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Fortaleza (arquitetura militar)

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Fortaleza dos Cavaleiros, na Síria
Plano duma fortificação fortificada, obras exteriores e outros dispositivos de defesa e aproximação, 1728
Detalhes da fortaleza e das obras exteriores

Uma fortaleza (forte ou fortificação) (do latim fortis = forte ou facere = fazer) é uma estrutura arquitetônica militar projetada para a guerra defensiva. A humanidade vem erguendo este tipo de estruturas há milhares de anos, com uma variedade de desígnios crescentemente complexos.

Em termos técnicos, uma fortaleza é composta por duas ou mais baterias de artilharia, distribuídas em obras independentes, e com largo intervalo entre si. Por outro lado, um forte é composto de uma ou mais baterias na mesma obra. Algumas instalações militares são conhecidas como fortes, embora nem sempre sejam fortalecidos. A palavra fortificação também pode se referir à prática de melhorar a defesa de uma área com trabalhos de defensiva.

As estruturas de fortificação normalmente são divididas em duas categorias:

  • Fortificações permanentes - erguidas com todos os recursos que um Estado pode prover em termos de habilidade construtiva e mecânica, empregando materiais duradouros.
  • Fortificações de campanha (ou de campo) - erguidas no contexto de um combate ou de uma guerra, por tropas no campo, com o emprego de materiais locais que não exijam muita preparação, como terra apilhada, madeira de mato (faxina) etc.

Na segunda categoria ainda podem ser consideradas as fortificações semipermanentes, aquelas que, no curso de uma campanha, se tornam necessárias para proteger alguma localidade propiciando uma defesa permanente e que podem ser erguidas com o trabalho de civis e em pouco tempo.

Fortificações Bizantinas

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As fortificações bizantinas foram essencialmente cinturas amuralhadas urbanas que sofreram remodelações constantes em épocas posteriores, muitas vezes reaproveitando materiais de estruturas romanas precedentes. No Istmo de Corinto, imediatamente a sul do atual canal, persistem os vestígios de uma importante obra de alvenaria mandada erguer pelo imperador Teodósio II no século V para enfrentar as invasões bárbaras de visigodos e hunos. Esta muralha era tecnicamente denominada Hexamilion devido à sua extensão de seis milhas, aproximadamente nove quilómetros, e foi posteriormente reforçada no reinado de Justiniano I para garantir a integridade do Peloponeso. A eficácia desta estrutura residia na densidade das suas torres quadrangulares, que permitiam um fogo defensivo cruzado contra os atacantes. Esta fase histórica é detalhada por Timothy E. Gregory na sua obra sobre as fortificações de Isthmia, onde analisa a transição das defesas clássicas para as medievais no mundo bizantino. [1]

Idade Média e o Castelo

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Na Europa Ocidental, o castrum romano e a fortaleza de colina foram os precursores diretos do castelo, que começou a afirmar-se como o elemento defensivo central do Império Carolíngio a partir do século IX. Durante a Alta Idade Média, a proliferação destas estruturas esteve ligada à fragmentação do poder central, um processo que o historiador Dominique Barthélemy associa à necessidade de proteção local contra incursões externas e conflitos senhoriais. [2] Inicialmente, muitas cidades dispunham apenas de muros simples ou valas associadas a paliçadas, seguindo o modelo do vallum romano. Contudo, a partir do século XII, a fundação de novos centros urbanos, especialmente na Europa de Leste durante o período do Ostsiedlung, levou à construção de muralhas de tijolo e pedra com traçados regulares e fossos profundos. Estas fortificações medievais caracterizavam-se por uma tipologia de defesa vertical, utilizando muralhas de grande altura dotadas de ameias e merlões para proteção dos arqueiros, além de matacães ou caditóias, que eram aberturas no pavimento das galerias superiores destinadas ao lançamento de projéteis e substâncias sobre os sitiantes. [3] No final deste período, cidades como Nicósia e Chania foram fortificadas pela República de Veneza com muralhas que já evidenciavam a transição para a geometria moderna.

