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Francisco Otaviano

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Francisco Otaviano
Nome completoFrancisco Otaviano de Almeida Rosa
Nascimento
Morte
28 de maio de 1889 (63 anos)

Nacionalidade Brasileiro
CônjugeEponina Moniz Barreto
OcupaçãoAdvogado, jornalista, diplomata, político e poeta
Escola/tradiçãoRomantismo
Francisco Otaviano de Almeida Rosa.

Francisco Otaviano de Almeida Rosa (Rio de Janeiro, 26 de junho de 1825[nota 1] — Rio de Janeiro, 28 de maio de 1889)[1] foi um advogado, jornalista, diplomata, político e poeta brasileiro.[2]

Biografia

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Filho de um casal negro, o Dr. Otaviano Maria da Rosa, médico, e Joana Maria da Rosa, Francisco Otaviano nasceu na Rua do Carmo, hoje Uruguaiana, na cidade do Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1825.[3]

Apesar de seu pai ser médico ilustre e homem honrado, sua família contava com recursos escassos. A despeito disso e ainda sofrendo com um reumatismo crônico, sua mãe não descuidou de sua educação.[3]

Iniciou seus estudos no colégio do professor Manuel Maria Cabral, tendo se dedicado principalmente às Línguas, à História, à Geografia e à Filosofia durante sua vida escolar.[4]

Em 1841, embarca para Santos (SP), rumo a São Paulo, e, com apenas quinze anos, matricula-se na então Academia de Direito do Largo de São Francisco [nota 2], atual Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo bacharelando-se em 1845.[4]Acerca dessa sua passagem pela faculdade de direito Almeida Nogueira é só elogios.[nota 3]

Em seguida, regressou ao Rio de Janeiro, principiando sua vida profissional na advocacia e no jornalismo, nos jornais Sentinela da Monarquia, Gazeta Oficial do Império do Brasil (1846-48), da qual se tornou diretor em 1847, Jornal do Comércio (1851-54) e Correio Mercantil[4].

Casa-se com Eponina Moniz Barreto. Desse casamento nascem seis filhos.

Foi eleito secretário do Instituto da Ordem dos Advogados, cargo que exerceu por nove anos.

Foi deputado geral pela província do Rio de Janeiro de 1853 a 1866[1].

É nomeado para o conselho diretor da Instrução Pública, e promovido a oficial da Ordem da Rosa.

Por ocasião da Guerra do Paraguai foi enviado como ministro plenipotenciário do Brasil ao Uruguai e à Argentina, substituindo o Conselheiro Paranhos (que viria a se tornar o Visconde do Rio Branco) na Missão do Rio da Prata. A ele coube negociar e assinar, em Buenos Aires, em 1º de maio de 1865, o Tratado da Tríplice Aliança entre o Brasil, a Argentina e o Uruguai, no combate comum a Solano Lopez, do Paraguai[4].

Já participara da elaboração do Tratado da Tríplice Aliança, em 1865, quando foi convidado pelo Marquês de Olinda para ocupar, na formação de seu 4° gabinete, a pasta dos Negócios Estrangeiros, mas não a aceitou, ficando em seu lugar José Antônio Saraiva[4].

Por decreto de 15 de março de 1865, o imperador D. Pedro II concede-lhe o título de conselheiro do Império.

Foi senador do Império do Brasil pela província do Rio de Janeiro, cargo vitalício à época, de 1867 a 1889[1]

Como jornalista, empenhou-se com entusiasmo nas campanhas do Partido Liberal e tomou parte preponderante na elaboração da Lei do Ventre Livre, em 1871.

Por decreto, torna-se dignitário da Ordem Imperial do Cruzeiro. Nesse período viaja a Europa para tratar da saúde.

Foi sócio de diversas sociedades, entre elas a Sociedade de História de Nova Iorque.

Foi sócio honorário do Instituto Politécnico Brasileiro.

Foi membro do Instituto da Ordem dos Advogados.

Faleceu a 28 de maio de 1889, em sua casa, na cidade do Rio de Janeiro.

O Jornalista

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Foi jornalista de grande expressão no seu tempo.Foi diretor da 'Gazeta Oficial' (1848) e redator do 'Correio Mercantil', 'Jornal do Comércio', 'Tribuna Liberal', 'A Semana' e 'Gazeta da Instrução Pública', de Niterói.

Seus artigos sobre educação influiram nas Reformas da Instrução Pública.

No 'Correio Mercantil', órgão representante do pensamento liberal, pôde, desde 1854, exercer bastante influência doutrinária[1].

O Político

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Mandatos parlamentares[1]
Mandato Início Fim
Deputado Geral - RJ 1853 1856
Deputado Geral - RJ 1857 1860
Deputado Geral - RJ 1861 1863
Deputado Geral - RJ 1864 1866
Senador - RJ 1867 1868
Senador - RJ 1869 1872
Senador - RJ 1872 1875
Senador - RJ 1877 1878
Senador - RJ 1878 1881
Senador - RJ 1882 1884
Senador - RJ 1885 1885
Senador - RJ 1886 1889

No Senado, votou a favor da Lei do Ventre Livre, da Lei dos Sexagenários e da Lei Áurea.

Foi Abolicionista.

Votou contra a Lei Eleitoral de 1875.

Votou, em 1887, a favor da indicação do Senador Silveira Martins (aprovada) para o Governo fazer cessar os efeitos das penas disciplinares impostas aos militares[1].

