Foro de São Paulo

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Foro de São Paulo
(FSP)
Tipo Organização internacional
Fundação julho de 1990 (28 anos)
Estado legal Ativo
Propósito Segundo o próprio grupo: aprofundar o debate e procurar avançar com propostas de unidade de ação consensuais na luta anti-imperialista e popular, promover intercâmbios especializados em torno dos problemas econômicos, políticos, sociais e culturais que a esquerda continental enfrenta.
Sede Não possui sede oficial
Membros 111 partidos políticos e organizações de esquerda de toda a América Latina[1]
Línguas oficiais Espanhol, português e inglês
Organização
Sítio oficial www.forodesaopaulo.org

O Foro de São Paulo (FSP) é uma organização que reúne partidos políticos e organizações de esquerda, criada em 1990, a partir de um seminário internacional promovido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), do Brasil,[2][3] que convidou outros partidos e organizações da América Latina e do Caribe para promover alternativas às políticas dominantes na região durante a década de 1990, chamadas de "neoliberais",[4] e para promover a integração latino-americana no âmbito econômico, político e cultural.

Segundo a organização, atualmente mais de 100 partidos e organizações políticas de diversos países participam dos encontros.[1] As posições políticas variam dentro de um largo espectro, que inclui partidos social-democratas; extrema-esquerda; organizações comunitárias, sindicais e sociais; esquerda cristã, grupos étnicos e ambientalistas; organizações nacionalistas e partidos comunistas.

A primeira reunião do Foro foi realizada em São Paulo em 1990. Desde então, o Foro tem acontecido a cada um ou dois anos, em diferentes países da América Latina. Até julho de 2017, foram 23 encontros no total.[5] A primeira união do Foro foi realizada em São Paulo em 1990. Depois, as reuniões ocorreram a cada um ou dois anos: México (1991), Manágua, Nicarágua (1992); Havana, Cuba (1993); Montevidéu, Uruguai (1995); San Salvador, El Salvador (1996); Porto Alegre, Brasil (1997); Cidade do México, México (1998); Niquinohomo, Nicarágua (2000); Havana (2001), Antígua, Antígua e Barbuda (2002); Quito, Equador (2003); São Paulo (2005); San Salvador (2007); Montevidéu (2008); Cidade do México (2009), Buenos Aires, Argentina (2010); Manágua (2011); Caracas, Venezuela (2012); São Paulo (2013), La Paz, Bolívia (2014), Cidade do México (2015), San Salvador (2016), Nicarágua (2017) e Havana, Cuba (2018).

História[editar | editar código-fonte]

O primeiro encontro foi numa reunião ocorrida de 1º a 4 de julho de 1990, no extinto Hotel Danúbio, na cidade de São Paulo, Brasil,[6] e conseguiu reunir 48 partidos e organizações de 14 países latino-americanos e caribenhos, atendendo ao convite do Partido dos Trabalhadores (PT).[7] Essas organizações reuniram-se visando debater a nova conjuntura internacional pós-queda do Muro de Berlim, em 1989, e elaborar estratégias para fazer face ao embargo dos Estados Unidos a Cuba. O encontro chavama-se "Encontro de Partidos e Organizações de Esquerda da América Latina e do Caribe".

No encontro seguinte, realizado na Cidade do México, em 1991, com a participação de 68 organizações e partidos políticos de 22 países, examinou-se a situação e a perspectiva da América Latina e do Caribe frente à reestruturação hegemônica internacional. Na ocasião, consagrou-se o nome "Foro de São Paulo".

Após esse encontro, o Foro não parava de crescer. No ano seguinte, em Havana (Cuba), já contava com a participação de 30 países e o número de participantes havia aumentado exponencialmente.[8]

Posicionamentos[editar | editar código-fonte]

18º encontro do Foro de São Paulo, em Caracas, Venezuela.