As fortificações medievais portuguesas, seguindo padrões semelhantes aos castelos de pedra europeus, apresentavam muralhas regulares ou poligonais, torres de menagem e cubelos, barbacãs e torres redondas (rondéis) destinadas ao flanqueamento. As muralhas possuíam ameias e matacães, e muitas vezes fosso e ponte levadiça, garantindo proteção contra assaltos diretos. Durante a transição para a era da artilharia, estas estruturas foram adaptadas: torres e cubelos foram rebaixados ou reforçados com aterros internos, surgiram baluartes semicirculares e tambores projetados para permitir fogo flanqueado paralelo às cortinas, e a base das muralhas recebeu alambor para dificultar a escalada. O tijolo passou a ser usado nas canhoeiras devido à sua capacidade de absorver impacto de projéteis, enquanto casamatas a céu aberto evoluíram para sistemas fechados ventilados, como na Torre de Évora Monte. [4]

Nesta fase de transição, mestres como Francisco de Arruda e teóricos como Albrecht Dürer (Manual para a Fortificação de Cidades, Castelos e Desfiladeiros, 1527) influenciaram a adaptação de castelos medievais à artilharia, promovendo a evolução para baluartes circulares, bastiões semi-circulares e sistemas híbridos que preparariam o terreno para a fortificação abaluartada.

A transição tardo-medieval

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Entre o modelo defensivo vertical herdado do castelo medieval e a consolidação da fortificação abaluartada de traçado italiano desenvolveu-se, sobretudo na viragem dos séculos XV para XVI, um conjunto de soluções intermédias que, apesar de um aparente conservadorismo formal, traduzem já uma transformação profunda das conceções defensivas tradicionais. A estas experiências, que conservam torres, cortinas contínuas e dispositivos de defesa em altura, mas integram respostas sistemáticas ao uso crescente da artilharia de fogo, tem a historiografia vindo a aplicar a designação de fortificação pré-abaluartada.[5] O espessamento maciço dos muros, o recurso a aterros interiores, a introdução de casamatas com bombardeiras no piso inferior, os dispositivos de tiro mergulhante sob as ameias e a generalização do fogo flanqueante denunciam já uma clara rutura com o sistema puramente medieval, ainda que sem o recurso a uma geometria plenamente racionalizada.[6]

No contexto português, esta fase de transição assume particular significado durante o reinado de D. João II (1481–1495), momento em que a arquitetura militar deixa de ser um simples elemento de apoio táctico para se afirmar como instrumento essencial de uma estratégia global de controlo territorial e marítimo, intimamente ligada à expansão portuguesa e à afirmação do princípio do mare clausum.[7] A decisão pessoal do monarca de fundar, logo no início do seu reinado, o Castelo de São Jorge da Mina, na costa do Golfo da Guiné, constitui a realização mais espetacular e paradigmática dessa nova orientação.[8]

Edificado entre 1482 e 1486, com uma rapidez sem precedentes — documentada pelo cronista Rui de Pina — o Castelo da Mina não pode ser entendido como um simples castelo medieval transplantado para os trópicos.[9] Pelo contrário, trata-se de uma fortificação de conceção avançada, organizada em torno de um bloco central quadrangular, com cerca de 25 metros de lado e muros de alvenaria de quase três metros de espessura, rodeado por fosso e dotado de torres circulares acasamatadas em três dos ângulos. Estas torres, originalmente ocadas e providas de bombardeiras no piso inferior, articulavam-se com níveis superiores residenciais, como se observa na torre do ângulo sudoeste, voltada ao mar, que servia de residência ao capitão da fortaleza.[10]

A torre principal, de planta retangular (c. 6 × 9 m), projetava-se em ressalto suficiente da cortina para permitir o tiro lateral de defesa da porta e da ponte levadiça, antecipando o princípio da defesa mútua. Esta torre, coroada por ameias em rabo-de-andorinha, motivo simbólico associado à ideologia política joanina, encontrava-se envolvida por uma barbacã provida de canhoneiras, prolongando-se em linha reta ao longo do lado nascente, o mais vulnerável a um ataque vindo do mar.[11] O recurso a estruturas como o balcão de matacães coberto (hourde) e a integração de dispositivos de tiro mergulhante sob as ameias reforçam o carácter híbrido da fortaleza, situada num limiar técnico e conceptual entre dois sistemas defensivos.

