Francis Spellman

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Francis Joseph Spellman
Cardeal da Santa Igreja Romana
Arcebispo de Nova Iorque
Arcebispo Francis Spellman em 1946
Atividade Eclesiástica
Diocese Arquidiocese de Nova Iorque
Nomeação 15 de abril de 1939
Entrada solene 23 de maio de 1939
Predecessor Dom Patrick Joseph Cardeal Hayes
Sucessor Dom Terence James Cardeal Cooke
Mandato 1939 - 1967
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 14 de maio de 1916
por Dom Giuseppe Ceppetelli
Nomeação episcopal 30 de julho de 1932
Ordenação episcopal 8 de setembro de 1932
Basílica de São Pedro
por Dom Eugênio Cardeal Pacelli
Nomeado arcebispo 15 de abril de 1939
Cardinalato
Criação 18 de fevereiro de 1946
por Papa Pio XII
Ordem Cardeal-presbítero
Título São João e São Paulo
Brasão
Coat of arms of Francis Joseph Spellman.svg
Lema Sequere Deum
Dados pessoais
Nascimento Whitman, Massachusetts
4 de maio de 1889
Morte New York
2 de dezembro de 1967 (78 anos)
Nacionalidade norte-americano
Progenitores Mãe: Ellen Conway
Pai: William Spellman
Funções exercidas - Bispo-auxiliar de Boston (1932-1939)
Sepultado Catedral de São Patrício
dados em catholic-hierarchy.org
Cardeais
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Francis Joseph Spellman (nascido o 4 de maio de 1889, falecido o 2 de dezembro de 1967) foi um cardeal da Igreja católica estadounidense. Bispo auxiliar da Arquidiocese de Boston (1932-1939), sexto arcebispo de Nova York (1939-1967) e Vigário Apostólico das Forças Armadas dos Estados Unidos. Foi nomeado cardeal em 1946. Apoiou a intervenção norte-americana em Vietname e opôs-se à reforma da Igreja. Por sua habilidade financeira é conhecido como (Cardinal Moneybags).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Fábrica de calçado e Couro de Whitman em 1911.

Nascido em Whitman, Massachusetts, filho primogénito do casal formado por William e Ellen (de soletra Conway) Spellman, emigrantes irlandeses procedentes de Clonmel e Leighlinbridge. Francis teve dois irmãos, Martín e Juan, e duas irmãs, Marian e Helene. Seu pai (1858-1957) trabalhou na fabricação do calçado para mais tarde abrir uma loja de comestíveis.[1] Serviu como acólito na igreja do Espírito Santo. Muito apegado a sua mãe teve uma relação difícil com seu estrito pai.

Realiza seus primeiros estudos em Whitman onde pratica fotografia e basebol, sendo primeira base durante seu primeiro ano de escola secundária até que uma lesão na mão o obrigou a deixar de jogar para mais tarde dirigir a equipa. Em 1907, depois de seu graduação, ingressa na Universidade de Fordham em Nova York. Em 1911, concluídos seus estudos, sente vocação religiosa sendo enviado a Roma pelo arcebispo William Henry Ou'Connell para estudar no Pontifício Colégio Norte-americano, um seminário católico.[2]

Durante sua estadia romana conhece a Gaetano Bisleti, Francesco Borgongini Duca e Domenico Tardini. Como padece pneumonia, por seu estado de saúde, a administração do seminário propõe o enviar de regresso a casa. Não sucedeu assim, podendo concluir seus estudos de teologia.

Sacerdocio[editar | editar código-fonte]

Catedral de Boston, Cathedral of the Holy Cross.

O 14 de maio de 1916 foi ordenado pelo patriarca latino de Constantinopla José Ceppetelli.[3] Regressa a Estados Unidos onde realiza seu trabalho pastoral na Arquidiocese de Boston. O cardeal Ou'Connell, pese a ter-lhe enviado a Roma, mostra aversão para o jovem sacerdote, destinando ao Lar de San Clemente (St. Clement's Home), uma instituição para as mulheres de idade, onde serviu como capellán. Mais tarde exerce como pároco no All Saints Church de Roxbury, antigo município anexado a Boston em 1868.

