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Fratura proximal do úmero

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Fratura da extremidade superior do úmero
Fratura multifragmentar do úmero proximal com envolvimento do Tubérculo maior
EspecialidadeOrtopedia
SintomasDor, inchaço e e diminuição da capacidade de mover o ombro
Tipos1 parte, 2 partes, 3 partes, 4 partes[1]
CausasQueda sobre o braço, trauma direto no braço[2]
Fatores de riscoOsteoporose[3]
Método de diagnósticoRaios X, tomografia computadorizada[2]
TratamentoTipoia no braço, exercícios específicos, cirurgia[2]
FrequênciaComum[3]
Classificação e recursos externos
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A fratura proximal do úmero, ou fratura do úmero proximal, é uma fratura da parte superior do osso do braço (úmero).[2] Os sintomas incluem dor, inchaço e diminuição da capacidade de mover o ombro.[4] As complicações podem incluir lesão do nervo axilar ou da artéria axilar. [2]

A causa geralmente é uma queda sobre o braço ou um trauma direto no braço.[2] Os fatores de risco incluem osteoporose e diabetes.[3] [5] O diagnóstico é geralmente feito por meio de exames de raios X ou tomografia computadorizada.[2] É um tipo de fratura do úmero. [6] Existe mais de um sistema de classificação.[5]

O tratamento é geralmente feito com uma tipoia no braço por um curto período, seguido de exercícios específicos.[2] Essa abordagem parece apropriada em muitos casos, mesmo quando os fragmentos estão separados. [7] A cirurgia é recomendada com menor frequência.[2]

Casos de fratura proximal do úmero são comuns.[3] Os idosos são, normalmente, os mais afetados.[2] Nesta faixa etária, é o terceiro tipo de fratura mais comum, depois das fraturas de quadril e de Colles.[5] As mulheres são afetadas com mais frequência do que os homens.[5]

Sinais e sintomas

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Os sinais e sintomas típicos incluem dor, inchaço, hematomas e limitação da amplitude de movimento do ombro. Pode haver deformidade em fraturas graves, porém, a musculatura pode causar ausência de deformidade durante a inspeção.[8]

A dormência na parte superior externa do braço e a fraqueza do músculo deltoide podem indicar lesão do nervo axilar.[8] Os sintomas de má circulação sanguínea no braço são incomuns devido à circulação colateral no braço.[8]

Adultos jovens sem fatores de risco, geralmente, devem sofrer trauma significativo, como uma colisão de veículo motorizado.[8]

Adultos mais velhos sofrem fraturas do úmero proximal mais frequentemente após uma queda de pé.[8]

Fatores de risco

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Pessoas com maior risco de quedas têm maior probabilidade de sofrer uma fratura do úmero proximal, pois esse também é o mecanismo de lesão mais comum.[9]

A osteoporose aumenta o risco de fraturas do úmero proximal.[10]

Fisiopatologia

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A articulação do ombro consiste na cavidade glenoide da escápula e na cabeça do úmero. É uma articulação extremamente móvel estabilizada pelos tecidos moles circundantes, como a cápsula, os músculos e os ligamentos articulares.[11] As tuberosidades maior e menor são pontos ósseos de referência anatômica do úmero proximal, e servem como locais de fixação para a musculatura.

As artérias circunflexas umerais anterior e posterior se ramificam da artéria axilar para fornecer a maior parte do suprimento de sangue ao úmero proximal.[11]

O nervo axilar transcorre abaixo da articulação do ombro e inerva os músculos deltoide e redondo menor. Ele também proporciona sensação na parte da pele que cobre o ombro. Esse é o nervo lesionado com maior frequência em fraturas do úmero proximal devido à sua proximidade ao úmero proximal.[12]

Os músculos que se ligam ao úmero proximal e podem causar uma força deformadora nos fragmentos de fratura incluem o peitoral maior, o deltoide e os músculos do manguito rotador.[11]

Diagnóstico

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As incidências radiográficas padrão do ombro incluem a anteroposterior verdadeira (AP verdadeira), o perfil da escápula (incidência em Y ou do túnel do supraespinhal) e a incidência axilar.[13] Uma incidência de Velpeau pode ser feita como alternativa à incidência axilar se o examinando não conseguir posicionar o ombro para obter uma imagem adequada. Isso pode ser obtido fazendo com que o examinado se incline 45 graus para trás enquanto o feixe de raios X está apontado para o chão.[11]

