Francisco Ribeiro Bessa

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Francisco Ribeiro Bessa
Nascimento 12 de novembro de 1823
Alto Santo,  Ceará
Morte 8 de outubro de 1890 (66 anos)
Fortaleza,  Ceará
Nacionalidade Brasil brasileira
Ocupação Ssacerdote católico
Político

Cônego Francisco Ribeiro Bessa (Alto Santo, 12 de novembro de 1823Fortaleza, 8 de outubro de 1890) foi sacerdote católico e político brasileiro. Foi eleito quatro vezes deputado para a Assembleia Provincial do Ceará e foi o primeiro vigário da freguesia (hoje bispado) de Limoeiro do Norte. Era irmão do também ex-deputado Inácio Ribeiro Bessa e primo-sobrinho do padre Manuel Ribeiro Bessa de Holanda Cavalcante, eleito deputado à Constituinte de 1822.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Juventude no Vale do Jaguaribe[editar | editar código-fonte]

Nasceu na fazenda Alagoa dos Bois, na povoação de Alto Santo da Viúva (hoje município de Alto Santo), da vila de São Bernardo de Russas, província do Ceará, filho de Joaquim Ribeiro Bessa e de Maria Isabel de Holanda. Era bisneto de Manuel Ribeiro Bessa (fal. em 1769, em Tabuleiro do Norte), sargento-mor do Exército Português, natural da cidade do Porto, em Portugal, que veio sevir no Brasil no início da década de 1720.

Passou sua juventude na localidade de Limoeiro, então distrito da Vila de Russas, onde presenciou vários eventos marcantes, como revoluções (a Confederação do Equador, em 1824, e a Sedição de Pinto Madeira, em 1831-32), insurreições de tropas, banditismo generalizado, conflitos violentos durante as eleições legislativas e saques de vilas (como a própria vila de Russas, em 1840), e duas grandes secas (1825 e 1845) que arruinaram rebanhos e causaram epidemias, mortes e êxodo rural desordenado.

Nessa época optou seguir carreira eclesiástica. Para isto, mudou-se para a vila a fim de improvisar sua educação. Ali hospedou-se em casa de seu irmão Inácio, que já era uma personalidade influente na região, e estudou latim com o vigário Joaquim Domingues Carneiro. O mesmo o apresentou, em 1849, como candidato a sacerdote no Seminário de Olinda. Bessa recebeu o presbiterato em 1852. A partir de então passou a atuar na freguesia de Russas, como assistente do vigário.

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Nesse ínterim, o então presidente da província, Antônio Marcelino Nunes Gonçalves, assinou a lei n.º 900, que elevou Russas à categoria de cidade, realização a que atribuiu à campanha obstinada dos deputados da região. Observando o progresso crescente de Limoeiro, Bessa começou a fazer planos para a emancipação do distrito. Em 1861, com a instalação da Diocese do Ceará, começou a trabalhar obter apoio à criação de uma freguesia para Limoeiro, primeiro passo rumo à autonomia. Aproveitando a base política herdade de seu irmão Inácio (recentemente falecido), conseguiu votos suficientes para eleger-se deputado provincial pelo Partido Conservador nas eleições daquele ano. Nos dois anos seguintes, exerceu o mandato na capital da província, aproveitando para ampliar seu relacionamento nos meios políticos e clericais.

