Fratura proximal do úmero
| Fratura da extremidade superior do úmero | |
|---|---|
| Fratura multifragmentar do úmero proximal com envolvimento do Tubérculo maior | |
| Especialidade | Ortopedia |
| Sintomas | Dor, inchaço e e diminuição da capacidade de mover o ombro |
| Tipos | 1 parte, 2 partes, 3 partes, 4 partes[1] |
| Causas | Queda sobre o braço, trauma direto no braço[2] |
| Fatores de risco | Osteoporose[3] |
| Método de diagnóstico | Raios X, tomografia computadorizada[2] |
| Tratamento | Tipoia no braço, exercícios específicos, cirurgia[2] |
| Frequência | Comum[3] |
| Classificação e recursos externos | |
A fratura proximal do úmero, ou fratura do úmero proximal, é uma fratura da parte superior do osso do braço (úmero).[2] Os sintomas incluem dor, inchaço e diminuição da capacidade de mover o ombro.[4] As complicações podem incluir lesão do nervo axilar ou da artéria axilar. [2]
A causa geralmente é uma queda sobre o braço ou um trauma direto no braço.[2] Os fatores de risco incluem osteoporose e diabetes.[3] [5] O diagnóstico é geralmente feito por meio de exames de raios X ou tomografia computadorizada.[2] É um tipo de fratura do úmero. [6] Existe mais de um sistema de classificação.[5]
O tratamento é geralmente feito com uma tipoia no braço por um curto período, seguido de exercícios específicos.[2] Essa abordagem parece apropriada em muitos casos, mesmo quando os fragmentos estão separados. [7] A cirurgia é recomendada com menor frequência.[2]
Casos de fratura proximal do úmero são comuns.[3] Os idosos são, normalmente, os mais afetados.[2] Nesta faixa etária, é o terceiro tipo de fratura mais comum, depois das fraturas de quadril e de Colles.[5] As mulheres são afetadas com mais frequência do que os homens.[5]
Sinais e sintomas
[editar | editar código]Os sinais e sintomas típicos incluem dor, inchaço, hematomas e limitação da amplitude de movimento do ombro. Pode haver deformidade em fraturas graves, porém, a musculatura pode causar ausência de deformidade durante a inspeção.[8]
A dormência na parte superior externa do braço e a fraqueza do músculo deltoide podem indicar lesão do nervo axilar.[8] Os sintomas de má circulação sanguínea no braço são incomuns devido à circulação colateral no braço.[8]
Causas
[editar | editar código]Adultos jovens sem fatores de risco, geralmente, devem sofrer trauma significativo, como uma colisão de veículo motorizado.[8]
Adultos mais velhos sofrem fraturas do úmero proximal mais frequentemente após uma queda de pé.[8]
Fatores de risco
[editar | editar código]Pessoas com maior risco de quedas têm maior probabilidade de sofrer uma fratura do úmero proximal, pois esse também é o mecanismo de lesão mais comum.[9]
A osteoporose aumenta o risco de fraturas do úmero proximal.[10]
Fisiopatologia
[editar | editar código]A articulação do ombro consiste na cavidade glenoide da escápula e na cabeça do úmero. É uma articulação extremamente móvel estabilizada pelos tecidos moles circundantes, como a cápsula, os músculos e os ligamentos articulares.[11] As tuberosidades maior e menor são pontos ósseos de referência anatômica do úmero proximal, e servem como locais de fixação para a musculatura.
