Ford Galaxie

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Ford Galaxie
Ford Galaxie 1963.
Visão Geral
Nomes
alternativos
Galaxie 500
Produção 1959 - 1974 (EUA)
1959 - 1961 (Austrália)
1967 - 1983 (Brasil)
Fabricante Ford Motor Company
Matriz Chicago
Sydney
São Paulo
Modelo
Classe Sedan de luxo
Ficha técnica
Transmissão Automático
Cronologia
Ford Fairlane
Ford LTD

O Ford Galaxie é um automóvel que foi fabricado pela Ford no Brasil de Janeiro de 1967 à 3 de abril de 1983 totalizando 77.670 uni­­dades produzidas[1]. Trata-se de um modelo sedã luxuoso, contando inclusive com ar condicionado e direção hidráulica já no fim da década de 1960, itens considerados opcionais até hoje em muitos carros. Eleito pela Mecânica Popular o Carro do Ano de 1967, também considerado pelos antigomobilistas o carro mais luxuoso do Brasil.

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Ford Galaxie

História[editar | editar código-fonte]

Década de 1960[editar | editar código-fonte]

Em 1965, o gerente da Ford do Brasil, John C. Goulden, já anunciava o lançamento de um moderno carro luxo. O Ford Galaxie fabricado no Brasil foi apresentado no V salão do automóvel, no ano de 1966. O modelo era baseado no Ford Galaxie 500 sedan americano de 1966. Sua fabricação se deu início em Janeiro de 1967. O Galaxie 500 brasileiro teve uma cerimônia de lançamento na fábrica da Ford no Ipiranga, no dia 16 de fevereiro de 1967, onde na ocasião tiveram celebridades e políticos, e então passou a ser um sonho de consumo da alta sociedade. Tinha um motor V8 Y-Block 272 de 4,5 litros (4.458 cm³) que rendia 164 hp brutos, emprestado da linha de caminhões da Ford no Brasil (posteriormente, em 1969, um novo teste no dinamômetro revelou um novo valor de potência bruta: 170 hp) e pesava 1780 quilos. Com o motor 272 ele alcançava 150 km/h, e fazia 0–100 km/h em 14,9 segundos. Ele tinha relativamente pouca potência, mas era uma usina de torque, podendo retomar de 30 km/h na última marcha (o câmbio era de três marchas na coluna) em uma leve subida. Nessa edição "Galaxie 500" contava com 5,33 metros, suspensão e bancos muito macios.

Em 1968 o Galaxie recebeu retrovisores externos, que até então eram opcionais pois não era item obrigatório. Em dezembro daquele ano o carro atingiu 16.449 unidades produzidas.

Em 1969, foi lançada a versão LTD do Galaxie, mais luxuosa, com acabamento do painel e das portas melhorado, teto em vinil, ar condicionado e câmbio automático opcional (hidramático, como chamado na época) opcionais, etc. O LTD foi o primeiro carro brasileiro a ter câmbio automático e o segundo a ter ar condicionado e foi responsável por popularizar esses itens no país. A versão era equipada com um novo motor, o 292 V8, que já vinha equipando as últimas versões de 1968. Este motor era o 272 redimensionado. Com 4.8 litros (4.785 cm³), rendia 190 hp brutos. Com o 292, o Galaxie 500 de 1970 alcançava 160 km/h e fazia 0–100 km/h em 13 segundos. O LTD, no entanto, era mais lento, devido ao câmbio automático, que ainda privilegiava a maciez e ao peso bem mais alto. Sua velocidade máxima aproximava-se dos 150 km/h e sua aceleração de 0 a 100 km/h era realizada em cerca de 15 segundos. A partir de 1970 esse motor seria montado em toda a série Galaxie.

Os motores Y-block 272 e 292 eram famosos pelo altíssimo torque e pela alta resistência.

