Filipe da Madre de Deus

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Frei Filipe da Madre de Deus (ou Phelipe de la Madre de Dios) (Lisboa, c. 1630Sevilha?, c. 1687) foi um compositor português do século XVII.

Vida[editar | editar código-fonte]

Filipe da Madre de Deus nasceu em Lisboa,[1] por volta de 1630.[2] Migrou para Castela onde se fez religioso da Ordem Real, Celestial e Militar de Nossa Senhora das Mercês para a Redenção dos Cativos.[1] Embora não tivesse um conhecimento profundo de teoria musical, era um vihuelista e compositor exímio na corte de Filipe IV de Espanha (Filipe III de Portugal até 1640).[2] Por volta de 1654 esteva ativo na cidade de Sevilha.[3]

Em 1654, João IV de Portugal tomou conhecimento da notoriedade de Filipe da Madre de Deus e decidiu contratá-lo para trabalhar na corte portuguesa.[2] Segundo Diogo Barbosa Machado, este rei português foi admirador do seu trabalho, particularmente da sua mestria na arte do contraponto.[1] Contudo, apenas dois anos depois, D. João IV morreu e subiu ao trono D. Afonso VI, com a regência de Luísa de Gusmão. Em data indeterminada entre abril de 1660 e agosto de 1661, este compositor foi nomeado como mestre de música da câmara real.[2] Foi neste ambiente cortesão que compôs uma parte importante da sua obra, nomeadamente tonos a 4vv que se conservavam na Biblioteca Real de Música antes da sua destruição pelo sismo de Lisboa de 1755.[1]

Em 27 de janeiro de 1668, D. Pedro por ação de golpe de estado torna-se rei, e Afonso VI, seu irmão, deposto por loucura. Foi então iniciada uma purga que parece ter também afetado este compositor, uma vez que todos os funcionários do antigo rei foram excluídos da lista de assalariados reais.[2] Certo é que voltou para Sevilha em 1668.[2] Em Lisboa, foi sucedido pelo célebre António Marques Lésbio. Madre de Deus retirou-se para o mosteiro da Ordem de Nossa Senhora das Mercês de San Laureano de Sevilha. Esteve empregado como mestre de capela deste mosteiro até, pelo menos, 1688, ano do seu último trabalho conhecido. É provável que aí tenha morrido por volta de 1690.[2]

Obra[editar | editar código-fonte]

Filipe da Madre de Deus compôs principalmente vilancicos e tonos para diversas ocasiões e feriados. Embora Diogo Barbosa Machado, louve, na sua biografia, o seu lado de compositor profano,[1] o conjunto de obras que dele sobrevive é maioritariamente composto por composições sacras ou sacro-profana (vilancicos).

A sua opus inclui uma saudação ao 18.º aniversário de Afonso VI de PortugalOstente Aplausos festivos — e o famoso "vilancico negro" para o Natal, Antonya, Flaciquia, Gasipà. Também compôs um coral sacro com acompanhamento em baixo contínuo.

Gravações[editar | editar código-fonte]

As seguintes gravações incluem obras de Madre de Deus:

  • 1994 - Canções, Vilancicos e Motetes Portugueses. Paul van Nevel and Huelgas Ensemble. Sony Classical SK 66288. Track 12 "Antonya, Flaciquia, Gasipà".
  • 2004 - Villancicos y Danzas Criollas. Hespèrion XX and Jordi Savall. Alia Vox. Track 9 "Antonya, Flaciquia, Gasipà".
  • 2007 - Flores de Lisboa - Canções, vilancicos e romances portugueses. A Corte Musical and Rogério Gonçalves. Le Couvent K617195. Track 12 "Ostente aplausos festivos".
  • 2008 - Vilancicos Negros do Século XVII. Coro Gulbenkian conducted by Jorge Matta. Portugaler 1016-2. Track 3 "Antonya, Flaciquia, Gasipà".

Referências

  1. a b c d e Machado, Diogo Barbosa. Bibliotheca Lusitana. Lisboa: Oficina de António Isidoro da Fonseca, 1741.
  2. a b c d e f g Gonçalves, Rogério. «Flores de Lisboa» (pdf) 
  3. Gutiérrez, Mariano Pérez. Diccionario de la música y los músicos, Volume 2. Madrid: San Sebastián de los Reyes.
Wiki letter w.svg Este artigo é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o. Editor: considere marcar com um esboço mais específico.