Filipe Nyusi

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Filipe Jacinto Nyusi

4° Presidente de Moçambique

Presidente de Moçambique
Período 15 de Janeiro de 2015
até a atualidade
Antecessor(a) Armando Guebuza
Ministro da Defesa de Moçambique
Período 27 de março de 2008
a 14 de março de 2014
Antecessor(a) Tobias Joaquim Dai
Sucessor(a) Agostinho Mondlane
Dados pessoais
Nome completo Filipe Jacinto Nyusi
Nascimento 9 de fevereiro de 1959 (58 anos)[1]
Mueda, Cabo Delgado
Alma mater Vojenska Akademie Antonina Zapoteckeho/Universita Obrany v Brne
Esposa Isaura Nyusi
Partido FRELIMO
Profissão Engenheiro Mecânico[2]

Filipe Jacinto Nyusi (Namau, 9 de fevereiro de 1959) é um empresário e político moçambicano. Entre 2008 e 2014 ocupou o cargo de ministro da Defesa. Em 15 de outubro de 2014 foi eleito quarto presidente da República de Moçambique.[3]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filipe Nyusi nasceu em Namau, no distrito de Mueda na província de Cabo Delgado. Os pais eram veteranos do movimento de libertação FRELIMO. Durante o início da Guerra da Independência de Moçambique, os pais refugiaram-se na vizinha Tanzânia, onde foi educado na escola primária da Frelimo em Tunduru. Nyusi frequentou o ensinou secundário na escola da Frelimo em Mariri, no Cabo Delgado, e na Escola Secundária Samora Machel na Beira.[4] Em 1973, e com 14 anos, juntou-se à Frelimo, recebendo formação política e militar na Tanzânia.[5] Em 1990 concluiu o curso de engenharia mecânica na ex-Academia Militar de Brno (actual Universidade de Defesa), na Checoslováquia,[6] tendo também frequentado uma pós-graduação na Universidade de Manchester em Inglaterra.[7]

Antes de ser nomeado para o governo de Armando Guebuza, Nyusi trabalhou para a empresa estatal dos Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique. Em 1995 foi nomeado diretor executivo da divisão norte, CFM-Norte,[8][9] tendo integrado o conselho de administração em 2007.[10]

Entre 1993 e 2002, foi também presidente do Clube Ferroviário de Nampula, um clube de futebol da primeira divisão com sede em Nampula.[11] Foi também professor assistente no campus de Nampula da Universidade Pedagógica,[12] fellow da Africa Leadership Initative,[11] e membro do Comité Nacional dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional.[13]

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Filipe Nyusi assumiu o cargo de Ministro da Defesa em 27 de março de 2008, sucedendo a Tobias Joaquim Dai.[14] A nomeação de Nyusi aconteceu um ano após um incêndio que provocou a explosão do paiol de munições de Malhazine em Maputo, o qual matou mais de 100 pessoas e destruiu 14 000 habitações, e sobre o qual uma comissão de investigação governamental concluiu a existência de negligência.[15] Embora não tenha sido divulgada qualquer explicação oficial para o afastamento de Dai, é possível que tenha sido em consequência da catástrofe de Malhazine.[10] Em setembro de 2012, Filipe Nyusi foi eleito para o Comité Central da Frelimo durante o X Congresso.[16]

Presidência[editar | editar código-fonte]

Multidão durante a fase final da campanha em Maputo.

Em 1 de março de 2014, o Comité Central da Frelimo elegeu Filipe Nyusi para candidato do partido às eleições gerais de 2014. No primeiro turno obteve 46% dos votos, destacando-se em relação ao segundo candidato do partido, Luisa Diogo, mas sem a maioria absoluta necessária para vencer à primeira volta. No segundo turno obteve 68% dos votos, contra 31% de Luísa Diogo. Embora Nyussi fosse visto como um candidato relativamente obscuro em comparação com os restantes,[16] era o candidato que mais se identificava com o presidente Guebuza. Acredita-se que a seleção de Nyusi para candidato da Frelimo permitiria a Guebuza, já no limite de mandatos, manter poder considerável após abandonar o cargo.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Filipe Nyusi é membro da comunidade étnica dos Macondes.[17] É casado com Isaura Gonçalo Ferrão e ambos têm quatro filhos.[6][18]

Referências

  1. Hanlon, Joseph (1 de março de 2014). «Filipe Nyussi to be Frelimo presidential candidate» (PDF). Mozambique News Reports & Clippings. Consultado em 30 de outubro de 2014 
  2. http://www.presidencia.gov.mz/index.php/2012-03-13-13-02-05/sobre-o-presidente/biografia
  3. FRELIMO e Filipe Nyusi ganham eleições gerais em Moçambique, anuncia CNE, Deutsche Welle Online, 30 de outubro 2014
  4. Agência de Notícias de Moçambique (10 de março de 2014). «Filipe Nyussi elected Frelimo presidential candidate». Consultado em 30 de outubro de 2014 
  5. «Backgrounder: Mozambique's three presidential candidates». Xinhuanet. 15 de outubro de 2014. Consultado em 16 de outubro de 2014 
  6. a b «Filipe Nyusi: Mozambique's 'worker bee' tipped for presidency». The Sowetan. 15 de outubro de 2014. Consultado em 16 de outubro de 2014 
  7. «Mozambique Presidential candidate profiles». SABC. 29 de setembro de 2014. Consultado em 30 de outubro de 2014 
  8. «Mozambique; Train Crash Caused By Negligence». allAfrica.com. 5 de outubro de 2002 
  9. «Mozambique». Africa South of the Sahara 33ª ed. [S.l.]: Routledge. 2003. pp. 741–68. ISBN 978-1-85743-183-4 
  10. a b «Mozambique: Guebuza Sacks Defence Minister». allAfrica.com. 26 de março de 2008. Consultado em 30 de outubro de 2008 
  11. a b «List of Fellows». Africa Leadership Initiative. Consultado em 20 de abril de 2008 
  12. «Filipe Nyussi». The Indian Ocean Newsletter. 29 de março de 2008 
  13. Imensis (26 de março de 2008). «Filipe Nyussi toma hoje posse como Ministro da Defesa». Consultado em 20 de abril de 2008 
  14. allAfrica.com (27 de março de 2008). «Mozambique: New Ministers Sworn in». Consultado em 18 de abril de 2008 
  15. International News Service (26 de março de 2008). «Mozambique defence minister axed a year after arms depot tragedy». Consultado em 23 de abril de 2008 
  16. a b Agência de Notícias de Moçambique (2 de março de 2014). «Filipe Nyussi elected Frelimo candidate» 
  17. Johnson, Phyllis (6 de março de 2014). «Mozambique Defence Minister Filipe Nyussi is Frelimo candidate for president». The Herald. Consultado em 16 de outubro de 2014 
  18. «Mozambique general elections photo preview». epa.eu. 15 de outubro de 2014. Consultado em 30 de outubro de 2014 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]