monsieur em Armadura

Diante da sua inegável coragem em combate, o Rei Luís XIV não lhe deu margem de manobra e não lhe concedeu poder algum. Mesmo que Filipe tenha conseguido vitórias na Guerra Franco-Holandesa (Batalha de Cassel, 1677) contra o Príncipe de Orange, seu irmão, lhe privou de toda a direção militar. O Rei-Sol o manteve afastado do poder toda a sua vida. O papel de Monsieur era cerimonial e etiqueta. O Duque de Saint-Simon afirma em suas memórias que Monsieur era "doutor em etiqueta". Luis XIV lhe consultava sobre questões protocolarias e lhe confiou os cuidados do esplendor e refinamento do cerimonial francês e da etiqueta. Por outro lado, Monsieur, ao contrario de seu irmão, gostava de viver em Paris. Sempre ia ao teatro e a Opera, oferecia grandiosas recepções no Palais-Royal e ia a mercados e feiras. Se tornou assim um personagem tremendamente popular na capital e ao mesmo tempo em um representante do Rei-Sol na velha capital, ao menos socialmente.

Por último, Monsieur foi um grande mecenas, não só por sua generosidade mas também por seu gosto refinado.

Assim é certo que Luís XIV manteve Monsieur prudentemente afastado de decisões políticas, mas depositou nele um papel de preeminência social muito importante. As relações entre Luís XIV e seu irmão foram as vezes tumultuosas, mas ambos manifestaram sempre um terno afeto, caso praticamente único na Monarquia Francesa.

Casamentos[editar | editar código-fonte]

Casou-se por contrato em Paris em 30 de março de 1661 e cerimônia religiosa na Capela do Palais Royal (ou Palais-Cardinal) em 31 de março de 1661 com a Princesa inglesa Henriqueta Ana Stuart, filha do Rei Carlos I de Inglaterra e da Princesa francesa Henriqueta Maria da França. Tiveram quatro filhos, dois quais apenas dois sobreviveram.

Casou-se Filipe por segunda vez por contrato de 6 de novembro de 1671, por procuração em Metz em 16 de novembro e em cerimônia religiosa em Châlons-sur-Marne em 21 de novembro com Isabel Carlota do Palatinado, Pincesa da Baviera, Condessa Palatina de Simmern, sendo por isso chamada na França a Princesa Palatina ou la Princesse Palatine, ou ainda Madame Palatine. Era filha de Carlos I da Baviera, Eleitor do Palatinato e de Carlota de Hesse-Cassel. Tiveram três filhos.

Todos os descendentes de Filipe I d'Orleães foram excluídos do Trono Inglês pelo ato de sucessão de 1702.

Descendência[editar | editar código-fonte]

  1. Maria Luísa de Orléans (Palais Royal 27 de março de 1662 - 12 de fevereiro de 1689 Madri, sepultada em El Escorial). Chamada Mademoiselle d'Orleães ou Mademoiselle. Casada em Fontainebleau por procuração em 31 de agosto e em pessoa em Burgos em 19 de novembro de 1679 com o rei Carlos II (1661-1700);
  2. Filipe Carlos de Orléans (Fontainebleau 16 de julho de 1664 - 8 de dezembro de 1666 Palais Royal, Paris, sepultado em St. Denis) Duque de Valois;
  3. Uma menina (Versalhes nascida e morta em 9 de julho de 1665);
  4. Ana Maria de Orleães (Saint-Cloud 27 de agosto de 1669 - 26 de agosto de 1728 Turim). Chamada Mademoiselle de Valois, Mademoiselle, Mademoiselle Royale desde 1720. Casada por procuração em Paris em 10 de abril e em pessoa em em 12 de maio de 1684 com Vítor Amadeu II de Saboia (1666-1732), Duque de Saboia (1675-1730), Rei da Sardenha (1720-30), Rei da Sicília 1713;
  5. Um menino nado-morto;
  1. Alexandre Luís de Orléans (Saint-Cloud 2 de junho de 1673 - 16 de março de 1676 Palais Royal, sepultado em St. Denis), Duque de Valois;
  2. Filipe de Orleães, Duque d'Orleães, Regente de França (2 de agosto de 1674 - 2 de dezembro de 1723 Versailles) Duque de Chartres em 1674; Duque de Orleães em 1701; Duque de Nemours, de Valois, de Montpensier em 1701; Príncipe de Joinville, Conde de Beaujolais. Regente na menoridade de Luís XV de 1715 a 1723.
  3. Isabel Carlota de Orleães (Saint-Cloud 13 de setembro de 1676 - 23 de dezembro de 1744 Commercy), chamada Mademoiselle, Mademoiselle de Chartres. Casou em 1698 em Bar-le-Duc a 25 de outubro com Leopoldo, Duque de Lorena;

Morte[editar | editar código-fonte]

Filipe morreu em 19 de junho de 1701, de apoplexia, após uma discussão com seu irmão sobre quem deveria ser a noiva de seu filho, o Duque de Chartres

Precedido por
Gastão
Duque de Orleães
Coat of arms of the Philippe d'Orléans, Duke of Orléans (nephew and son in law of Louis XIV).png

16601701
Sucedido por
Filipe II