A tipologia adotada em São Jorge da Mina — um forte costeiro de planta regular, reforçado por torreões angulares e por um sistema articulado de fossos, barbacãs e plataformas de tiro — evidencia uma adaptação rigorosa às condições topográficas do local, desmentindo a persistente ideia da sua completa prefabricação em Portugal. Apenas os elementos mais custosos em cantaria terão sido preparados no reino, tendo o plano sofrido adaptações decisivas no próprio local, provavelmente sob a direção do mestre pedreiro Luís Afonso, verdadeiro responsável técnico pela obra, a quem se devem as opções mais inovadoras do conjunto.[12]

A experiência de São Jorge da Mina inaugura uma linha tipológica de grande futuro na arquitetura militar portuguesa, que inclui a torre marítima com baluarte baixo anexo e o forte quadrangular com torreões circulares acasamatados, soluções que se disseminariam rapidamente pelos litorais atlânticos e índicos. Fortificações como Castro Marim (1504), Sofala (1505), Cananor (1505) ou Malaca (1511) revelam já a aplicação e o aperfeiçoamento destes princípios, antes mesmo da plena sistematização teórica da fortificação abaluartada.[13]

Deste modo, a arquitetura militar joanina constitui um verdadeiro divisor de águas entre a tradição medieval e a modernidade poliorcética, não tanto pela adoção imediata do baluarte pentagonal clássico, mas pela introdução consciente de uma nova lógica defensiva baseada no uso sistemático do fogo flanqueante, na compartimentação funcional dos volumes, na integração do edifício no terreno e na exploração das potencialidades da artilharia. Estas conquistas empíricas, desenvolvidas em contextos periféricos e ultramarinos, precedem e preparam o terreno para as formulações teóricas da engenharia militar italiana e francesa dos séculos seguintes, conferindo à experiência portuguesa um papel central na génese da fortificação moderna.[14]

Era moderna e a fortificação de traçado italiano

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Nomenclatura de uma fortificação abaluartada: 1) flanco do baluarte; 2) cortina; 3) gola do baluarte; 4) face do baluarte; 5) linha de defesa (linha de fogo); 6) linha capital do baluarte; 7) esplanada (perfil); 8) caminho coberto (perfil); 9) contraescarpa (perfil); 10) fosso (perfil); 11) refocete (perfil); 12) escarpa (perfil); 13) caminho de ronda (perfil); 14) muralha (perfil); 15) parapeito (perfil); 16) banqueta (perfil); 17) terrapleno (perfil); 18) reparo (perfil); 19) esplanada; 20) tenalha composta; 21) meia-lua; 22) hornaveque; 23) Fosso; 24) baluarte de orelhões; 25) revelim; 26) baluarte regular; 27) chapéu do bispo; 28) Praça de armas; 29) caminho coberto; 30) contraguarda; 31) cortina; 32) tenalha; 33) chapéu de bispo (hornaveque); 34) coroada; 35) escarpa

As altas muralhas medievais tornaram-se obsoletas com o uso generalizado do canhão e dos projéteis de metal no século XV. Este avanço tecnológico forçou a evolução das fortificações para estruturas mais baixas e maciças, capazes de absorver o impacto cinético da artilharia através de aterros internos e da técnica de alvenaria de enchimento. Surgiu assim a fortificação de traçado italiano, ou trace italienne, onde a geometria desempenhava um papel crucial. O baluarte, uma plataforma pentagonal projetada para fora da cortina, eliminava os ângulos mortos e permitia o fogo flanqueado de cobertura. [15] Exemplos desta transição podem ser observados na Fortaleza de Sarzanello e nas muralhas de Rodes, que combinam elementos medievais com revelins e plataformas de tiro angulares. [16] Este modelo atingiu o seu expoente máximo em cidades-fortaleza de planta estrelada, como Palmanova em Itália ou Elvas em Portugal, sendo esta última um dos maiores sistemas abaluartados do mundo.[17] No início do século XVI, os rondéis foram substituídos por apêndices pentagonais denominados baluartes, sistema que se desenvolveu intensamente na Itália. No início do século XVII, o engenheiro francês Blaise François Pagan formulou métodos geométricos para o desenho de baluartes. Esta ciência foi refinada por Sébastien Le Prestre de Vauban, que adaptou as fortificações à topografia. No reinado de D. João V, a engenharia militar consolidou-se sob a influência de tratados como o de Sebastián Fernández de Medrano. As dimensões das praças-fortes deviam seguir métricas rigorosas: as faces do baluarte não deviam exceder trezentos pés; os flancos deviam medir entre cem e cento e oitenta pés para garantir o alcance do tiro forte de mosquete; e a cortina devia situar-se entre quatrocentos e cinquenta e quinhentos e cinquenta pés em uma praça real.[18]

Evolução entre os séculos XVI e XVIII

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A arquitetura das fortalezas evoluiu da verticalidade medieval para o sistema abaluartado, um processo que exigiu profundas adaptações estruturais para suportar o impacto da artilharia e otimizar o tiro defensivo através de cálculos matemáticos. Com o aparecimento das armas de fogo, a artilharia passou a ser utilizada primordialmente para o cerco de praças-fortes. Em resposta, para proteger as muralhas contra as balas de canhão, estas passaram a ser construídas com maior espessura e a sua parte superior foi arredondada para desviar os projéteis.

