Fosfoetanolamina

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Gnome globe current event.svg
Este artigo ou seção é sobre um evento atual. A informação apresentada pode mudar rapidamente.
Editado pela última vez em 11 de fevereiro de 2016.
Star of life caution.svg
Advertência: A Wikipédia não é consultório médico nem farmácia.
Se necessita de ajuda, consulte um profissional de saúde.
As informações aqui contidas não têm caráter de aconselhamento.
Searchtool.svg
Esta página foi marcada para revisão, devido a inconsistências e/ou dados de confiabilidade duvidosa. Se tem algum conhecimento sobre o tema, por favor, verifique e melhore a consistência e o rigor deste artigo.
Ambox grammar.svg
Esta página ou secção precisa de correção ortográfico-gramatical.
Pode conter incorreções textuais, podendo ainda necessitar de melhoria em termos de vocabulário ou coesão, para atingir um nível de qualidade superior conforme o livro de estilo da Wikipédia. Se tem conhecimentos linguísticos, sinta-se à vontade para ajudar.
Fosfoetanolamina
Alerta sobre risco à saúde
Phosphorylethanolamine.svg
Identificadores
Número CAS 1071-23-4
PubChem 1015
MeSH phosphorylethanolamine
Propriedades
Fórmula molecular C2H8NO4P
Massa molar 141.063 g/mol
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.

A fosfoetanolamina é um composto químico orgânico presente naturalmente no organismo de diversos mamíferos. Ela ajuda a formar uma classe especial de lipídeos, os esfingolipídeos, moléculas que participam da composição estrutural das membranas das células e das mitocôndrias. Do ponto de vista bioquímico, trata-se de uma amina primária envolvida na biossíntese de lipídeos. Além dessa função estrutural de formar a membrana celular, ela possui ainda uma função sinalizadora, ou seja, a fosfoetanolamina informa o organismo de algumas situações que as células estão passando.

Fosfoetanolamina orgânica[editar | editar código-fonte]

Edgar Laurence Outhouse isolou a fosfoetanolamina de tumores malignos bovinos no ano de 1936, fornecendo a primeira existência deste composto livre na natureza, e, após esse trabalho, outros pesquisadores Outhouse E.L. (Biochem J. v. 30, p. 197-201, 1936) encontraram a fosfoetanolamina em intestinos de ratos e em tecidos cerebrais de bovinos Awapara J.[1]

Presente na membrana plasmática de células animais, e que participa da síntese de fosfatidiletanolamina no retículo endoplasmático, bem como de várias etapas do metabolismo celular, como o metabolismo mitocondrial, síntese de acetilcolina, e síntese hormonal.[2] [3]

Fosfoetanolamina sintética[editar | editar código-fonte]

Emile Cherbuliez e colaboradores em 1970 sintetizaram, caracterizaram e analisaram o comportamento químico de muitos ésteres fosfóricos, publicando trabalhos sobre o tema. A síntese descrita por estes pesquisadores envolveu inúmeras etapas, eles encontraram subprodutos.[carece de fontes?] No Brasil, a fosfoetanolamina não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, por esse motivo, não possui bula e nem pode ser comercializada.[4]

Propriedades medicinais e nutritivas[editar | editar código-fonte]

Alega-se ter função antitumoral, ou seja, ação antiproliferativa, e estimula a apoptose.[5] A fosfoetanolamina está intimamente relacionada com os mecanismos de regulação do potencial de membrana mitocondrial.[6] [7]

Fosfoetanolamina foi estudada em ratos com leucemia e apresentou resultados satisfatórios. Porém, estudos em humanos ainda estão sendo realizados para que a liberação de produção comercialização e uso da droga seja segura.[8]

Pesquisas demonstram a sua relação com a variação da concentração da fosfoetanolamina em doentes de alzheimer, isquemia, epilepsia e câncer.[9]

Como nutriente, a fosfoetanolamina está presente na composição natural do leite materno humano, sendo o mais importante aminoácido fosfórico consumido por bebês em fase de amamentação.[10] [11]

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Gilberto Chierice
Nome completo Gilberto Orivaldo Chierice
Nascimento 1943 (72–73 anos)
Rincão, São Paulo[12]
Nacionalidade  brasileiro
Alma mater Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Araraquara
Ocupação Professor
Principais trabalhos Óleo de mamona e fosfoetanolamina sintética
Página oficial
Currículo Lattes

