Fortificações de Igarassu e na Ilha de Itamaracá

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Fortificações de Igarassu e na Ilha de Itamaracá

As Fortificações de Igarassu e na Ilha de Itamaracá localizavam-se na altura da foz do rio Igarassu ("canoa grande", em língua tupi), atuais municípios de Igarassu e de Ilha de Itamaracá, no litoral do estado de Pernambuco, no Brasil.

História[editar | editar código-fonte]

A ocupação européia da região remonta às feitorias de pau-brasil ("Caesalpinia echinata"), no continente e na ilha fronteira, que darão origem a povoações distintas (ver Feitorias de Igarassu e na Ilha de Itamaracá). No continente, a chamada vila "velha" de Igarassu (vila dos Cosmos, ou dos Santos Cosme e Damião), foi uma das primeiras povoações fundadas pelos portugueses na costa brasileira, pelo próprio donatário, Duarte Coelho Pereira, desde 1535. Na ilha de Itamaracá floresceria a vila "nova" de Igarassu, depois vila da Conceição, atual cidade de Itamaracá.

Ambas as vilas foram visitadas por Hans Staden em sua primeira viagem (1547-1548) - Igarassu representada como uma paliçada à moda indígena, artilhada por quatro canhões em suas carretas, Itamaracá como um castelo numa ilha, grafada como "Ipaussú-Itamaracá" (ilha grande de Itamaracá) -, em xilogravura ilustrando a sua "Descrição verdadeira de um país de selvagens nus, ferozes e canibais, situado no Novo Mundo, América" (1557). Ele relata as circunstâncias:

"Rebentou então, por culpa dos portugueses, uma revolta dos índios [Caeté], que anteriormente se mostravam pacíficos, e o chefe da terra pediu-nos, pelo amor de Deus, que fôssemos à pressa auxiliar o lugar de Igarassu, distante cinco milhas de Olinda, do qual os índigenas queriam se apoderar. Os habitantes da povoação de Olinda , defronte da qual nos achávamos, não podiam dar aos outros nenhum ajutório, pois desconfiavam que os selvagens queriam também atacá-los.
Tomamos 40 homens dentre a guarnição do nosso navio, para prestar socorro aos colonos de Igarassu e seguimos em um pequeno barco através dum braço de mar, que se estendia duas milhas terra a dentro, e no qual jazia a povoação. O número dos defensores montava, incluindo-nos, a cerca de noventa cristãos. Acrescente-se a esse número trinta negros e escravos brasileiros, a saber, selvagens que pertenciam aos colonos. Os selvícolas que nos sitiavam estimavam-se em oito mil. Nossa única proteção consistia numa estacada de cepos.
O lugar onde estávamos sitiados era rodeado de mata. Nesta haviam disposto os selvagens duas fortificações com ajuda de grossos troncos de árvores. Aí se recolhiam durante a noite e esperavam pelas nossas sortidas. De dia permaneciam em valas, que haviam cavado ao redor da povoação, das quais saíam para escaramuças. Quando lhes atirávamos, estendiam-se no chão para escapar às balas. Assim sitiaram-nos de tal modo que, donde estávamos, ninguém podia entrar ou sair.
(...) Como víssemos que iriam faltar-nos víveres, fomos com duas barcas à colônia de Itamaracá, a fim de abastecer-nos. (...) assim pudemos prosseguir até Itamaracá e obter víveres de seus habitantes.
(...) Por fim [escapando ao cerco a Igarassu] trouxemos víveres [de Itamaracá] à povoação, e como os índios viram que nada conseguiriam, fizeram a paz e foram-se de novo. O cerco tinha durado um mês. Dos índios, alguns pereceram; de nós cristãos, porém, nenhum." (STADEN, 1974:46-49)

Ao longo do século XVI, dada a expansão da lavoura canavieira e os desentendimentos com os indígenas na região, a vila velha, no continente, perdeu importância estratégica para a vila nova, na ilha (vila da Conceição, onde estava instalada a Alfândega de Itamaracá em 1628), e econômica para Goiana, onde se fixaram os colonos mais bem sucedidos.