A base das fortificações passou a ser protegida por fossos mais profundos e largos, utilizando-se o excedente de terra para criar o glacis além da contraescarpa. O contraescarpa passou a ser revestido por muralhas de pedra com contrafortes voltados para o inimigo. No interior, foram instalados banquetes com degraus para a infantaria e o valgango, uma rampa de terra para a movimentação da artilharia, enquanto as muralhas recebiam ameias e canhoeiras de diversas formas para o disparo de canhões e culebrinas.[19][20]

As fortalezas abaluartadas eram extremamente dispendiosas. Os 22 baluartes de Amesterdão custaram 11 milhões de florins, e Siena, em 1544, faliu para pagar as suas defesas[21]. Por esta razão, as fortalezas abaluartadas eram frequentemente improvisadas a partir de defesas anteriores. As muralhas de cortina medievais eram demolidas e um fosso era escavado à sua frente. A terra proveniente da escavação era amontoada atrás das muralhas para criar uma estrutura sólida[22].

Embora as fortificações construídas de raiz tivessem frequentemente um revestimento de tijolo — devido à capacidade deste material em absorver o impacto do fogo de artilharia — muitas defesas improvisadas reduziam custos ao omitir esta fase, optando por utilizar apenas terra. A improvisação também consistia em rebaixar torres redondas medievais e preenchê-las com terra para reforçar as estruturas[23].

Era também frequentemente necessário alargar e aprofundar o fosso exterior às muralhas para criar uma barreira mais eficaz contra assaltos frontais e a escavação de minas. A partir da década de 1520, os engenheiros passaram a construir enormes taludes de terra de inclinação suave, chamados de glacis, em frente aos fossos, de modo a que as muralhas ficassem quase totalmente ocultas do fogo de artilharia horizontal[24]. O principal benefício do glacis era impedir que a artilharia inimiga disparasse à queima-roupa; quanto menor o ângulo de elevação, maior o poder de interrupção do projétil[25]. O primeiro exemplo fundamental da trace italienne ocorreu no porto papal de Civitavecchia, onde as muralhas originais foram rebaixadas e reforçadas, uma vez que a pedra tendia a estilhaçar sob bombardeamento, tornando-se perigosa para os próprios defensores[26].

No contexto português, esta fase de transição assume particular relevância durante o reinado de D. João II (1481–1495), quando a arquitetura militar deixa de ser predominantemente reativa e passa a integrar-se numa estratégia de controlo territorial e marítimo associada à expansão ultramarina. A fundação do Castelo de São Jorge da Mina, na costa do Golfo da Guiné, constitui o exemplo mais paradigmático desta nova abordagem[27]. Longe de se tratar de um castelo medieval convencional, a fortaleza apresenta um bloco central compacto, torres circulares acasamatadas, barbacãs com bombardeiras e soluções de defesa flanqueante que antecipam princípios fundamentais da poliorcética moderna.

A tipologia adotada em São Jorge da Mina — um recinto quadrangular com torreões angulares e dispositivos de artilharia integrados — revela uma clara adaptação às exigências balísticas e topográficas, demonstrando que a transição para a fortificação moderna não foi exclusivamente fruto da tratadística italiana, mas resultou igualmente de experiências empíricas em contextos periféricos e coloniais. Estas soluções viriam a influenciar fortificações portuguesas posteriores tanto no Atlântico como no Índico, funcionando como modelos flexíveis de ocupação e defesa de litorais estratégicos[28].

Trace italienne

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A primeira grande batalha que demonstrou verdadeiramente a eficácia da trace italienne foi a defesa de Pisa, em 1500, contra um exército combinado de Florença e da França. Com as fortificações medievais originais a desmoronarem sob o fogo dos canhões franceses, os pisanos construíram um reparo (ou terrapleno) de terra atrás do setor ameaçado. Descobriu-se que o talude de terra inclinado não só podia ser defendido contra o assalto por escalada, como também era muito mais resistente ao fogo de artilharia do que a muralha de cortina que havia substituído.

