Fraude do Enem de 2009

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Alunos do Rio de Janeiro protestam após a fraude do ENEM.
(Gabriel de Paiva/Ag. O Globo)

A fraude do Enem de 2009 é como ficou conhecida a crise no Exame Nacional do Ensino Médio, teste feito no Brasil para todos os estudantes do nível secundário e conhecido pelo acrônimo Enem, com fins de seleção para várias universidades, bem como para avaliar o nível de qualidade das instituições educacionais desse nível, provocada pelo furto da prova na Plural Editora e Gráfica, que havia sido contratada para a impressão, e que provocou a anulação dos testes e sua intempestiva renovação, com descrédito para os órgãos do governo Lula responsáveis por sua realização: o Ministério da Educação e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A fraude e fragilidade no processo foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo (Estadão).

Histórico[editar | editar código-fonte]

No dia 1 de outubro de 2009 o Ministério da Educação anunciou a suspensão das provas do Enem, sob a suspeita de fraude, após haver sido contactada pela redação do jornal paulista, com informações sobre o conteúdo das questões a serem aplicadas no Exame.[1]

Num primeiro momento, o diretor do Inep, Reynaldo Fernandes, declarou que a suspensão ocorria por haver "99% de chance" de que o vazamento da prova ocorrera. Segundo o jornal, a redação havia sido procurada no dia 30 de setembro de 2009 oferecendo as cópias das duas provas do Exame. Já na manhã do dia 1º o Ministro Fernando Haddad foi à televisão anunciar o "adiamento das provas"[1]

Falha da segurança[editar | editar código-fonte]

O Inep havia contratado um consórcio chamado Conasel, formado pelas empresas Funrio, Cetro e Consultec. O furto das provas ocorreu nas dependências da gráfica contratada, a Plural.[2]

Segundo apurou a investigação da Polícia Federal a segurança na gráfica era "coisa de amador" e até para funcionários do Ministério foi algo "mambembe". Diante disto o governo procurou reforçar a segurança, na aplicação das novas provas nos dias 4 e 5 de dezembro.[3]

A investigação mostrou que o furto ocorrera na área reservada da gráfica, onde uma das empresas do consórcio, a Cetro, havia pedido de última hora para ali organizar as caixas contendo as provas, cuja distribuição estava atrasada. Ali os funcionários Felipe Pradella, Felipe Ribeiro e Marcelo Sena furtaram, em dois dias, as duas provas do exame, sem que ninguém percebesse; Pradella declarou em seu depoimento que a segurança do Enem era "uma festa".[3]

Após a fraude, foi contratado, em regime de urgência (que permite a supressão de etapas licitatórias), o consórcio Cespe/Cesgranrio para aplicar o Exame neste ano.

As novas datas coincidiram com diversos exames de vestibular; algumas universidades que adotavam o Enem como forma de ingresso de novos alunos adiaram suas provas, enquanto outras simplesmente desistiram do exame.[3]

Havia 4 milhões e 100 mil alunos inscritos no Enem de 2009,[3] e a fraude provocou uma abstenção de 40% no comparecimento.[4]

Consequências[editar | editar código-fonte]

O diretor do Inep, Reynaldo Fernandes, foi demitido um mês após a realização das novas provas; voltou a lecionar na Universidade de São Paulo e, em maio de 2010, foi nomeado para um novo cargo no governo Lula, como membro do Conselho Nacional de Educação.[2]

As instituições de educação que formam o consórcio Cespe/Cesgranrio continuaram responsáveis pela realização do Enem de 2010.[2]

Recentemente dois ex-diretores do INEP foram condenados ao pagamento de multa. Heliton Ribeiro Tavares foi condenado ao pagamento de R$ 5 mil e Dorivan Ferreira Gomes teve uma pena menor, de R$ 3 mil.[5]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Redação Uol (1 de outubro de 2009). «MEC cancela Enem por suspeita de fraude e estuda remarcar prova em 45 dias». Uol Educação. Consultado em 10 de novembro de 2010 
  2. a b c Agência Brasil. «"Foi chocante", lembra ex-presidente do Inep sobre roubo do Enem». Último Segundo IG. Consultado em 10 de novembro de 2010 
  3. a b c d Laura Diniz, Renata Betti (14 de outubro de 2009). «Segunda chamada para o Enem». Revista Veja, Edição 2134, pág. 120. Consultado em 10 de novembro de 2010. Arquivado do original em 16 de dezembro de 2013 
  4. Simone Iglesias (10 de novembro de 2010). «Lula diz que, se necessário, governo fará nova prova do Enem». Folha de S.Paulo. Consultado em 10 de novembro de 2010 
  5. Sobre Enem (20 de fevereiro de 2011). «Multa a ex-diretores do Inep pelo vazamento do Enem 2009». Sobre Enem. Consultado em 6 de julho de 2011