Uma tomografia computadorizada do ombro lesionado pode ser realizada para melhor caracterização da fratura e para determinar o envolvimento articular. A TC também é uma opção se não for possível obter uma visão axilar.[11]

A ressonância magnética normalmente não é indicada no caso de fratura do úmero proximal, embora possa ser útil para avaliar lesões em estruturas de tecidos moles, como os músculos do manguito rotador.[11]

Classificação

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A classificação de Neer é uma das mais utilizadas para fraturas do úmero proximal. Ela divide o úmero proximal em quatro segmentos anatômicos: cabeça umeral, tubérculo maior, tubérculo menor e diáfise. Apesar de amplamente utilizada, essa classificação apresenta baixa concordância entre os avaliadores, embora treinamentos formais possam gerar maior consenso.[14]

A classificação da Arbeitsgemeinschaft für Osteosynthesefragen/Orthopaedic Trauma Association (AO/OTA) também é amplamente empregada para fraturas do úmero proximal. Ela categoriza as fraturas com base na localização e complexidade, distinguindo entre fraturas unifocais e bifocais, e considerando se a fratura envolve ou não a superfície articular.[15]

Tratamento

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O tratamento das fraturas do úmero proximal pode ser conservador (não cirúrgico) ou cirúrgico, dependendo da estabilidade da fratura, a ser avaliada por exames de imagem e exame clínico.

Tratamento conservador

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A maioria das fraturas do úmero proximal é estável e pode ser tratada sem cirurgia. O tratamento conservador típico inclui imobilização do ombro com tipoia. Recomenda-se acompanhamento clínico e radiográfico semanal para monitorar a consolidação da fratura e manter o alinhamento adequado.[8]

Exercícios de amplitude de movimento passiva podem ser iniciados quando a dor diminuir, com a assistência de um fisioterapeuta.[8]

Quando bem indicado, o tratamento conservador apresenta bons resultados em termos de consolidação da fratura e restauração da função do braço.[8]

Tratamento cirúrgico

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As opções cirúrgicas para fraturas instáveis do úmero proximal incluem:[8]

Epidemiologia

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As fraturas do úmero proximal representam aproximadamente 4 a 7% de todas as fraturas em adultos.[11][8] É a fratura mais comum do úmero e a mais frequente na cintura escapular.[11][8]

A incidência é maior em mulheres do que em homens, ocorrendo com maior frequência em adultos mais velhos. A idade média dos pacientes com esse tipo de fratura varia entre 63 e 66 anos.[8]

Populações especiais

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Crianças

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Em crianças pequenas, uma fratura do úmero proximal pode ser um sinal de abuso infantil.[16] Em crianças mais velhas e adolescentes, essas fraturas ocorrem frequentemente em contextos esportivos ou traumas.[16]

Devido à grande capacidade de remodelação óssea nessa região, a maioria das fraturas do úmero proximal em crianças pode ser tratada de forma não-cirúrgica.[16] No entanto, em crianças mais velhas, nas quais o tempo para remodelação óssea é menor, a cirurgia pode ser indicada com mais frequência.[16]