Os objetivos iniciais do Foro de São Paulo estão expressos na "Declaração de São Paulo", documento que foi aprovado no final do primeiro encontro, na cidade de São Paulo, em 1990. O texto deste documento ressalta que o objetivo do foro é aprofundar o debate e procurar avançar com propostas de unidade de ação consensuais na luta antiimperialista e popular, promover intercâmbios especializados em torno dos problemas econômicos, políticos, sociais e culturais que a esquerda continental enfrenta após a queda do muro de Berlim. O documento afirmou que o encontro foi inédito por sua amplitude política e pela participação das mais diversas correntes ideológicas da esquerda[3].

Por fim, a Declaração diz encontrar "a verdadeira face do Império" nas renovadas agressões a Cuba e também à Revolução Sandinista na Nicarágua, no aberto intervencionismo e apoio ao militarismo em El Salvador, na invasão e ocupação militar norte-americana do Panamá, nos projetos e passos dados no sentido de militarizar zonas andinas da América do Sul sob o pretexto de lutar contra o “narcoterrorismo”. Assim, eles reafirmam sua solidariedade em relação à revolução cubana e à Revolução Sandinista, e também seu apoio em relação às tentativas de desmilitarização e de solução política da guerra civil de El Salvador, além de se solidarizarem com o povo panamenho e com os povos andinos que "enfrentam a pressão militarista do imperialismo".[3]

Um dos temas centrais previstos para o encontro do Foro de São Paulo em Montevidéu (dias 22 a 25 de maio de 2008) foi a reivindicação de renegociação do tratado de criação da Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional. O presidente do Paraguai, Fernando Lugo de esquerda, é membro do Foro de São Paulo e deseja aumentar a receita paraguaia proveniente da Usina de Itaipu, fixada no tratado de constituição da hidroeléctrica, de 1973.

Em Janeiro de 2010, o Partido da Esquerda Europeia - uma coalizão ampla de partidos de esquerda na Comunidade Económica Europeia - expressou na abertura de seu terceiro congresso seu interesse em estreitar os laços com o Foro de São Paulo.

Organização[editar | editar código-fonte]

Mapa mostrando membros do FSP (julho de 2016):
  no governo
  fora do governo
Mapa mostrando membros do FSP em setembro de 2011.

O Foro funcionou sem um grupo executivo apenas na sua primeira edição. No segundo encontro, realizado na cidade do México, em 1991, foi criado o chamado "Grupo de Trabalho", encarregado de "consultar e promover estudos e ações unitárias em torno dos acordos do Foro". Já na reunião realizada em Montevidéu (1995), foi criado o Secretariado Permanente do FSP.

Essas instâncias têm sua composição decidida a cada encontro e já foram integradas por organizações como: Partido dos Trabalhadores (Brasil); Izquierda Unida (Peru); Partido Comunista de Cuba; Partido da Revolução Democrática (México); Movimiento Bolivia Libre (Bolívia), entre diversos outros.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) foram excluídas do Foro a partir de 2002, após abandonarem as negociações para um acordo de paz na Colômbia e enveredarem pelo caminho dos sequestros, como da senadora Ingrid Betancourt, e do narcotráfico para financiar sua causa.[9] O grupo tentou participar de duas reuniões subsequentes (em 2004 e 2008), porém não obteve sucesso. No ano de 2008 sua presença foi barrada pelo PT, que ocupava a secretaria-executiva da entidade.[10]

Membros oficiais[editar | editar código-fonte]

Lista de alguns dos membros mais notórios do Foro de São Paulo, ordenados por país:[1]

