Forte do Terreiro

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Forte do Terreiro (Francisco Xavier Machado, 1772, ANTT).
Forte do Terreiro de S. Matheuz (José Rodrigo de Almeida, 1830, GEAEM).

O Forte do Espírito Santo, também referido como Forte do Terreiro de São Mateus, localizava-se na ponta de São Mateus, na freguesia de São Mateus da Calheta, concelho de Angra do Heroísmo, na costa sul da ilha Terceira, nos Açores.

Em posição dominante sobre este trecho do litoral, última enseada a oeste de Angra com condições para se efetuar um desembarque, constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa deste ancoradouro contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico. Cruzava fogos com o Forte do Negrito.

História[editar | editar código-fonte]

A sua construção ocorreu no contexto da crise de sucessão de 1580, concomitante à dos fortes vizinhos, entre 1579 e 1581, por determinação do então corregedor dos Açores, Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos, conforme o plano de defesa da ilha elaborado por Tommaso Benedetto. Como as demais fortificações erguidas na ilha à época, destinava-se à proteção contra a iminente tentativa de invasão por parte de uma Armada castelhana.

Com a instalação da Capitania Geral dos Açores, o seu estado foi assim reportado em 1767:

"33º - Forte do Terreiro. Precisa o seu parapeito todo reformado e do mesmo precisa hum lance de muralha que se acha arruinado e a sua plataforma se deve acrescentar. Tem quatro peças de ferro boas e os seus reparos capazes e para se guarnecer precisa de quatro artilheiros e dezeseis auxiliares."[1]

Encontra-se relacionado como "Forte do Terreiro" no trabalho do capitão de Infantaria com exercício de Engenharia, Francisco Xavier Machado, "Revista dos fortes e redutos da ilha Terceira" (1772), atualmente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Encontra-se referido como "32. Forte do Spirito S.to no terreiro de S. Matheus" no relatório "Revista aos fortes que defendem a costa da ilha Terceira", do Ajudante de Ordens Manoel Correa Branco (1776), que lhe aponta a ruína: "Este Forte preciza a mayor parte fazerse de novo."[2]

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) voltou a revestir-se de importância estratégica, constando o seu alçado e planta ("Forte do Terreiro de S. Matheus") na "Colecção de Plantas e Alçados de 32 Fortalezas dos Açores, por Joze Rodrigo d'Almeida em 1830".[3] Entretanto, este representa-o em adiantado estado de degradação, sem os muros pelo lado do mar.

A "Relação" do marechal de campo Barão de Bastos em 1862 informa que se encontrava incapaz desde longos anos.[4]

Esta estrutura não chegou até aos nossos dias.

Características[editar | editar código-fonte]

De tipo abaluartado, apresentava planta de formato pentagonal irregular, rasgando-se em seus muros quatro canhoneiras.

Referências

  1. JÚDICE, 1767.
  2. Revista aos Fortes que Defendem a costa da Ilha Terceira - 1776 in IHIT.pt. Consultado em 3 dez 2011.
  3. "Forte Grande e forte do Terreiro de São Mateus, José Rodrigo de Almeida, 1830 (c.), ilha Terceira, Açores". in Arquipélagos.pt. Consultado em 31 dez 2011.
  4. BASTOS, 1997:267.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Anónimo. "Colecção de todos os fortes da jurisdição da Villa da Praia e da jurisdição da cidade na Ilha Terceira, com a indicação da importância da despesa das obras necessárias em cada um deles (Arquivo Histórico Ultramarino)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LI-LII, 1993-1994.
  • Anónimo. "Revista aos Fortes que Defendem a Costa da Ilha Terceira – 1776 (Arquivo Histórico Ultramarino)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LVI, 1998.
  • BASTOS, Barão de. "Relação dos fortes, Castellos e outros pontos fortificados que se achão ao prezente inteiramente abandonados, e que nenhuma utilidade tem para a defeza do Pais, com declaração d'aquelles que se podem desde ja desprezar." in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LV, 1997. p. 267-271.
  • JÚDICE, João António. "Revista dos Fortes da Terceira". in: Arquivo dos Açores, vol. V (ed. fac-similada de 1883). Ponta Delgada (Açores): Universidade dos Açores, 1981. p. 359-363.
  • MACHADO, Francisco Xavier. Revista dos fortes e redutos da Ilha Terceira - 1772. Angra do Heroísmo (Açores): Secretaria Regional da Educação e Assuntos Sociais; Gabinete da Zona Classificada de Angra do Heroísmo, 1983. il.
  • MARTINS, José Salgado, "Património Edificado da Ilha Terceira: o Passado e o Presente". Separata da revista Atlântida, vol. LII, 2007. p. 16.
  • MOTA, Valdemar. "Fortificação da Ilha Terceira". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LI-LII, 1993-1994.
  • NEVES, Carlos; CARVALHO, Filipe; MATOS, Arthur Teodoro de (coord.). "Documentação sobre as Fortificações dos Açores existentes nos Arquivos de Lisboa – Catálogo". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. L, 1992.
  • PEGO, Damião; ALMEIDA JR., António de. "Tombo dos Fortes da Ilha Terceira (Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LIV, 1996.
  • VIEIRA, Alberto. "Da poliorcética à fortificação nos Açores: introdução ao estudo do sistema defensivo nos Açores nos séculos XVI-XIX". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. XLV, tomo II, 1987.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]