Fortaleza de São Tiago do Funchal

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Fortaleza de São Tiago do Funchal
Fortaleza de São Tiago, Funchal.
Início da construção 1614
Função inicial Defesa
Local Funchal,  Madeira
Fortaleza de São Tiago: Portão de Armas.
Fortaleza de São Tiago: guarita.

A Fortaleza de São Tiago localiza-se no centro histórico da cidade do Funchal, na Região Autónoma da Madeira. As suas dependências abrigam desde 1992 o Museu de Arte Contemporânea do Funchal (MACFunchal).

História[editar | editar código-fonte]

De acordo com o Elucidário Madeirense a fortificação foi principiada sob a Dinastia Filipina e, de acordo com inscrição epigráfica sobre o primitivo Portão de Armas, estaria concluída em 1614. O seu primitivo projeto é atribuído a Mateus Fernandes (III), modificado por Jerónimo Jorge, fortificador régio que o substituiu a partir de 1595.

As suas obras estariam em progresso em 1611, bastante adiantadas em 1614, data que se inscreveu sobre o primitivo Portão de Armas. Já em 1612 o governador Manuel Pereira solicitou provisão para Domingos Rodrigues como capitão da mesma, provisão essa que, entretanto, não foi deferida.

As suas obras complementares estariam concluídas por volta de 1637. Conhece-se o seu aspecto inicial através de um desenho de 1654, de autoria de Bartolomeu João, filho de Jerónimo Jorge (falecido em 9 de Dezembro de 1617), que a representa de pequenas dimensões, já com três ordens de baterias artilhadas com quinze peças, fechando pelo lado Leste as muralhas da cidade. As esplanadas médias eram gémeas, comunicando com a esplanada baixa por duas escadarias.[1] À época, existia uma porta que acedia uma escada para o mar. Acerca deste período, o "Elucidário" complementa:

"Aumentada depois da Restauração, teve uma nova muralha e portão exterior, sendo o remate dos muros da cidade. Em 1697 foi capitão 'ad honorem' desta fortaleza Manuel Telo Catanho de Meneses com a obrigação de a ter limpa e provida de vigias."

No século XVIII foi reedificada e ampliada por determinação do governador e capitão-general da Madeira José Correia de Sá, com projeto atribuído ao engenheiro Francesco Tosi Colombina ou ao seu sucessor, Francisco de Alincourt, estando indicada a data de 1767 em uma inscrição epigráfica sobre uma das portas.[2] Essas obras conferiram à fortaleza o seu atual aspecto, restando da primitiva construção apenas uma das escadarias que estabelecia comunicação entre a esplanada média e a baixa, onde se encontra a cisterna. Estava guarnecida, em meados do século, por 20 homens.

À época da Guerra Peninsular, por volta de 1801, uma esquadra composta pelos HMS Agro, a fragata HMS Carrysfort, e o bergantim HMS Falcon, desembarcou na Madeira um efetivo de 3500 soldados britânicos, sob o comando do coronel Henry Clinton, ficando aquarteladas nas semi-abandonadas fortificações, entre as quais esta fortaleza, então sob o comando de João Manuel de Atouguia e Vasconcelos.

Quando do grande aluvião de 1803, o seu comandante recebeu ordens para alojar nas dependências da fortaleza as vítimas que tinham ficado sem habitação. Nesse mesmo ano, esteve detido nas dependências da fortaleza o morgado João de Freitas da Silva, evadido do Convento de São Bernardino, "(...) para onde tinha sido mandado até se instruir nos rudimentos da doutrina cristã".[3] No mesmo período, por volta de 1806 o destacamento britânico abandonou a ilha.

Ainda durante o século XIX foram iniciadas as obras de construção da Casa do Governador da fortaleza, que alteraram parcialmente o volume estrutural da mesma, aproximando-o da atual feição.

No alvorecer do século XX, quando da visita de Carlos I de Portugal e sua esposa à ilha (1901), a fortaleza sofreu alguns melhoramentos. Depois de assistir a uma missa campal no campo D. Carlos (após a Implantação da República Portuguesa renomeado como campo do Almirante Reis), o soberano almoçou na fortaleza. Para o efeito foi montada uma grande tenda redonda, na parada média, onde ainda hoje, no chão, se podem observar as argolas de ferro que lhe serviram de sustentação. À época, a fortaleza servia como quartel à Bateria de Artilharia Móvel, que tinha uma secção destacada no Forte do Ilhéu, que então salvava as embarcações que entravam no porto do Funchal. Em 1921, de acordo com o "Elucidário", servia de quartel à Bateria n° 3 de Artilharia de Montanha.

Em meados do século XX, então desocupada, passou a ser ocupada pela Liga dos Combatentes.

Sofreu remodelações por volta de 1974, quando foi ocupada pela Polícia do Exército que ali instalou o Esquadrão de Lanceiros do Funchal. Esta unidade permaneceu aquartelada na fortificação até à cedência do imóvel ao Governo Regional da Madeira (18 de julho de 1992)[4].

Atualmente encontra-se inserida nos limites classificados da "Zona Velha" da cidade, por sua vez classificada como "Monumento de Interesse Regional". Após passar por uma intervenção de restauração, foi requalificada como espaço museológico e aberta ao público em 17 de Julho de 1992 sediando o Museu de Arte Contemporânea do Funchal.

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Referências

  1. Atualmente só existe uma, tendo a segunda sido destruída por obras de ampliação posteriores.
  2. O "Elucidário" transcreve essa epigrafia: "Esta fortaleza foi reedificada e acrescentada, sendo governador e capitão-general desta ilha José Correia de Sá e para a mesma fortaleza mandou vir de Londres cincoenta peças de artilharia, com todos os preparos no ano de 1767.".
  3. Heraldo da Madeira, n° 441, apud: verbete "Fortalezas", Elucidário Madeirense.
  4. Cf. placa alusiva, no local.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]