Década de 1970[editar | editar código-fonte]

Em 1970 surgiu o Galaxie Standard, ou somente Galaxie. Era uma versão de entrada do luxuoso sedã. Não possuía direção hidráulica, relógio e rádio. Também vinha sem a maioria dos frisos, sem as calotas grandes e pneus comuns sem faixa branca. No ano anterior, a Chrysler havia lançado o Dart e em 1971 a GM o Opala Gran Luxo, que tentavam concorrer com o Galaxie. Então a Ford começou a fabricar uma versão ainda mais luxuosa que o LTD, o LTD Landau. O modelo LTD surgiu em setembro de 1968, já como ano/modelo 1969. O Landau, apresentado na linha 71, oferecia também, além do teto de vinil, vigia traseiro menor, aplicações em Jacarandá no painel e nas portas, forrações finas no interior e um adorno em formato de "S" que caracterizava o modelo. Era de longe o carro nacional mais requintado. Em 1971 as luzes de marcha-à-ré deixavam de ser integradas às lanternas traseiras e passavam a ser localizadas no pára-choque, onde foram mantidas até à linha 1980. Com esta alteração na linha 71, evidentemente as lanternas traseiras foram redesenhadas. A grade frontal também ganhou um novo design, com as lanternas/setas por trás. Além de novas calotas e maçanetas das portas.

Em 1972 o Galaxie Standand deixa de ser produzido.

Em 1973, ganhou novo capô, nova grade, teve a traseira redesenhada (e mais uma vez ganhou novas lanternas), novas calotas, frisos redesenhados e uma maior diversidade de cores. Em 1974 e 1975 não houve maiores mudanças.

Para a linha 1976, o Galaxie passou por grandes mudanças estéticas. Os faróis passaram a ser dispostos horizontalmente, assim como as lanternas traseiras, estas divididas em 3 segmentos em cada lado, mantendo a característica dos piscas traseiros sempre funcionando nas luzes de freio. As lanternas dianteiras passaram a ser maiores, mais envolventes e em posição vertical, ganhando lâmpadas âmbar, e sempre mantendo suas lentes na cor branca e a dupla função de pisca e luz de estacionamento na mesma lâmpada em todos os anos do modelo. O Galaxie 500 tinha a grade dianteira diferenciada das outras versões, com filetes horizontais que iam de uma lanterna dianteira até a outra, passando em volta dos quatro faróis. Já o LTD e o Landau tinham a grade dianteira com filetes verticais, porém sem que estes filetes passassem em volta dos quatro faróis. O vidro traseiro permanecia, como sempre, em tamanho reduzido apenas na versão topo de linha Landau, que era vendido apenas na cor cinza prata, com teto de vinil da mesma cor. O interior passou a ter tecidos mais finos, como o veludo inglês e o Jacquard inglês no Landau, e também passou a ter carpete de altíssima qualidade. Além de todas essas mudanças ele ganhou um novo motor que já equipava o Ford Maverick, o 302 Windsor, que foi erroneamente apelidado de canadense por ter tido unidades exportadas para o Brasil pela Ford Motor Company via Canadá ou linha de produção de Windsor/Canada. O novo propulsor trouxe grandes mudanças ao carro: 5,0 litros (4.950 cm³), que geravam 199 hp, e sua velocidade final era de cerca de 165 km/h na versão manual e 155 km/h na versão automática. A grande maioria dos motores 302 da linha Galaxie foram produzidas na Planta 1 da Ford em Cleveland.

Em Março de 1978, passa a ser produzida a então conhecida Série II do Galaxie, onde toda a linha recebia novo volante de 4 raios, dois cintos retráteis no banco dianteiro, pneus radiais, faróis de iodo, limpadores de pára-brisa de funcionamento intermitente, parabrisa laminado, além de novo padrão de estofamento desde sua estrutura até o tecido. Na parte mecânica a suspensão foi recalibrada com novos amortecedores, além de novas cores como o Cinza Executivo Metálico, exclusiva para o Landau.

O ano de 1979 é o último em que o Galaxie 500 é fabricado, recebendo novos frisos e uma grade em plástico preto. O carro passou a ter ignição eletrônica opcional. O ar condicionado passou a ser integrado no painel e possuía um novo carburador com venturi variável.

