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Francisco Lucas Pires

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Este artigo é sobre o político português. Para o seu filho escritor, veja Jacinto Lucas Pires.
Francisco Lucas Pires
Lucas Pires em 1989
Presidente do CDS – Partido Popular
Período20 de fevereiro de 1983
a 13 de abril de 1986
Antecessor(a)Diogo Freitas do Amaral
Sucessor(a)Adriano Moreira
Ministro da Cultura e Coordenação Científica
Período4 de setembro de 1981
a 9 de junho de 1983
Sucessor(a)António Coimbra Martins (como Ministro da Cultura)
Deputado à Assembleia da República
Período9 de junho de 1983
a 13 de abril de 1986
Período8 de janeiro de 1980
a 4 de setembro de 1981
Deputado ao Parlamento Europeu
Período9 de junho de 1987
a 22 de maio de 1998
Dados pessoais
Nome completoFrancisco António Lucas Pires
Nascimento15 de setembro de 1944
Coimbra, Portugal
Morte22 de maio de 1998 (53 anos)
Pombal, Portugal
Nacionalidadeportuguês
Alma materUniversidade de Coimbra
CônjugeTeresa Almeida Garrett
Filhos(as)Jacinto Lucas Pires
Rafael Lucas Pires
Martinho Lucas Pires
Simão Lucas Pires
PartidoPartido do Centro Democrático Social (1976-1991)
Partido Social Democrata (1997-1998)
ProfissãoPolítico
professor universitário
advogado
AssinaturaAssinatura de Francisco Lucas Pires

Francisco António Lucas Pires GCC (Coimbra, 15 de setembro de 1944Pombal, 22 de Maio de 1998)[1] foi um professor, advogado e político português.

Biografia

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Percurso académico e profissional

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Francisco Lucas Pires licenciou-se em Direito, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1966.

Logo após o curso optava por seguir uma carreira na academia.

Assim, iniciava em seguida o Curso Complementar de Ciências Político-Económicas, terminado em 1968, para o que apresentou uma monografia em Direito Constitucional (O problema da Constituição).

Nesse mesmo ano tornava-se assistente daquela Faculdade.

Anos depois, prosseguiria estudos de doutoramento, de novo na disciplina do Direito Constitucional. Para a sua investigação beneficiou de uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, que o levou a realizar investigação na Alemanha, junto de Otto Bachof.

O professor e dirigente político defenderia, em 1989, uma tese intitulada Teoria da Constituição de 1976: a transição dualista.

Ascendendo a Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, lecionou também no Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa e foi professor e diretor do Departamento de Direito da Universidade Autónoma de Lisboa.

Além da publicação dos seus trabalhos académicos (O Problema da Constituição — monografia do Curso Complementar (1970) — e Teoria da Constituição de 1976: a transição dualista — tese de doutoramento (1988) — deixou publicados outros textos de índole jurídica e politica (Soberania e Autonomia (1974), Uma Constituição para Portugal (1975), Na Hora Europeia (1986), Tratados que Instituem a Comunidade e a União Europeias (2ª ed., 1994), Os Novos Direitos dos Portugueses (1994), O que é a Europa (1994), Portugal e o Futuro da União Europeia (2ª ed., 1995), Regionalização e Europa (1996), Schengen e a Comunidade de Países Lusófonos (1997) e o manual Introdução ao Direito Constitucional Europeu (1997)).

Lucas Pires faleceu subitamente numa viagem de Lisboa para Coimbra, de doença cardiovascular.

Atividade política

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Nos anos 1960, Francisco Lucas Pires integrava a ala nacionalista revolucionária entre os estudantes da Universidade de Coimbra.[2]

Tendo aderido ao CDS no ano da sua fundação, após o 25 de abril de 1974, Lucas Pires foi um militante destacado deste partido, que viria também a liderar, nos anos 1980.

Pelo CDS, foi eleito deputado à Assembleia da República, nas legislativas de 1976, 1979, 1981, 1983 e 1985, pelos círculos do Porto, Coimbra e Lisboa.

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Com a formação da Aliança Democrática, liderada por Francisco Sá Carneiro, Lucas Pires assumiu, de 1979 a 1980, a responsabilidade de coordenador-geral desta estrutura, resultante da coligação entre o PSD, de Sa Carneiro, o CDS, de Diogo Freitas do Amaral, e o PPM, de Gonçalo Ribeiro Telles.

A seguir, uma vez ganhas as eleições legislativas pela AD, Lucas Pires ingressava na última fase do Governo como Ministro da Cultura e da Coordenação Científica entre 1982 e 1983 (VIII Governo Constitucional), já tendo como Primeiro-Ministro Francisco Pinto Balsemão.

Nessa qualidade, o centrista foi o responsável político pela realização da XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura, subordinada ao tema Os descobrimentos portugueses e a Europa do renascimento.

Liderança do CDS (1983-1985)

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Em fevereiro de 1983 Lucas Pires foi eleito para liderar o CDS, sucedendo assim a Freitas do Amaral.

Em outubro de 1985, porém, sairia da presidência do partido face aos fracos resultados obtidos nas eleições legislativas de outubro de 1985, ganhas, ainda que com maioria relativa, pelo social-democrata Cavaco Silva[3].

Foi, enquanto líder do partido, membro do Conselho de Estado, de 1983 a 1985.

Percurso politico posterior ao CDS (1991-1999)
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Em 1991 Lucas Pires entra em ruptura com o seu partido, em discórdia com a posição da liderança de Manuel Monteiro em relação à União Europeia. Lucas Pires era, à altura, deputado ao Parlamento Europeu, eleito em 1987.

