Filipe da Sicília

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Filipe (n. 1255/1256 - m. 1277) foi um nobre francês do século XIII membro da casa de Anjou. Era o segundo filho do rei da Sicília Carlos de Anjou com sua esposa de Beatriz da Provença. Ele nasceu antes de seu pai tornar-se rei na Sicília em 1266.

Vida[editar | editar código-fonte]

Filipe aparece pela primeira vez em 1267, quando seu pai Carlos peticionou ao papa Clemente IV para nomeá-lo rei da Sardenha, uma vez que o papa reclamou suserania sobre a ilha. A filha neste período estava dividida em quatro judicaturas, e foi sítio de inúmeras rivalidades: entre as cidades-estado de Gênova e Pisa, entre os Guelfos e Gibelinos (as fações pró-papal e pró-imperial na política italiana) e entre as casas reais de Aragão e Anjou. A Judicatura de Lugudoro (ou Torres) esteve sob domínio genovês desde a morte do último juiz, Adelásia, em 1259. Seu marido, Enzio, que havia sido nomeado rei de toda a Sardenha pelo sacro imperador romano-germânico Frederico II, estava em cativeiro.[1]

Em 11 de agosto de 1268,[1] em Sassari, sem aprovação papal, o partido guelfo elegeu Filipe como rei da Sardenha. Os sardos imediatamente enviaram um emissário para Roma para persuadir o papa para confirmar a eleição. Apesar do fato de Gênova e o rei Carlos terem simpatias pró-guelfa e pró-papal, Clemente recusou-se a aprovar Filipe.[2] Carlos logo teria uma ruptura com seus aliados genoveses, e a eleição de Filipe não foi reconhecida pelo rei Jaime I de Aragão ou seu filho Jaime II de Maiorca, que havia sido colocado como candidato rival para o trono sardenho.[3] Filipe nunca visitou a Sardenha.[4] A ilha, no entanto, produziu prata para os cofres de Carlos após 1270, com o qual ele cunhou algumas moedas.[5]

Consoante ao Tratado de Viterbo de 24 de maio de 1267, Carlos arranjou para Filipe casamento com Isabel, filha e herdeira do príncipe da Acaia Guilherme II. Segundo tratado, Filipe tornou-se herdeiro de Guilherme no evento do príncipe falecer sem herdeiro varão, mas caso Filipe morresse sem descendência, a herança seria revertida para Carlos ou o herdeiro de Carlos. Em junho de 1270, os representantes de Carlos trocaram juramentos e ratificações com Guilherme concernentes ao casamento. A cerimônia ocorreu "com grande esplendor" em Trani, no Reino da Sicília, em 28 de maio de 1271. Isabel, que tinha apenas 12 anos, foi viver na corte real siciliana no Castelo do Ovo.[6][7] Em 1272, Filipe e sue irmão mais velho, o futuro Carlos II, eram cavaleiros pelo pai deles.[8]

Em 1274, o imperador latino Filipe de Courtenay garantiu o Reino de Salonica, inexistente desde 1224, quando foi tomado pelos bizantinos do Despotado do Epiro, para Filipe. O imperador era casado com a irmã de Filipe, Beatriz.[3] Filipe nunca visitou seu reino nominal no norte da Grécia nem usou o título,[8] embora visitou a região da Élida no Principado da Acaia.[4] Ele prometeu unir-se à grande cruzada sendo organizada pelo papa Gregório X antes do pontífice falecer em janeiro de 1276. Em 23 de maio de 1276, o sucessor de Gregório, Inocêncio IV, listou-o entre aqueles que pegariam a cruz numa carte endereçada à corte bizantina.[9]

Segundo o cronista João Villani, Filipe ficou fortemente doente enquanto estava "apertando uma besta" (tendere uno balestro) e dirigiu-se às águas de Pozzuoli. Essa deficiência levou-se a ir para Bari para solicitar a São Nicolau uma cura em sua basílica.[8] Ele morreu, aos 21 anos, entre janeiro e março de 1277,[10] e seus direitos na Acaia passaram para seu pai, que devidamente herdou o principado após a morte de Guilherme em 1278.[11][12] Ele foi enterrado na Catedral de Trani.[8]

Referências

  1. a b Herde 1977.
  2. Abulafia 1994, p. 40.
  3. a b Soranzo 1937, p. 183–84.
  4. a b Abulafia 1994, p. 242–44.
  5. Dunbabin 1998, p. 157.
  6. Longnon 1969, p. 256.
  7. Fine 1994, p. 168.
  8. a b c d Schipa 1932.
  9. Setton 1976, p. 123.
  10. Setton 1976, p. 127.
  11. Longnon 1969, p. 258–59.
  12. Fine 1994, p. 193.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Abulafia, David (1994). A Mediterranean Emporium: The Catalan Kingdom of Majorca. Cambridge: Cambridge University Press 
  • Dunbabin, Jean (1998). Charles I of Anjou: Power, Kingship and State-Making in Thirteenth-Century Europe. Londres: Addison Wesley Longman 
  • Fine, John Van Antwerp (1994). The Late Medieval Balkans: A Critical Survey from the Late Twelfth Century to the Ottoman Conquest. Ann Arbor, Michigan: Michigan University Press. ISBN 0-472-08260-4 
  • Herde, Peter (1977). «"Carlo I d'Angiò, re di Sicilia". Dizionario Biografico degli Italiani 20». Roma: Instituto da Enciclopédia Italiana 
  • Longnon, Jean (1969). «The Frankish States in Greece, 1204–1311». In: Wolff, Robert Lee; Hazard, Harry W. A History of the Crusades, Volume II: The Later Crusades, 1189–1311. Madison, Wisconsin: University of Wisconsin Press. pp. 234–275 
  • Schipa, Michelangelo (1932). «Filippo d'Angiò, principe di Acaia». Roma: Instituto da Enciclopédia Italiana 
  • Setton, Kenneth Meyer (1976). The Papacy and the Levant, 1204–1571: Volume I. The Thirteenth and Fourteenth Centuries. Independence Hall, Philadelphia, Pennsylvania: The American Philosophical Society. ISBN 0871691140 
  • Soranzo, Giovanni (1937). «Review of Da Carlo I a Roberto d'Angiò: Ricerche e documenti by G. M. Monti». Aevum. 11 (1): 178–84