Estes automóveis utilizavam o carburador bijet DFV 444, adotados até o final de sua produção.

Década de 1980[editar | editar código-fonte]

Para 1980 só eram disponíveis os modelos LTD e Landau. Por causa da crise do petróleo, foi lançada a versão com motor 302 movida a álcool com enorme tanque de 107 litros, que chegou a responder pela maioria das vendas. Neste ano também surge a famosa cor Azul Clássico para o Landau, que dava um toque de classe a mais no carro. Os refletores vermelhos na até então exclusiva dos carros da frota da Ford designados para a sua presidência, refletores nas extremidade das laterais traseiras mudavam e passavam a ser iluminados quando se acendiam as lanternas. Ganhou porta-malas com abertura interna. No mesmo ano, quando o Papa João Paulo II visitou o Brasil, foi fabricado um modelo especial de Landau apelidado de Landau-Papamóvel, que foi utilizado durante a estada do Papa pelas cidades de São Paulo, Aparecida do Norte e Salvador.

Em 1981 as luzes de marcha-à-ré voltam a ser integradas às lanternas traseiras, desta vez ocupando o lugar aonde até 1980 acendia o terceiro par da meia-luz traseira. Eram adotados também suspensão recalibrada e novas pinças de freio. Em 1981 encerrava-se a produção do LTD com um único exemplar conhecido sendo modelo 1982 segundo as pesquisas do CNG[2] produzido em Outubro/1981.

Ford Landau 1982, o penúltimo modelo produzido.

No ano de 1982 a única versão disponível passou a ser a topo de linha, Ford Landau, sem maiores mudanças e foi em agosto de 1982 que se deu início da produção do seu último ano modelo, que trazia as conhecidas calotas presas com parafusos (rosqueadas), a versão de 1983.

No ano de 1983 foram produzidas as 125 últimas unidades do carro que deixaria saudades aos seus fiéis e ricos consumidores. No dia 3 de abril de 1983 saiu da linha de produção o último[2] Galaxie, um Landau pedido especial de cor Azul Marselha Metálico e sem vinil no teto, totalizando 77.670 unidades produzidas em seus 16 anos de luxo. Náquela época, com o agravamento da crise do petróleo, diminuiu a procura pelos sedãs grandes, o que levou a Ford a encerrar a produção deste que foi o mais luxuoso automóvel produzido no Brasil.

Pós-produção[editar | editar código-fonte]

Em seu lugar foi introduzido o Ford Del Rey, que também fez sucesso, mas nada comparado ao luxo e imponência de um Ford Galaxie/Landau.

Apesar de ter saído de linha, o Landau continuou fazendo sucesso, sendo o carro oficial da presidência até 1991, de muitas personalidades e da elite brasileira. Para muitos, o Galaxie foi o melhor carro já fabricado no Brasil. Ainda é um símbolo do luxo, chama atenção por onde passa, com seu tamanho e estilo. Existem ainda muito Galaxies no Brasil, e também muitos amantes do carro. Com certeza é um carro que marcará para sempre a história automobilística brasileira.

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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  • Após o fim da sua produção (1983), o então presidente José Sarney manteve duas unidades a etanol como Carro Presidencial Brasileiro até o fim de seu mandato, em 1990.
  • Mesmo com a produção encerrada, diversas personalidades políticas e televisivas continuaram o usando.
  • É considerado o carro mais luxuoso do Brasil.
  • Durante a visita do Papa João Paulo II, foi construída uma unidade pela Ford do Brasil especialmente para a ocasião, com teto solar de vidro Balístico. Outras unidades também foram criadas como a do Governo do Paraná, que era uma versão com um teto solar de Vinil.
  • Houve unidades adaptadas por concessionárias Ford para uso funerário.
  • Foi usado na abertura da novela Araponga.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ford lembra os 45 anos da produção do Galaxie no Brasil Gazeta do Povo
  2. a b Barragan Neto, Valter (Diário). «CNG - Cadastro Nacional do Galaxie». Google Docs  Verifique data em: |data= (ajuda)

Ver também[editar | editar código-fonte]