Filisteus

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Filisteu)
Ir para: navegação, pesquisa
Question book-4.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo, comprometendo a sua verificabilidade(desde Outubro de 2011). Por favor, adicione mais referências inserindo-as no texto. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Estados Filisteus ca. 830 a.C.
Pentápolis filisteia (em vermelho)

Os filisteus (do פְּלְשְׁתִּים; transl.: plishtim) foram um povo que ocupou a costa sudoeste de Canaã, com seu território nomeado como Filístia em contextos posteriores. Teoriza-se que eles se originaram entre os "povos do mar". A arqueologia moderna também sugeriu os primeiros laços culturais com o mundo micênico na Grécia. Apesar de eles terem adotado a língua e a cultura local cananeia antes de deixar quaisquer textos escritos (e posteriormente adotarem a língua Aramaica), uma origem indo-europeia tem sido sugerida para um grande número de palavras filisteias conhecidas que sobreviveram como estrangeirismos em hebraico. Segundo o investigador Antônio Carlos Pavão, os filisteus derrotaram os israelitas porque sabiam fazer o aço, enquanto os israelitas ainda estavam na era do bronze.[1]

Origem[editar | editar código-fonte]

Sua origem ainda hoje é motivo de controvérsias. Há polêmica até mesmo sobre o fato de que se tratava de um único povo ou de uma confederação de povos que migraram do Mar Egeu para o leste do Mar Mediterrâneo no século XIII a.C.[2]

Segundo a Bíblia, os filisteus teriam se originado de Casluim, o qual teria sido um dos filhos de Mizraim, patriarca dos egípcios, e neto de Cam. No entanto, a teoria mais aceita cientificamente baseia-se na hipótese de que se tratava de um grupo indo-europeu que conviveu durante séculos com os povos semitas da região conhecida como Palestina[carece de fontes?]. Em 2016, descobriu-se um grande cemitério filisteu, contendo mais de 150 mortos enterrados em túmulos ovais, indicando uma origem do mar Egeu, que ainda não foi confirmada por testes genéticos.[3][4][5][6]

A primeira notícia que se tem sobre os filisteus surge de relatos egípcios sobre os "Povos do Mar", isto é, levas de migrantes que vieram por mar para o atual Egito. As crônicas egípcias registram que, entre estes povos, encontravam-se os filisteus (peleset), mas havia ainda outros.

Esses "povos do mar", após várias batalhas marítimas, foram derrotados pelos egípcios sob o comando de Ramsés III. Por fim, foram obrigados a buscar terras mais a leste na região costeira onde era Canaã. Lá, fundaram cinco cidades: Asdode, Ascalão, Ecrom, Gaza e, a maior delas, Gate.

Durante o período em que viveram nesta região, conhecida como a Pentápolis Filisteia, quase sempre estiveram em guerra com seus inimigos hebreus; dos quais, aliás, são oriundas a maioria das informações sobre aquele povo.

Pesquisas atuais revelam o elevado grau de sofisticação na produção de artefatos de metal e de outros materiais deste povo. Graças a seu avançado estágio de trabalho em metalurgia, quase sempre quando os Filisteus iam a guerra contra os Hebreus, seus exércitos eram vitoriosos.

Esse povo, sendo de origem indo-europeia, possuía uma cultura e costumes bem diversos dos demais povos da região. Os hebreus, em particular, os achavam "bárbaros incivilizados". O costume filisteu de comer porcos e de não realizar a circuncisão, por exemplo, em muito deve ter contribuído para as opiniões negativas. Ambos os povos foram eclipsados em período posterior pelo expansionismo guerreiro do Império Neobabilônico.

Embora o assentamento dos filisteus na costa tenha seguido uma expansão através do sul de Canaã, as guerras com os israelitas e outros povos acabaram confinando-os na Pentápolis.[7] Após várias derrotas infligidas por David, rei de Israel, cessaram as tentativas de expansão dos filisteus..[8] A partir desse momento, eles já não representavam risco para o reino de Judá, então as menções de Filisteia na Bíblia são reduzidas. No entanto, eles continuaram a ser uma ameaça política (incursões militares, especialmente no momento da colheita) e cultural para esse estado.[8]

A federação filisteia perdeu temporariamente sua autonomia no século X a.C. sob hegemonia egípcia[9] e definitivamente após a conquista pelo Império Neoassírio em 722 a.C..[7] Nabucodonosor II devastou o território filisteu em 604 a.C. e, como o resto do Oriente Médio, caiu nas mãos do império de Alexandre, o Grande no século IV. Naquele tempo, parece que os filisteus já haviam perdido grande parte de sua identidade cultural.[9] No entanto, o termo Peleset e, mais tarde, as versões grega (Παλαιστινή, Palaistinḗ) e latin (Palæstina) continuaram a ser usadas como um termo geográfico, referindo-se a uma área cada vez mais extensa.

Referências

  1. «Ciência já decidiu guerras, mas é "caminho para libertar o homem"». Consultado em 20 de setembro de 2016  Parâmetro desconhecido |datemade= ignorado (ajuda)
  2. «Filisteus» (em inglês) 
  3. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome ngeo
  4. Biblical archaeology: "Ashkelon's cemetery supports the Philistines' distinctness from their neighbors and may be able to connect the Philistines to related populations in the Aegean world."
  5. Britannica.com:"Already, the find in Ashkelon seems to point toward an Aegean origin, since the oval-shaped graves resemble those found in the Aegean cultural sphere. Genetic testing of the human remains will provide further information."
  6. Philippe Bohstrom, 'Archaeologists find first-ever Philistine cemetery in Israel,' Haaretz 10 July 2016. [1]: "Cemetery in ancient Ashkelon, dating back 2700-3000 years, proves the Philistines came from the Aegean, and that in contrast to the conventional wisdom, they were a peaceful folk.
  7. a b Machinist, Biblical Traditions: The Philistines and Israelite History, pág. 53 y ss.
  8. a b Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome tischler481
  9. a b Tischler, All the things in the Bible, I, pág. 482
  • H. R. Hall, The Ancient History of the Near East, London, Methurn & Co. Ltd, 1936

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Filisteus