As artérias circunflexas umerais anterior e posterior se ramificam da artéria axilar para fornecer a maior parte do suprimento de sangue ao úmero proximal.[11]
O nervo axilar transcorre abaixo da articulação do ombro e inerva os músculos deltoide e redondo menor. Ele também proporciona sensação na parte da pele que cobre o ombro. Esse é o nervo lesionado com maior frequência em fraturas do úmero proximal devido à sua proximidade ao úmero proximal.[12]
Os músculos que se ligam ao úmero proximal e podem causar uma força deformadora nos fragmentos de fratura incluem o peitoral maior, o deltoide e os músculos do manguito rotador.[11]
Diagnóstico
[editar | editar código]As incidências radiográficas padrão do ombro incluem a anteroposterior verdadeira (AP verdadeira), o perfil da escápula (incidência em Y ou do túnel do supraespinhal) e a incidência axilar.[13] Uma incidência de Velpeau pode ser feita como alternativa à incidência axilar se o examinando não conseguir posicionar o ombro para obter uma imagem adequada. Isso pode ser obtido fazendo com que o examinado se incline 45 graus para trás enquanto o feixe de raios X está apontado para o chão.[11]
Uma tomografia computadorizada do ombro lesionado pode ser realizada para melhor caracterização da fratura e para determinar o envolvimento articular. A TC também é uma opção se não for possível obter uma visão axilar.[11]
A ressonância magnética normalmente não é indicada no caso de fratura do úmero proximal, embora possa ser útil para avaliar lesões em estruturas de tecidos moles, como os músculos do manguito rotador.[11]
Classificação
[editar | editar código]A classificação de Neer é uma das mais utilizadas para fraturas do úmero proximal. Ela divide o úmero proximal em quatro segmentos anatômicos: cabeça umeral, tubérculo maior, tubérculo menor e diáfise. Apesar de amplamente utilizada, essa classificação apresenta baixa concordância entre os avaliadores, embora treinamentos formais possam gerar maior consenso.[14]
A classificação da Arbeitsgemeinschaft für Osteosynthesefragen/Orthopaedic Trauma Association (AO/OTA) também é amplamente empregada para fraturas do úmero proximal. Ela categoriza as fraturas com base na localização e complexidade, distinguindo entre fraturas unifocais e bifocais, e considerando se a fratura envolve ou não a superfície articular.[15]
Tratamento
[editar | editar código]O tratamento das fraturas do úmero proximal pode ser conservador (não cirúrgico) ou cirúrgico, dependendo da estabilidade da fratura, a ser avaliada por exames de imagem e exame clínico.
Tratamento conservador
[editar | editar código]A maioria das fraturas do úmero proximal é estável e pode ser tratada sem cirurgia. O tratamento conservador típico inclui imobilização do ombro com tipoia. Recomenda-se acompanhamento clínico e radiográfico semanal para monitorar a consolidação da fratura e manter o alinhamento adequado.[8]
Exercícios de amplitude de movimento passiva podem ser iniciados quando a dor diminuir, com a assistência de um fisioterapeuta.[8]
Quando bem indicado, o tratamento conservador apresenta bons resultados em termos de consolidação da fratura e restauração da função do braço.[8]
Tratamento cirúrgico
[editar | editar código]As opções cirúrgicas para fraturas instáveis do úmero proximal incluem:[8]
- Redução fechada com fixação percutânea (CRPP);
- Redução aberta com fixação interna (RAFI);
- Fixação com haste intramedular;
- Artroplastia do ombro;
- Artroplastia reversa do ombro.
Epidemiologia
[editar | editar código]As fraturas do úmero proximal representam aproximadamente 4 a 7% de todas as fraturas em adultos.[11][8] É a fratura mais comum do úmero e a mais frequente na cintura escapular.[11][8]
A incidência é maior em mulheres do que em homens, ocorrendo com maior frequência em adultos mais velhos. A idade média dos pacientes com esse tipo de fratura varia entre 63 e 66 anos.[8]
Populações especiais
[editar | editar código]Crianças
[editar | editar código]Em crianças pequenas, uma fratura do úmero proximal pode ser um sinal de abuso infantil.[16] Em crianças mais velhas e adolescentes, essas fraturas ocorrem frequentemente em contextos esportivos ou traumas.[16]
Devido à grande capacidade de remodelação óssea nessa região, a maioria das fraturas do úmero proximal em crianças pode ser tratada de forma não-cirúrgica.[16] No entanto, em crianças mais velhas, nas quais o tempo para remodelação óssea é menor, a cirurgia pode ser indicada com mais frequência.[16]
Referências
[editar | editar código]- ↑ Carofino BC, Leopold SS (janeiro 2013). «Classifications in brief: the Neer classification for proximal humerus fractures». Clin. Orthop. Relat. Res. 471 (1): 39–43. PMC 3528923
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- ↑ «Fratura do úmero (fratura do braço superior) | Johns Hopkins Medicine Health Library». www.hopkinsmedicine.org (em inglês). Consultado em 7 de novembro de 2018. Arquivado do original em 7 de novembro de 2018 Arquivado em 2018-11-07 no Wayback Machine
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