O segundo cerco memorável foi o de Pádua, em 1509. Fra Giocondo, um frei e engenheiro encarregado da defesa da cidade veneziana, mandou rebaixar a muralha medieval da cidade e rodeou-a com um largo fosso que podia ser varrido por fogo flanqueado, proveniente de canhoeiras posicionadas em projeções que se estendiam para o interior do fosso. Ao constatarem que o fogo dos seus canhões causava pouco impacto nestes reparos baixos, os sitiantes franceses e aliados realizaram vários assaltos sangrentos e infrutíferos, acabando por retirar-se.

O novo tipo de fortificação desempenhou também um papel crucial nas numerosas guerras do Mediterrâneo, retardando a expansão otomana. Embora Rodes tivesse sido parcialmente atualizada com o novo tipo de fortificações após o cerco de 1480, foi ainda assim conquistada em 1522; no entanto, foi um cerco longo e sangrento, onde os sitiados não tinham esperança de auxílio externo devido à proximidade da ilha com a base de poder otomana. Por outro lado, os otomanos falharam a tomada de Corfu em 1537, em grande parte devido às novas fortificações, e várias tentativas posteriores ao longo de quase dois séculos (outra importante ocorreu em 1716) também fracassaram.[29][30]

Duas fortalezas estreladas foram construídas pela Ordem de São João na ilha de Malta em 1552: o Forte de Santo Elmo e o Forte de São Miguel. O Forte de Santo Elmo desempenhou um papel crítico no cerco otomano de 1565, conseguindo resistir a um bombardeamento pesado por mais de um mês. Embora tenha acabado por cair, as baixas otomanas foram altíssimas e o forte garantiu o tempo necessário para que a força de socorro vinda da Sicília chegasse para libertar o resto da ilha. A fortaleza estrelada desempenhou, portanto, um papel crucial e decisivo no desfecho do cerco.[31]

Após a queda de Veneza perante Napoleão, Corfu foi ocupada em 1797 pelos exércitos republicanos franceses. As fortificações, agora antigas, ainda mantinham algum valor nesta época. Uma aliança russa-otomana-inglesa, liderada no mar pelo Almirante Ushakov e com tropas enviadas por Ali Paxá de Janina, retomou Corfu em 1799 após um cerco de quatro meses. A guarnição, liderada pelo general Louis François Jean Chabot, com falta de provisões e tendo perdido a ilha estratégica de Vido na entrada do porto, rendeu-se e foi autorizada a regressar a França.[32][33]

Transição arquitetónica e a influência manuelina

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As torres medievais sofreram modificações para desempenharem o papel de estruturas de flanqueamento, permitindo o fogo ao longo das cortinas. Adotaram formas semicirculares, projetando-se para a frente com a gorja aberta. Estas estruturas ficaram conhecidas como rondéis ou baluartes circulares. Nelas, por vezes, localizavam-se casamatas para as bocas de fogo. Um dos principais teóricos desta transição foi Albrecht Dürer, que expôs as suas ideias na obra "Manual para a Fortificação de Cidades, Castelos e Desfiladeiros", publicada em 1527.

Nesta fase, sob a influência de mestres como Francisco de Arruda, a fortaleza portuguesa experimentou morfologias híbridas que rompiam com o modelo do castelo gótico. Segundo Mário Jorge Barroca, a principal inovação foi o surgimento dos bastiões ultra-semi-circulares, como os do Castelo de Portel em 1510, que permitiam o fogo flanqueado paralelo ao pano da muralha.[20] As áreas de tiro eram inicialmente concebidas como casamatas a céu aberto, como na Torre de Belém, surgindo apenas em 1531, na Torre de Évora Monte, sistemas eficazes de ventilação em espaços fechados. Outro elemento distintivo é o uso do alambor, uma escarpa inclinada na base das muralhas que reforçava a estrutura contra impactos e dificultava a escalada. O tijolo passou a ser utilizado nas molduras das canhoeiras por possuir uma capacidade de absorção de impacto superior à pedra de cantaria rígida.[20]

Obras exteriores e defesas avançadas

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A eficácia de uma fortaleza abaluartada dependia de um sistema complexo de obras exteriores destinadas a retardar o inimigo e proteger o recinto principal. Estas estruturas eram desenhadas para serem dominadas pelo fogo das muralhas interiores caso fossem capturadas.

