Forte de Santo Antônio de Gurupá

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Forte de Santon Antônio de Gurupá
Construção D. Filipe III (1623)
Aberto ao público Sim

O Forte de Santo Antônio de Gurupá localiza-se na ilha grande de Gurupá, na confluência do rio Xingú com o delta do rio Amazonas, sobre um rochedo em posição dominante daquele canal de navegação, no atual município de Gurupá, no estado do Pará, no Brasil.

História[editar | editar código-fonte]

Existiu sobre os escombros de um forte erigido por neerlandeses no primeiro decênio do século XVII (Forte de Tucujus) e conquistado em 1623 por Bento Maciel Parente (SOUZA, 1885:66; Luiz Aranha de Vasconcelos, apoiado por tropas cedidas por Bento Maciel Parente, cf. REIS, 1966:43), que o reconstruiu em taipa de pilão, sob a invocação de Santo Antônio.

Sobre a sua fundação, CERQUEIRA E SILVA (1833), registrou, a respeito da cidade de Nossa Senhora de Belém, cabeça da "Feliz Lusitânia":

"Bento Maciel Parente, já então Capitão-mor do Pará (...) tendo fundado a fortaleza do Gurupá no lugar Mariocay que deixou guarnecida com cinquenta praças." (op. cit., p. 189-190). O seu primeiro comandante foi o capitão Jerónimo de Albuquerque. (OLIVEIRA, 1968:743.

Em maio 1623, junto com Luís Aranha de Vasconcelos, Aires de Souza Chichorro e Salvador de Melo, Bento Maciel Parente conquistou dos holandeses os pontos fortificados de Muturu (atual Porto de Moz) e Mariocái atual Gurupá), próximo á foz do rio Xingu, também chamado de Paranaíba, fundando no lugar do Forte de Mariocai, o Forte de Santo Antônio de Gurupá, fazendo dele a base de apoio para as suas arrancadas, expulsando nos anos seguintes os neerlandeses do Baixo Xingu e do rio Tapajós. A ação realizada no Forte de Mariocai foi um grande feito. Liderando cerca de 70 soldados e aproximadamente mil índios em canoas nativas, o Capitão-mor do Pará investiu contra os invasores holandeses, que não impediram o ataque luso-brasileiro à fortificação. Parente, buscando ludibriar a guarnição holandesa, manobrou rumo ao Forte de Orange (lugar desconhecido atualmente), na parte leste do Baixo Xingu, provocando a debandada dos invasores fugindo rumo à selva. O desfecho português na derrota da força dos neerlandeses e aliados, foi alcançado no Forte de Nassau, 67 km acima do Xingu (proximo ao atual Tapará, uma vez que a fortaleza capitulou sem luta.

Em 1629 sofreu ataques (de dois navios ingleses sob o comando de Roger North) e em 1639, quando, sob o comando do Capitão João Pereira Cáceres, afugentou forças neerlandesas que para ali retornavam (GARRIDO, 1940:23). Em 1647, um novo assalto neerlandês a esta posição foi tentado: uma expedição de oito navios adentrou a boca do rio Xingú e, entre o rio Pery e o rio Acaraí, erigiu o Forte de Mariocai. Foram batidos pelo Capitão-mor do Pará, Sebastião Lucena de Azevedo, que arrasou essa posição (SOUZA, 1885:66) (ver Fortim neerlandês do rio Maiacaré). Sobre esta última, OLIVEIRA (1968) refere: "Existe confusão em torno da expedição de Bandergus (Van Der Goes, segundo Varnhagen), que se teria apossado da Fortaleza de Gurupá, em 1646." (op. cit., p. 743)

Em 1636, sob o comando do capitão Pereira de Cáceres, passaram pela fortificação os padres Domingos de Brieba e André de Toledo, em sua viagem desde Quito. (OLIVEIRA, 1968:743)

