Francisco João de Azevedo

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Francisco João de Azevedo
Padre Francisco João de Azevedo
Conhecido(a) por Padre Azevedo
Nascimento 4 de março de 1814
João Pessoa
Morte 26 de julho de 1880 (66 anos)
João Pessoa
Nacionalidade brasileira
Ocupação padre
inventor

Francisco João de Azevedo (Mamanguape, 4 de março de 1814João Pessoa, 26 de julho de 1880) foi um padre católico e inventor brasileiro.[1]

Ficou conhecido por criar uma máquina de escrever a mão com o auxílio de apenas lixa e canivete.[2] Só que a máquina não teve reconhecimento e o padre, com o passar dos anos, ficou esquecido no tempo.[2] Existem suspeitas que o padre foi sabotado por um amigo estrangeiro, que roubou os seus projetos. Outras fontes garantem que o modelo da máquina de escrever brasileira foi transferida para os Estados Unidos ou Inglaterra por um estrangeiro, mas com autorização do padre Azevedo.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Infância[editar | editar código-fonte]

Pouco se sabe sobre a sua infância. É fato, porém, que cedo perdeu o pai, outro Francisco João de Azevedo. Desconhece-se o nome de sua mãe. Seus primeiros anos não foram nada fáceis, não só pela situação da viuvez de sua mãe. À época também aconteciam fortes temporadas de seca no Nordeste.[1] Foi alfabetizado numa escola perto do Seminário dos Extintos Jesuítas.

Juventude[editar | editar código-fonte]

Começou sua vida profissional como tipógrafo. Logo depois, mais ou menos a 1834, numa visita pastoral de Dom João da Purificação Marques Perdigão, bispo da Arquidiocese de Recife à província da Paraíba, sabendo de sua pobreza, o bispo o convidou para entrar no Seminário Diocesano do Recife, e o jovem então partiu para Recife.[1]

Em 1835 fez sua inscrição no seminário para, em 1838, ser ordenado padre. Deu várias aulas no Arsenal da Marinha de Pernambuco, onde também começou a fazer sua invenção revolucionária: a máquina de escrever de madeira.

O protótipo da máquina de escrever inventada pelo Padre Azevedo

A máquina de escrever[editar | editar código-fonte]

Quando criança, o pai o introduziu às artes mecânicas e, em 1861, ele criou uma revolucionária máquina de escrever. Foi exibida no mesmo ano na Exposição Agrícola e Industrial de Pernambuco, onde Francisco João ganhou medalha de ouro, na presença do Imperador Pedro II.[1] Um ano depois, para a decepção do padre, lhe comunicaram que sua máquina não poderia ir para a Exposição de Londres, por falta de acomodação, pois a máquina era muito grande e o governo imperial não lhe deu nenhum auxílio.

A tal máquina inventada pelo padre era um móvel de jacarandá equipada com dezesseis pedais com aparência semelhante a de um piano. Cada tecla de sua máquina adicionava uma haste comprida com uma letra na ponta. Era possível na máquina datilografar todas as letras do alfabeto além dos sinais ortográficos. O pedal servia para trocar de linha do papel.[1]

Possível golpe[editar | editar código-fonte]

Segundo o biógrafo Ataliba Nogueira, o padre foi enganado e seus desenhos roubados. Tudo isso feito por um agente de negócios que o convenceu a não continuar o projeto da máquina e desistir de tudo. O padre aceitou essa ideia. O agente de negócios então roubou tudo sobre a máquina e entregou nas mãos do tipógrafo estadunidense Christopher Latham Sholes (1819 - 1890), que aperfeiçoou a máquina e a apresentou a todos como sendo seu o projeto, vindo a ser reconhecido como o inventor da máquina de datilografia.[1]

Em carta a jornais de Recife, em 6 de outubro de 1875, o padre fez uma confissão: "O acanhamento, a timidez de minha índole, a falta de meios e o retiro em que vivo não me facilitam o acesso aos gabinetes, onde se fabricam reputações e se dá diploma de suficiência. Daí vem que minhas pobres invenções definhem, morram crestadas pela indiferença e minha falta de jeito".[2]

Outras criações[editar | editar código-fonte]

O padre Azevedo desenvolveu ainda outros inventos. Em 14 de outubro de 1866 obteve a medalha de prata pela invenção do elipsígrafo, na Segunda Exposição Provincial.

Inventou um veículo terrestre movimentado pela força do vento, destinado ao transporte entre Olinda e Recife e uma máquina para aproveitar o movimento das ondas do mar e aplicá-lo ao movimento do navio, em 1875.[2] Infelizmente, não conseguiu produzi-los em série.

Francisco João de Azevedo deixou ainda um repertório de músicas sacras que, até recentemente, eram executadas em festas religiosas.[2]

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Em 1863, o padre voltou para a Paraíba, lugar onde passou seus últimos anos dando aula de geometria em cursos técnicos.

Em 1868 tornou-se professor de aritmética e geometria do Colégio das Artes. Morreu em 1880 e foi enterrado em João Pessoa. Morreu sem completar o seu sonho: patentear sua máquina e transformar o Brasil num grande exportador.

Homenagens pós-morte[editar | editar código-fonte]

Francisco João de Azevedo, o inventor da máquina de escrever, é hoje apenas nome de rua, de loja maçônica e de uma escola de datilografia em João Pessoa, a cidade onde nasceu.[2]

No Recife, onde viveu a maior parte de sua vida e se ordenou padre, não há referências ao inventor nos museus do estado.

Cronologia[2][editar | editar código-fonte]

  • 1814: Nasce Francisco João de Azevedo.
  • 1834: Conhece o bispo João da Purificação Marques Perdigão.
  • 1835: Faz sua matrícula no Seminário.
  • 1838: Torna-se padre.
  • Mais ou menos 1840: Começa a dar aula no Arsenal de Guerra de Pernambuco.
  • 1861: Inventa a máquina de escrever revolucionária e no mesmo ano ganha uma medalha de ouro como mérito.
  • 1863: Volta a morar na Paraíba.
  • 1866: Ganha medalha de prata por criar um elipsígrafo.
  • 1867: É sabotado e tem o projeto de sua máquina de escrever roubado.
  • 1880: Morre Francisco João de Azevedo.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ensino Renovado de Biografias - Editora Formar
  • NOGUEIRA, Ataliba. A máquina de escrever. Uma invenção brasileira. São Paulo: SEDAI, 1962.

Referências

  1. a b c d e f Institucional (s/d). «Padre Francisco João de Azevedo (biografia)». UFCG. Consultado em 20 fev 2016  Verifique data em: |data= (ajuda)
  2. a b c d e f g h Pedro Zan, Paulo Morais e Raimundo Aquino (27 de julho de 1980). «E o "Padre da Máquina" foi esquecido». Reprodução de O Estado de São Paulo por: Mundo Físico - Centro de Ciências Tecnológicas (CCT) - Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Consultado em 20 fev 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]