País Nome Situação
 Argentina Partido Comunista da Argentina na oposição
 Barbados Partido do Empoderamento do Povo sem representação
 Bolívia Partido Comunista da Bolívia apoia o governo
Movimento para o Socialismo no governo
 Brasil Partido dos Trabalhadores (PT)
Partido Comunista do Brasil (PC do B)
Partido Democrático Trabalhista (PDT)
Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Partido Socialista Brasileiro (PSB)
Partido Pátria Livre (PPL)
na oposição
 Chile Esquerda Cidadã
Movimento Amplo Social
Partido Comunista do Chile
Partido Humanista Chile
Partido Socialista do Chile
na oposição
 Colômbia Polo Democrático Alternativo
Partido Comunista Colombiano
Marcha Patriotica
Presentes por el Socialismo
na oposição
Costa Rica Frente Ampla na oposição
 Cuba Partido Comunista de Cuba estado de partido único
Dominica Partido Trabalhista da Dominica no governo
República Dominicana Partido da Libertação Dominicana no governo
Equador Alianza País no governo
El Salvador Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional no governo
 Guatemala União Revolucionária Nacional Guatemalteca na oposição
Guiana Aliança do Povo Trabalhador na oposição
Honduras Liberdade e Refundação

Partido Unificação Democrática

na oposição
 Martinique Partido Comunista para a Independência e o Socialismo
Conselho Nacional de Comitês Populares
sem representação
 México Movimento Regeneração Nacional (Morena) no governo
Partido da Revolução Democrática
Partido do Trabalho
apoiam o governo
Partido Popular Socialista (México)
Partido Comunista do México
Partido dos Comunistas Mexicanos
sem representação
Nicarágua Frente Sandinista de Libertação Nacional no governo
 Paraguai Partido Comunista Paraguaio

Partido País Solidário

na oposição
 Peru Partido Comunista Peruano
Partido Socialista
Partido Nacionalista Peruano
sem representação
 Porto Rico Partido Nacionalista de Porto Rico
Frente Socialista
Movimento Independentista Nacional Hostosiano
sem representação
Uruguai Frente Ampla no governo
 Venezuela Partido Socialista Unido da Venezuela no governo

Membros históricos[editar | editar código-fonte]

Presidentes atuais cujos partidos políticos são membros históricos do Foro de São Paulo:

Críticas e controvérsias[editar | editar código-fonte]

Em 1997, o advogado José Carlos Graça Wagner acusou o Foro de ser uma organização internacional que objetivava o domínio político de países latino-americanos, alegando que a conferência reunia partidos ilegais e grupos terroristas ligados ao tráfico internacional de drogas.[11] Ainda de acordo com José Carlos Graça, o Foro visa manter o castrismo em Cuba e fazê-lo expandir-se para o continente, e para tal, usa o MST como ponta-de-lança.[12]

Luiz Felipe Lampreia ex-Ministro das Relações Exteriores, disse, em entrevista para a Globo News, que “O que explica a confusão da América Latina é o Foro de São Paulo”.[13] No último capítulo de seu livro O Brasil e os ventos do mundo: memórias de cinco décadas na cena internacional, Lampreia escreveu que, "O PT impulsionou o Foro de São Paulo (…). Nesses encontros, forjou-se um pacto de solidariedade visando chegar ao poder e tudo fazer para conservá-lo. A solidariedade vem daí e explica a leniência com que nosso governo aceitou os agravos de Hugo Chávez e Evo Morales (…). Chávez não tem nenhum poder de convocatório no Brasil, mas penso que faríamos bem em manter uma distância crescente do coronel."[14]

Em editorial de 13 de agosto de 2013, o jornal O Estado de S. Paulo, descrevendo a reunião como um foro anacrônico, aponta que os países participantes do foro tinham pior desempenho econômico do que os da Aliança do Pacífico. O editorial aponta ainda o fato de que todos os países que participam do Foro "padecem de burocratismo do aparelho estatal" que acometeu a União Soviética e seus satélites, e que não possuem perspectiva de conquistarem uma "verdadeira democracia social e de massas".[15]