O elemento exterior fundamental era o revelim (ou meia-lua), uma obra isolada de planta triangular posicionada no fosso em frente à cortina. A sua função era proteger a cortina contra o fogo direto da artilharia inimiga e flanquear as faces dos baluartes adjacentes.[34] Situada no fosso, imediatamente em frente à cortina, encontrava-se a tenalha. Era uma obra de baixa elevação destinada a fornecer uma plataforma de tiro rasante para a infantaria defender o fosso contra assaltos diretos.[18]

Para proteger subúrbios ou pontos fracos na topografia, utilizavam-se obras de maior escala denominadas hornaveques (obra em corno) e obras coroadas. O hornaveque consistia em dois meio-baluartes ligados por uma cortina. Quando a estrutura possuía um baluarte central e dois meio-baluartes nas extremidades, recebia o nome de coroada ou coronaveque[nota 1]. Estas estruturas eram ligadas ao corpo principal por muralhas paralelas chamadas braços.[35]

Na periferia extrema, para além do caminho coberto e do glacis, podiam ser construídas lunetas e contra-guardas. Todo este sistema era complementado por minas e contra-minas subterrâneas, galerias escavadas sob o glacis onde os defensores detonavam cargas explosivas sob as trincheiras dos atacantes.[20]

Papel estratégico e logístico

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Nas guerras dos finais do século XVII e XVIII, as fortalezas desempenharam um papel crucial logístico. A dependência dos exércitos em relação ao abastecimento a partir de armazéns militares tornava as fortalezas os locais mais seguros para o depósito de mantimentos. As campanhas militares desta época reduziam-se frequentemente a cercos sistemáticos conduzidos através da poliorcética.[36]

Seguia-se o método do cerco científico, formalizado por Vauban, que consistia em isolar a praça e avançar gradualmente as defesas do atacante através de trabalhos de terra e trincheiras. O primeiro passo era o investimento da praça, onde a cavalaria e a infantaria cercavam o perímetro. De seguida, construíam-se a linha de circunvalação, voltada para o exterior, e a linha de contravalação, voltada para a fortaleza.[35]

Para aproximar as tropas das muralhas, utilizava-se o sistema de paralelas. A primeira paralela servia como base de operações; a segunda abrigava as baterias de ricochete; e a terceira paralela era escavada junto ao sopé do glacis, de onde a infantaria podia fazer fogo sobre o caminho coberto.[35] Uma vez dominado o caminho coberto, o atacante instalava a bateria de brecha na crista do glacis para criar uma rampa de escombros praticável.[18]

Século XIX e a fortificação poligonal

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Plano de Genebra em 1841. As colossais fortificações, entre as mais importantes da Europa, foram demolidas dez anos depois.
Fortaleza abaluartada de Olomouc (c. 1757), no Margraviato da Morávia (atual República Checa).

O advento das granadas explosivas e dos canhões de alma estriada no século XIX tornou as complexas fortificações abaluartadas extremamente vulneráveis ao tiro parabólico. Em resposta, os engenheiros militares desenvolveram a fortificação de base poligonal, um conceito promovido inicialmente por Marc-René de Montalembert. Este sistema privilegiava fossos profundos cortados diretamente na rocha, protegidos por casamatas e caponidreiras situadas no fundo do fosso, o que permitia um tiro rasante contra a infantaria inimiga.[37] O perfil do forte tornou-se quase invisível à distância, sendo rodeado por um glacis de terra que desviava os projéteis e negava cobertura aos atacantes. Durante este século, as potências europeias continuaram a utilizar versões simplificadas destas defesas em contextos coloniais, onde a superioridade tecnológica garantia a resistência de pequenas guarnições contra forças numericamente superiores.

Séculos XX e XXI e a Era dos Bunkers

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A Primeira Guerra Mundial demonstrou que as fortificações permanentes de betão armado podiam ser destruídas por artilharia super-pesada, como os morteiros alemães de 42 cm. [38] No período entre guerras, a França construiu a Linha Maginot, um sistema de defesa em profundidade com túneis subterrâneos e torres retráteis. Embora tecnicamente avançada, a sua eficácia foi limitada pela guerra de movimento e pela capacidade alemã de contornar a linha através da Bélgica.[39] Na Segunda Guerra Mundial, o desenvolvimento de bombas de alta penetração, as chamadas bunker busters como a Tallboy, eliminou a segurança das estruturas de superfície. [40] Na era contemporânea, as fortificações militares tornaram-se essencialmente subterrâneas, como o complexo do NORAD no Monte Cheyenne, ou assumiram a forma de zonas desmilitarizadas, como a que separa a Coreia do Norte da Coreia do Sul, funcionando como barreiras passivas de alta vigilância.[41]

Espécies, tipos e classes

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Na arte militar, existia uma divisão das fortalezas por espécies, tipos e classes:

  • Fortaleza terrestre — complexo de estruturas defensivas para a proteção de algum território, objeto militarmente importante (cidade, entroncamento rodoviário, travessia de rio ou desfiladeiro);
  • Fortaleza marítima — complexo de estruturas de defesa costeira para a proteção do litoral, da zona marítima e do porto;
  • Fortaleza costeira;
  • Fortaleza insular;
  • Fortaleza de fortes (ou Praça-forte de cintura de fortes);
  • Fortaleza de I (1.ª) classe (fortaleza de primeira ordem);
  • Fortaleza de II (2.ª) classe (fortaleza de segunda ordem);
  • Fortaleza de III (3.ª) classe (fortaleza de terceira ordem);
  • Fortaleza-depósito;
  • e assim por diante.

