Formação Caturrita

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Formação Caturrita
Distribuição estratigráfica: Triássico Médio - Superior 220–215 Ma
Tipo Formação geológica
Unidade do(a) Bacia do Paraná (grupo Rosário do Sul)
Sucedida por Formação Botucatu
Precedida por Formação Santa Maria
Espessura 30 - 60 m
Litologia
Primária Arenito fluvial e deltáico
Localização
Homenagem Caturrita, bairro de Santa Maria, RS
Coordenadas -29.695042, -53.795403
Região  Rio Grande do Sul
País  Brasil
Extensão 250 km

A Formação Caturrita é uma formação geológica localizada no estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Sua datação é do período Triássico, mais especificamente carniano e noriano. Recebeu este nome devido a um bairro da cidade de Santa Maria. Esta localizado acima Formação Santa Maria. Geralmente são encontrados lenhos e árvores fossilizadas nesta formação. É uma formação que só se encontra no Rio Grande do Sul.[1] [2]

Origem[editar | editar código-fonte]

Boa parte da Bacia do Paraná parece não ter sofrido subsidência durante o Período Triássico, com exceção de alguns locais devido à ocorrência de falhamentos, possibilitando a deposição de sedimentos de origem fluvial e lacustre. Tais deposições deram origem às formações Caturrita e Santa Maria, as quais compõe a supersequência estratigráfica de segunda ordem denominada Supersequência Gondwana II.[3]

Características[editar | editar código-fonte]

A Formação Caturrita é constituída por material sedimentar depositado em ambiente fluvial no Triássico Superior. Sua composição é diversa, apresentando seixos de siltito argiloso vermelho na base, seguido por arenito avermelhado de granulometria fina à média, composição quartzosa e matriz argilosa, podendo ainda conter considerável teor de feldspato, sobreposto por siltito e folhelho também avermelhados. Em geral, a granulometria do arenito é mais grosseira e menos argilosa na base da deposição. Dado a sua origem fluvial, a Formação Caturrita apresentam marcada estratificação cruzada acanalada e tabular. A origem fluvial também resulta em significativa variação espacial na granulometria do arenito, identificada pelo contraste entre áreas de maior cimentação e coesão, com outras de maior condutividade hidráulica.[4][5][6]

Intemperismo e pedogênese[editar | editar código-fonte]

As rochas da Formação Caturrita podem dar origem a solos com características diferenciadas em função da sua posição na paisagem, a qual determina a condição de drenagem. Além disso, as caraterísticas dos solos formados depende da resistência dessas rochas ao intemperismo. Assim, os solos desenvolvidos a partir de rochas intemperizadas da Formação Caturrita podem ser classificados taxonomicamente como Neossolo (Litólico e Regolítico), Argissolo (Bruno-Acinzentado, Amarelo, Vermelho-Amarelo e Vermelho), Plintossolo e Planossolo[7][8][9], de acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS)[10].

Por se tratar de uma formação geológica constituída por arenitos fluviais, a Formação Caturrita dá origem a solos pobres em nutrientes como potássio, fósforo, cálcio e magnésio. Em contrapartida, os teores de alumínio no solo costumam ser elevados, prejudicando o desenvolvimento vegetal.[9]

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Referências

  1. http://www.lenep.uenf.br/~severian/es-sm-sincro.html Formação Santa Maria
  2. http://www.pesquisasemgeociencias.ufrgs.br/arquivos/ARTIGO311.pdf Paleoformações
  3. Milani, E.J. Comentários sobre a origem e a evolução tectônica da Bacia do Paraná. In: Mantesso Neto, V.; Bartorelli, A.; Carneiro, C.D.R.; Neves, B.B.B. (Eds.). Geologia do continente sul-americano - evolução da obra de Fernando Flávio Marques de Almeida. São Paulo, Brasil: Beca, 2005. p.264-279.
  4. Maciel Filho, C.L. Carta geotécnica de Santa Maria. Santa Maria, 1990. 21p.
  5. Pinto, J.S. Estudo da condutividade hidráulica de solos para disposição de resíduos sólidos na região de Santa Maria. 154p. Dissertação (Mestrado) Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2005.
  6. Sartori, P. Geologia e geomorfologia de Santa Maria. Ciência e Ambiente', v.38, p.19-42, 2009.
  7. Miguel, P. Pedological characterization, land use and modeling of the soil loss in hillslope areas the Plateau Border of RS. 112p. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2010.
  8. Dalmolin, R.S.D.; Pedron, F.A. Solos do município de Santa Maria. Ciência e Ambiente', v.38, 2009.
  9. a b Pedron, F.A.; Samuel-Rosa, A.; Dalmolin, R.S.D. Variation in pedological characteristics and the taxonomic classification of Argissolos (Ultisols and Alfisols) derived from sedimentary rocks. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.36, p.1-9, 2012.
  10. Embrapa. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2006.

Ver também[editar | editar código-fonte]