Praça-forte de Peniche

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Fortaleza de Peniche
Forte Peniche 04.JPG
Fortaleza de Peniche, Portugal.
Mapa de Portugal - Distritos plain.png
Construção João III de Portugal (1557)
Estilo Abaluartado
Conservação Bom
Homologação
(IGESPAR)
N/D
Aberto ao público Sim

A Praça-forte de Peniche, monumento nacional desde 1938, situa-se nesta cidade, no extremo sul do distrito de Leiria, em Portugal.

O Forte de Peniche (também designado fortaleza ou cidadela) [1] é a principal fortificação desse conjunto defensivo. Encontra-se implantado na encosta sul da Península de Peniche, por sobre as escarpas, entre o porto de pesca, a leste, e a Gruta da Furninha a oeste. [2] [3] [4] [5].

Placa do museu no átrio de entrada
Fosso da cidadela (a oeste)

É hoje um museu, historicamente designado como Museu de Peniche e pouco depois como Museu Municipal de Peniche. Existe enquanto tal desde o início da década de oitenta, reunindo colecções de arqueologia (representativas do espólio da gruta da Furninha), de arqueologia subaquática e terrestre da região de Peniche como objectos recolhidos no ilheu da Papoa por Jean-Yves Blot, provenientes do naufrágio do galeão San Pedro de Alcântara [6] [7] [8], além de vestígios paleontológicos locais únicos no mundo [9], de malacologia (ramo da biologia que estuda os moluscos), de construção naval e de artesanato local (rendas de bilros). A recuperação da área principal da prisão política foi feita graças a dinheiros da autarquia (Pavilhão C [10]). Poderiam a partir daí ser visitadas as antigas celas dos presos, o que atraiu anualmente um número considerável de visitantes (cerca de 100.000). [11] [12] [13] [14]

A CRIAÇÃO DO MUSEU DE PENICHE[editar | editar código-fonte]

No museu da fortaleza, então conhecido como Museu de Peniche, será integrado o Museu da República e da Resistência a de 4 de outubro de 1976. Tal decisão tem como eminente o Conselho de Ministros e é promulgada pelo Decreto-lei 709-B/76. [15] Tal decisão inicia o processo de cedência da fortaleza ao Município de Peniche, que antes estava sob a alçada do Ministério da Justiça por interesses do Estado Novo (« Não era uma prisão privativa da PIDE-DGS, mas o Forte de Peniche recebia os presos que o Estado Novo queria neutralizar. »). [16]

Processo de cedência da Fortaleza ao município[editar | editar código-fonte]

4 DE OUTUBRO DE 1976 :

Criação pelo Decreto-lei 709-B/76 do Museu da República e da Resistência, a sedear na Fortaleza de Peniche e com sede em Lisboa, equipamento que ficaria na dependência do Conselho de Ministros. [17]

18 DE MAIO DE 1984 :

Inauguração oficial do Museu de Peniche (mais tarde designado de Museu Municipal de Peniche), ocupando parte das instalações da Fortaleza. Consta o segiunte na ata da reunião camarária de 22 de maio de 1984 : “A Câmara Municipal deliberou também oficiar ao Senhor Presidente do Conselho de Ministros insistindo para que a Fortaleza desta Vila, onde se encontra instalado o Museu, seja formalmente entregue à administração desta autarquia.”. A exigência foi bem atendida embora incluisse uma longa lista de sugestões que não seriam viáveis. [18]

9 DE JULHO DE 1991 :

Ofício da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, no seguimento de um pedido de realização de obras de beneficiação, a informar que a Fortaleza de Peniche está afeta ao Ministério da Justiça, referindo que as instalações estão ocupadas pela Câmara Municipal de Peniche. [19] É a partir dessa data que a autarquia procederá a decisivas obras de restauro em vários locais do forte, em particular no Pavilhão C.