Finalmente, a freguesia de Limoeiro é criada pela lei provincial n.º 1081, sancionada pelo presidente José Bento da Cunha Figueiredo, em 4 de dezembro de 1863, e homologada pelo bispo Luís Antônio dos Santos no mês seguinte, quando também nomeou o primeiro vigário da freguesia, o próprio padre Bessa, que a assumiu ao término de seu mandato político. Todavia, o advento da nova freguesia surgiu num clima de muita polêmica devido às acusações pelo Partido Liberal de troca de favores entre o presidente da província e os deputados "caranguejos". Assim, logo após a criação da paróquia, os adversários políticos procuraram reverter a situação. Por força dessas injunções, o novo presidente provincial, o conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira, sancionou a lei n.º 1118 de 8 de novembro de 1864, determinando a transferência da freguesia de Limoeiro para São João do Jaguaribe, povoação então menos populosa e mais pobre ao sul. Bessa, por sua vez, reagiu e convenceu o bispo a não dar continuidade à transferência pela falta de condições mínimas, inclusive de uma igreja, para a instalação da paróquia. O cumprimento da lei foi postergado até setembro de 1868, quando foi efetivada a transferência da freguesia.

Emancipação de Limoeiro do Norte[editar | editar código-fonte]

Bessa reagiu candidatando-se novamente a mandato parlamentar, eleito para o biênio de 1870-71, e logo no primeiro ano de mandato conseguiu a restauração da sede de sua freguesia em Limoeiro, através da lei n.º 1358, sancionada pelo presidente João Antônio de Araújo Freitas Henriques, em 4 de novembro, ratificada logo no início do ano seguinte pelo bispo D. Luís, que determinou seu cumprimento imediato. Estimulado por sua conquista, Bessa passou a empenhar-se pela emancipação do distrito. Os debates legislativos foram inflamados, pois lideranças de outros distritos (no caso São João do Jaguaribe e Morada Nova) também buscavam autonomia. Bessa demonstrou quantitativamente que o critério de tamanho urbano e a importância como povoação favoreciam para sediar a nova vila. Após muita articulação na Assembleia, conseguiu finalmente com que fosse aprovada a lei n.º 1402, sancionada pelo presidente José Antônio Calasans Rodrigues em 22 de julho de 1871, segundo a qual Limoeiro era elevado à categoria de vila. Além disso, também conseguiu ver aprovada, através da lei n.º 1345, de 7 de outubro de 1870, que elevava à categoria de distrito a povoação do Alto Santo da Viúva, sua terra natal. Nisto, contou com o apoio do capitão Simplício de Holanda Bezerra, potentado da região, que, em 1866, com sua bênção, deu início à construção da Capela do Menino Jesus do Alto Santo, embrião da futura paróquia.

Seu sucesso na luta para a emancipação de Limoeiro do Norte foi reconhecido por seus paroquianos, especialmente os da elite local, que lhe deram o terceiro mandato, no biênio de 1872-73. Como prova de seu prestígio, o presidente da província, Francisco de Assis Oliveira Maciel, oficiou ao primeiro-ministro do Império seu nome para ser condecorado com insígnia de cavaleiro da Imperial Ordem de Cristo por seus serviços relevantes em Limoeiro durante a epidemia de cólera em 1862.

As instalações da vila de Limoeiro ocorreram em 30 de julho de 1873, sendo empossados os sete novos vereadores da Câmara Municipal sob a presidência de João Ennes da Silva, correligionário e amigo do padre Bessa, que também se tornou promotor adjunto. Num curto período de tempo, a nova vila passou por um processo de melhorias e logo passou a disputar com Russas a supremacia do Vale do Jaguaribe.

Atuação em Beberibe[editar | editar código-fonte]

Em 1875, Bessa conseguiu eleger-se para seu quarto e último mandato na Assembleia Provincial. Nessa ocasião conheceu o município de Cascavel, nas proximidades da capital, sentindo-se particularmente atraído pela localidade de Lucas (atual Beberibe), no distrito de Sucatinga. Assim, sentindo-se quite com Limoeiro, procurou a Cúria Diocesana e manifestou seu interesse em assumir uma posição na freguesia de Cascavel, ainda antes de terminar seu mandato. Seu pleito foi atendido e, em 5 de setembro de 1875, foi nomeado vigário coadjutor daquela freguesia. Antes, porém, de deixar a paróquia de Limoeiro, conseguiu com que seu coadjutor, padre Joaquim Rodrigues de Meneses e Silva, fosse nomeado seu sucessor. Assumiu seu novo cargo em Cascavel num momento crítico, pois logo sobreveio a grande estiagem de 1877-79, na qual a província do Ceará foi das que mais sofreu com suas causas.

