Frederico de Freitas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Frederico de Freitas (Lisboa, 15 de Novembro de 1902 — Lisboa, 12 de Janeiro de 1980) foi um compositor, chefe de orquestra, musicólogo e pedagogo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Iniciou os primeiros estudos musicais com sua mãe Elvira Cândida de Freitas, distinta pianista, discípula de Francisco Baía e de Francisco de Lacerda.

Aos 13 anos de idade entrou para o Conservatório Nacional de Lisboa, instituição onde estudou piano com Carlos Reis, violino com Alexandre de Bettencourt, ciências musicais com Luís de Freitas Branco, harmonia com José Henrique dos Santos e contraponto, fuga e alta composição com António Eduardo da Costa Ferreira. Três anos depois, em 1918, surgiram as suas primeiras obras Duas Ave Marias em homenagem a Nossa Senhora.

Paralelamente ao estudo da composição, Frederico de Freitas desenvolveu também o gosto pela direcção de orquestra, o que o levou a estudar com os maestros Vittorio Gui e Willem Mengelberg.

Depois de concluir com distinção no Conservatório Nacional de Lisboa os cursos superiores de composição, piano, violino e ciências musicais, iniciou em Lisboa uma carreira como compositor e chefe de orquestra que incluiu praticamente todos os géneros musicais, da música religiosa e da ópera, ao teatro ligeiro, à música para filmes, à música de câmara concertante e à canção para canto e piano.[1] É autor da partitura para o filme A Severa, de Leitão de Barros, um dos mais populares de sempre do cinema português.

Foi um compositor prolífico, tendo-se inspirado nas mais variadas vertentes da música. No domínio da composição, Frederico de Freitas deixou uma vasta obra que abarca praticamente todos os géneros musicais, incluindo a música para revistas, vaudevilles e operetas e para cinema.

Foi autor de estudos de musicologia, professor de música, director de orquestra, Foi o sócio fundador n.º 11, em 1925, da cooperativa anónima de responsabilidade limitada SECTP, a Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses, a qual só em 1970, com a revisão dos estatutos, passou a chamar-se SPA, a actual Sociedade Portuguesa de Autores, dado abranger todas as áreas da criação intelectual. Era, à data do seu falecimento, Presidente de Honra da SPA, a qual, em 1981, atribuiu ao seu auditório, inaugurado em 1975, o nome de Auditório Maestro Frederico de Freitas.

Foi ainda criador, em 1940, da Sociedade Coral de Lisboa, com a qual, durante 9 anos e em parceria com a Orquestra da Emissora Nacional, realizou múltiplas apresentações de obras corais sinfónicas da maior importância.[2]

É autor das partituras para os filmes "A Severa" , de 1930, e "As pupilas do sr. reitor", de 1935, de Leitão de Barros, um dos mais populares de sempre do cinema português.Foi um dos fundadores e colaborou, como compositor e maestro, em diversas produções da Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio.[3]

Foi um dos fundadores e colaborou, como compositor e maestro, em diversas produções da Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio.[4]

Colaborou na revista ilustrada Cine [5] publicada em Maio de 1931.

O espólio do compositor Frederico de Freitas foi doado à Universidade de Aveiro pela filha do compositor, Elvira de Freitas, em Julho de 2010.

Índice do Catálogo Musical[editar | editar código-fonte]

  • Bailado
  • Música de Câmara
  • Música para Cinema
  • Música Coral
  • Harmonizações
  • Hinos
  • Música para Instrumento Solista
  • Música de Cena
  • Ópera
  • Opereta
  • Música Sinfónica
  • Orquestrações
  • Música de Teatro de Revista
  • Vaudeville
  • Voz e Piano

Obra Literária[editar | editar código-fonte]

  • "Canções Tradicionais Portuguesas do Ciclo da Quaresma e da Páscoa" in Panorama: Revista portuguesa de arte e turismo, n.º 21, 1967.
  • "Viana da Mota, Pianista cosmopolita e compositor lusitano: No centenário do seu nascimento", in Panorama: Revista portuguesa de arte e turismo, n.º 28, pp. 6-22, 1968.
  • "O fado, canção da cidade de Lisboa", Separata de Língua e Cultura, n.º 3, 1973.
  • "O fado veio do Brasil", in O Século, 8 de Junho, 1973.
  • "A modinha portuguesa e brasileira", in Bracara Augusta, n.º 28, pp. 433-438, 1974.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • AA. VV., "Frederico de Freitas: in memoriam", Autores, n.º XCVII–XCVIII, 1980, pp. 3–24.
  • AA. VV., Frederico de Freitas (1902-1980): Catálogo: Exposição, Lisboa, Museu da Música, 2003.
  • AA. VV., "Frederico de Freitas: 111 Anos", Glosas, n.º 7, Janeiro, pp. 12-45, MPMP, 2013.
  • Almendra, Júlia, "Um grande artista que o país perdeu", Canto gregoriano, n.º XCIV, 1980, pp. 3–18.
  • Ávila, Humberto de (coord.), Catálogo geral da música portuguesa: Repertório contemporâneo, Lisboa, 1978.
  • Bernardes, J. M. R. e Bernardes, I. R. S., Uma Discografia de Cds da Composição Musical em Portugal: Do Século XIII aos Nossos Dias, Lisboa, INCM, 2003, pp. 143-145.
  • Côrte-Real, Maria de São José e Adriana Latino, "Freitas, Frederico Guedes de", Enciclopédia da Música em Portugal no Séc. XX, vol. 2, pp. 524-529, Círculo de Leitores e Temas e Debates, 2010.
  • Cunha, Gastäo e M. João Cardoso (coord.), Introdução à Casa Museu Frederico de Freitas, [S.l. : s.n.], 1988.
  • Delgado, Alexandre, A sinfonia em Portugal, Lisboa, Caminho, 2002.
  • Ferreira, Manuel Pedro, Dez compositores portugueses: Percursos da escrita musical no século XX, Lisboa, Dom Quixote, 2007.
  • Picoto, José Carlos e Adriana Latino, "Freitas (Guedes) de", In The New Grove Dictionary of Music and Musicians, 2ª edição, Londres, MacMillan, 2001.
  • Rebelo, Luís Francisco, História do teatro de revista, Lisboa, 1985.

Programas Televisivos[editar | editar código-fonte]

  • Programa A Feira, Entrevista de César de Oliveira a Frederico de Freitas, RTP, (ca. 1975).
  • E O resto São Cantigas, 12º Programa, Programa dedicado a Frederico de Freitas, Realização: Oliveira Costa, RTP, 1981.

Notas

  1. Compositores portugueses : Frederico de Freitas.
  2. Compositores portugueses : Frederico de Freitas.
  3. A.A.V.V. – Verde Gaio: Uma Companhia Portuguesa de Bailado (1940-1950). Lisboa: Museu Nacional do Teatro, 1999. ISBN 972-776-016-3
  4. A.A.V.V. – Verde Gaio: Uma Companhia Portuguesa de Bailado (1940-1950). Lisboa: Museu Nacional do Teatro, 1999. ISBN 972-776-016-3
  5. Jorge Mangorrinha (25 de Fevereiro de 2014). «Ficha histórica: Cine (1934).» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 30 de Dezembro de 2014 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]