Desenvolvimento (Museu da Resistência e da Liberdade)[editar | editar código-fonte]

O propósito de levar a bom porto a longamente desejada integração do agora chamado Museu da Resistência e da Liberdade no Museu de Peniche [20] [21] torna-se uma operação mediática de grande impacto a 27 de abril de 2018. A partir de nova determinação do Conselho de Ministros, que atribui a gestão do forte ao Ministério da Cultura, tal propósito é protagonizado pela RTP 2 no seu telejornal das 21h 30m e publicitado com bastante ênfase e bem calculada antecedência. Concretiza-se tal propósito para o dia e hora marcada com pompa e circunstância. [22] O pivot [23] dos noticiários do canal nacional de televisão José Rodrigo dos Santos empenha-se nisso com todo o seu talento, secundado por impressionante aparato tecnológico, de tal forma que a notícia se assume como evento mundial. Como simples evento nacional tal propósito foi divulgado pela primeira vez a 15 de janeiro de 2018.

Em novembro de 2017[editar | editar código-fonte]

A 13 de novembro de 2017 foi lançado até ao final do ano um concurso público para obras de restauro e anunciado estar já em curso um outro, « no valor de 900 mil euros, para requalificar a cobertura exterior dos edifícios do forte, muito degradada pela proximidade do mar. » [24] [25] [26]

CUSTO DE OBRA :

« As propostas apresentadas deverão aliar soluções de criatividade a soluções de custo racionalizado tendo em conta os custos de conservação e manutenção (custo de vida da obra). O valor estimado para o custo global da intervenção, incluindo a intervenção no interior dos edifícios e espaços exteriores tal como a execução dos suportes museográficos, é de € 1.770.000,00 (um milhão setecentos e setenta mil euros), acrescido do IVA à taxa legal em vigor, sendo que :

- Intervenção nos espaços interiores e exteriores: € 1.400.000,00 (um milhão e quatrocentos mil euros) - Museografia: € 370.000,00 (trezentos e setenta mil euros). ». [27]

A 15 de janeiro de 2018[editar | editar código-fonte]

A fundação no Forte de Peniche do “Museu da Resistência e da Liberdade” é anunciada neste dia com destaque pelo semanário Expresso [28] e pelo Diário de Notícias [29]. É divulgada a constituição de uma comissão instaladora proposta pelo Ministério da Cultura. Compõem a comissão a directora geral do Património Cultural, Paula Silva [30], o presidente da Câmara de Peniche, Henrique Bertino [31], o chefe de gabinete do Ministro da Cultura, Jorge Leonardo [32]. Fazem ainda parte desse grupo Adelaide Pereira Alves [33], Manuela Bernardino [34], João Bonifácio Serra [35], os ex-presos políticos Domingos Abrantes [36], Fernando Rosas [37] [38], José Pedro Soares [39] e Raimundo Narciso [40]. A denominada "Comissão de Instalação dos Conteúdos e da Apresentação Museológica do futuro Museu Nacional da Resistência e da Liberdade (CICAM)" é oficialmente criada no dia 26 de janeiro. [41] A elaboração do projeto é publicada a 28 de fevereiro e deverá ficar concluida a 9 de abril. [42]

A comissão fez entretanto o trabalho encomendado e pronunciou-se.

O Redondo (fortificação de origem e local de castigos extremos)

A 27 de abril de 2018[editar | editar código-fonte]

No dia 27 de abril de 2018 o Forte de Peniche esteve em foco no acima referido evento mediático da iniciativa do Ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes. [43] Nesse memorável evento é acrescentado ao que se ficou a saber no dia 15 de janeiro que as propostas da “Comissão de Instalação dos Conteúdos e da Apresentação Museológica” (acrónimo : CICAM) do Museu da Resistência e Liberdade iriam ser levadas à prática, que o museu será inaugurado um ano depois, precisamente a 27 de abril de 2019. [44]

