Forte de Nossa Senhora da Conceição (Velas)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Searchtool.svg
Esta página ou seção foi marcada para revisão, devido a incoerências e/ou dados de confiabilidade duvidosa. Se tem algum conhecimento sobre o tema, por favor, verifique e melhore a coerência e o rigor deste artigo.
Forte de Nossa Senhora da Conceição, Velas: aspecto das muralhas.
Forte de Nossa Senhora da Conceição, enquadramento na paisagem.
Forte de Nossa Senhora da Conceição: guarita.
Auditório Municipal e Centro Cultural das Velas.

O Forte de Nossa Senhora da Conceição localiza-se na freguesia das Velas, concelho de mesmo nome, na costa sul da ilha de São Jorge, nos Açores.

Em posição dominante a oeste sobre a baía das Velas, constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa deste ancoradouro contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico. Cruzava fogos, a leste, com o Forte de Santa Cruz.

Se formos a esta fortaleza, ja se encontram poucas pedras das quais fizeram parte da fortaleza ( estas fortalezas eram feitas com pedra de tufo)

História[editar | editar código-fonte]

Por Provisão Régia datada de 4 de junho de 1572, Sebastião I de Portugal determinou fossem executadas obras de fortificação nas ilhas do Faial e de São Jorge.[1]

Desse modo, e em resultado de uma inspeção às ilhas efetuada pelo Desembargador Fernão de Pina Marecos[2] foi enviado a São Jorge o encarregado das fortificações do Reino, Álvaro Fernandes, com a missão elaborar projetos e executá-los. Para garantir os recursos necessários, aplicou-se um imposto de 2% para a construção das fortificações e muralhas ao longo da orla das vilas.[3]

Em 16 de março de 1576, Luís Gonçalves Cota, fidalgo cavaleiro e mestre das obras das fortificações, dirigiu-se às Velas como empreiteiro para "feitorar o forte que estava abalisado". Entretanto, como era muito dispendiosa a balisagem do forte do modo que o dito mestre ordenava, a Câmara Municipal e os Vereadores, tendo em atenção a muita pobreza da terra, e não quererem os concelhos da Calheta e Topo contribuir para essas obras, deliberaram em sessão de 11 de agosto de 1576 não fazer a obra e que se mandasse um homem ao reino a pedir a sua Alteza para deixar os dízimos da ilha, tendo em vista a muita carestia que então havia na terra.

Mais tarde, havendo notícia de inimigos, a Câmara com o povo acordaram, em 15 de março de 1578, que no porto principal da vila se devia colocar artilharia, que se fizesse uma trincheira com dois traveses e a cortina pela banda de terra, uma vez que, pela banda do mar havia altura de sobra para, atrás desta cortina se recolher toda a arcabuzeria e bombardeiros. E que no porto do mar de Bairros, hoje do Pocinho, se fizesse uma estância para nela jogarem duas peças de artilheria, e na ponta da Senhora da Conceição, outra estância onde jogassem algumas peças de artilharia, sendo isto o que havia necessidade de se fortificar na vila e porto para que os inimigos não desembarcassem.

No contexto da Dinastia Filipina, em 1617 havendo o soberano notícia de que em Argel se havia juntado uma quantidade de velas, no ano seguinte (1618) remeteu, para fortificação das ilhas dos Açores, o capitão Marcos Fernandes de Teive. Este, achando-se nas Velas a 14 de maio do mesmo ano, mandou sustar a construção de uma cortina atrás do Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição, por ser costa brava e não poder ali o inimigo entrar. Traçou então a cortina de muralhas do porto do mar de Bairros, que se estendiam do castelo de Santa Cruz, até à Senhora da Conceição, cobrindo o porto das Caravelas.[4] Estas obras estavam concluídas em 1621, encontrando-se em progresso a fortificação junto ao poço de beber. Nestas duas obras, despenderam-se 541$105 réis.

No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa, o forte foi reedificado em 1644[5] sobre o lugar onde anteriormente se erguiam a primitiva Igreja de Nossa da Conceição das Velas e outro antigo forte, esse remontando a 1641.

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1702-1714) terá sido insuficiente defesa quando do assalto do corsário francês René Duguay-Trouin em 20 de setembro de 1708. Na ocasião, uma força de 200 homens desembarcou e invadiu a vila das Velas onde, diante da deserção dos moradores, reabasteceu-se dos víveres de que necessitava.[6]

Encontra-se referido como "A Fortaleza de Nossa Senhora da Conceiçam." na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710".[7]

SOUSA (1995), em 1822, ao descrever o porto de Velas refere: "(...) o [castelo] da Conceição de 12 [peças], (...).".[8]

A "Relação" do marechal de campo Barão de Bastos em 1862 informa que se encontra em bom estado, e observa:

"Por officio do Ministro da Guerra de 4 de Fevereiro de 1859 forão mandados conservar devidamente guardados. Defendem bem o porto que é o principal da Ilha, e contribuem para lhe certo respeito e importância; com tudo não há forma militar para os guarnecer, e somente ali existe um Official de Veteranos, e duas praças que vegião pela sua conservação."[9]

O Tombo de 1883 refere que contava com sete canhoneiras e uma incipiente guarita.