Depois da entrada na Primeira Guerra Mundial de Estados Unidos em 1917, Spellman quer converter-se em acólito militar, não o conseguindo por não cumprir com o requisito de talha. Volta a solicitar na Marinha, sendo recusado pessoalmente em duas ocasiões, pelo Secretário Franklin D. Roosevelt. Fracassado nesta missão, Ou'Connell encarrega-lhe a tarefa de promover as assinaturas para o jornal da Arquidiocese, The Pilot.[4] Assistente do chanceler em 1918 e arquivista da Arquidiocese depois . Traduz ao inglês dois livros escritos por seu amigo Borgongini Duca. Em 1925 foi o primeiro agregado de América à Secretaria de Estado da Santa Sede. Colabora com os Cavaleiros de Colombo na gestão de zonas de jogos infantis. O 4 de outubro de 1926 o papa Pio XI nomeia-lhe Monsenhor.

Em 1927 viaja a Alemanha onde conhece ao arcebispo Eugenio Pacelli, então Nuncio Apostólico, com quem entalha uma duradoura amizade.[5] Em 1930 acompanha a Pacelli em sua visita a sor Pascualina Lehnert, convalecente no sanatorio Stella Maris, da congregación da Cruz, onde a freira tinha tratado uma grave doença do então Núncio em Baviera:

Graham-Paige 612

Desde aquelas férias Pacelli, Spellman e sor Pascualina formaram um trío inseparável. Pacelli comentou aos dois as atividades do economista e engenheiro Bernardino Nogara, financeiro do papa. Spellman assume o saneamento financeiro tanto do Vaticano como das mais importantes diócesis norte-americanas, conseguindo seu objetivo e obtendo de seus amigos de Norteamérica o presente de um comboio privado e de três automóveis modelo Graham Paige 835 para Pio XI.[6]

Pío XI e Eugenio Pacelli na inauguração de Rádio Vaticano, ao fundo Guillermo Marconi, 1931

Bispo Auxiliar de Boston[editar | editar código-fonte]

Proposto para as diócesis de Portland em Maine, e Manchester em Novo Hampshire, o 30 de julho de 1932 foi nomeado pelo papa Pío XI bispo auxiliar de Boston e Bispo titular de Sila em Numidia.[7]

Recebeu seu consagração na Basílica de San Pedro o 8 de setembro de mãos de Pacelli concelebrando os arcebispos Giuseppe Pizzardo e Francesco Borgongini Duca. Foi o primeiro bispo estadounidense consagrado em San Pedro.

Em seu escudo de armas adota as três caravelas de Cristóvão Colombo: pinta-a, a Menina, e a Santa María. As representado por detrás, saindo o Velho Mundo, tendo ao frente sua chegada ao Novo Mundo. Ao apresentar este esquema ao papa Pio XI, este lhe transmite seu entusiasmo com as palavras sequere Deum, o que significa "seguir a Deus". Emocionado incorpora esta frase a seu lema episcopal.

Depois de seu regresso a Norteamérica fixa sua residência no Saint John's Seminary de Brighton, antigo município anexado em 1874 a Boston em Massachusetts. Exerce como paroco na igreja do Sagrado Coração no bairro de Newton Centre, principal shopping de Boston, conseguindo arrecadar os 43 000 dólares correspondentes às dívidas contraídas pela parroquia. Em 1935 falece sua mãe. Vão a seu funeral o governador James Michael Curley, o vicegobernador Joseph Hurley, e muitos membros do clero, com a excepção de Ou'Connell.

Aeroplano Douglas DC-3.

Em junho de 1936 as encuestas negavam a possibilidade de reeleição ao presidente Roosevelt, grande parte por causa dos ataques o sacerdote católico Charles Coughlin transmitidos pela rádio de Detroit. Chega a um acordo com Joseph P. Kennedy para financiar a visita de Pacelli, que zarpou de Itália com um grande séquito. Pouco depois de sua chegada, Pacelli silenciada Coughlin. Utilizando um avião Douglas DC-3 contratado por Kennedy, Spellman e Pacelli realizam sua visita pastoral à população católica norte-americana. Devido em parte ao conhecido como efeito de Pacelli, Franklin D. Roosevelt consegue em novembro de 1936 remontar nas encostas.

A julgamento do jornalista de investigação Paul Murphy, nesta visita Pacelli, quiçá influenciado por Spellman, inicia seu giro democrático. O cardeal era então considerado como o quase seguro sucessor do papa Pio XI.[8] Ao dia seguinte da vitória eleitoral vai Rose Kennedy a casa de Roosevelt em Hyde Park para solicitar como recompensa a nomeação de seu marido embaixador em Londres. Pacelli solicita a nomeação de um embaixador estadounidense ante a Santa Sede, mas Roosevelt só autoriza enviado pessoal. Por esta gestão obtém a confiança daquele homem que em 1917 lhe impediu se converter em capelão da marinha americana.