Ficamos a saber, tal como já fora dito, que « o museu conta com 3,4 milhões de euros para esta primeira fase e com 900 mil para requalificar a cobertura exterior dos edifícios, que, além da museografia e a construção do seu interior, se prevê ainda a recuperação dos vários edifícios que compõem a prisão, bem como uma intervenção urgente numa parte danificada da muralha – uns cerca de 100 metros em mais de 1,5 quilómetros de extensão. ». Os conteúdos propostos pelo CICAM irão centrar-se no período de 1934 a 1974, quando a prisão era controlada pela PIDE, até à Revolução dos Cravos. No documento divulgado aos jornalistas fala-se na criação de “11 núcleos” para o museu. O primeiro centra-se na história « do famoso Parlatório, onde os presos falavam com as famílias sob a vigilância dos guardas, e o segundo recua até à História da Fortaleza, à génese do sistema defensivo da região de Peniche, que começou no século XVI, já todos os restantes núcleos são dedicados ao enquadramento político da ditadura na história portuguesa e mundial com zooms sobre momentos da história da prisão de Peniche, como as várias fugas de presos ou o momento da libertação dos presos a 27 de Abril de 1974. ». O “núcleo 4” dedica-se ao regime fascista. O “núcleo 5” ao sistema político e o “núcleo 6” ao colonialismo e à guerra colonial. Os outros cinco núcleos ilustrarão « o sistema de opressão e exploração colonial, que só por si abordará o Estatuto do Indígena, o trabalho forçado, a violência quotidiana e a discriminação. ». Não sabemos porém como irão funcionar todos esses núcleos. [45]

Na reportagem da RTP 2 de 27 de abril de 2018 Luís Filipe Castro Mendes declara : « Mesmo que toda a obra só esteja pronta daqui a dois anos, de qualquer maneira nós, no ano que vem, pretendemos que já exista o essencial no museu, que esteja a funcionar. ». Acreditamos na sua determinação em superar os obstáculos, na sua boa vontade. [46]

A 20 de maio (resultados do concurso)[editar | editar código-fonte]

ÁREA DE ARQUITECTURA

Os resultados do concurso para os trabalhos de arquitectura são divulgados a 20 de maio de 2018.

É dada preferência ao projecto da autoria do arquitecto João Barros Matos, professor na Universidade de Évora, desenvolvido pelo seu ateliê AR4. Em segundo lugar ficou a empresa FSSMGN Arquitetos, Lda, coordenada pela arquitecta Margarida Grácio Nunes. Em terceiro lugar ficou o arquitecto Marcelo de Gouveia Cardia. [47]

Os trabalhos foram apreciados por um júri composto pelos arquitectos Alexandre Alves Costa, João António Serra Herdade, João Mendes Ribeiro, Sofia Aleixo e pelo designer Henrique Cayatte.

O júri considerou que, entre outras qualidades, a proposta vencedora se destacou pela "sobreposição de percursos de diferente natureza nunca perdendo, cada um deles, autonomia, significado ou fluidez no seu conjunto", por ser um projecto "muito contido e algo sombrio, de acordo com a natureza dramática do seu conteúdo central". Consideraram ainda os jurados que a "ideia de museu se materializa na sobreposição de três tempos : o tempo da fortaleza, o tempo da prisão e o tempo do museu" e que propõe "a sobreposição de percursos de diferentes naturezas, que se entrelaçam e sobrepõem, relacionando os edifícios, os pátios do núcleo central e as plataformas circundantes". [48] [49] [50] [51]

Os projectos vencedores estarão em exposição no Museu de Arte Popular, em Lisboa, a partir de 20 de junho.

As celas do Pavilhão C restauradas pela Câmara Municipal de Peniche em 1984

A 27 de abril de 2019 e depois[editar | editar código-fonte]

Deduzimos assim que o essencial no “Museu da Resistência e Liberdade” estará a funcionar a 27 de abril de 2019 e que a pompa e circunstância nessa inauguração será coisa bem mais impressionante que o seu simples anúncio um ano antes.

O essencial no entanto já existe e encontra-se em bom estado (com excepção das paredes exteriores), graças às obras feitas pela autarquia há já uns bom anos. Concluídos os trabalhos que agora prosseguem, o “Museu da Resistência e da Liberdade” será instalado no Pavilhão C, no espaço onde já existia o núcleo da resistência antifascista em conjunto com o museu da cidade. O espólio deste terá de migrar para outro espaço. Para onde? Em que condições e quando? Nada se disse sobre este assunto até um ano antes da inauguração. Podemos por isso deduzir que tal não é tido como questão essencial, que será por enquanto coisa secundária.