Em função de sua vida política publicou os seguintes trabalhos:

Obras e discursos relacionados a Francisco Otaviano[1]
Título Autor(es) Local Ano Observações
Inteligência do Ato Adicional na Parte Relativa às Assembléias Provinciais Francisco Otaviano Rio de Janeiro 1857 33 páginas
Tratado Tríplice Aliança. Discurso do Senador na Sessão de 13/06/1860 Francisco Otaviano Rio de Janeiro 1870 34 páginas
Questão Militar. Discursos Proferidos no Senado e na Câmara dos Deputados Barão de Cotegipe, Saraiva, Francisco Otaviano, Afonso Celso, Silveira Martins Coletânea de discursos
As Assembléias Provinciais ou Copilação Alfabética das Leis... Rio de Janeiro 1870 Trabalho compilado por ordem do governo
Segunda Edição Anotada por José Marcelino Pereira de Vasconcelos José Marcelino Pereira de Vasconcelos Rio de Janeiro 1871 Edição revisada
O Tratado da Tríplice Aliança. Discursos do Senador na Sessão de 13/07/1870 Francisco Otaviano Rio de Janeiro 1870
Introdução aos Estudos e Comentários da Reforma Eleitoral Francisco Otaviano


O Diplomata

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É designado enviado extraordinário e ministro plenipotenciário em missão especial para a Argentina e Uruguai. Assina, pelo Brasil, em Buenos Aires, o Tratado da Tríplice Aliança.

O Escritor

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Poeta desde menino, não se dedicou suficientemente à literatura. Ele mesmo exprimiu com frequência a tristeza de haver sido arrebatado à poesia pela política, por ele chamada de “Messalina impura”, num epíteto famoso. Apesar da carreira fácil, respeitável e brilhante, cultivou sempre a nostalgia das letras. Sua obra poética representa uma espécie de inspiração do homem médio, mas não banal, o que lhe dá, do ponto de vista psicológico, uma comunicabilidade aumentada pela transparência do verso, leve e corredio. Em torno do eixo central de sua personalidade literária se organizam as tendências comuns do tempo, num verso quase sempre harmonioso e bem cuidado[4].

Apesar de sua pequena produção literária teve atuação destacada no seu tempo, realizando diversas traduções de Poetas Ingleses.

Nas suas traduções de Horácio, Catulo, Byron, Shakespeare, Shelley, Victor Hugo, Goethe, revela-se também poeta excelente. Ficou para sempre inscrito entre os nossos poetas da fase romântica, como autor de duas ou três peças antológicas, mesmo que não tenha exercido a literatura com paixão[4].

Dentre seus trabalhos publicados citam-se:

Trabalhos publicados de Francisco Otaviano
Título Tipo Publicação / Local Ano Observações
Traduções e Poesias de F. Otaviano Livro Rio de Janeiro 1881 Publicado pelo Doutor Amorim Carvalho
Tradução de 'O Sono' de Lord Byron Tradução 1863 Com introdução de F. J. Pinheiro Guimarães
'Neve a Desencoalhar' Introdução literária Rio de Janeiro 1872 Ao volume "Vôos Ícaros" de Rosendo Muniz Barreto
Introdução aos Estudos e Comentários da Reforma Eleitoral Ensaio introdutório Obra do Conselheiro Tito Franco de Almeida
O Último Canto de Child Harold Tradução poética Cruzeiro do Sul, São Paulo 1848
O Proscrito Tradução poética Gazeta da Tarde 1881 Poesia de Jean Carlos Gomes, publicada em 20/07/1881
Imitação de Parny. Elegia Poema Mosaico Poético De Emílio Adet e J. Norberto
Sonho e Ausência Composição musical Oferecida a J. Norberto
Adeus à Vida Canção Dedicada a J. Norberto
Adeus à Vida Ode Homenagem a Martins Francisco Ribeiro de Andrade


É patrono da cadeira número 13 da Academia Brasileira de Letras por escolha do fundador Visconde de Taunay[4].

  1. Algumas fontes indicam 1825, outras 1826. Israel Souza Lima, em seu livro Biobibliografia Dos Patronos - Francisco Otaviano De Almeida Rosa & Franklin Távora (Editora Academia Brasileira de Letras, 2004) resolve de uma vez a questão apresentando um fac simile de uma certidão de nascimento de Francisco Otaviano emitida em 1825, com o quê seria impossível ter-se 1826 como o ano de seu nascimento
  2. Outra fonte refere-se a ela como Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de São Paulo.
  3. O deputado federal e catedrático Almeida Nogueira (1851-1914), que cursou a mesma faculdade e que passou boa parte de sua vida colecionando notas sobre a vida dos estudantes que passaram por essa instituição, registra de forma elogiosa: "que dizermos que não seja conhecido e notório a respeito da sua prodigiosa e agudíssima inteligência, do seu primoroso talento de escritor, da magia do seu estilo, da sua musa sentimental, da sua amável e encantadora causerie?".

Referências

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  1. a b c d e f g «Senador Francisco Otaviano - Senado Federal». www25.senado.leg.br. Consultado em 20 de maio de 2023 
  2. «Francisco Otaviano». VIAF (em inglês). Consultado em 19 de novembro de 2019 
  3. a b «Quem passou pela vida em branca nuvem». Academia Paulista de Letras - APL. Consultado em 12 de outubro de 2025 
  4. a b c d e f g h «Biografia de Francisco Otaviano no sítio da Academia Brasileira de Letras» 

Ligações externas

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Precedido por
ABL - patrono da cadeira 13
Sucedido por
Alfredo d'Escragnolle Taunay
(fundador)
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