Permaneceu abandonada por meio século apesar do interesse dos governadores Artur de Sá e Menezes, Manuel Guedes Aranha e Gomes Freire de Andrade. (OLIVEIRA, 1968:743) Arruinado pela ação erosiva do tempo e da natureza, o Governador e Capitão-General do Pará, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, ordenou a reconstrução do Forte de Gurupá em 1690, trabalhos que se iniciaram no ano seguinte (1691), dando-lhe a forma poligonal. Data deste momento o desenvolvimento urbano de Gurupá. Para o século XVIII, GARRIDO (1940) cita informação do historiador Pedro Calmon, informando que a praça foi artilhada com peças de bronze para ela mandadas fundir em Gênova, em 1735, por D. João V (1705-1750) (op. cit., p. 23). Trabalhos de reconstrução se sucederam em 1742, com o Engenheiro genovês Domingos Sambucetti (SOUZA, 1885:66); em 1761, com o Capitão Engenheiro Gaspar João Geraldo de Gronfeld; e entre 1771 e 1774, com risco do Ajudante Antônio José Pinto, seu comandante à época (GARRIDO, 1940:24). Em 1774 D. Frei Caetano da Anunciação Brandão, dava notícia de que as obras ainda não se encontravam prontas. (OLIVEIRA, 1968:743) Neste período, a fortificação exercia a função de Registro, visitado, em 1784, pela expedição de Alexandre Rodrigues Ferreira (1783-1792), que sobre ela observou que se encontrava em boa posição, sobre um rochedo, dominando perfeitamente a boca do [rio] Xingú, sendo os navios obrigados a irem aí apresentar os seus passaportes (SOUZA, 1885:66).

À época do Brasil Império, BAENA (1839) afirmava que esse Registro era meramente para servir de alguma coisa, e não por ser apropriado para esse fim, visto oferecer o [rio] Amazonas naquela paragem muitos trânsitos fora da sua vista; entretanto reconhece que "(...) essa fortaleza foi obrada com alguma luz de arquitetura militar." (BAENA, Antônio Ladislau Monteiro. Ensaio Chorographico do Pará. 1839. apud SOUZA, 1885:66)

A partir de 1853 não é mais mencionada como ponto fortificado pelo Relatórios do Ministério da Guerra. Em 1860 o então governador da Província do Pará, Dr. Antônio Coelho de Sá e Albuquerque dava notícia do seu estado de ruína, apesar de Gurupá ser ponto de parada obrigatória dos navios que subiam o rio Amazonas. (OLIVEIRA, 1968:743)

BARRETTO (1958) ilustra a referência a esta fortificação com uma foto de 1949, onde se observam as muralhas (de alvenaria de pedra) em bom estado de conservação, com uma edificação (Quartel da Tropa) sobre o terrapleno, e algumas peças de artilharia pelo lado do rio. O portão, pelo lado de terra, é acessado por uma pequena escadaria. O autor informa que, à época (1958), a estrutura encontrava-se guarnecida por um pequeno destacamento da 8ª Região Militar (op. cit., p. 42-44). O acesso é feito por um portão de ferro batido. Pelo lado do rio, existe um obelisco de construção posterior, onde, em uma das faces, uma placa de metal reza:

"1623 - 1647 / D'AQUI PARTIRAM / AS EXPEDIÇÕES QUE EXPULSARAM / OS HOLLANDESES E INGLEZES / DE MUTURÚ / NASSAU / TORREGO / MANDIUTUDA / TILLETILLE / CUMALI / E MARIOCARI / APÓS RUDES COMBATES / TERRESTRES E NAVAES"

Essas ruínas encontram-se tombadas pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1963, sob a jurisdição do Ministério da Defesa.

Atualmente pode ser visitado, encontrando-se o parapeito de seus muros ornado com duas das antigas peças de ferro, sobre pilares de concreto.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BARRETO, Aníbal (Cel.). Fortificações no Brasil (Resumo Histórico). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1958. 368p.
  • CERQUEIRA E SILVA, Ignácio Accioli de. Corografia Paraense ou Descripção Física, Histórica e Política da Províoncia do Gram-Pará. Bahia: Typografia do Diário, 1833.
  • GARRIDO, Carlos Miguez. Fortificações do Brasil. Separata do Vol. III dos Subsídios para a História Marítima do Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Naval, 1940.
  • REIS, Arthur Cézar Ferreira. Aspectos da experiência portuguesa na Amazônia. Manaus: Edições Governo do Estado do Amazonas, 1966. 324p.
  • OLIVEIRA, José Lopes de (Cel.). "Fortificações da Amazônia". in: ROCQUE, Carlos (org.). Grande Enciclopédia da Amazônia (6 v.). Belém do Pará, Amazônia Editora Ltda, 1968.
  • SOUSA, Augusto Fausto de. Fortificações no Brazil. RIHGB. Rio de Janeiro: Tomo XLVIII, Parte II, 1885. p. 5-140.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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