Declarava a 5 de maio de 2017 o presidente da CMP Henrique Bertino numa reunião da câmara o seguinte : « Neste momento, temos conhecimento e temos decisões mas, para além do conhecimento e das decisões, queria que as coisas estivessem mais clarificadas ». Consta na acta dessa reunião ter ele retomado « aquilo que defendeu, que é a definição dos espaços.». [52]

Constatamos um ano depois desta reunião que nada se decidiu ainda quanto ao destino e à organização do pioneiro museu da cidade, o Museu Municipal de Peniche. Não foram ainda também dadas quaisquer indicações quando à estética do futuro conjunto museológico : nem um simples desígnio. São um tanto perturbantes as omissões. Será que só ficaremos a saber tudo o que é « essencial » no dia 27 de abril de 2019?

Entrada da fortaleza

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes: o Castelo da Vila[editar | editar código-fonte]

À época da Independência de Portugal, a ilha de Peniche erguia-se a cerca de oitocentos passos do continente, junto da foz do Rio São Domingos). [53] [54] A ação das correntes marítimas e dos ventos, com o passar dos séculos, levou ao assoreamento desse curso de água, vindo as areias a formar progressivamente um cordão de dunas que, consolidando-se, uniu a ilha de Peniche ao continente, fazendo desaparecer o porto de Atouguia.

O antigo lugar da Ribeira d’Atouguia, na foz desse rio, era um dos mais importantes portos portugueses da Idade Média, ponto de acesso privilegiado a localidades do centro do país (Lisboa, Óbidos, Torres Vedras,Santarém e Leiria), estando implicadada em importantes episódios da História de Portugal. Sendo alvo constante de ataques de corsários ingleses, franceses e de Piratas da Barbária, o rei Manuel I de Portugal (1495-1521) encarregou o conde de Atouguia da elaboração de um plano para a defesa daquele trecho do litoral, que foi apresentado ao seu sucessor, João III de Portugal (1521-1557). Os trabalhos foram iniciados pela construção, em 1557, do chamado castelo da vila, estrutura abaluartada, sob a supervisão de D. Luís de Ataíde, concluído por volta de 1570, ao tempo do reinado de D. Sebastião (1557-1578). Durante a Dinastia Filipina, foi em Peniche que as tropas inglesas, cedidas por Isabel I de Inglaterra, sob o comando de António I de Portugal, iniciaram a sua marcha sobre Lisboa (Julho de 1589), na tentativa infrutífera de restaurar a soberania portuguesa.

A povoação pesqueira foi elevada a vila em 1609, tendo sido efetuados alguns reparos nas suas muralhas.

Ameias da fortaleza

A Guerra da Restauração e a fortificação abaluartada[editar | editar código-fonte]

No contexto da Guerra de Restauração da independência, o Conde D. Jerônimo de Ataíde prosseguiu as obras de fortificação de Peniche, sob projetos do engenheiro militar francês Nicolau de Langres e, posteriormente, do português João Tomaz Correia [55], que ficaram concluídas por volta de 1645. [56] [57]

[58]

Esta fortificação era coadjuvada pelo Forte da Praia da Consolação e pelo Forte de São João Baptista das Berlengas, formando um extenso sistema defensivo que entretanto se revelou ineficaz durante a Guerra Peninsular perante a invasão napoleónica de 1807 sob o comando de Jean-Andoche Junot), tendo permanecido ocupada por tropas francesas entre o final desse ano e agosto de 1808. Os invasores melhoraram no entanto as suas defesas e picaram as armas de Portugal no portão principal da fortificação. Ocupada por tropas inglesas sob o comando de William Carr Beresford, foram feitas novas melhorias nas defesas, o que se repetiu sob o reinado de Miguel de Portugal (1828-1834), culminando na ampliação do perímetro defensivo. A fortificação teve entretanto débil atuação durante a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834).

Em 1836, a Praça-forte viveu dois eventos funestos: o incêndio que destruiu completamente o chamado Palácio do Governador (que não voltaria a ser recuperado) e uma explosão da pólvora armazenada num dos paióis.

Neste século, diante da progressiva perda da sua função defensiva, as suas instalações passaram a ser utilizadas como prisão (época das Invasões Napoleónicas) e posteriormente, como prisão política (época das Guerras Liberais, quer para liberais, quer para absolutistas). Teve utilização militar até 1897. Um dos seus últimos governadores foi José Tomas de Cáceres (filho).