Um forte temporal e a consequente ressaca marinha causaram sérios danos à estrutura em 1896.[10]

Foi cedido, por volta de 1912, à Câmara Municipal[11] para ser utilizado como mercado de gado.[12]

Em 1928 contava com oito canhoneiras e a guarita,[13] ano em que foi vendido à Empresa Elétrica Velense.[14]

Durante muitos anos votado ao abandono, foi requalificado no início do século XXI, com a recuperação de grande parte das suas muralhas. Em seu interior foi erguido o Auditório Municipal e Centro Cultural das Velas.

Características[editar | editar código-fonte]

Fortificação do tipo abaluartado, apresentava planta no formato de um polígono irregular com oito lados. Naqueles voltados ao mar rasgavam-se sete canhoneiras. Em seu terrapleno erguiam-se as edificações de serviço: Casa da Guarda, paiol de pólvora e cisterna. No ângulo voltado a oeste existia uma guarita.

Referências

  1. REZENDES, 2010(a).[ligação inativa] Consultado em 20 dez 2011.
  2. "Veio a estas ilhas dos Açores, por mandado de el-rei Dom Sebastião, que estê em glória, por presidente do desembargo e com outros cárregos supremos, que executou como estremado senador, zeloso da honra de Deus, serviço de el-rei e bem dos povos." (FRUTUOSO, Gaspar. Saudades da Terra, Livro VI, Capítulo XII: Dos Corregedores, Desembargadores e Provedores da Fazenda e alguns outros cargos de Justiça que houve nestas ilhas dos Açores. Consultado em 22 dez 2011.)
  3. AVELLAR, 1902:238.
  4. PEREIRA, 1987:129.
  5. PEREIRA, 1987:128.
  6. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. "Manuscritos da Livraria", nº 2641, fls. 11-12, relação das "ilhas debaixo", elaborada pelo emissário-régio António do Couto de Castelo Branco, Horta, 1710. in MENESES, Avelino de Freitas de. Estudos de História dos Açores (vol. II). Ponta Delgada (Açores): Jornal de Cultura, 1995. p. 38.
  7. "Fortificações nos Açores existentes em 1710" in Arquivo dos Açores, p. 180. Consultado em 8 dez 2011.
  8. Op. cit., p. 103.
  9. BASTOS, 1997:273.
  10. S. Jorge/Açores: Guia do Património Cultural. s.l.: Atlantic View - Actividades Turísticas, Lda, 2003. ISBN 972-96057-2-6. p. 66.
  11. REZENDES, 2010(a).[ligação inativa] Consultado em 20 dez 2011.
  12. REZENDES, 2009. Consultado em 20 dez 2011.
  13. REZENDES, 2010(a).[ligação inativa] Consultado em 20 dez 2011.
  14. REZENDES, 2009. Consultado em 20 dez 2011.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BASTOS, Barão de. "Relação dos fortes, Castellos e outros pontos fortificados que devem ser conservados para defeza permanente." in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LV, 1997. p. 272-274.
  • CASTELO BRANCO, António do Couto de; FERRÃO, António de Novais. "Memorias militares, pertencentes ao serviço da guerra assim terrestre como maritima, em que se contém as obrigações dos officiaes de infantaria, cavallaria, artilharia e engenheiros; insignias que lhe tocam trazer; a fórma de compôr e conservar o campo; o modo de expugnar e defender as praças, etc.". Amesterdão, 1719. 358 p. (tomo I p. 300-306) in Arquivo dos Açores, vol. IV (ed. fac-similada de 1882). Ponta Delgada (Açores): Universidade dos Açores, 1981. p. 178-181.
  • CYMBRON, José Carlos M., "A situação actual do património histórico-militar dos Açores", in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. XLIX, 1991, p. 529-536.
  • NEVES, Carlos; CARVALHO, Filipe; MATOS, Artur Teodoro de (coord.). "Documentação sobre as Fortificações dos Açores existentes nos Arquivos de Lisboa – Catálogo". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. L, 1992.
  • PEGO, Damião. "Tombos dos Fortes das Ilhas do Faial, São Jorge e Graciosa (Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LVI, 1998.
  • PEREIRA, António dos Santos. A Ilha de São Jorge (séculos XV-XVIII): contribuição para o seu estudo. Ponta Delgada (Açores): Universidade dos Açores, 1987. 628p. mapas, tabelas, gráficos.
  • SOUSA, João Soares de Albergaria de. Corografia Açórica: Descrição Física, Política e Histórica dos Açores. Ponta Delgada (Açores): Jornal de Cultura, 1995. 142p. ISBN 972-755-013-4
  • VIEIRA, Alberto. "Da poliorcética à fortificação nos Açores: introdução ao estudo do sistema defensivo nos Açores nos séculos XVI-XIX". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. XLV, tomo II, 1987.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]