Frank Laubach

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Frank Charles Laubach
Frank_Laubach.jpg
O missionário protestante Frank Laubach.
Nascimento 2 de Setembro de 1884
EUA
Morte 11 de junho de 1970 (85 anos)
Siracusa
Nacionalidade Estados Unidos Norte-americano
Ocupação Professor
Movimento literário Each One Teach One
Magnum opus The Game with Minutes

Frank Charles Laubach (02 de setembro de 1884 - 11 de junho de 1970) foi um missionário protestante conhecido nos EUA e nas Filipinas como "O apostolo dos analfabetos".

Em 1935, após vinte anos de trabalhos em Midanao, nas Filipinas, enquanto trabalhava em uma zona remota do país ele desenvolveu de forma autônoma o método Each One Teach One, consistente programa de alfabetização que começou a ser difundido naquele país com incentivos privados de instituições protestantes. Seu propósito era educar a população Filipina que havia sido subjugada à colonização espanhola até as primícias do século XX, momento em que o país alcança independência. Tal metodologia, hoje conhecida como Método Laubach, vem sendo empregada, desde então, na alfabetização massiva de pessoas, com amplitude que hoje se aproxima da cifra de 60 milhões de alfabetizados em sua língua nativa. Laubach se fundamentava na difusão da leitura para a implementação do conhecimento de forma simplificada, dizendo ser o analfabetismo uma das grandes barreiras para a paz no mundo. Seu método alcançou notável sucesso onde foi aplicado, notadamente em várias regiões da Ásia e na América Latina.

Em 1955 ele inaugurou a Fundação Laubach de Alfabetização, responsável por introduzir desde aquela época pelo menos 150 mil norte-americanos na leitura, doravante expandindo-se o programa para mais de 34 países em desenvolvimento, inclusive o Brasil1 . Estima-se que mais de 2,7 milhões de pessoas em todo mundo aprenderam a ler através de programas associados à Fundação Laubach de Alfabetização. Em 2002 esta fundação se coligou à Literacy Volunteers of America, Inc., tornando-se, após a fusão, a ProLiteracy Worldwide2 .

Sua experiência nas Filipinas fora fundamental para a criação do método, já que a existência de mais de 17 dialetos diferentes, ainda não coadunados ao espanhol, malgrado o tempo de colonização, dificultava a integração cultural do arquipélago. Assim, com o auxílio de um educador filipino chamado Donato Gália, Laubach logrou traduzir o alfabeto inglês para o dialéto mouro (até então, ainda não vertido para a grafia ocidental). Laubach procedeu à união desta translação com um antigo método norte-americano de alfabetização, que rudemente dava ênfase à primeira letra de cada palavra, fazendo uma associação entre ela e objetos do dia-a-dia do alfabetizando. Em situações diversas o aluno poderia realizar a associação mental entre a letra com várias palavras que fossem comum ao seu cotidiano, passando então a, de forma autônoma, juntar as letras e formar palavras em velocidade superior.

O trabalho de translação dos dialetos e línguas continuou por mais de 30 anos, quando mais de 225 línguas foram vertidas para a grafia ocidental, adotando-se o mesmo método de ensino que se mostrou um sucesso nas Filipinas (onde mais de 60% da população fora alfabetizada desta forma3 ).

Até o final de sua vida trabalhou em palestras realizadas em diversos países com o propósito de difundir a alfabetização e a cultura para jovens e adultos no mundo.

Polêmica[editar | editar código-fonte]

Desde que o educador brasileiro Paulo Freire despontou no ensino de crianças e adultos, rematada polêmica coexiste com o método criado pelo mesmo, conhecido como Método Freiriano, já que sua base metodológica é uma cópia fiel ao do Método Laubach, diferenciando-se meramente questões de fundo político ministradas junto à alfabetização 4 .

O Método Laubach foi introduzido no Brasil em 1943 a pedido do governo Vargas, ano em que o missionário veio ao Brasil para ministrar seu curso de alfabetização em Recife. Naquele momento Laubach realizou uma série de palestras em faculdades e escolas da região, distribuindo cartilhas em espanhol que lecionavam seu método de alfabetização. Seu programa era aliado a uma espécie de bolsa-escola da época, onde a família de cada educando recebia uma bolsa alimentação, logrando a partir desta fusão de ações um considerável sucesso, mais tarde sendo sucedido pelo programa MOBRAL durante o período do Regime Militar.

O contato entre Paulo Freire e o método de Frank Laubach se deu quando, na oportunidade em que Paulo Freire era diretor do SESI de Pernambuco, o missionário recebeu calorosa acolhida da região, com larga propaganda radiofônica. Logo depois as atividades de educador de Paulo Freire alcançaram grande difusão, principalmente após sua adoção por entidades estudantis marxistas, quando ele, se utilizando de homônimo método, passou a difundir novas cartilhas com uma proposta de alfabetização de teor marxista, voltada para o campo e para os sindicatos. Desta forma, sua primeira experiência fora implantada em uma comunidade de cortadores de cana-de-acúcar, momento de teste de seu método que acabou por o consagrar como primeiro difusor de tal metodologia no mundo, ainda que sem a justa atribuição de criação de Frank Laubach.