Do século XX aos nossos dias[editar | editar código-fonte]

No alvorecer do século XX foi utilizada, após a vitória inglesa na África do Sul, como abrigo para os bôeres que se encontravam refugiados na colónia portuguesa de Moçambique. À época da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), nela estiveram detidos alemães e austríacos, convertendo-se, durante o Estado Novo português (1930-1974), em prisão política de segurança máxima (1934), época em que se tornou palco de duas célebres e espetaculares fugas.

Na madrugada de 18 para 19 de dezembro de 1954, o encarcerado dirigente do comunista António Dias Lourenço, que quinze dias antes provocara um incidente para ser recolhido ao "segredo", conseguiu evadir-se por uma abertura de 20 x 40 centímetros que serrou na almofada da porta da cela, descendo em seguida 20 metros de muralha até ao mar com uma corda feita com lençóis rasgados em tiras. A improvisada corda rompeu-se, fazendo-o cair ao mar. Foi arrastado para o largo por refluxo das ondas. Com muito esforço, esgotado, conseguiu no entanto alcançar terra e lograr escapar escondido, com a conivência de pescadores, numa camioneta de transporte de pescado.

Ano de 1956 : « São demolidas as antigas casernas militares e construídos (por presos de delito comum) três blocos prisionais de alta segurança, os Blocos A, B e C, da autoria do arquiteto Rodrigues Lima, tendo passado a ser designada por Cadeia do Forte de Peniche » (Cit. pág 7 do Programa Preliminar do concurso público, Ordem dos Arquitectos)

A 3 de janeiro de 1960, tem lugar a memorável "fuga de Peniche", protagonizada por Álvaro Cunhal, Joaquim Gomes [59], Carlos Costa [60], Jaime Serra [61], Francisco Miguel [62], José Carlos [63], Guilherme Carvalho [64], Pedro Soares [65], Rogério de Carvalho [66] e Francisco Martins Rodrigues, graças à conivência de um guarda republicano que anuiu à imobilização com clorofórmio de um seu colega responsável pela vigilância dos prisioneiros. O guarda em questão conduziu os fugitivos, um a um, agachados debaixo do seu capote de oleado, até a um troço mais escuro da muralha, de onde desceram para o exterior com o auxílio da referida corda feita de lençóis. Desses negros anos outros testemunhos restam, ditados por ideologias mais radicais. [67] [68]

Em 25 de Abril de 1974, ao eclodir a Revolução dos Cravos, o forte foi um dos objetivos principais da ação dos militares revolucionários. Passou depois a ser utilizada como abrigo para os retornados dos ex-territórios ultramarinos portugueses na África quando do processo de descolonização.

No início dos anos oitenta, quando os retornados de lá saíram, apoiado pela Câmara Municipal de Peniche, um grupo de cidadãos, com a colaboração de pessoas e entidades de diversas áreas entre as quais o Museu Nacional de Arqueologia, criou no Forte de Peniche um museu vocacionado para invocar por um lado factos e memórias da resistência antifascista contra o Estado Novo (sector da resistência) e por outro de Peniche, dando relevo ao mar como elemento dominante no seu contexto natural e histórico (sector local). [69] A maior parte do património atual provém de doações feitas nessa altura. Nessa fase também várias iniciativas culturais foram realizadas com regularidade no salão nobre do forte.

A partir de 1984 apenas um dos três pavilhões do forte ficou aberto ao público como Museu Municipal, exibindo o seu património de modo mais ordenado: arqueológico, histórico e etnográfico (renda de bilros, peças consagradas à pesca e à construção naval). Foram então feitos melhoramentos no chamado Núcleo da Resistência, com restauros e a reconstituição do ambiente como prisão política (celas individuais e parlatórios). Neste último, os visitantes podem ver a cela onde esteve preso o secretário-geral do Partido Comunista Português, Álvaro Cunhal, e alguns dos seus desenhos a carvão, bem como uma ilustração do local por onde se evadiu em 1960. O museu, visitado anualmente por cerca de 40 mil pessoas pouco tempo após ter aberto, passou volvida uma década a ter o dobro das visitas. [70] [71]

Em Setembro de 2008 a CMP, a Enatur [72] e o Grupo Pestana assinaram um acordo de exploração, com vista à construção de uma Pousada de Portugal que não chegou a ser implementado.