Arcebispo de Nova Iorque[editar | editar código-fonte]

Catedral de Nova Iorque.

Depois do falecimiento do papa Piuo XI Pacelli foi eleito com o nome de Pío XII. O 15 de abril de 1939, num de seus primeiros atos de pontificado, o novo pontífice nomeia a Spellman arcebispo de Nova York. Sucede ao cardeal Patrick Joseph Hayes, que tinha deixado quase em bancarrota graças a seu pródiga caridade, se instalando formalmente como arcebispo o 23 de maio.

O 11 de dezembro de 1939 foi nomeado Vicario Apostólico das Forças Armadas dos Estados Unidos, cargo que simultânea com o de arcebispo de Nova York. Por este carregou acompanhou durante os Natais asas tropas estadounidenses em Japão, Coreia e Europa.

Depois de sua ascensão a Nova York converteu-se em assessor do presidente Roosevelt. Durante sua permanência em Nova York exerce uma influência considerável, tanto em assuntos religiosos como políticos, até o ponto de que sua residência recebesse o apodo de "the Powerhouse".[9] Recebe a personagens destacadas como Joseph P. Kennedy, Bernard Baruch, David I. Walsh, John William McCormack, bem como a numerosos outros políticos, artistas, e clérigos.

Em 1945, com objeto de arrecadar de fundos para organizações católicas, instituiu a Alfred E. Smith Memorial Foundation Dinner, cita anual à que assistem figuras nacionais prominentes, incluindo os candidatos presidenciais. Ao Smith foi o primeiro candidato presidencial católico.

Obteve para o papa ajuda económica dos Caballeros de Colón, que entregou pessoalmente em Roma, sua condição arcebispo chefe dos capelães castrenses, com grau de general de quatro estrelas, lhe permitia viajar por todo mundo em missões tanto religiosas como políticas.[10] Contribuiu a manter em Estados Unidos um grupo de opinião favorável ao general Francisco Franco. Em 1946, "em reconhecimento às contribuições excepcionais à cidade de Nova York" recebe a Medalha de Ouro da cidade outorgada pela The Hundred Year Association of New York. Foi retratado em duas ocasiões, 1940 e 1941, pelo artista católica estadounidense nascido em Suíça Adolfo Müller-Ury.

Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

No final de 1942 Spellman, com silêncio permisivo de um papa que já estava convencido da vitória aliada, se vai complicar numa insólita aventura.[11] Por sugestão da freira Pascalina Lehnert, o pontífice encarrega a Spellman que solicite pessoalmente ao presidente Roosevelt um relatório sobre as atrocidades cometidas pelos nazistas contra os judeus. Ao cabo de uma semana consegue-o comunicando ao para seu conteúdo telefonicamente.[12]

Aconselha a monsenhor Alberto dei Jorio transferir a bancos norte-americanos os principais ativos da Santa Sede, apostando pela vitória aliada dois anos dantes da entrada em guerra da potência norte-americana.[13] Spellman consegue do Vaticano uma série de títulos pontifícios para seus benfeitores:

Cavaleiro de Obediência (Knight of Obedience) da Soberana Ordem de Malta.

Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, Roosevelt envia-lhe como agente seu a visitar Europa, África e Oriente Médio. Em quatro meses percorre um total de 16 países.[14] Como arcebispo e vicario militar goza de uma maior liberdade que os diplomatas oficiais. Atuou como enlace entre o papa Pío XII e Roosevelt respaldando as tentativas do Papa para declarar Roma cidade aberta, com o fim de salvar a cidade dos bombardeios que sofreram outras capitais europeias, salvaguardando lugares e ruínas históricas de Roma, bem como a Cidade do Vaticano.[15]

O presidente Roosevelt, sabedor do papel que desempanhava a máfia siciliana controlando os berços da costa Este e de como seu líder, o gángster Frank Costello era devoto católico, encarrega a Spellman que solicite a colaboração de Costelo para descobrir aos espiões alemães que informavam a Hitler. Spellman voou a Roma para solicitar permissão ao papa. Spellman se reunião em segredo com Costello quem aceita a missão, encarregando a missão a sua lugartenente Lucky Luciano, quem realiza-a com sucesso.[16] Luciano recebeu um segundo encarrego, assegurar a colaboração da máfia siciliana no desembarco aliado de 1943, conhecido como Operação Husky.

