Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional

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Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional
Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional
Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional.svg
Líder Medardo González
Fundação 10 de outubro de 1980
Sede 27 Calle Poniente #1316, San Salvador, El Salvador
Ideologia Socialismo
Progressismo
Sindicalismo
Historicamente:
Marxismo–Leninismo
Espectro político Esquerda[1][2]
Afiliação internacional Foro de São Paulo
Página oficial
www.fmln.org.sv
Agustín Farabundo Martí Rodríguez (1853-1932), líder comunista que inspirou a criação da FMLN.

A Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (em espanhol: Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional), também conhecida pelo acrônimo FMLN, é um partido político socialista de El Salvador[3].

Histórico[editar | editar código-fonte]

Guerrilha[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Guerra Civil de El Salvador

Em março de 1980, o assassinato do arcebispo de San Salvador, Óscar Romero, defensor dos Direitos Humanos, marcou o começo da guerra civil no país. A FMLN foi fundada como um grupo guerrilheiro em 10 de outubro daquele ano, a partir da fusão das outras cinco organizações políticas - Forças Populares de Liberatação Farabundo Martí (FPL), Exército Revolucionário do Povo (ERP), Resistência Nacional (RN), Partido Comunista Salvadorenho (PCS) e Partido Revolucionário dos Trabalhadores Centroamericanos (PRTC). Seu nome é uma referência ao líder comunista Farabundo Martí, fundador e dirigente do PCS em 1930[4][5].

No mesmo ano, em dezembro, o cristão-democrata, José Napoleón Duarte, membro da junta civil-militar que havia tomado o poder em 1979, através de um golpe de estado, assumeiu o poder, tornando-se presidente. As ações da guerrilha, capitaneadas pelo partido, desestruturaram vários serviços do país, como transporte, energia e comunicações, fazendo com que o mesmo termine a década de 1980 dominando ¼ do território salvadorenho. Em novembro de 1989, a FMLN chegou a dominar partes de San Salvador, mas falhou na tentativa de derrubar o governo central, que contava com o apoio financeiro e militar dos Estados Unidos. O então presidente americano Ronald Reagan, considerando que a FMLN era uma organização terrorista, alimentou o combate à guerrilha com US$ 1 milhão por dia[6].

Acordo de paz[editar | editar código-fonte]

Em abril de 1991, as negociações com o governo para a assinatura de um acordo de paz foram retomadas, sob intermediação da ONU[7]. Representantes do governo de Alfredo Cristiani e da FMLN assinaram em janeiro de 1992 os Acordos de Paz de Chapultepec, acabando definitivamente com a guerra. Como resultado desses Acordos, uma nova Constituição foi promulgada, as Forças Armadas passaram a ser reguladas, uma força policial civil foi estabelecida e a FMLN se transformou de um grupo guerrilheiro num partido político. Em 1993, uma lei de anistia foi aprovada[8].

Resultados em eleições[editar | editar código-fonte]

Nas eleições parlamentares de 2003, o partido conquistou 31 das 84 cadeiras na Assembleia Legislativa, virando o partido com mais membros. Em 2006, o partido ganhou uma cadeira, mas foi ultrapassado pela Aliança Republicana Nacionalista (ARENA) no número de membros na Assembleia. Em 2009, o partido adquiriu 35 cadeiras, o máximo conseguido pelo partido em sua história.

Em 1994, na primeira eleição presidencial em que participou, a FMLN conseguiu com que seu candidato, Rubén Zamora, fosse para o segundo turno, mas este obteve apenas 31,7% dos votos contra 68,3% de Armando Calderón Sol.

Em 1999, o candidato do partido, Facundo Guardado, obteve 29,05% dos votos contra 51,96% de Francisco Flores Pérez no primeiro turno.

Em 2004, o já falecido Schafik Handal obteve 35,68% dos votos no primeiro turno contra 57,71% de Antonio Saca.

Em março de 2009, a FMLN conseguiu eleger Mauricio Funes presidente no primeiro turno com 51,32% dos votos. Foi a primeira vez em 18 anos que a ARENA não conseguiu eleger o presidente do país. João Santana, responsável pela campanha de reeleição do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, foi o coordenador da vitoriosa campanha de Funes[9].

Referências

  1. Beetham, David; Bracking, Sarah; Kearton, Iain; Vittal, Nalini; Weir, Stuart, eds. (2002). The State of Democracy: Democracy Assessments in Eight Nations Around the World. Kluwer Law International. [S.l.: s.n.] p. 29. ISBN 90-411-1931-0 
  2. West, Jacqueline, ed. (2002) [First published 1985]. South America, Central America and the Caribbean 2002. Europa Publications 10º ed. [S.l.: s.n.] ISBN 1-85743-121-9 
  3. Eleições em El Salvador. Frente Farabundo Martí em vantagem. IHU, 31 de janeiro de 2014
  4. MONTGOMERY, Tommie Sue; WADE, Christine J. A revolução salvadorenha: da revolução à reforma. UNESP, 2002. Página 61
  5. 34 anos de la vanguardia de un pueblo que lucha – viva el FMLN (Frente Farabundo Marti para la Liberacion Nacional) – Viva El Salvador. PCLCP, 12 de outubro de 2014
  6. CALVOCORESSI, Peter. Política Mundial. Penso Editora, 2009. Páginas 701-702
  7. Tomando o céu por assalto - El Salvador e a luta da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional. IELA, 15 de Janeiro de 2015
  8. Guerra civil de El Salvador deixou mais de 60 mil mortos entre 1980 e 1992. O Globo, 11 de janeiro de 2017
  9. FMLN vence presidenciais. Avante!, 19 de março de 2009