Forte de Galle

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Forte de Galle, Sri Lanka: detalhe.
Forte de Galle: muralhas.
Ponto Galle (gravura, c. 1750).
Pointe de Galle (gravura, 1754).
Forte de Galle: antiga bateria.

O Forte de Galle localiza-se na baía de Galle, na costa sudoeste da ilha de Ceilão, atual Sri Lanka. Galle é considerada o melhor exemplo de cidade fortificada erguida pelos Europeus no sul e sudeste da Ásia, testemunho da interação entre estilos de arquitetura Europeus e tradições do sul da Ásia. Essa combinação assegurou ao conjunto a classificação como Património Mundial pela UNESCO desde 1988.

História[editar | editar código-fonte]

O forte português[editar | editar código-fonte]

O primeiro contato dos portugueses com Galle, o principal porto da ilha desde a Antiguidade, ocorreu em 1505 quando aqui aportaram sob o comando de D. Lourenço de Almeida, inaugurando uma nova etapa na história da ilha graças à amizade que estabeleceram com o então soberano da ilha, Dharmaparakrama Bahu (1484–1514).

Uma fortificação portuguesa, em faxina e terra, sob a invocação da Santa Cruz, foi erguida em Galle, junto com uma capela franciscana em seu interior (hoje em ruínas), em 1541. Essa primitiva fortificação foi utilizada mais tarde como prisão para Cingaleses que se opuseram ao domínio Português.

Os Portugueses deslocaram os seus interesses de Galle para Colombo. Em 1588, entretanto, foram ali atacados pelas forças Cingalesas do Rajá Singa I (r. 1581–1593) do Reino de Ceitavaca, que as obrigou a retornar para Galle.

Estes, sob o comando de Matias de Albuquerque conquistaram Galle e reformularam a sua fortificação, erguendo uma torre elevada que dominava o acesso a uma robusta couraça. O conjunto era completado por outros elementos de defesa, ficando a povoação cercada pelo lado de terra por uma muralha com 660 metros de extensão e três baluartes.

O forte neerlandês[editar | editar código-fonte]

Em 1640, os eventos tomaram uma nova feição quando os neerlandeses da Companhia Neerlandesa das Índias Orientais aliaram-se a Rajasinghe II de Kandy (último reino independente do Ceilão após as regiões costeiras terem sido dominadas pelas forças portuguesas) para capturar Galle, o que foi empreendido por uma força de 2500 homens sob o comando de Koster.

A atual fortificação remonta a 1663, com recurso à mão-de-obra dos Cingaleses, caracterizando-se por uma muralha em alvenaria de pedra (granito), amparada por três baluartes, denominados de "Sol", "Lua" e "Estrela". Continuou a ser ampliada até ao século XVIII, quando compreendia edifícios militares e administrativos, depósitos, oficinas (forja, carpintaria, cordoaria e outras), alojamentos militares e civis e estabelecimentos comerciais. Uma igreja Protestante (com projeto de Abraham Anthonisz) também foi erguida, em estilo barroco (1775) para atender as necessidades da população. Os edifícios mais importantes do complexo são a Casa do Comandante, o Arsenal e a Casa de Armas. Outra estrutura expressiva é um complexo sistema de drenagem, inundado na maré alta, com a função de eliminação de detritos.

Todas as possessões neerlandesas passaram para o domínio britânico pelo tratado de 1796. Os britânicos mantiveram a fortificação e continuaram a utilizar Galle como seu principal porto no Ceilão, até ser superado por Colombo, na década de 1880.

Constitui-se em importante testemunho histórico, arqueológico e arquitetónico, encontrando-se em boas condições graças a uma extensa intervenção de conservação e restauração empreendida pelo Departamento de Arqueologia do Sri Lanka.

Características[editar | editar código-fonte]

A primitiva fortificação portuguesa, erguida no século XVI para defesa de Galle, era uma estrutura de faxina e terra com uma paliçada de madeira, fechando o lado de terra (norte), amparada por três baluartes. À época, compreendia-se que as faces da península voltadas para o mar eram naturalmente inexpugnáveis, não tendo recebido defesas. A chamada "muralha do mar" foi acrescentada apenas em 1729, visando fechar completamente a cidade em termos defensivos.

Quando sob o controle neerlandês, estes consideraram as defesas portuguesas insuficientes, uma vez que ainda eram de faxina e terra. Decidiram então envolver completamente a península com uma cintura defensiva, como proteção contra as demais potências coloniais em ação na região. Foram erguidos assim 14 baluartes em pedra de granito e coral, cobrindo uma área de 52 hectares (130 acres). A maior parte dessa obra teve lugar em 1663. A cidade, erguida no seu interior, foi planificada sobre uma grelha com as ruas periféricas alinhadas paralelamente aos terraplenos do forte.

A forte apresenta dois portões. Sobre o primeiro portão de acesso uma inscrição epigráfica informa: "ANNO MDCL XIX" com o brasão de armas neerlanês com o ubíquo emblema do galo e a sigla da Companhia - "VOC" - inscrita ao centro.

O portão principal, situa-se no lado norte do forte (lado de terra) e é pesadamente fortificado. Os portugueses haviam escavado um fosso para complemento da sua defesa, que foi alargado no período neerlandês, com a reformulação dos antigos muros em 1667 e a construção dos baluartes do Sol, da Lua e da Estrela. Este portão também foi modificado pelos britânicos a partir de 1897, visando facilitar o tráfego para a cidade velha. A sua defesa era complementada por uma ponte levadiça sobre o fosso e uma inscrição indica a data de 1669. Outros baluartes que receberam nomes são os da Aurora, Tremon, Kleipenberg e Emaloon, que acrescentam um elemento de grandeza ao conjunto.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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