Cardeal[editar | editar código-fonte]

Escudo de Armas do cardeal Spellman

No consistório celebrado o 18 de fevereiro de 1946 foi nomeado cardeal pelo papa Pío XII, sendo titula de Basílica de San Juan e San Pablo, situada na Colina de Celio, a mesma que da que foi titular Pacelli dantes de sua eleição ao pontificado. A seu regresso do consistório chega ao aeroporto de Baralhas acompanhado por vários cardeais espanhóis e portugueses, recebendo um fervente homenagem do povo de Madri.[17]

Partidário de Joseph McCarthy, anticomunista convencido, considera o comunismo incompatível com a forma de vida americana e que "a primeira lealdade de todos os estadounidenses é vigilante para eliminar e contrarrestar o comunismo e converter aos comunistas estadounidenses ao americanismo".[18] Em 1949, recruta como esquiroles seminaristas do St. Joseph's Seminary para acabar com a greve de sepultureros do Calvary Cemetery de Queens, greve por ele considerada fruto da agitação comunista. Descreveu a atuação dos sepultureroscomo "injustificada e imoral de greve contra os inocentes morridos e suas famílias das vítimas, na contramão de sua religião e a decência humana".[19] A greve foi apoiada pela ativista religiosa Dorothy Day, fundadora em 1933 do Movimento do Trabalhador Católico, e por Ernest Hemingway, que escreveu uma mordaz carta a Spelman. Defendeu as 1953 investigações do senador Joseph McCarthy a respeito de comunistas subversivos patrocinadas pelo governo federal, posicionando-se publicamente em abril de 1954 contra os métodos comunistas.[20]

Denunciou a iniciativa do congressista Graham Arthur Barden para proporcionar financiamento federal só às escolas públicas como "uma cruzada covarde de preconceito religioso contra os meninos católicos", chegando a qualificar a Barden como "apostolo da intolerância".[21] Em 1949 também polemiza com a ex primeira dama Eleanor Roosevelt quando expressou em sua coluna do jornal My Day sua oposição a proporcionar fundos federais para financiar as escolas parroquiais. Em sua réplica acusa-a de anticatolicismo denunciando sua discriminação como indigna de uma mãe americana. Reuniu-se com ela em sua casa de Hyde Park para continuar o debate.

Frequentemente critica aqueles filmes cujo conteúdo considera inmoral ou indecente. Assim, por exemplo, considera o filme titulado Two-Faced Woman, dirigida por George Cukor, como "uma ocasião de pecado ... perigoso para a moral pública."[22] Considera Baby Doll como "repugnante" e "moralmente repelente".[23] Também condena ao produtor William Perlberg por se negar a corrigir o contendio do filme titulado Forever Amber.

Em 1951 atribui a Ivan Illich a parroquia de Porto Rico em Washington Heights, Manhattan. Apoia a candidatura de William Brennan ao Corte Suprema, nomeado em 1956, ainda que mais tarde arrepender-se-ia desta decisão. O Juiz associado do Corte Suprema William Ou. Douglas considera que a actuação do cardeal Spellman a faz sentir deshonrado seu ideal americano.

Celebra os natais de 1952 em Taipéi, capital da República de Chinesa, procedente de Coreia onde tinha visitado às tropas em desempenho de sua missão como Vicário Apostólico das Forças Armadas dos Estados Unidos.[24]

Em 1958 participa como eleitor no conclave onde foi eleito papa San Juan XXIII, de cuja eleição não recebe com entusiasmo. Em 1959 foi nomeado delegado pontifício para o Congresso Eucarístico Internacional a celebrar em Munique. Durante sua viagem a Guatemala, deteve-se em Nicarágua e, na contramão das ordens do papa, apareceu publicamente com o ditador Anastasio Somoza García.[25]

Hope Portocarrero de Somoza cumprimenta ao Cardeal Francis Spellman, durante uma recepção em Nova York,

Ainda que John F. Kennedy era católico, Spellman apoiou a Richard Nixon nas eleições presidenciais de Estados Unidos de 1960, devido à oposição de Kennedy à ajuda federal para as escolas parroquiais e à nomeação de um embaixador de Estados Unidos ante a Santa Sede. Seu apoio a Nixon pôs fim a sua amizade com Joseph P. Kennedy pai. Spellman tinha celebrado o casal de seus filhos Robert e Ted Kennedy. Criou várias escolas católicas como a cardeal Spellman High School no Bronx, em Quito e em Guayaquil.