Opositores do Foro de São Paulo dão destaque principalmente à participação da organização guerrilheira colombiana FARC nos encontros da organização, além de outros grupos também considerados criminosos por eles.[10][16][17][18] Entre estes grupos que se opõem ao Foro estão associações de intelectuais liberais como o UnoAmerica,[19] organização liderada pelo venezuelano Alejandro Peña Esclusa

Diante de uma consulta sobre o Foro de São Paulo, o então Ministro das Relações Exteriores, José Serra, alegou que “O Brasil não tem de estar aí (no foro), pois não é um país cucaracha”.[20]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c «Miembros del Foro de São Paulo ordenados por países:». Consultado em 29 de Novembro de 2017 
  2. Valter Pomar (13 de junho de 2013). «Declaração Final dos Encontros do Foro de São Paulo (1990-2012)». Website do Foro de São Paulo. Consultado em 2 de agosto de 2013 
  3. a b c PARTIDO DOS TRABALHADORES, Secretaria de Relações Internacionais (2013). Declaração Final dos Encontros do Foro de São Paulo (1990-2012) (PDF). [S.l.: s.n.] 180 páginas. Consultado em 21 de outubro de 2018 
  4. Silva Amaral, Marisa. «Neoliberalismo na América Latina e a nova fase da Dependência» (PDF). unicamp. Consultado em 26 de fevereiro de 2017 
  5. «DECLARACIONES FINALES DE LOS ENCUENTROS». Consultado em 30 de Julho de 2017 
  6. https://www.revistaforum.com.br/semanal/sete-verdades-sobre-o-foro-de-sao-paulo/
  7. «Foro de São Paulo Histórico do Foro de São Paulo». forodesaopaulo.org. Consultado em 19 de outubro de 2015 
  8. SALGUEIRO, Graça (2017). O Foro de São Paulo. [S.l.]: Observatório Latino. 210 páginas. ISBN 9780692803882 
  9. Rodrigo Rangel (30 de maio de 2008). Revista Época, ed. «De: Raúl Reyes Para: Lula». Época. Consultado em 22 de dezembro de 2015 
  10. a b Folha de S. Paulo, ed. (31 de maio de 2008). «PT barrou as Farc em foro da esquerda em São Paulo». Consultado em 22 de dezembro de 2015 
  11. «Conhecer o Foro de São Paulo é o mínimo para não ser um idiota». Livraria da Folha de S.Paulo. 19 de novembro de 2014. Consultado em 15 de janeiro de 2017 
  12. Graça Wagner, José Carlos (3 de fevereiro de 1998). «Conversão à vista?». Folha de S. Paulo. Consultado em 7 de janeiro de 2017 
  13. Grimaldo de Camargo, Silvio (24 de agosto de 2013). «Foro de São Paulo, 23 anos depois». Gazeta do Povo. Consultado em 27 de fevereiro de 2017 
  14. Lima, Mauricio (12 de maio de 2010). «Pouco diplomático». VEJA.com 
  15. «Um foro anacrônico». O Estado de S. Paulo. 10 de agosto de 2013. Consultado em 15 de janeiro de 2017 
  16. Azevedo, Reinaldo (30 de janeiro de 2008). «O Foro de São Paulo não é uma fantasia». Revista VEJA. Consultado em 27 de fevereiro de 2017 
  17. «Foro de São Paulo celebra iniciativas que aumentam controle da imprensa». www1.folha.uol.com.br. Folha de S.Paulo. 20 de agosto de 2010. Consultado em 27 de fevereiro de 2017 
  18. Noblat, Ricardo (31 de julho de 2010). «Conflito sem mediadores». Ricardo Noblat 
  19. Peña Esclusa, Alejandro (24 de fevereiro de 2009). «The Foro de São Paulo. A Threat to Freedom in Latin America.». www.unoamerica.org. UnoAmerica. Consultado em 27 de fevereiro de 2017 
  20. País, Ediciones El (17 de maio de 2016). «O Brasil, a região e a encruzilhada da Venezuela». EL PAÍS 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]