Fluoretação

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Fluoretação é uma tecnologia de Saúde Pública, recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por todas as entidades odontológicas. Empregada desde 1945, para a prevenção da cárie dentária, utilizando da água de abastecimento público como veículo para o flúor, um elemento químico presente no ambiente, cuja concentração varia conforme o meio (água, ar, solo). Existem algumas águas que apresentam naturalmente uma concentração de flúor.

Constata-se que a sua implementação nas principais cidades brasileiras tem diminuído o número de cáries. Contudo, nas regiões Norte e Nordeste do Brasil a maioria da população, inclusive das capitais estaduais, ainda não foi aplicada de for,a mais sistemática.

A prática de fluoretação da água tem sido polêmica desde que foi implantada. Ela foi introduzida primeiramente nos Estados Unidos na década de 40, quando a cidade de Grand Rapids, em Michigan, adicionou fluoreto ao seu abastecimento público de água porque havia uma grande evidência de que isso ajudava a fortalecer os dentes e a manter a saúde oral.

É adicionada à água em baixa quantidade (0,6ppm – 1,0ppm) por ser muito tóxico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o Flúor como um medicamento, contudo aprova sua adição à água como forma eficaz de combater a cárie.

Depois que a Organização Mundial da Saúde aprovou essa medida, em 1969, vários países pelo mundo começaram a fluoretar a sua água potável.

Um requisito importante para o emprego seguro da tecnologia de fluoretação da água de abastecimento público é a realização da vigilância sanitária da água, se possível com base no heterocontrole, para que se tenha certeza de que a água tratada, distribuída aos domicílios, esteja efetivamente fluoretada, conforme recomenda a técnica, para que a água não contenha flúor em níveis abaixo do necessário para prevenir cárie, nem que esse teor esteja acima do aceitável.

No Brasil, a fluoretação das águas de abastecimento público se tornou obrigatória durante o governo do ex-presidente Ernesto Geisel, por lei federal, em 1975, pelas estações de tratamento de água (ETA). Ela é mesmo implementada mesmo em municípios que não contam com ETA, e cujo sistema de abastecimento de água é misto com poços artesianos, ou exclusivamente com base em poços.

Polêmica sobre a Fluoretação da água potável[editar | editar código-fonte]

Diversos países do mundo, nos quais a cárie é uma doença controlada em termos de saúde pública, optaram por não utilizar a fluoretação da água. Contudo, os representantes desses países na Assembléia Mundial da Saúde se posicionam favoravelmente à fluoretação nas localidades onde essa medida é recomendada, segundo as técnicas de saúde pública. Não há evidência científica de que em baixas concentrações, conforme a encontrada nos oceanos, e preconizada para uso em saúde pública, o flúor represente algum risco para a saúde humana. Contudo, em concentrações elevadas, o flúor é uma substância tóxica que pode causar distúrbios de atenção, concentração e memória além de outros problemas orgânicos.[1] [2]

Em um relatório da Universidade da Flórida é dito: "Uma solução de 0,45 ppm de fluoreto de sódio é suficiente para fazer com que as reações sensoriais e mentais fiquem mais lentas". Porém, essa afirmação é contestada pela Organização Mundial de Saúde e pela International Association for Dental Research, o IADR [3] , a principal entidade de pesquisas odontológicas em todo o mundo, pois tais supostos efeitos adversos não são encontrados nas populações de localidades onde a água de abastecimento tem essa concentração de flúor, ocorrendo naturalmente.

Alguns países europeus proibiram a fluoretação. Entretanto, dos anos 70 até os anos 90, alguns países europeus reverteram a sua decisão. Países como a Alemanha, a Suécia, os Países Baixos e a Finlândia suspenderam a fluoretação, enquanto a França sequer havia iniciado. Alguns estados dos EUA, suspenderam a fluoretação.

Métodos de Fluoretação[editar | editar código-fonte]

  • Na maioria das cidades brasileiras o teor recomendado de flúor nas águas deve ser de 0,7 mg F/l, aceitando-se uma variação de 0,6 a 0,8 mg F/l. Contudo, esse teor ótimo depende, fundamentalmente, das médias das temperaturas máximas anuais registradas em cada localidade. Isto faz com que em cidades onde essa média é mais baixa, o teor ótimo seja de 0,8 mg F/l.
  • A técnica de fluoretação, nas Estações de Tratamento de Água, pode variar conforme as características de cada sistema de tratamento da água. Tem sido comum, nas grandes cidades brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro, o emprego do ácido fluorsilícico. Mas há localidades que empregam o sal denominado flúorsilicato de sódio.
  • Em muitos municípios, como Lins e Presidente Prudente, no estado de São Paulo, as águas contêm, naturalmente, o teor ótimo de flúor, preconizado para prevenir cárie. Nesses casos, as ações de vigilância sanitária têm a finalidade de apenas monitorar a continuidade desses teores na água que abastece a população.
  • Em países em que o teor natural de flúor na água é homogêneo, como França, Suíça, Uruguai, Jamaica, dentre outros, é possível utilizar o sal de cozinha para levar flúor à população. A quantidade utilizada é de 250mg de fluoreto de sódio. Nessas situações, o custo é menor ainda e os benefícios preventivos similares. Contudo, em países de grande extensão territorial e nos quais haja heterogeneidade nos teores de flúor naturalmente existentes nas águas, a fluoretação do sal é praticamente inviável, pois requer medidas de extremo rigor para impedir que sal fluoretado seja consumido em locais onde os teores de flúor na água sejam diferentes para mais ou para menos e, também, naquelas localidade onde as águas contêm, naturalmente, o teor ótimo de flúor.
  • O leite também pode ser fluoretado, em comunidades controladas, não beneficiadas por programas universais de exposição a fluoretos. A OMS reconhece o valor dessas experiências, e as apóia, como é o caso de algumas comunidades andinas, cujas populações sofrem com o isolamento da região e com dificuldades para obter e tratar água, no Chile.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]