Depois do CDS ser expulso do PPE, manteve-se no parlamento como deputado independente.

Já nas eleições seguintes para o Parlamento Europeu, em 1994, surgiria integrado as listas do Partido Social Democrata.

Aderiria formalmente ao PSD, após a adesão deste ao PPE, em 1997, na liderança de Marcelo Rebelo de Sousa.

Foi o primeiro vice-presidente português do Parlamento Europeu, de 1987 a 1988 (e novamente em 1998), coordenou o Grupo Parlamentar do PPE e foi o primeiro vice-presidente da Fundação Democrata-Cristã Europeia para a Cooperação.

Integrou ainda o Grupo Permanente sobre a Constituição Europeia da Universidade de South Bank, em Londres, do Curatorium do Centro de Estudos Luso-Galaico da Universidade de Tréveris, na Alemanha, e do Conselho de Administração da Fundação Pégaso, com sede em Bruxelas.

Ideologia política

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Ao princípio não ‘era’ o Estado – ‘era’ o Homem, o espírito e o barro...

— Francisco Lucas Pires, Uma Constituição Para Portugal (1975)[4]

Tendo sido dos primeiros políticos portugueses do pós-25 de abril a afirmar-se como de direita e liberal, Francisco Lucas Pires defendia que o Homem deveria ser colocado acima do Estado, o Homem como unidade política primordial e essencial, não apenas limite mas centro da organização e da decisão política, em que é o Estado que se deve "humanizar" e não o Homem a "estadualizar".[5]

Para Lucas Pires, devido ao facto de não existir uma tradição democrática exemplar em Portugal até 1974, era necessário lançar as bases de uma IV República, com um novo modelo orientado por três objectivos prioritários: Estado mínimo, mas máximo nas suas competências; a progressiva autonomia dos cidadãos, com a sua participação direta nos assuntos da comunidade; e liberalismo económico.[5]

Homenagens

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Sala de leitura Francisco Lucas Pires, no Parlamento Europeu.

A 9 de junho de 1998 foi agraciado a título póstumo com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo,[6] tendo sido o seu filho mais velho, Jacinto Lucas Pires, a receber a condecoração em seu nome. Nessa mesma cerimónia, o então Presidente da República Jorge Sampaio, assinalou com justiça que "Lucas Pires soube, como poucos, trazer a Europa até nós, a Europa de todos os dias, das identidades e das culturas, dos avanços e recuos, a Europa dos valores e do projeto, em suma, se quisermos, a Europa dos fundadores, a de uma comunidade de destino, aquela que combina identidades diversas com a partilha de valores comuns que são hoje sem imposição alguma, património da Humanidade".[7]

A 5 de fevereiro de 1999 foi, também, homenageado com a Medalha Robert Schuman.[8]

Em 2009, uma sala de leitura da Biblioteca do Parlamento Europeu foi nomeada em sua homenagem, numa cerimónia que contou com a presença do então presidente do Parlamento Europeu Hans Gert Pottering, o ex-líder do CDS-PP José Ribeiro e Castro e o seu filho Simão Lucas Pires.[9]

Tem uma Rua com o seu nome em Telheiras, em Lisboa.

Bibliografia

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  • O Problema da Constituição (1970)
  • Soberania e Autonomia (1974)
  • Uma Constituição para Portugal (1975)
  • Na Hora Europeia (1986)
  • Teoria da Constituição de 1976: a transição dualista (1988)
  • Tratados que Instituem a Comunidade e a União Europeias (2ª edição, 1994)
  • Os Novos Direitos dos Portugueses (1994)
  • O que é a Europa (1994)
  • Portugal e o Futuro da União Europeia (2ª edição, 1995)
  • Regionalização e Europa (1996)
  • Schengen e a Comunidade de Países Lusófonos (1997)
  • Introdução ao Direito Constitucional Europeu (1997)

Honras e condecorações

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Casado com Maria Teresa Bahia de Almeida Garrett, sobrinha-tetraneta do 1.º Visconde de Almeida Garrett,[carece de fontes?] foi pai de quatro filhos, entre eles o escritor Jacinto Lucas Pires.

Referências

  1. «Perfil no Parlamento Europeu» 
  2. Marchi, Riccardo (2008). «A direita radical na Universidade de Coimbra (1945-1974)». Análise Social. XLIII (3). doi:10.31447/AS00032573.2008188.04. Consultado em 10 de abril de 2023 
  3. Adolfo Mesquita Nunes: “O CDS e a Democracia Cristã (1974-1992)Pólis — Revista de Estudos Políticos 13/16 (2007): p.47
  4. Francisco Lucas Pires (1975). Uma Constituição Para Portugal. [S.l.]: Imprensa de Coimbra. 4 páginas 
  5. a b CDS – 40 anos ao serviço de Portugal (PDF). [S.l.]: Cafilesa. 2015 
  6. «Presidência da República Portuguesa» 🔗 
  7. «Euroogle - Dicionário de Termos Europeus». euroogle.com. Consultado em 11 de janeiro de 2021 
  8. «Robert Schuman Medal». www.eppgroup.eu. Consultado em 11 de janeiro de 2021 
  9. Portugal, Rádio e Televisão de. «Sala de leitura Lucas Pires inaugurada na biblioteca do Parlamento Europeu». Sala de leitura Lucas Pires inaugurada na biblioteca do Parlamento Europeu. Consultado em 11 de janeiro de 2021 

Ligações externas

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Precedido por
Freitas do Amaral
Presidente do CDS
1983 - 1985
Sucedido por
Adriano Moreira