No início da segunda década (2013), o Forte de Peniche encontra-se em estado crítico de degradação, à exceção do pavilhão mais antigo. Mais grave é o do contíguo e abandonado Forte da Praia da Consolação, sendo particularmente preocupante o estado das suas arribas, em processo de derrocada por ação da erosão marinha. Em 12 de fevereiro de 2010 parte da sua muralha desmoronou devido à violência da ressaca. O forte da Consolação é entretanto cedido pelo Estado à Câmara Municipal de Peniche em agosto de 2017 com fins museológicos, "um dedicado ao património geológico do concelho" e outro "ao património histórico militar da região de Peniche, no qual esta fortificação se integra". [73]

Características[editar | editar código-fonte]

A Praça-forte é constituída, de norte a sul da Península de Peniche, por uma série de obras defensivas com estrutura abaluartada, com planta no formato de um polígono irregular estrelado, adaptado ao terreno. O perímetro amuralhado abrange uma área de cerca de dois hectares. Nele se inscrevem de sul para norte quatro portas : a "Porta das Cabanas", a "Porta Nova", a "Porta da Ponte" e a "Porta de Peniche de Cima". O conjunto da fortificação dividia-se assim em dois grandes setores :

A norte, em Peniche de Cima, dominava o "Forte da Luz", hoje em ruínas, protegido por altas escarpas. A partir da Porta de Peniche de Cima a Praça-forte é constutuída por uma alta e extensa muralha circundada por um fosso naturalmente inundado pela água do mar (cheio na maré alta) [74] até à Porta das Cabanas, que corresponde ao antigo porto de pesca, conhecido como Portinho de Revez, mesmo ao lado da "Fortaleza", i.e., da Cidadela. [75] A Cidadela de Peniche, com baluartes nos vértices coroados por guaritas circulares, estava armada de canhoneiras no terrapleno, apontadas para o lado do mar. Do lado da terra, para proteger o monumental portão de entrada, fora construido um revelim triangular. Do forte faziam inicialmente parte o chamado Baluarte Redondo (a primeira fortificação construída), a Torre de Vigia e a Capela de Santa Bárbara. [76]

Forte de Peniche Capela de Santa Bárbara.jpg

A sul, em Peniche de Baixo, frente ao povoado, dominava a cidadela, no chamado "Campo da Torre". No seguimento do revelim, a cidadela era protegida por um fosso amuralhado que acompanha o traçado poligonal das suas imponentes muralhas, tornando-a invulnerável. Cortinas e fossos adicionais protegiam o setor oeste, bem como diversas canhoneiras, caminhos cobertos e esplanadas. Outras duas cortinas a norte e baluartes a leste e a oeste estavam associados a várias construções de planta retangular. [77] Nesse conjunto foram integradas as famosas prisões ulteriormente construídas em redor de uma torre de vigia, a construção mais elevada do forte, ponto estratégico de observação que então servia para acautelar qualquer pretenção indesejada.