O perigo da Revolução[editar | editar código-fonte]

Como membro de seu Conselho de Presidência assistiu ao Concilio Vaticano II celebrado entre os anos 1962 e 1965. Desde sua postura conservadora denúncia como a asa liberal predomina nas comissões do Conselho. Opôs-se à introdução da língua vernácula na Missa, argumentando: "A língua latina, que é verdadeiramente a linguagem católica, é imutável, não é vulgar, e tem para muitos séculos sido o guardião da unidade da Igreja de Ocidente". Participa no conclave de 1963, celebrado depois do falecimento de Juan XXIII, onde foi eleito papa o Beato Pablo VI.

Quando em 1964 se estreia no Circuito de Broadway O vicario The Deputy, a Christian tragedy ou The Representative, obra teatral de Rolf Hochhuth onde se critica a actuação de Pio XII durante o Holocausto, Spellman a condenação por "escandalosa profanação da honra de um grande e bom homem."[26] O Vicário teve como objetivo minar a autoridade moral do Vaticano e sua influência em Ocidente.[27] Por contra, o produtor, Herman Shumlin, rebate as palavras do Spellman, por ele consideradas uma "ameaça calculada para conduzir realmente uma cunha entre os Cristãos e os Judeus".

Pese a manifestar sua oposição às manifestações do movimento pelos direitos civis em Estados Unidos, declinou a solicitação de J. Edgar Hoover para condenar a Martin Luther King e financiou a viagem de um grupo de sacerdotes de Nova York e das freiras que foram às marchas de Selma a Montgomery em 1965. Opôs-se à discriminação racial na moradia pública.[28] Padeceu as excentricidades do jesuita Daniel Berrigan e de seu irmão Philip quem estiveram na lista dos 10 fugitivos mais procurados pelo FBI por causa de sua participação nos protestos civis contra a guerra do Vietname, bem como as do jovem sacerdote melquita David Kirk.

Johnson e Vietname[editar | editar código-fonte]

Nas eleições presidenciais de 1964, Spellman apoiou a Lyndon B. Johnson, já que com suas Leis Higher Education Facilities Act e Economic Opportunity Act of 1964 tinha beneficiado à Igreja. Lembrou enviar sacerdotes à República Dominicana para acalmar os sentimentos antiestadounidenses depois da invasão de 1965.

O presidente Ngo Dinh Diem chega a Washington, 1957.

Mostrou-se partidário da guerra de Vietname, pelo que o conflito chegou a ser conhecido como "Guerra de Spelly" e o Cardeal como o "Bob Hope do clero".[29]

Deiệm depois de seu assassinato o 2 de novembro de 1963, depois de produzir-se o golpe de estado que lhe derrubou do poder.

Conheceu a Ngo Dinh Diem em 1950 e, favoravelmente impressionado por seus pontos de vista fortemente católicos e anticomunistas, promoveu sua carreira apoiando até seu assassinato em 1963. Temeroso da expansão comunista em Vietname, Spellman tinha instado à intervenção estadounidense depois da derrota francesa na batalha de Dien Bem Phu, batalha que se livrou em 1954 entre o Viet Minh, baixo o comando do General Võ Nguyên Giáp, contra o Corpo Expedicionário Francês em Extremo Oriente mandado pelo general Henri Navarre. Na década de 1960 suas opiniões ao respeito foram criticadas pelos ativistas e inclusive por alguns líderes religiosos.

Quando o papa Pablo VI visitou os Estados Unidos em outubro de 1965, reprendeu indiretamente a postura dura de Spellman advogando pela paz ante as Nações Unidas. Um grupo de estudantes universitários protestaram em frente a sua residência em dezembro de 1965. Spellman passou o Natal desse ano com as tropas em Vietname do Sul, onde num de seus discursos citou a Stephen Decatur: "Meu país, pode sempre estar no verdadeiro, mas bem ou mau, meu país". Descreveu o conflito como uma "guerra pela civilização" e "guerra de Cristo contra o Vietcong e o povo de Vietname do Norte". Em janeiro de 1967, os manifestantes contra a guerra interromperam uma missa na Catedral de San Patricio.[30]

Em 1967 foi galardoado com o Prêmio Sylvanus Thayer (Sylvanus Thayer Award) outorgado pela Academia Militar de Estados Unidos em West Point.