No Brasil, uma versão artificial da fosfoetanolamina começou a ser sintetizada pelo químico Gilberto Chierice, então professor do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) no final da década de 1980.[carece de fontes?] Após alegações de que essa fosfoetanolamina sintética teria propriedades de combater alguns tipos de tumores,[carece de fontes?] pacientes acometidos pela doença e seus familiares têm obtido liminares na justiça para conseguir acesso às cápsulas produzidas pelo IQSC.[13] No entanto, como a fosfoetanolamina não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ela não possui bula e nem pode ser comercializada no Brasil.[14] [15] [16] [17] [18]

Em novembro de 2011 a Academia Brasileira de Ciências (ABC) manifestou-se contrariamente ao uso da droga em seres humanos. Dentre outras razões, o comunicado da ABC informa que não há evidências pré-clínicas documentadas e oficiais sobre a toxicologia, testes em animais, testes da farmacologia, a eficiência da droga sua segurança e não há, também, estudos clínicos (testes em humanos) comparando sua eficiência aos tratamentos convencionais contra o câncer. Portanto, não é possível afirmar se a droga ajuda como alegado, nem garantir a qualidade e a estabilidade dos lotes produzidos pelo USP de São Carlos. O comunicado recomenda que a droga não seja utilizada em seres humanos até que estudos pré-clínicos e clínicos sejam realizados, documentados oficialmente e demonstrando a eficácia e a segurança da fosfoetanolamina.[19]

Para ser aprovada sua comercialização, qualquer futuro medicamento com potencial terapêutico deve passar por uma série de testes que comprovem sua eficácia e segurança. Dentre os diversos testes determinados em conselho consultivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que regularmente abre espaço para consultas públicas a todos os interessados sobre seus métodos, regulamentos e diretrizes[20] estão os testes pré-clínicos, que incluem inclusive testes em animais para determinar, entre outros parâmetros, sua dose letal e os riscos a saúde a qualquer novo composto[21] bem como testes clínico, sendo esses últimos realizados em voluntários sadios. Toda essa documentação, juntamente com regulações sobre regularidade e os ensaios de qualidade devem compor o dossiê técnico do medicamento[22] para servir de garantia de que o medicamento funciona e além disso não irá deixar sequelas ao paciente.

Testes pré-clínicos para indicações de epilepsia vêm sendo descritas[23] , mas não há documentação técnica oficial, por ora, para outras indicações, inclusive para o câncer.

Sob esses argumentos, o Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP), em inspeção sanitária, autuou o Instituto de Química de São Carlos, por produzir composto sem estar regulamentado, não possuir registro de fabricação e nem possuir as condições mínimas sanitárias para produzir qualquer substância química que receba o nome de medicamento.[24] Em comunicado, o CRF-SP não inspecionou antes o instituto pois não considerava a fosfoetanolamina um medicamento, por não contar com nenhum relatório oficial da sua atividade farmacológica contra o cancro e ainda estar em fase de desenvolvimento. E, com a judicialização da medicina, e após a decisão judicial, o composto saiu do status de composto candidato a fármaco em fase preliminar de desenvolvimento, para composto utilizado em terapia medicamentosa com potencial risco sanitário e à saúde. O Instituto de Química de São Carlos - USP, em comunicado, compartilha do mesmo entendimento legal de que não tem condições sanitárias de produzir nenhum medicamento. A Vigilância Sanitária, órgão a quem compete uma possível interdição do laboratório, foi notificada mas ainda não se pronunciou sobre o caso.[25]

Em novembro de 2015 o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação anunciou a destinação de R$ 10 milhões para as atividades ligadas à pesquisa da fosfoetanolamina em um período de dois anos, visando a determinar se há ou não eficácia e segurança da substância no tratamento do câncer.[26]

