Flávio Cavalcanti

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Flávio Cavalcanti
Nome completo Flávio Antônio Barbosa Nogueira Cavalcanti
Nascimento 15 de janeiro de 1923
Rio de Janeiro, DF
Morte 26 de maio de 1986 (63 anos)
São Paulo, SP
Nacionalidade brasileiro
Cônjuge Belinha Cavalcanti (c. 1948; v. 1986)
Ocupação
Período de atividade 1945-1986
Religião católico
Causa da morte Isquemia miocárdica aguda

Flávio Antônio Barbosa Nogueira Cavalcanti (Rio de Janeiro, 15 de janeiro de 1923São Paulo, 26 de maio de 1986) foi um jornalista, repórter, apresentador de rádio e televisão e compositor brasileiro. Um dos mais famosos e polêmicos comunicadores brasileiros, fez sucesso no comando de alguns programas de rádio e televisão nas décadas de 1960 e 1970, como o Programa Flávio Cavalcanti, Um Instante, Maestro! e A Grande Chance.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Flávio em seu programa, com Jacob do Bandolim, Taiguara e Sérgio Bittencourt (década de 60)

Flávio trabalhou no Banco do Brasil aos 22 anos, e na mesma época, como repórter do jornal carioca A Manhã. Posteriormente chegou a ser funcionário da Alfândega do Rio de Janeiro, de onde se desligou em 1964.[1]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Como compositor, em 1951, compôs sua primeira música, Mancha de Batom, em parceria com seu irmão Celso Cavalcanti, gravada pelo conjunto vocal Os Cariocas.[2]

Seu primeiro programa no rádio foi Discos Impossíveis na Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, que em 1952, passou a ser transmitido pela Rádio Mayrink Veiga. Na mesma época, iniciou amizade com Dolores Duran, que anos depois gravou sua música mais famosa, Manias, também composta por Flávio em parceria com seu irmão Celso Cavalcanti.[2] Ainda pela Rádio Mayrink Veiga, Flávio também realizou, junto com Jacinto de Thormes, o programa Nós os gatos, em 1955.[2]

A carreira de Flávio Cavalcanti na televisão começou em 1957, com o programa Um Instante, Maestro!, na TV Tupi.[2] Pouco tempo depois, a convite de Abraão Medina, se transferiu para o “Noite de Gala”, na TV Rio.[3] Nessa mesma época, Flávio esteve nos Estados Unidos e entrevistou o presidente John F. Kennedy, na Casa Branca em Washington, D.C.[3]

Em 1965, foi para a TV Excelsior, onde voltou com seu programa Um Instante, Maestro!, que no ano seguinte foi reeditado na TV Tupi, lançando mais dois programas na mesma emissora: A Grande Chance e Sua Majestade é a Lei.

Em 1970, Flávio Cavalcanti estreou o Programa Flávio Cavalcanti, pela Rede Tupi, exibido aos domingos, ás 18h. Foi um dos primeiros programas a ser exibido para todo o país, utilizando o canal de satélite fornecido pela Embratel, empresa estatal que era a responsável pelas comunicações via satélite no Brasil.[3]

Seu estilo foi polêmico e fez história na televisão brasileira. Flávio Cavalcanti ficou conhecido por criticar duramente artistas que considerasse ruins ou com músicas medíocres ou fracas em seu programa, com direito a quebrar ao vivo os discos deles.[3] Ele criou gestos marcantes, como a mão direita estendida para o alto e o bordão "Nossos comerciais, por favor!", ao pedir o intervalo.[4] O “tira-bota” dos óculos também foi marcante. Foi um dos responsáveis por criar o primeiro júri de calouros na televisão brasileira. Chiquinho Scarpa, Jorge Kajuru e Conrado (marido da ex-paquita Andreia Sorvetão) já foram jurados dele. Começou também a compor e influiu muito nas tendências musicais. Artistas que depois se tornaram consagrados começaram com Flávio Cavalcanti.[3]

Em 1973, teve seu programa na Rede Tupi suspenso por 60 dias pela Censura Federal, após apresentar a história de um homem inválido que teria "emprestado" a mulher ao vizinho, fato que culminou uma história de problemas anteriores com o conteúdo do programa.[5]