O aparente progresso da povoação de Lucas e a enorme extensão do município de Cascavel despertou em Bessa o projeto de criar uma freguesia autônoma na sua nova morada. Em janeiro de 1879, pela lei n.º 1795, a localidade de Lucas tornou-se distrito e passou a se chamar Beberibe. Em 15 de agosto de 1880, num ato ousado, Bessa apresentou ao bispo do Ceará um abaixo-assinado solicitando a criação de uma paróquia para aquele distrito. D. Luís, no entanto, conhecedor das inclinações políticas do coadjutor, indeferiu o pedido e advertiu o ex-deputado. Bessa, porém, continuou com seu intuito e passou a buscar apoio nas lideranças locais, mostrando-lhes as vantagens que teriam com a criação de uma paróquia independente de Cascavel e a futura emancipação municipal. Seus esforços resultaram na mobilização dos proprietários rurais de Cascavel a perquerer a criação de mais uma freguesia na região.

Em 2 de agosto de 1883, Cascavel foi elevado à categoria de cidade, pela lei n.º 2039, sancionada pelo presidente Sátiro de Oliveira Dias. A emancipação foi resultado do progresso material ocorrido na vila durante a segunda metade do século XIX, mas a participação do padre Bessa no processo teria sido importante para garantir a tramitação e aprovação na Assembleia. Em retribuição, os políticos ligados a Cascavel aceitaram aprovar também a lei n º2.051, de 24 de novembro do mesmo ano, que criou ao mesmo tempo o distrito de Beberibe no município de Cascavel e a freguesia, compreendendo a povoação de Beberibe, o distrito de Sucatinga e parte do distrito de Paripueira, pertencente ao município de Aracati. Bessa, porém, se viu frustrado ao não ser nomeado titular da paróquia, e, sim, o padre José Cândido de Queirós Lima. Contrariado, pediu afastamento da função de coadjutor de Cascavel, ato que se efetivou em 1 de abril de 1884.

Em 2 de dezembro de 1883, foi designado como novo bispo do Ceará Dom Joaquim José Vieira, em substituição da Dom Luís. Com sua chegada, em 24 de fevereiro do ano seguinte, Bessa não só recebeu a dignidade de cônego como a nomeação para substituir ao padre Queirós Lima na freguesia de Beberibe, em 21 de julho de 1885. Todavia, ficou à frente da paróquia por apenas três anos, abdicando dela por iniciativa própria, alegando enfermidade. Segundo parentes, o padre estava com sintomas de depressão e de paranoia, possíveis reflexos de sua longa militância política e das inimizades que certamente acumulara em suas lutas pela emancipação de municípios e criação de paróquias. Ainda assim, continuou exercendo o sacerdócio na Capela de Nossa Senhora da Penha, em Paripueira, até quase o fim de sua vida.

Morte trágica[editar | editar código-fonte]

Por volta do mês de setembro de 1890, o padre Bessa transferiu-se para a capital da província a fim de tratar de suas enfermidades. Costumava ter sessões de banhos frios na casa do médico Miguel Augusto Ferreira Leite (depois senador do Ceará), sempre acompanhado de duas pessoas que o vigiavam. Em 8 de outubro de 1890, em casa do médico, iludindo seus cuidadores, o cônego Bessa precipitou-se dentro da cacimba, que ficava próxima ao banheiro. Imediatamente socorrido, foi retirado de dentro do poço com uma perna fraturada e alguns ferimentos na cabeça. Todos os esforços para salvar sua vida foram em vão. Seu corpo foi sepultado no mesmo dia no Cemitério São João Batista, em Fortaleza.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]