Forte de Santo Antão (Praia da Vitória)

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Planta do Forte de Santo Antão (Damião Pego, agosto de 1881).

O Forte de Santo Antão localizava-se na freguesia de Santa Cruz, no concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira, nos Açores.

Erguia-se a cerca de trinta metros à direita da foz da ribeira de Santo Antão, conforme o testemunhavam alguns restos de muralhas que se encontravam dentro das águas do mar, a cerca de dez metros da costa, na maré-baixa,[1] e a cerca de 750 metros ao norte do Forte de São Caetano, coadjuvando a sua defesa e a do Forte de São João. Em posição dominante sobre este trecho do litoral, constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa deste ancoradouro e do antigo canal de acesso ao Paul, contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.

História[editar | editar código-fonte]

Foi edificado em 1576 por determinação do corregedor dos Açores, Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos, [2] conforme o plano de defesa da ilha elaborado por Tommaso Benedetto.

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1702-1714) encontra-se referido como "O Forte de Santo Antam no meyo da Bahya da Praya." na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710".[3]

Com a instalação da Capitania Geral dos Açores, o seu estado foi assim reportado:

"24º - Reducto de Santo Antão. Está reformado de novo e só lhe falta acabar-se a sua plataforma. Tem quatro canhoneiras e duas peças de ferro e huma dellas precisa reparo novo e carece de mais duas peças, com os seus reparos e para se guarnecer quatro artilheiros e dezeseis auxiliares."[4]

Também há conhecimento de uma planta sua, datada de 1771 (1776?), já apresentando o formato rectangular.[5]

Encontra-se referido como "23. Forte de S. Antão na dita V.ª [da Praia]" no relatório "Revista aos fortes que defendem a costa da ilha Terceira", do Ajudante de Ordens Manoel Correa Branco (1776), que lhe aponta os reparos necessários: "Carese este Forte de se lhe fazer hua muralha de baixo do perfil pella parte da terra, e hua tarimba, e porta na sua caza; proximo ao dito Forte se acha a cantaria para aquella obra."[6]

Encontra-se assinalado como "F Reduto de Santo Antão" na "Planta da Bahia da Villa da Praia" (1805),[7] e, no mesmo período, dele existe alçado e planta, com o título "Forte de Sto. Antam", de autoria do sargento-mor do Real Corpo de Engenheiros, José Rodrigo de Almeida (1806).[8]

A "Relação" do marechal de campo Barão de Bastos em 1862 informa que se encontrava em estado de ruína.[9]

De acordo com o tombo de 1881, não aparentava ter sido um dos fortes melhorados pelo Capitão-general dos Açores, Francisco António de Araújo e Azevedo, entre 1818 e 1820.[10] À época do tombo, encontrava-se abandonado e em ruínas.[11]

Esta estrutura desapareceu no início do século XX.[12]

Características[editar | editar código-fonte]

Do tipo abaluartado, apresentava planta retangular, em alvenaria de pedra (tufo vulcânico), com uma área de 235,4 metros quadrados.

Em seus muros rasgavam-se três canhoneiras. Em seu interior, do lado esquerdo, erguia-se a casa de guarda e o paiol.

Referências

  1. MELO, 1994:43.
  2. DRUMMOND, 1981:231-233.
  3. "Fortificações nos Açores existentes em 1710" in Arquivo dos Açores, p. 178. Consultado em 8 dez 2011.
  4. JÚDICE, 1767.
  5. FARIA, s/d.
  6. Revista aos Fortes que Defendem a costa da Ilha Terceira - 1776 in IHIT.pt. Consultado em 3 dez 2011.
  7. "Planta da Bahia da Villa da Praia. para a Intiligencia do Molhe e Projecto do Ill.mo e Ex.mo Snr. Conde de S. Lourenço Governador e Capitão General das Ilhas dos Açores" in Biblioteca Nacional Digital. Consultado em 31 dez 2011.
  8. "Alçado e planta dos fortes da Luz, das Chagas, Santo Antão e Santa Catarina do Cabo da Praia, 1806, Praia da Vitória, ilha Terceira, Açores." in Arquipélagos.org. Consultado em 31 dez 2011.
  9. BASTOS, 1997:267.
  10. No contexto da crise entre Portugal e Espanha em 1817, suscitada pela ocupação de Montevidéu na América do Sul.
  11. Damião Pego. "Tombos dos Fortes da Ilha Terceira".
  12. MELO, 1994:44.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Anónimo. "Colecção de todos os fortes da jurisdição da Villa da Praia e da jurisdição da cidade na Ilha Terceira, com a indicação da importância da despesa das obras necessárias em cada um deles (Arquivo Histórico Ultramarino)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LI-LII, 1993-1994.
  • Anónimo. "Revista aos Fortes que Defendem a Costa da Ilha Terceira – 1776 (Arquivo Histórico Ultramarino)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LVI, 1998.
  • BASTOS, Barão de. "Relação dos fortes, Castellos e outros pontos fortificados que se achão ao prezente inteiramente abandonados, e que nenhuma utilidade tem para a defeza do Pais, com declaração d'aquelles que se podem desde ja desprezar." in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LV, 1997. p. 267-271.
  • CASTELO BRANCO, António do Couto de; FERRÃO, António de Novais. "Memorias militares, pertencentes ao serviço da guerra assim terrestre como maritima, em que se contém as obrigações dos officiaes de infantaria, cavallaria, artilharia e engenheiros; insignias que lhe tocam trazer; a fórma de compôr e conservar o campo; o modo de expugnar e defender as praças, etc.". Amesterdão, 1719. 358 p. (tomo I p. 300-306) in Arquivo dos Açores, vol. IV (ed. fac-similada de 1882). Ponta Delgada (Açores): Universidade dos Açores, 1981. p. 178-181.
  • DRUMMOND, Francisco Ferreira. Anais da Ilha Terceira (fac-simil. da ed. de 1859). Angra do Heroísmo (Açores): Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1981.
  • FARIA, Manuel Augusto. "Ilha Terceira – Fortaleza do Atlântico: Forte de Santo Antão". in Diário Insular, s/d.
  • JÚDICE, João António. "Revista dos Fortes da Terceira". in Arquivo dos Açores, vol. V (ed. fac-similada de 1883). Ponta Delgada (Açores): Universidade dos Açores, 1981. p. 359-363.
  • MARTINS, José Salgado, "Património Edificado da Ilha Terceira: o Passado e o Presente". Separata da revista Atlântida, vol. LII, 2007. p. 46.
  • MELO, Paulo de Ávila. Ruas e Lugares da Praya (Notas para a sua História) I Volume. Praia da Vitória (Açores): Câmara Municipal da Praia da Vitória, 1994. 224p. fotos p/b.
  • MOTA, Valdemar. "Fortificação da Ilha Terceira". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LI-LII, 1993-1994.
  • NEVES, Carlos; CARVALHO, Filipe; MATOS, Arthur Teodoro de (coord.). "Documentação sobre as Fortificações dos Açores existentes nos Arquivos de Lisboa – Catálogo". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. L, 1992.
  • PEGO, Damião; ALMEIDA JR., António de. "Tombos dos Fortes da Ilha Terceira (Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LIV, 1996.
  • VIEIRA, Alberto. "Da poliorcética à fortificação nos Açores: introdução ao estudo do sistema defensivo nos Açores nos séculos XVI-XIX". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. XLV, tomo II, 1987.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]