Últimos dias[editar | editar código-fonte]

Em 1966, Spellman ofereceu sua renúncia ao papa Pablo VI, após que este instituiu uma política segundo a qual os bispos se aposentam aos 75 anos, mas o papa lhe solicitou que permaneça em seu posto. Dotou a seu arquidiocese de numerosas igrejas, escolas e hospitais. Convence a Pio XII da necessidade de internacionalizar os investimentos, até então centradas em Itália. Por sua habilidade financeira é conhecido como "O Cardeal Moneybags".

Falece em Nova York aos 78 anos de idade, depois de ter ocupado a cadeira episcopal durante 28 anos, sendo enterrado na cripta situada baixo o altar maior da Catedral de San Patricio. A seu Réquiem foram, entre outros, Presidente Johnson, Vice-presidente Hubert Humphrey, Robert Kennedy, Jacob Javits, Nelson Rockefeller, John Lindsay, Arthur Goldberg e o Arcebispo Iakovos de América.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Cooney.
  2. Thornton.
  3. «Página Web del periódico» 
  4. «Página Web del periódico» 
  5. p.i. Murphi y R.R. Anderson, La Papisa, Barcelona, Plaza y Janés, 1987, página 119.
  6. Museos Vaticanos, automóvil Graham Paige (1929). Una nueva era de la Papal Transporte comenzó en 1930 durante el jubileo sacerdotal de Pío XI (1922-1939) con la llegada del automóvil. La colección de Pío XI incluye: la limusina Graham Paige A cargo de los hermanos Graham de América (membros dos Cavaleros de Colombo)
  7. «www.catholic-hierarchy: Francis Joseph Cardinal Spellman †.» 
  8. P. Murphy, página 161.
  9. Peter Quinn.
  10. De la Cierva, página 392, citando a Oaul I. Murphy y a H. Jedin.
  11. De la Cierva, página 387.
  12. P.I. Murphy, página 278.
  13. Ricardo de la Cierva: Misterios de la Historia, segunda serie. Barcelona, Planeta, 1991 página 62.
  14. Time, 7 de junio de 1943.
  15. Ante el avance del ejército aliado y las protestas de la población civil ante los bombardeos aéreos estadounidenses, fue declarada ciudad abierta por las autoridades alemanas el 14 de marzo de 1943.
  16. De la Cierva, página 392, citando estudios convergentes y seguros de H. Jedin, página 145.
  17. [1] 8 de março de 1946, página 21
  18. O'Donnell.
  19. Time, 14 de março de 1949
  20. New York Times de 8 de novembre de 1954.
  21. «Time: National Affairs: My Day in the Lion's Mouth, Monday, Aug. 01, 1949.» 
  22. TIME Magazine, 8 de diciembre de 1941.
  23. «Cinema: The Trouble with Baby Doll. Time, 14 de enero de 1957.» 
  24. «Portada de ABC, Sevilla». 23 de janeiro de 1952 
  25. Cooney
  26. DeMarco 1998.
  27. «Moscow's Assault on the Vatican» 
  28. O'Donnell 2009.
  29. Cooney.
  30. Epstein, Alessandra. 2001. Rebel With A Cause. 201 Magazine. Boston University,

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Cooney, John. The American Pope: The Life and Times of Francis Cardinal Spellman. New York Times Books 1984.
  • Thornton, Francis Beauchesne. 1963. Our American princes: the story of the seventeen American cardinals. Putnam. (capítulo dedicado a Spellman página 201.)
  • Ricardo de la Cierva. Las puertas del infierno. La historia de la Iglesia jamás contada. [S.l.: s.n.] ISBN 84-88787-06-5  (1996). Editorial Fénix, Série Máxima.  
  • Miranda, Salvador. The Cardinals of the Holy Roman Church. SPELLMAN, Francis Joseph.
  • Quinn, Peter. New York's Catholic Century. (artigo) The New York Times, 2006-06-04.
  • Ou'Donnell, Edward T. Spellman leads crusade against communism. Irish Jogo On-line, 82(44), Novembro 4–10, 2009.
  • Beasley, Maurine H., Holly C. Shulman, e Henry R. Beasley, eds. O Eleanor Roosevelt enciclopedia. Westport, Conn: Greenwood Press, 2001, 498-502.
  • O Cardeal (The Cardinal) é um filme de 1963 com guion de Robert Dozie baseado numa novela de 1950, escrita por Henry Morton Robinson, que trata sobre a vida de Francis Spellman.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]