Referências

  1. Nature. v. 14, p. 65-76, 1950); Folsch G, Osterberg R. (Biol Chem. v. 234 p. 2298-2303, 1959
  2. Corazzi L, Porcellati G, Freydz L, Binaglia L, Roberti, R. Arienti, G. J. Neurochem. V. 46, p.202-207, 1986)
  3. Maire J.C.E., Wurtman R.J. Biol. Psychiatry. V. 8, p. 637-642, 1984
  4. Diário do Nordeste: "Fosfoetanolamina não é remédio", diz USP em nota
  5. Dhakshinamoorthy, Suganthagunthalam; Nha-Truc Dinh, Jeffrey Skolnick, Mark P. Styczynski. (2015). "Metabolomics identifies the intersection of phosphoethanolamine with menaquinone-triggered apoptosis in an in vitro model of leukemia" (em inglês). Molecular BioSystems 11 (9): 2406-2416. DOI:10.1039/C5MB00237K. ISSN 1742-206X. PMID 26175011.
  6. Ferreira, Adilson Kleber; Meneguelo R, Marques FL, Radin A, Filho OM, Neto SC, Chierice GO, Maria DA. (2012). "Synthetic phosphoethanolamine a precursor of membrane phospholipids reduce tumor growth in mice bearing melanoma B16-F10 and in vitro induce apoptosis and arrest in G2/M phase". Biomedicine & Pharmacotherapy = Biomédecine & Pharmacothérapie 66 (7): 541-548. DOI:10.1016/j.biopha.2012.04.008. ISSN 1950-6007. PMID 22902646.
  7. Ferreira, Adilson Kleber; Meneguelo R, Pereira A, Mendonça Filho O, Chierice GO, Maria DA. (2012). "Anticancer effects of synthetic phosphoethanolamine on Ehrlich ascites tumor: an experimental study". Anticancer Research 32 (1): 95-104. ISSN 1791-7530. PMID 22213293.
  8. Ferreira, A K; B A A Santana-Lemos, E M. Rego, O. M. R Filho, G O Chierice, D A Maria. (2013). "Synthetic phosphoethanolamine has in vitro and in vivo anti-leukemia effects" (em inglês). British Journal of Cancer 109 (11): 2819-2828. DOI:10.1038/bjc.2013.510. ISSN 0007-0920. PMID 24201752.
  9. Ellison, D. W.; Beal, M. F.; Martin, J. B. In phosphoethanolamine and ethanolamine are decreased in alzheimer-s disease and Huntington´s disease. Brain Res. v.417 p. 389-392, 1987); Faingold, C.L. (Locomotor behaviors in generalized convulsions are hierarchically driven from specific brain-stem nuclei in the network subserving audiogenic seizures. Ann. N.Y. Acad. Sci. v. 860, p. 566-569, 1998)
  10. Harzer, G; Franzke V, Bindels JG. (1984). "Human milk nonprotein nitrogen components: changing patterns of free amino acids and urea in the course of early lactation" (em inglês). The American journal of clinical nutrition 40 (2): 303-309. PMID 6147084.
  11. Lawrence, Ruth A.; Lawrence, Robert M (2011). Breastfeeding: A Guide for the Medical Professional 7th ed. (Maryland Heights, Missouri: Elsevier Saunders). p. 117. ISBN 1-4377-0788-2. 
  12. Desafio IPEA: Um Rolls-Royce vegetal
  13. G1: 'Cápsula da USP' contra câncer não foi testada clinicamente
  14. Diário do Nordeste: "Fosfoetanolamina não é remédio", diz USP em nota
  15. "USP divulga comunicado sobre a substância fosfoetanolamina | USP - Universidade de São Paulo". www5.usp.br. Consult. 2015-10-30. 
  16. "Esclarecimentos à sociedade | Instituto de Química de São Carlos – IQSC/USP". www5.iqsc.usp.br. Consult. 2015-10-30. 
  17. Mello, Felipe R C. "Fosfoetanolamina, um composto polêmico". CartaCapital (em português). Consult. 2015-10-30. 
  18. "Justiça amplia prazo da USP para a entrega da fosfoetanolamina sintética". São Carlos e Região (em português). Consult. 2015-10-30. 
  19. "Academia Brasileira de Ciências - ABC se manifesta sobre a fosfoetanolamina". www.abc.org.br. Consult. 2015-11-04. 
  20. "Anvisa: Processo de Consulta Pública". ANVISA - Agência de Vigilância Sanitária. Consult. 30 de outubro de 2015. 
  21. "Anvisa: Guias para condução de estudos não clínicos de toxicologia e segurança farmacológica necessários ao desenvolvimento de medicamentos" (PDF). ANVISA - Agência de Vigilância Sanitária. Consult. 28 de outubro de 2015. 
  22. "Manual para Submissão de Dossiê de Desenvolvimento Clínico de Medicamento (DDCM) e Dossiê Específico de Ensaio Clínico" (PDF). ANVISA - Agência de Vigilância Sanitária. Consult. 30 de outubro de 2015. 
  23. "Aplicação pré-clínica da fosfoetanolamina sintética sobre modelos experimentais de epilepsias". USP - Biblioteca Digital de Teses e Dissertações. Consult. 30 de outubro de 2015. 
  24. Conselho de Farmácia autua a USP por produção de fosfoetanolamina
  25. "Empresa é contratada para regularizar pílula do câncer". Abril Editora - Revista Exame. Consult. 06 de novembro de 2015. 
  26. "MCTI anuncia plano de trabalho para as pesquisas sobre a fosfoetanolamina - Notícia - Ciência, Tecnologia e Inovação". www.mcti.gov.br. Consult. 2015-11-25. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre Química é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.