Forte da Má Ferramenta

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Forte da Má Ferramenta, Terceira: restos da muralha este.
Forte da Má Ferramenta: restos da muralha oeste.
Forte da Má Ferramenta (José Rodrigo de Almeida, 1830, GEAEM).
Planta do Forte da Má Ferramenta (António Bello de Almeira Jr.; Damião Pego, 1881-1882).

O Forte da Má Ferramenta localiza-se no lugar do Bravio, próximo ao porto da freguesia de São Mateus da Calheta, concelho de Angra do Heroísmo, na costa sul da ilha Terceira, nos Açores.

Em posição dominante sobre este trecho do litoral, constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa deste ancoradouro contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.

História[editar | editar código-fonte]

Desconhece-se a data precisa em que foi erguido. A sua técnica construtiva indica ser antigo, seguindo o modelo dos fortes do plano de Tommaso Benedetto. Admite-se, por essas razões, que remonte à época do então corregedor dos Açores, Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos (c. 1581), ou, no mais tardar, ao período imediatamente a seguir à Restauração Portuguesa (1640).

Com a instalação da Capitania Geral dos Açores, o seu estado foi assim reportado em 1767:

"30º - Reducto da Má Ferramenta. Precisa porta nova, tem trez canhoneiras, trez peças de ferro capazes, com os seus reparos bons, precisa para se guarnecer tres artilheiros e doze auxiliares."[1]

Encontra-se referido como "34. Reducto da má Farramenta" no relatório "Revista aos fortes que defendem a costa da ilha Terceira", do Ajudante de Ordens Manoel Correa Branco (1776), que lhe aponta os reparos necessários: "Ade mister quartel p.ª a guarda, o qual se deve fazer em lugar competente e portáo no parapeito, que deve ter por posionado pella parte da terra."[2]

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) voltou a revestir-se de importância estratégica, constando o seu alçado e planta na "Colecção de Plantas e Alçados de 32 Fortalezas dos Açores, por Joze Rodrigo d'Almeida em 1830", atualmente no Gabinete de Estudos de Arquitetura e Engenharia Militar, em Lisboa.

A "Relação" do marechal de campo Barão de Bastos em 1862 informa que se encontra "Em bom estado, mas precisa que os parapeitos do lado do mar sejam elevados a maior altura." E observa:

"Apenas consta de um barbete, onde se acha assentada uma peça de calibre 24 e merece ser conservado porque dista cerca de duas milhas da ponta de S. Diogo do Castello de S. João Baptista, cruza efficazmente os seus fogos com a dita ponta, defendendo tambem o porto do fanal e o da Silveira."[3]

À época dos Tombos dos Fortes da Ilha Terceira (1881), já em 1883 era encarada a possibilidade de o Exército Português vir a proceder à venda das cantarias que iam desaparecendo, muitas delas subtraídas por particulares para a construção de residências.[4]

No século XX, em 1939 iniciava-se o processo de devolução do imóvel ao Ministério das Finanças. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, foi ocupado militarmente, restando deste período alguns elementos das construções em cimento.

A estrutura encontra-se atualmente em ruínas.

Características[editar | editar código-fonte]

Do tipo abaluartado, a sua planta evoluiu do característico forte quinhentista, trapezoidal, com quatro canhoneiras e paiol abobadado encostado à gola, para uma plataforma lajeada destinada a suportar uma boca de fogo de grosso calibre jogando à barbeta, com as muralhas ao nível do terrapleno (estrutura existente em 1881). A área ocupada era de aproximadamente de 280 metros quadrados. O forte era acedido por uma escada que começava na valeta da estrada real nº 1.

Em tempos idos existia uma muralha orientada para o sul e outra para o este, provavelmente prolongando-se até se encontrarem, formando um forte de planta retangular, segundo os historiadores. No entanto, outros autores afirmam que as muralhas eram unidas por uma muralha curva.

Referências

  1. JÚDICE, 1767.
  2. Revista aos Fortes que Defendem a costa da Ilha Terceira - 1776 in IHIT.pt. Consultado em 3 dez 2011.
  3. BASTOS, 1997:272.
  4. Damião Pego. "Tombos dos Fortes da Ilha Terceira".

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Anónimo. "Colecção de todos os fortes da jurisdição da Villa da Praia e da jurisdição da cidade na Ilha Terceira, com a indicação da importância da despesa das obras necessárias em cada um deles (Arquivo Histórico Ultramarino)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LI-LII, 1993-1994.
  • Anónimo. "Revista aos Fortes que Defendem a Costa da Ilha Terceira – 1776 (Arquivo Histórico Ultramarino)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LVI, 1998.
  • BASTOS, Barão de. "Relação dos fortes, Castellos e outros pontos fortificados que devem ser conservados para defeza permanente." in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LV, 1997. p. 272-274.
  • FARIA, Manuel Augusto. "Ilha Terceira – Fortaleza do Atlântico: Forte da Má Ferramenta". in Diário Insular, 24-25 de maio de 1997.
  • JÚDICE, João António. "Revista dos Fortes da Terceira". in Arquivo dos Açores, vol. V (ed. fac-similada de 1883). Ponta Delgada (Açores): Universidade dos Açores, 1981. p. 359-363.
  • MARTINS, José Salgado, "Património Edificado da Ilha Terceira: o Passado e o Presente". Separata da revista Atlântida, vol. LII, 2007. p. 20.
  • MOTA, Valdemar. "Fortificação da Ilha Terceira". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LI-LII, 1993-1994.
  • NEVES, Carlos; CARVALHO, Filipe; MATOS, Arthur Teodoro de (coord.). "Documentação sobre as Fortificações dos Açores existentes nos Arquivos de Lisboa – Catálogo". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. L, 1992.
  • PEGO, Damião; ALMEIDA JR., António de. "Tombos dos Fortes da Ilha Terceira (Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LIV, 1996.
  • VIEIRA, Alberto. "Da poliorcética à fortificação nos Açores: introdução ao estudo do sistema defensivo nos Açores nos séculos XVI-XIX". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. XLV, tomo II, 1987.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]