Fortificações de Vauban

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As Fortificações de Vauban constituem um Patrimônio Mundial da UNESCO composto por 12 grupos de edifícios e sítios fortificados ao longo das fronteiras da França. Foram projetados pelo arquiteto militar Sébastien Le Prestre de Vauban (1633–1707) durante o reinado do rei Luís XIV.

Estes locais incluem uma grande variedade de estruturas, desde cidadelas, baterias de montanha e fortificações marítimas, até muralhas com baluartes e torres. Além disso, o sítio abrange cidades construídas do zero por Vauban e torres de comunicação.[42]

Estes locais foram selecionados por exemplificarem a obra de Vauban, testemunhando a influência dos seus projetos na engenharia militar e civil a uma escala global, do século XVII ao século XX.[42]===Cidadela de Vauban, Arras===

A Cidadela de Vauban, localizada em Arras (Pas-de-Calais), foi construída por Vauban entre 1667 e 1672. A cidadela foi apelidada pelos residentes de La belle inutile (a bela inútil), uma vez que nunca esteve diretamente envolvida em combates pesados e, em última análise, não conseguiu impedir os alemães de ocupar a cidade em nenhuma das Guerras Mundiais. No interior da cidadela, ao lado da Place de Manœuvre, foi construída uma pequena capela em estilo barroco. No exterior, o Mur des Fusillés (o muro dos fuzilados) presta homenagem aos 218 membros da Resistência Francesa fuzilados no fosso da cidadela durante a Segunda Guerra Mundial.[43]

Cidadela de Besançon

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A Cidadela de Besançon, em Besançon (Doubs), é considerada uma das melhores obras de arquitetura militar de Vauban. A cidadela ocupa 11 hectares no Monte Saint-Etienne, uma das sete colinas que protegem Besançon, a capital de Franco-Condado. O Monte Saint-Etienne ocupa o "gargalo" de um meandro formado pelo rio Doubs, conferindo ao local uma importância estratégica que Júlio César já reconhecia em 58 a.C. A cidadela, construída entre 1668 e 1683, domina o bairro antigo da cidade e a curva do rio. É edificada sobre um grande sinclinal num campo retangular atravessado em sua largura por três bastiões sucessivos (recintos ou frentes), atrás dos quais se estendem três praças.[43] Toda a cidade é cercada por muralhas cobertas por caminhos de ronda e pontuadas por torres de vigia e postos de sentinela. As muralhas têm entre 15 a 20 metros de altura com uma espessura entre 5 e 6 metros. Também incluído neste sítio está o Forte Griffon, construído entre 1680 e 1684.[43]

Sítios em Blaye-Cussac-Fort-Médoc

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A cidadela de Blaye, as muralhas da cidade, o Forte Paté e o Forte Médoc localizam-se em Blaye-Cussac-Fort-Médoc (Gironda). A cidadela de Blaye foi construída entre 1686 e 1689, e os vizinhos Forte Paté e Forte Médoc foram erguidos entre 1689 e 1700. A justaposição destes três sítios através do estuário do Gironda ajudava a proteger Bordéus em caso de uma possível invasão marítima.[43]

Briançon, Altos Alpes

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Este sítio, localizado em Briançon (Altos Alpes), contém uma muralha urbana, quatro fortes (incluindo o Forte dos Três Cabeças e o Forte do Randouillet), a Redoute des Salettes, a ouvrage de la communication Y, bem como a Ponte Asfeld.[43] A muralha medieval da cidade foi reconstruída por Vauban entre 1692 e 1700, os fortes foram construídos segundo as suas especificações entre 1709 e 1732, a torre de comunicações entre 1724 e 1734, e a Ponte Asfeld entre 1729 e 1731.[43]

