Fora Collor

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Fora Collor foi um movimento político com características de Golpe Branco ocorrido no ano de 1992, onde milhares de brasileiros, a maioria oriundos da classe média, saíram às ruas em passeatas pedindo a saída do poder do então presidente da República Fernando Collor de Mello.[1]

Esses atos foram fruto da indignação dessas pessoas após denúncias de envolvimento do presidente com um esquema de corrupção encabeçado pelo seu tesoureiro de campanha Paulo César Farias, o PC, que foram feitas pelo próprio irmão do presidente Pedro Collor a revista Veja em maio daquele ano. Pedro, que em 1989 havia participado da campanha do irmão a presidência, rompeu com Fernando quando este se uniu a PC para criarem um jornal próprio chamado Tribuna de Alagoas. A ira de Pedro era que o jornal seria um concorrente direto do Gazeta de Alagoas o jornal de sua família, que também era a família de seu irmão, o qual ele administrava já tinha 17 anos. Mesmo sem provas cabais de que Collor tivesse conhecimento de tal esquema, já que foi descoberto apenas o uso de sobra de campanha para a compra de um carro Fiat Elba, o que não era considerado crime, os fatores econômicos estimularam manifestações pró-impeachment. O congelamento das contas bancárias acima de 50 mil cruzados por 18 meses anunciada logo no início do governo, tal como a forma atabalhoada como foi implantado o programa neoliberal abateram a credibilidade de Collor junto as classes A e B. Embora o congelamento das contas bancarias, tenha reduzido o escandaloso nível de inflação de 84% ao mês que Collor recebeu de seu antecessor José Sarney para menos de 10%, em 1991 ela começava a voltar. Em 1992, mesmo com a economia obtendo uma melhora, vários setores da sociedade demonstravam insatisfação com o governo que ainda tinha cerca de 19% de aprovação, vindos especialmente das camadas mais pobres da população. Em agosto de 1992, tem início várias manifestações pelo país pela renúncia ou impeachment de Fernando Collor onde ganha destaque a participação de jovens que ficaram conhecidos como os Caras Pintadas por pintarem os rostos com cores que variavam do preto, amarelo, verde etc. Ao contrário do que é divulgado hoje em dia, não foi o pedido de Collor pra que a população saísse as ruas em seu apoio de verde amarelo que motivou as pessoas a saírem contra ele de preto ou usando as cores do Brasil. A primeira passeata aconteceu três dias antes dele fazer esse apelo, em 11 de agosto dia do estudante e época onde milhões de alunos voltam as aulas em escolas e universidades do país. Era também, véspera do aniversário do presidente. Foi organizada nesse dia uma passeata de 10 mil estudantes em São Paulo. Teve as calouradas com banhos de tinta que sempre acontecem nas faculdades, mas foram estudantes de ensino médio que pintaram o rosto com "Fora" e "Chega" que incentivaram o uso de tintas na cara especialmente entre os estudantes adolescentes. Além disso, vários outros fatores influenciaram de forma fundamental para as mobilizações. O fato da grande adesão e participação de estudantes de colégios particulares nos protestos era devido ao aumento das mensalidades escolares, considerado abusivo pelos estuantes e seus pais, que em boa parte eram famílias com padrão de vida elevado. Um dos primeiros colégios a sair as ruas foi o São Vicente de Paula, colégio católico de elite liberal do Rio onde o próprio Fernando Collor estudou. Também no Rio havia uma mobilização de estudantes em prol da Lei da meia entrada para estudantes do município. A Lei em questão era de autoria do vereador Edson Santos, na época do Partido Comunista do Brasil (PC do B ) que era candidato a reeleição naquele ano. Por fim, as próprias eleições municipais daquele ano foram cruciais para mobilização de massas de pessoas, especialmente porque o presidente era de um partido novo e nanico. o Partido da Reconstrução Nacional (PRN) e portanto, sendo de um partido nanico, não havia militância. Além disso, ele desagradou a empresários e não buscou apoio no congresso, o que fez todos os partidos grandes entrarem na campanha pelo impeachment e, aproveitando para eleger seus candidatos usando o discurso da falsa moral.

Embora tenha esse caráter de apoio dos movimentos sociais e estudantis, o Fora Collor teve apoio da mídia, especialmente do jornal Folha de S. Paulo, da Veja e da própria Rede Globo, que influenciou a juventude com a exibição da minissérie Anos Rebeldes que apresentava a luta de jovens de classe média contra a ditadura nos anos 60. Isso foi decisivo para o desfecho com a impugnação de mandato do presidente, feito mesmo após sua renúncia.

Referências

  1. «Fora Collor». Consultado em 7 de novembro de 2012. 
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