Com problemas financeiros já afetando a Tupi, em 1976, Flávio se transfere para a TVS, onde reedita mais uma vez seu consagrado programa Um Instante, Maestro!. Em 1978, voltou à Tupi com o Programa Flávio Cavalcanti, porém em novo dia, com o seu programa passando a ser transmitido aos sábados. Flávio ficou na Tupi até o fechamento da emissora em 1980.[3]

Flávio Cavalcanti (à direita), na década de 70, com Waldick Soriano

Em 1982, foi para a Rede Bandeirantes apresentar o programa Boa Noite, Brasil. De 1983 a 1986, passou a apresentar no SBT o Programa Flávio Cavalcanti. Por seus programas passaram nomes consagrados, como Oswaldo Sargentelli, Marisa Urban, Erlon Chaves, Márcia de Windsor, entre outros.

Era casado com Belinha Cavalcanti desde 1948. Com ela, teve três filhos.[6]

Morte[editar | editar código-fonte]

No dia 22 de maio de 1986, Flávio Cavalcanti fez uma rápida entrevista em seu programa e jogou o dedo indicador para o alto com seu bordão "Nossos comerciais, por favor!". Após o intervalo, Wagner Montes aparecia substituindo Flávio, anunciando que ele voltaria no próximo programa, o que não ocorreu. Durante o programa, Flávio sofreu uma isquemia miocárdica. Levado para o Hospital Unicor, em São Paulo,[7] faleceu quatro dias depois em 26 de maio de 1986.[8] O enterro de Flávio Cavalcanti foi acompanhado por cerca de duas mil pessoas no Cemitério Municipal de Petrópolis, na região serrana do estado do Rio de Janeiro.[9]

No dia da sua morte, o SBT ficou fora do ar durante todo o dia inteiro em sinal de luto, apenas exibindo um slide dizendo: "Estamos tristes com a morte do nosso colega Flávio Cavalcanti, que será sepultado hoje, em Petrópolis, às 16 horas, quando então voltaremos com a programação normal." A emissora voltou ao ar após as 16h, quando o corpo do apresentador foi sepultado.[10]

Referências

  1. «Flávio Cavalcanti». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 14 de janeiro de 2022. Arquivado do original em 4 de junho de 2011 
  2. a b c d «Flávio Cavalcanti: Dados Artísticos». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 14 de janeiro de 2022. Arquivado do original em 31 de maio de 2011 
  3. a b c d e f Senna, Paulo (29 de agosto de 2011). «25 anos sem Flávio Cavalcanti». O Globo. Consultado em 14 de janeiro de 2022. Arquivado do original em 23 de março de 2014 
  4. «Flávio Cavalcanti, o homem que quebrava discos, faz declaração de amor». EBC Rádios. 5 de agosto de 2014. Consultado em 14 de janeiro de 2022 
  5. de Castro, Thell (31 de agosto de 2014). «Ditadura tirou Flávio Cavalcanti do ar por fazer sensacionalismo». Na Telinha. Consultado em 19 de maio de 2015 
  6. «Flávio Cavalcanti faz declaração de amor à esposa no rádio, em 1986». EBC Rádios. 9 de junho de 2015. Consultado em 14 de janeiro de 2022 
  7. Rangel, Renata (27 de maio de 1986). «Flávio Cavalcanti morre em S.Paulo». Folha de S.Paulo: 32. Consultado em 14 de janeiro de 2022 
  8. Castro, Daniel (26 de outubro de 2016). «'Flavio Cavalcante morreu ao vivo', diz Geraldo Luis ao recusar programa». Notícias da TV. Consultado em 14 de janeiro de 2022 
  9. «Duas mil pessoas acompanham enterro de Flávio Cavalcanti». Folha de S. Paulo: 49. 28 de maio de 1986. Consultado em 14 de janeiro de 2022 
  10. «O Dia na História: Morre apresentador do SBT e Silvio Santos tira emissora do ar em respeito». SBTpedia. 26 de maio de 2013. Consultado em 26 de outubro de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]