No século seguinte, no contexto da seguunda das Invasões holandesas do Brasil (1630-1654), a vila velha de Igarassu foi conquistada por tropas neerlandesas (1 de Maio de 1632), seguida pela vila da Conceição (Junho de 1633), esta rebatizada como Schkoppe, em homenagem a Sigismund van Schkoppe.

Maurício de Nassau, no seu "Breve Discurso" de 14 de Janeiro de 1638, sob o tópico "Fortificações", informa acerca das defesas da ilha conquistada:

"A pequena cidade de Schkoppe, sita na mesma ilha [de Itamaracá], está fortificada desde velhos tempos, como foi fortificada quando nós a tomamos. O extenso parapeito feito pelos portugueses, que não havia tropa que o guarnecesse, tinha necessáriamente de ser abandonado, e nós deixamos que se arruinasse; a igrejinha que fica ao sul da cidade, foi ligada à bateria que flanqueia o rio, ficando assim a salvo de algum súbito acontecimento do inimigo ou então da tropa que havia na terra; mas não é isso bastante contra o inimigo que, com notável poder, vier de fora, encontrando-se ainda tudo ao modo antigo. No extremo norte da pequena cidade, na entrada do passo de Tapessima, há um redutozinho que serve de guarda avançada, e não é grande defesa."

O "Relatório sobre o estado das Capitanias conquistadas no Brasil", de autoria de Adriaen van der Dussen, datado de 4 de Abril de 1640, complementa, atribuindo-lhe a Companhia do Capitão Cappel, com um efetivo de 93 homens:

"(...) a cidade Schkoppe, onde a igreja e a bateria estão cercadas com um muro, mas não é obra de importância; nessa bateria, que domina o porto, há 11 peças: 2 de bronze de 32 libras, peças espanholas de berço e 9 de ferro a saber: 5 de 6 lb, 3 de 4 lb, 1 de 3 lb. No extremo norte da cidadezinha, sobre a estrada, situa-se um reduto que serve de atalaia e para defesa da porta [da cidade]."

BARLÉU (1974) transcreve a informação:

"(...) Constitui a fortaleza da vila de Schkoppe uma munição construída em redor de uma igreja e de uma bateria. Essa fortificação protege o porto, e uma torre de atalaia, ao norte, guarda a porta da vila. Na bateria acham-se montados onze canhões, dois de bronze e nove de ferro. Na boca setentrional, há outra torre quadrada, que garante a entrada do canal com três peças de ferro." (op. cit., p. 143)

Atribui-lhe o mesmo efetivo de 93 homens (op. cit., p. 146).

De acordo com BENTO (1971), a cidade de Schkoppe foi abandonada pelas forças neerlandesas após a ofensiva das forças combinadas do Mestre-de-Campo João Fernandes Vieira (1602-1681), do Mestre-de-Campo André Vidal de Negreiros (1606-1680), e do Sargento-mor Antônio Dias Cardoso, que na ocasião apresaram três embarcações neerlandesas fundeadas entre a ilha de Itamaracá e o continente (Junho de 1646).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BARLÉU, Gaspar. História dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil. Belo Horizonte: Editora Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1974. 418 p. il.
  • BARRETO, Aníbal (Cel.). Fortificações no Brasil (Resumo Histórico). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1958. 368 p.
  • BENTO, Cláudio Moreira (Maj. Eng. QEMA). As Batalhas dos Guararapes - Descrição e Análise Militar (2 vols.). Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 1971.
  • GARRIDO, Carlos Miguez. Fortificações do Brasil. Separata do Vol. III dos Subsídios para a História Marítima do Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Naval, 1940.
  • MELLO, José Antônio Gonsalves de (ed.). Fontes para a História do Brasil Holandês (Vol. 1 - A Economia Açucareira). Recife: Parque Histórico Nacional dos Guararapes, 1981. 264p. tabelas.
  • SOUSA, Augusto Fausto de. Fortificações no Brazil. RIHGB. Rio de Janeiro: Tomo XLVIII, Parte II, 1885. p. 5-140.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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