Filosofia concreta

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

A filosofia concreta é o conceito filosófico proposto pelo filósofo francês Gabriel Marcel.[1][2][3]

A metodologia filosófica de Marcel era única, embora tenha alguma semelhança com o existencialismo e a fenomenologia amplamente interpretadas. Ele insistiu que a filosofia começou com uma experiência concreta e não com abstrações. Para esse fim, ele faz uso constante de exemplos para fundamentar as idéias filosóficas que está investigando. O método em si consiste em “trabalhar ... da vida para o pensamento e depois do pensamento para a vida novamente, para que alguém possa tentar lançar mais luz sobre a vida”.[4] Assim, essa filosofia é uma espécie de "descrição que se baseia nas estruturas que a reflexão elucida a partir da experiência".[5][6]

“O que significa filosofar concretamente?” A questão, originalmente posta por Marcel em seu Esboço de uma filosofia concreta (1940), enfoca o estatuto mais próprio da filosofia, bem como o seu modus operandi. Dessa maneira, o filósofo se pergunta pelo “ser” estando ele mesmo imerso no mistério que o ser constitui.[7]

Outras abordagens[editar | editar código-fonte]

Vale mencionar que, No Brasil, o filósofo Mário Ferreira dos Santos nomeou seu sistema de filosofia concreta. Tal abordagem é totalmente distinta da de Marcel. A do brasileiro se caracteriza, sobretudo, pela tentativa de metamatematizar a filosofia, dentro de um critério pitagórico, compreendendo 258 teses com demonstrações análogas às da geometria. Mário tentou sustentar essa abordagem sobre critérios apodíticos, que, a seu ver, eram válidos para todas as ciências.[8]

Referências

  1. Du refus à l'invocation, Paris, Gallimard, 1940. (Réédité en 1967 sous le titre Essai de philosophie concrète, Paris, NRF/Gallimard, 1967)
  2. Position et approches concrètes du mystère ontologique, introduction par Marcel de Corte. Louvain, E. Nauwelaerts; Paris, Librairie philosophique J. Vrin, 1949
  3. Gabriel Marcel interrogé par Pierre Boutang suivi de Position et approches concrètes du mystère ontologique, Paris, J.-M. Place Éditeur, 1977
  4. O Mistério do Ser , vol.1, Reflexão e Mistério , traduzido por GS Fraser, Londres: The Harvill Press. p. 41
  5. Homo Viator: Introdução a uma Metafísica da Esperança , traduzido por Emma Crawford, Nova York: Harper Torchbooks. p. 180
  6. The Stanford Encyclopedia of Philosophy, Gabriel (-Honoré) Marcel Publicado pela primeira vez em 16 de novembro de 2004; revisão substantiva qui 3/03/2016, disponível em https://plato.stanford.edu/entries/marcel/
  7. SILVA, Claudinei Aparecido de Freitas da (Org.). Encarnação e Transcendência: Gabriel Marcel, 40 anos depois. Cascavel, PR: EdUNIOESTE, 2014, 153p.
  8. «Por que reler Mário Ferreira dos Santos hoje?». Consultado em 24 de dezembro de 2016. Arquivado do original em 24 de dezembro de 2016 
Ícone de esboço Este artigo sobre filosofia/um(a) filósofo(a) é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.