Francisco, Duque de Anjou

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Hércules Francisco da França por Jean Clouet (1572).

Hércules Francisco de Valois, duque de Anjou (18 de Março 1555 - 19 de Junho 1584), em francês Hercule François de Valois, duc d'Anjou, foi um filho da França, oitavo filho do rei Henrique II de França e de Catarina de Médici.

Juventude[editar | editar código-fonte]

Descrito como uma criança bem parecida e afável, apesar da constitição frágil e da cara marcada por um episódio de varíola aos oito anos de idade, Francisco cresceu sob o rigoroso controle da sua mãe, como todos os seus irmãos e irmãs. Em família era apelidado pelos irmãos de le petit magot (o pequeno macaco). Apesar do seu primeiro nome ser Hércules, passou a ser tratado como Francisco, depois da morte do irmão mais velho, Francisco II, em 1560. Em 1566, Carlos IX concedeu-lhe os títulos de duque de Alençon e de Château-Thierry e conde de Perche, Meulan e Mantes. Em 1576, o seu terceiro irmão tornado rei, Henrique III, acrescentou-lhe os títulos de duque de Anjou, duque de Berry e duque de Touraine. Anjou, um dos ducados reais mais importantes de França, seria o nome pelo qual ficaria conhecido.

Posição na França[editar | editar código-fonte]

Como quarto varão, Francisco não teve grande importância política até à morte sucessiva de dois dos seus três irmãos mais velhos. Em 1574, com a subida ao trono de Henrique III, tornou-se no herdeiro da coroa uma vez que nunca teve sobrinhos legítimos. Em 1576 surge pela primeira vez no papel de diplomata, tendo tido um papel importante na negociação da Paz de Beaulieu, durante os conflitos religiosos com os huguenotes.

Anjou nos Países Baixos[editar | editar código-fonte]

Em 1580, os Estados Gerais das Províncias Unidas dos Países Baixos, que recentemente haviam declarado independência da coroa espanhola, ofereceram-lhe o título de Protector da Liberdade dos Países Baixos, o primeiro passo para a soberania do novo estado. A iniciativa partiu de Guilherme I, Príncipe de Orange (o Taciturno), que procurava aliados para a causa neerlandesa no reino vizinho da França, opositor histórico de Espanha. Francisco de Anjou chegou aos Países Baixos em 1582 à cabeça de um exército numeroso, que teve o mérito de colocar o governador Duque de Parma na defensiva. A situação parecia prometedora, mas a personalidade instável e frívola do Duque de Anjou não ajudou. Depressa se tornou muito impopular, o que resultou na recusa das províncias da Zelândia e Holanda em reconhece-lo como possível soberano. Guilherme de Orange procurou intervir a seu favor, mas sem grandes sucessos, acabando ele próprio criticado no seu próprio país pelo apoio ao francês. Desagradado com a falta de cumprimento das promessas de poder feitas pelos Estados Gerais, Francisco procurou obter a sua dignidade real à força, levantando cerco à cidade de Antuérpia em Janeiro de 1583. Numa tentativa de ludibriar os sitiados, Francisco exigiu que lhe abrissem os portões da cidade e que o honrassem com uma recepção digna de um soberano. Os antuerpinos, no entanto, não ficaram convencidos das suas verdadeiras intenções e prepararam-se para uma emboscada. Francisco entrou em Antuérpia, sim, mas a cidade fechou os portões logo depois, atacando as tropas francesas com pedras, enxadas e outras ferramentas. O resultado foi uma catástrofe que obrigou Francisco a fugir pela vida. Foi o fim dos seus planos de se tornar rei dos Países Baixos.

Noivado com Isabel I[editar | editar código-fonte]

Entretanto, Francisco de Anjou procurava outras fontes para satisfazer a sua ambição. Em 1581 iniciou negociações para um possível casamento com Isabel I de Inglaterra. Na altura ele tinha vinte-e-seis anos e Isabel quarenta-e-sete, mas a diferença de idades não o dissuadiu de viajar para Londres em pessoa para defender a sua causa. Francisco tornou-se muito próximo da rainha, que aparentemente lhe achava graça, e por algum tempo o plano pareceu correr bem. Os políticos ingleses e população do país, no entanto, tinham outra opinião e Francisco acabou por ser recusado. Os principais argumentos contra si eram a sua religião católica, a sua nacionalidade francesa (França era um inimigo tradicional de Inglaterra) e a sua mãe, Catarina de Médici, considerada a grande responsável pelo massacre da noite de São Bartolomeu (1572), que custou a vida a mais de 6,000 protestantes franceses.

Doença e morte[editar | editar código-fonte]

No final de 1583, Francisco adoeceu com uma febre persistente, provavelmente malária, e foi levado para Paris. Em Junho do ano seguinte morreu após uma emotiva reconcialiação com o irmão Henrique III.

A sua morte prematura sem herdeiros deixou a casa de Valois numa crise dinástica. Henrique III nunca teve filhos legítimos e foi sucedido pelo parente mais próximo, o rei Henrique III de Navarra, líder da casa de Bourbon e de confissão protestante.