Referências

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  1. Carofino BC, Leopold SS (janeiro 2013). «Classifications in brief: the Neer classification for proximal humerus fractures». Clin. Orthop. Relat. Res. 471 (1): 39–43. PMC 3528923Acessível livremente. PMID 22752734. doi:10.1007/s11999-012-2454-9 
  2. a b c d e f g h i j «Fraturas do úmero proximal». Merck Manuals Professional Edition. Consultado em 7 de novembro de 2018. Arquivado do original em 22 de julho de 2020  Arquivado em 2020-07-22 no Wayback Machine
  3. a b c d Jo MJ, Gardner MJ (Setembro de 2012). «Fraturas do úmero proximal». Curr Rev Musculoskelet Med. 5 (3): 192–8. PMC 3535090Acessível livremente. PMID 22644599. doi:10.1007/s12178-012-9130-2 
  4. «Trauma de ombro (Fraturas e Deslocamentos)». OrthoInfo - AAOS. Consultado em 7 de novembro de 2018. Arquivado do original em 19 de dezembro de 2019  Arquivado em 2019-12-19 no Wayback Machine
  5. a b c d Bentley, George (2009). European Instructional Lectures: Volume 9, 2009; 10º Congresso EFORT, Viena, Áustria (em inglês). [S.l.]: Springer Science & Business Media. ISBN 9783642009662. Consultado em 7 de novembro de 2018. Cópia arquivada em 23 de julho de 2020 
  6. «Fratura do úmero (fratura do braço superior) | Johns Hopkins Medicine Health Library». www.hopkinsmedicine.org (em inglês). Consultado em 7 de novembro de 2018. Arquivado do original em 7 de novembro de 2018  Arquivado em 2018-11-07 no Wayback Machine
  7. Handoll HH, Brorson S (Novembro de 2015). «Intervenções para tratamento de fraturas do úmero proximal em adultos». Base de Dados de Revisões Sistemáticas Cochrane (11): CD000434. PMID 26560014. doi:10.1002/14651858.CD000434.pub4 
  8. a b c d e f g h i j k l Court-Brown, Charles M; Heckman, James D; McQueen, Margaret M; Ricci, William M; Tornetta, Paul; McKee, Michael D, eds. (2015). Rockwood and Green's fractures in adults [Fraturas em adultos de Rockwood e Green] 8ª ed. ed. Filadélfia: [s.n.] ISBN 9781496312938. OCLC 893628028 
  9. Biberthaler, Peter; Kirchhoff, Chlodwig; Waddell, James P. (28 de outubro de 2015). Fractures of the proximal humerus. Biberthaler, Peter,, Kirchhoff, Chlodwig,, Waddell, J. P. (James P.). Cham: [s.n.] ISBN 9783319203003. OCLC 927168941 
  10. Warriner AH, Patkar NM, Curtis JR, Delzell E, Gary L, Kilgore M, Saag K (Janeiro de 2011). «Which fractures are most attributable to osteoporosis?». J Clin Epidemiol. 64 (1): 46-53. ISSN 1878-5921. PMC 5030717Acessível livremente. PMID 21130353. doi:10.1016/j.jclinepi.2010.07.007 
  11. a b c d e f g h Egol, Kenneth A. (2015). Handbook of fractures [Manual de fraturas]. Koval, Kenneth J., Zuckerman, Joseph D. (Joseph David), 1952-, Ovid Technologies, Inc. 5ª ed. ed. Filadélfia: Wolters Kluwer Health. ISBN 9781496301031. OCLC 960851324 
  12. Crosby, Lynn A.; Neviaser, Robert J. (28 de outubro de 2014). Proximal humerus fractures : evaluation and management [Fraturas do úmero proximal: avaliação e gerenciamento]. Cham: [s.n.] ISBN 9783319089515. OCLC 894509226 
  13. Maier D, Jaeger M, Izadpanah K, Strohm PC, Suedkamp NP (Fevereiro de 2014). «Proximal humeral fracture treatment in adults» [Tratamento de fratura do úmero proximal em adultos]. J Bone Joint Surg Am. 96 (3): 251-261. PMID 24500588. doi:10.2106/JBJS.L.01293 
  14. Brorson S, Hróbjartsson A (Janeiro de 2008). «Training improves agreement among doctors using the Neer system for proximal humeral fractures in a systematic review» [Treinamento aumenta o consenso entre médicos que usam o sistema Neer para fraturas do úmero proximal, em uma revisão sistemática]. J Clin Epidemiol. 61 (1): 7-16. PMID 18083458. doi:10.1016/j.jclinepi.2007.04.014 
  15. Brorson S (Outubro de 2013). «Fractures of the proximal humerus» [Fraturas do úmero proximal]. Acta Orthop Suppl. 84 (351): 1-32. PMID 24303817. doi:10.3109/17453674.2013.826083 
  16. a b c d Popkin CA, Levine WN, Ahmad CS (Fevereiro de 2015). «Evaluation and management of pediatric proximal humerus fractures» [Avaliação e gerenciamento de fraturas do úmero proximal pediátricas]. J Am Acad Orthop Surg. 23 (2): 77-86. ISSN 1067-151X. PMID 25624360. doi:10.5435/JAAOS-D-14-00033