Forte da Rua Longa

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Planta do Forte da Rua Longa (Damião Pego, Julho de 1881).

O Forte da Rua Longa localizava-se na baía ou enseada do Rolo (de "pedra rolada"), na freguesia dos Biscoitos, concelho da Praia da Vitória, na costa norte da ilha Terceira, nos Açores.

Em posição dominante sobre este trecho do litoral, constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa deste ancoradouro contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.

História[editar | editar código-fonte]

Pouco se sabe acerca de sua construção ou evolução, uma vez que nem o padre António Cordeiro (Historia Insulana), nem Francisco Ferreira Drumond (Anais da Ilha Terceira), o referem.

Sabe-se, entretanto, que Pero Anes do Canto proveu a fortificação do porto da Cruz dos Biscoitos (Forte de São Pedro) e parece lógico que o mesmo tenha se preocupado em criar uma defesa na outra enseada deste povoado, onde um desembarque era possível.

Há quem defenda que o porto de Pero Anes do Canto se situava, na realidade, na baía do Rolo, sendo o forte da Rua Longa aquele que o Provedor das Armadas fez construir, embora não haja documentos que corroborem esse raciocínio.

A "Relação" do marechal de campo Barão de Bastos em 1862 informa que se encontrava incapaz desde longos anos, e complementa: "(...) É uma obra simplesmente de terra, construida em propriedade particular, e só deve ser reconstruida quando as circunstancias o exijão."[1]

No contexto da Segunda Guerra Mundial abrigou um ninho de metralhadoras. Do mesmo modo, as ruínas de uma pequena casa à sua entrada, também se devem relacionar com a obra efetuada durante aquele conflito, uma vez que essa edificação não consta da planta de 1898.

Características[editar | editar código-fonte]

Os vestígios que chegaram aos nossos dias não permitem concluir como foi a sua primitiva planta.

O tombo de 1881 aponta-lhe os vestígios, e a planta então desenhada permite compreender que se tratava de fortificação de pequenas dimensões, embora já não mostre a existência de canhoneiras, edificações de serviço ou parapeitos para fuzilaria.

É possível que nos anos imediatamente a seguir tenha sofrido algumas obras, a crer-se em planta posterior, datada de 1898, e que o apresenta com duas canhoneiras.

Referências

  1. BASTOS, 1997:267.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Anónimo. "Colecção de todos os fortes da jurisdição da Villa da Praia e da jurisdição da cidade na Ilha Terceira, com a indicação da importância da despesa das obras necessárias em cada um deles (Arquivo Histórico Ultramarino)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LI-LII, 1993-1994.
  • BASTOS, Barão de. "Relação dos fortes, Castellos e outros pontos fortificados que se achão ao prezente inteiramente abandonados, e que nenhuma utilidade tem para a defeza do Pais, com declaração d'aquelles que se podem desde ja desprezar." in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LV, 1997. p. 267-271.
  • DRUMMOND, Francisco Ferreira. Anais da Ilha Terceira (fac-simil. da ed. de 1859). Angra do Heroísmo (Açores): Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1981.
  • FARIA, Manuel Augusto. "Ilha Terceira – Fortaleza do Atlântico: Forte da Rua Longa". in Diário Insular, s/d.
  • FARIA, Manuel Augusto. Pedras que falam, pedras que formam! (2ª ed.). Praia da Vitória: Câmara Municipal da Praia da Vitória, 1997.
  • MARTINS, José Salgado, "Património Edificado da Ilha Terceira: o Passado e o Presente". Separata da revista Atlântida, vol. LII, 2007. p. 51.
  • MOTA, Valdemar. "Fortificação da Ilha Terceira". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LI-LII, 1993-1994.
  • NEVES, Carlos; CARVALHO, Filipe; MATOS, Arthur Teodoro de (coord.). "Documentação sobre as Fortificações dos Açores existentes nos Arquivos de Lisboa – Catálogo". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. L, 1992.
  • PEGO, Damião; ALMEIDA JR., António de. "Tombos dos Fortes da Ilha Terceira (Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LIV, 1996.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]