Após a chegada de Laubach, várias comunidades pernambucanas alcançaram notável alfabetização de suas populações, a exemplo da comunidade de "Brasília Teimosa" dentre outras iniciativas implementadas pelo Colégio Presbiteriano Agnes Erskine5 , que no total resultaram no letramento e alfabetização de mais de 30.000 pessoas. Tal esforço resultou em amplo programa denominado Cruzada ABC, responsável por quase uma década da educação de jovens e adultos em zonas periféricas de Pernambuco6 .

Uma bifurcação deste programa, adotado por Paulo Freire sem os devidos créditos, chama-se Alfalit, introduzida no Brasil nos anos de 1990 em alguns estados, a exemplo de Santa Catarina (1994), onde foi pioneiro, além de Paraíba, Rondônia, Paraná, Sergipe, São Paulo, Alagoas, Distrito Federal, Ceará, Goiás no ano de 1997, com respectiva introdução do programa no Maranhão, Pará, Piauí e Roraima em 1998 e em Pernambuco e na Bahia em 1999.

Referências

  1. Método Paulo Freire ou Método Laubach? - Página do site Mídia sem Máscara [1]
  2. Site oficial da ProLiteracy (em inglês) [2]
  3. Método Paulo Freire ou Método Laubach? - Página do site Mídia sem Máscara [3]
  4. Ensinando analfabetos a ler: Frank Laubach - Página Atuação Voluntária [4]
  5. História do Colégio Agnes Erskine [5]
  6. SPACH, Jules. Todos os Caminhos Conduzem ao Lar. Recife, PE, 2000

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

  • Laubach, Frank C., translator. 1956. The inspired letters in clearest English (Portions of the New Testament). New York: Thomas Nelson & Sons.
  • Laubach, Frank C. 1946. Prayer: The Mightiest Force in the World. Westwood, N.J.: F. H. Revell Co.
  • Laubach, Frank C. 1945. The silent billion speak. New York: Friendship Press.
  • Laubach, Frank C. 1970. Forty years with the silent billion: adventuring in literacy. Old Tappan, N.J.: F. H. Revell Co.
  • Laubach, Frank C. 1964. How to teach one and win one for Christ: Christ's plan for winning the world: each one teach and win one. Grand Rapids: Zondervan Publishing House.
  • Laubach, Frank C. 1940. India shall be literate. Jubbulpore, C.P., India: Printed by F. E. Livengood at the Mission press.
  • Laubach, Frank C. 1925. The people of the Philippines: their religious progress and preparation for spiritual leadership in the Far East. New York: George H. Doran Company.
  • Laubach, Frank C. 1938. Toward a literate world; with a foreword by Edward L. Thorndike. New York: Printed by Columbia University Press for the World literacy committee of the Foreign missions conference of North America.

Leitura complementar[editar | editar código-fonte]

  • AYRES, Antônio Tadeu. Como tornar o ensino eficaz. Casa Publicadora das Assembléias de Deus, Rio de Janeiro, 1994.
  • BRINER, Bob. Os métodos de administração de Jesus. Ed. Mundo Cristão, SP, 1997.
  • CAMPOLO, Anthony. Você pode fazer a diferença. Ed. Mundo Cristão, SP, 1985.
  • GONZALES, Justo e COOK, Eulália. Hombres y Ángeles. Ed. Alfalit, Miami, 1999.
  • GONZALES, Justo. História de un milagro. Ed. Caribe, Miami (s.d.).
  • GONZALES, Luiza Garcia de. Manual para preparação de alfabetizadores voluntários. 3ª ed., Alfalit Brasil, Rio de Janeiro, 1994.
  • GREGORY, John Milton. As sete leis do ensino. 7ª ed., Rio de Janeiro, JUERP, 1994.
  • HENDRICKS, Howard. Ensinando para transformar vidas. Ed. Betânia, Belo Horizonte, 1999.
  • LAUBACH, Frank C.. Os milhões silenciosos falam. s. l., s.e., s.d.
  • MALDONADO, Maria Cereza. História da vida inteira. Ed. Vozes, 4ª ed., SP, 1998.
  • SMITH, Josie de. Luiza. Ed. la Estrella, Alajuela, Costa Rica, s.d.
  • SPACH, Jules. Todos os Caminhos Conduzem ao Lar. Recife, PE, 2000.
  • Roberts, Helen M. 1961. Champion of the silent billion: the story of Frank C. Laubach, apostle of literacy. St. Paul: Macalester Park Pub. Co.
  • Laubach, Frank C. Letters by a Modern Mystic. Foreword by Alden H. Clark. Edited and compiled by Constance E. Padwick. Syracuse, N.Y.: New Readers Press, 1955. First published in 1937.
  • Edwards, Gene, ed. Practicing His Presence: Frank Laubach and Brother Lawrence. Goleta, Calif.: Christian Books, 1973. An instructive comparison.
  • Laubach, Frank C. Christ Liveth in Me and Game with Minutes. Westwood, N.J.: Fleming H. Revell Co., 1961. A practical guide to living with God in mind.
  • Prayer, the Mightiest Force in the World. Westwood, N.J.: Fleming H. Revell Co., 1951.
  • The World Is Learning Compassion. Westwood, N.J.: Fleming H. Revell Co., 1958. Chapter 7 deals with Truman's "Point Four" referred to earlier.
  • Medary, Marjorie. Each One Teach One: Frank Laubach, Friend to Millions. New York: Longmans, Green & Co., 1954. An account of Laubach's linguistic methods.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]