Referências

  1. Fortaleza de Peniche - descrição e história, Património Cultural
  2. A Cidadela do Mar – roteiro do museu-fortaleza de Peniche de Jean-Yves Blot, edição da Câmara Municipal de Peniche, 1986
  3. Cisterna do século XVII da Fortaleza de Peniche – descrição de Jean-Yves Blot
  4. Molhe do Portinho do Revez – artigo histórico sobre a construção dos molhes do porto de Peniche entre 1935 e 1974 em Ceocahing
  5. PAI!!! - artigo de José Maria Costa em Conversar em Peniche, março de 2007
  6. Padrões com referências aos naufrágios do galeão “San Pedro de Alcantara” e da balandra “El Vencejo”, ambos de origem espanhola, nas costas de Peniche – artigo de Fernando Engenheiro
  7. Jean-Yves Blot (biografia)
  8. Jean-Yves Blot – biografia em Babelio
  9. PENICHEFOSSIL
  10. Pavilhão C e respectivo terreiro – descrição com sugestões para futura ocupação do espaço
  11. HENRIQUES, Ana Carolina Rolo dos Santos Afonso - No princípio estava o mar : Peniche : o património cultural, o turismo e o mar. Coimbra : [s.n.], 2010
  12. Museu Municipal de Peniche - rede museológica do concelho de Peniche
  13. Uma visita a Peniche – relato de Sarah P. Saint-Maxent, quando aluna do 12º ano de uma escola secundária de Lisboa, 12 de dezembro 2008
  14. Relatório de Estágio ESTM-IPL/Câmara Municipal de Peniche - Proposta de Desenvolvimento para o Projeto “Mar Pedagógico” de Beatriz Rosa, IPL, 2013
  15. Decreto-lei 709-B/76, de 4 de Outubro
  16. “Em Peniche não há tortura, porque não há interrogatórios” – artigo de Isabel Salema no suplemento Ipsilon do jornal Público a 28 de abril 2018
  17. Diário da República n.º 267/1976, Série I de 1976-11-15
  18. Download Ata de Reunião Camarária
  19. Fortaleza de Peniche: histórico dos projetos de intervenção
  20. Jorge Sampaio homenageou ex-presos políticos – notícia em Tinta Fresca, 4 de maio 2004
  21. Fortaleza de Peniche vai ter museu sobre luta pela liberdade – notícia no Jornal de Notícias (Conselho de Ministros na Fortaleza de Peniche) com fotos de Paulo Cunha, 27 de abril 2017
  22. Jornal 2, 27 Abr, 2018 | Episódio 116
  23. RTP. São 31 os pivots, os entertainers e os administradores a ganhar mais de 6500 euros – notícia do jornal Ionline, (I jornal) 3 de abril 2018
  24. Encerramento do forte ao público – notícia do jornal Diário de Notícias (LUSA) de 13 de novembro 2017
  25. Concurso Museu Nacional da Resistência e da Liberdade – notícia da encomenda pela ordem dos arquitectos secção regional sul
  26. Concurso público de conceção para a elaboração do projeto do Museu Nacional da Resistência e da Liberdade – documento de 35 páginas com boas fotografias dos espaços a recuperar
  27. Pág 35 do Programa Preliminar do concurso público
  28. Ex-presos políticos ajudam a instalar Museu Nacional da Resistência – notícia de 15 de janeiro 2018 e por vários jornais diários, à data da publicação do Despacho n.º 998/2018 no Diário da República
  29. Criada comissão para instalação do Museu Nacional da Resistência em Peniche
  30. Paula Silva é nova diretora geral do Património Cultural
  31. Autárquicas: Novo presidente da Câmara de Peniche promete rigor e transparência na gestão
  32. Chefe do Gabinete : Jorge Manuel dos Santos Leonardo
  33. Adelaide Pereira Alves (PCP)
  34. Manuela Bernardino (PCP)
  35. João Bonifácio Serra (historiador)
  36. Entrevista a Domingos Abrantes, membro do Conselho de Estado e ex-preso de Peniche – entrevista de Rosa Pedroso Lima a Domingos Abrantes no semanário Expresso, 18 de março 2018
  37. Fernando Rosas: “Há pisos a abanar na Fortaleza de Peniche” – notícia de Miguel Santos Carrapatoso no jornal Obervador, 26 de fevereiro 2018
  38. Fernando Rosas conta a história da Prisão de Peniche, 2 de março 2018
  39. José Pedro Soares (membro da União dos Resistentes Antifascistas Portugueses)
  40. Raimundo Narciso (representante do movimento cívico Não Apaguem a Memória Não Apaguem a Memória)