Tour Vauban

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A Tour Vauban, também conhecida como Tour dorée (Torre Dourada), fica em Camaret-sur-Mer (Finisterra). É uma torre defensiva poligonal de 18 metros de altura, construída entre 1693 e 1695 com base num plano de Vauban no Sillon em Camaret-sur-Mer, como parte das fortificações do estreito de Brest. Possui três níveis e é flanqueada por muralhas, um corpo de guarda e uma bateria de artilharia com capacidade para 11 canhões, além de uma fundição de balas de canhão adicionada no período da Revolução Francesa.[43]

Ville neuve, Longwy

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A ville neuve (cidade nova) localiza-se em Longwy (Meurthe-et-Moselle). Toda a cidade nova foi projetada e construída por Vauban a partir de 1679. Possui uma forma hexagonal com um traçado regular em torno de uma praça de armas quadrada e flanqueada por bastiões. Embora a cidade tenha sido destruída em grande parte devido a sucessivos cercos, muitos elementos da arquitetura militar ainda permanecem.[43]

Praça-forte, Mont-Dauphin

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O sítio da place forte localiza-se em Mont-Dauphin (Altos Alpes). Construído em 1692 por Vauban no topo de um planalto, segue um plano ortogonal e contém vários edifícios militares datados dos séculos XVI a XVIII.[43]

Cidadela e muralhas, Mont-Louis

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A cidadela e as muralhas de Mont-Louis localizam-se em Mont-Louis (Pirenéus Orientais). Foram construídas em 1679 para facilitar as passagens fronteiriças com a Espanha e contêm uma cidadela quadrada e muralhas urbanas fortificadas com 25 postos de sentinela.[43]

Ville neuve, Neuf-Brisach

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A ville neuve em Neuf-Brisach (Alto Reno) situa-se perto da fronteira alemã. Construída do zero entre 1698 e 1703, é uma das últimas obras de Vauban, destinada a guardar a fronteira com a Alemanha (então o Sacro Império Romano-Germânico). É o único exemplo do "terceiro sistema fortificado" de Vauban, com uma muralha dupla.[43]

Cidadela e muralhas, Saint-Martin-de-Ré

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Uma cidadela e muralhas urbanas projetadas por Vauban entre 1681 e 1685 localizam-se em Saint-Martin-de-Ré (Charente-Maritime). A cidadela, rodeada por seis bastiões e um fosso seco, foi construída em apenas 40 dias.[43]

Torres de vigia, Saint-Vaast-la-Hougue

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Duas torres de vigia projetadas por Vauban e seu aluno localizam-se na comuna de Saint-Vaast-la-Hougue (Mancha). Elas enfrentam-se através da baía de Saint-Vaast, com a torre mais alta, de dois andares, situada na ilha de Tatihou. Construídas em 1694, as torres têm uma forma cónica truncada e são cercadas por um forte abaluartado que abriga capelas, quartéis e paióis de pólvora.[43]

Sítios em Villefranche-de-Conflent

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O Forte Libéria, a Cova Bastera e as muralhas de Villefranche-de-Conflent (Pirenéus Orientais) também fazem parte do patrimônio mundial. As alterações de Vauban na muralha da cidade começaram em 1669, o Forte Libéria foi construído em 1679 e a Cova Bastera foi instalada após a morte de Vauban, em 1707.[43]

Dois sítios inicialmente considerados foram removidos da lista final: um castelo em Bazoches (Nièvre) e a cidadela e muralhas que rodeiam Le Palais em Belle-Île-en-Mer (Morbihan).

  1. A obra em corno (hornaveque) tem apenas uma frente composta por dois meio-baluartes e uma cortina; mas a obra coroada (coronaveque) tem duas, isto é, um baluarte inteiro no meio e dois meio-baluartes nas extremidades, o que lhe confere muito mais força e ocupação de terreno.

Elementos da fortaleza

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Obras exteriores

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Dispositivos de defesa

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Ver também

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Bibliografia

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  • NUNES, António Lopes Pires. Dicionário de Arquitetura Militar. Casal de Cambra: Caleidoscópio, 2005. 264p. il. ISBN 972-8801-94-7
  • VAUBAN, Sebastién Le Preste. A Manual of Siegecraft and Fortification. Michigan: Ann Arbor, 1968.

Ligações externas

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Referências

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  2. Barthélemy, D., The Serf, the Knight, and the Historian, Cornell University Press, 2009.
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  5. BARROCA, Mário Jorge. Tempos de resistência e de inovação: a arquitectura militar portuguesa no reinado de D. Manuel I. Portugália, Nova Série, Vol. XXIV, 2003, pp. 95–118.
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