  41. Despacho n.º 998/2018 do Diário da República, 2.ª série — N.º 19 — 26 de janeiro de 2018 ("É criada a Comissão de Instalação dos Conteúdos e da Apresentação Museológica do futuro Museu Nacional da Resistência e da Liberdade, a instalar na Fortaleza de Peniche, adiante designada CICAM.")
  42. Elaboração do Projeto Museu Nacional da Resistência e da Liberdade publicado a 28 de fevereiro 2018 com limite de apresentação das propostas a 9 de abril 2018
  43. QUEM ÉS TU, LUÍS FILIPE CASTRO MENDES? – biografia de Luís Filipe Castro Mendes em Literatura
  44. 3,4 milhões para não esquecer Peniche, o "maior símbolo do sistema prisional fascista" – notícia de João Céu e Silva no Diário de Notícias, 27 de abril de 2018
  45. Num museu sobre a ditadura talvez não caibam piratas – notícia de Isabel Salema no IPSILON, jornal Público, 27 de abril 2018
  46. Nunca é tarde – artigo de Luiz Humberto no Jornal de Notícias, 24 de abril de 2018
  47. ANÁLISE DOS PROJETOS e sugestões
  48. Arquiteto João Barros Matos faz projeto para Museu Nacional da Resistência e Liberdade – notícia da agência Lusa de 29 de maio 2018
  49. Arquiteto João Barros Matos fará Museu da Resistência e da Liberdade em Peniche – notícia de Alexandra Carita no semanário Expresso a 29 de maio 2018
  50. Atelier AR4 vence concurso público para o Museu Nacional da Resistência e da Liberdade – notícia no jornal Observador, 29 de maio 2018
  51. Fortaleza de Peniche vai ganhar outro ar. Projeto de recuperação está escolhido – notícia da Rádio Renascença, 29 de maio 2018
  52. Acta da reunião da CMP a 5 de maio de 2017 (download doc)
  53. A ilha de Peniche em 1634 no atlas de Pedro Teixeira Albernaz em Geohistória, publicado em Amigos de Peniche, 3 de outubro 2007
  54. Peniche em 1634 – artigo de João Bonifácio Serra
  55. Fortalezas marítimas da Costa Sudoeste – artigo de António Quaresma que destaca o seguinte : « As populações do Magrebe, arredadas do grande comércio que se desenvolvia à escala mundial, tinham no corso uma forma de sobreviver a uma crise que o tempo inexoravelmente agravava. O roubo e o rapto de pessoas destinadas aos mercados de escravos das cidades do Norte de África, ou a serem resgatadas, era o principal objectivo. »
  56. PENICHE, A CHAVE DO REINO – catálogo da exposição no 400º aniversário (2009) da elevação de Peniche a vila (1609), referindo com desenhos o conjunto de todas as construções defensivas da península e da Berlenga (CMP)
  57. EXPOSIÇÃO “PENICHE: A CHAVE DO REINO – 400 ANOS A DEFENDER PORTUGAL” - ilustrações com texto em inglês, francês e espanhol (CMP)
  58. Catálogo da exposição (download PDF)
  59. Joaquim Gomes perfil
  60. Carlos Costa Nota biográfica
  61. Jaime Serra Nota biográfica
  62. Francisco Miguel Nota biográfica
  63. José Carlos Nota biográfica
  64. Guilherme Carvalho Nota biográfica
  65. Pedro Soares Nota biográfica
  66. Rogério de Carvalho Nota biográfica
  67. «Viagem ao centro do mundo da Maria José e do Zé Luís» – entrevista a Maria José Morgado e a José Luís Saldanha Sanches publicada na pág. de Caminhos da Memória a 6 de outubro 2008
  68. A GNR fez 100 anos e deixou de meter medo – artigo no jornal Público, 26 de maio 2011
  69. Artigo histório que refere a criação do Museu de Peniche
  70. Os prisioneiros de Peniche – artigo de Ana Sofia Fonseca, jornal Público, 22 de abril 2002 (realça a fuga de Dias Lourenço)
  71. Livro "Forte de Peniche, Memória Resistência e Luta" em 2ª edição
  72. Enatur
  73. Notícia da agência Lusa, 7 de Agosto de 2017
  74. Fosso da Muralha (descrição da CMP)
  75. O porto de pesca de Peniche e a sua evolução ao longo dos tempos – artigo de Fernando Engenheiro, 10 de novembro 2009
  76. Capela de Santa Bárbara na pág da CMP
  77. Fortaleza de São Francisco e frente abaluartada da Praça de Peniche – documento publicado pelo SIPA a 27 de julho de 2011

REFERÊNCIAS POR TEMA relativas ao texto


institucionais

o futuro em questão

Resoluções legais[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Galeria[editar | editar código-fonte]

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