Frente de Unidade Revolucionária

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A Frente de Unidade Revolucionária é criada em 25 de Agosto de 1975, inicialmente com a designação de Frente de Unidade Popular, com a participação do PCP, do MDP/CDE, do MES, da FSP - Frente Socialista Popular, da LUAR, da LCI, do PRP/BR e da Organização 1º de Maio[1]; esta aparece com o intuito de apoiar o V Governo Provisório e como reacção às manifestações promovidas e lideradas pelo PS - Partido Socialista. A Organização 1º de Maio abandonou a FUP a 26 de Agosto e o PCP a 28, e a partir daí a aliança passou a designar por Frente de Unidade Revolucionária[1].

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Uma série de acontecimentos no célebre Verão quente de 1975 precipitam o seu aparecimento.

A 10 de Julho de 1975, vários partidos e outros grupos de extrema-esquerda organizam uma manifestação de apoio ao "Documento-Guia da Aliança Povo-MFA", são recebidos por Costa Gomes e Vasco Gonçalves, que discursam sendo visíveis as diferenças de conteúdo dos dois discursos, nesse mesmo dia o Jornal República reaparece sob a orientação de uma "Comissão Coordenadora de Trabalhadores", isto depois de a 19 de Maio ter começado a crise no Jornal República entre trabalhadores e a direcção, encabeçada por Raul Rêgo (militante histórico do PS e Jornal da oposição conotado com o PS no Estado Novo), o PS, no próprio dia reage violentamente, Mário Soares encabeça uma manifestação de protesto junto à sede do jornal e acusa o PCP de estar por detrás dos acontecimentos, no dia seguinte os militares fazem evacuar o local do jornal e selam-no. Mário Soares denuncia a ilegalidade do fecho do jornal e ameaça abandonar o Governo de Vasco Gonçalves, assim como os ministros do PS, estes regressam a 30 de Maio, após conversações com o Conselho da Revolução.

Perante estes acontecimentos, da Manifestação e do reaparecimento do Jornal República com uma redacção conotada com o PCP, os ministros do PS abandonam o IV Governo Provisório, uma semana mais tarde a 17 de Julho, os ministros do PPD/PSD tomam idêntica atitude e abandonam o Governo assim como os ministros independentes Silva Lopes e Almeida Santos.

A 12 de Julho o Conselho da Revolução emite um comunicado no qual critica a saída do Governo dos ministros socialistas.

Em 15 de Julho o PS promove uma manifestação de apoio aos seus representantes que abandonam o Governo, em resposta o PCP e a extrema-esquerda, partidários do IV Governo Provisório organizam manifestações em Lisboa e no Porto, organizadas por Comissões de Trabalhadores, entre outras reivindicações, pedem a dissolução da Assembleia Constituinte, que foi ganha maioritariamente pelos partidos mais moderados.

Nos dias 18 e 19 de Julho, o PS convoca dois comícios (Antas e Fonte Luminosa), que são um êxito retumbante com milhares de pessoas, Mário Soares exige a demissão de Vasco Gonçalves e ameaça que "o PS pode paralisar o país".

Nove membros do Conselho da Revolução, entre os quais Melo Antunes, entregam dia 7 de Agosto, a Costa Gomes um documento em que recusam, quer a via totalitária ("Documento-Guia da Aliança Povo-MFA"), quer a via social-democrata (defendida na altura pelo PPD/PSD). Este documento conhecido como o "Documento dos Nove" é condenado severamente pelo Directório do MFA. Nesse dia Mário Soares escreve uma Carta aberta ao general Costa Gomes, intimando-o a escolher uma via.

No dia 8 de [[Agosto}} o V Governo Provisório, toma posse e é chefiado por Vasco Gonçalves sendo composto exclusivamente por elementos do PCP, MDP/CDE, independentes e militares, nesse dia "O Jornal Novo" publica o "Documento dos Nove" (também conhecido por "Documento Melo Antunes").

Três dias depois o Directório do MFA, suspende os oficiais subscritores do "Documento dos Nove": Francisco Charais; Pezarat Correia; Vítor Alves; Melo Antunes; Costa Neves; Canto e Castro; Vítor Crespo; Vasco Lourenço e Sousa e Castro.

Entretanto e mobilizada pelo PCP e pelo PS, a população portuguesa divide-se, enquanto o PS exige a demissão do V Governo Provisório, o PCP protesta contra a "violência reaccionária".

Início de uma série de reuniões entre os "Nove" e Otelo Saraiva de Carvalho, do COPCON (que dias antes tinha divulgado um documento intitulado "Autocrítica revolucionária do COPCON e proposta de trabalho para um programa político" conhecido como o "Documento do COPCON") tendentes à elaboração de um documento e projecto de convergência política.

No Norte e Centro do país agudiza-se a hostilidade em relação ao V Governo Provisório, ao PCP e aos partidos de extrema-esquerda, havendo assaltos e destruições das sedes destes partidos que ocorrem um pouco por todo o lado.

O PS promove uma manifestação, a 15 de Agosto em Belém, de apoio ao "Documento dos Nove", o PCP reage com num comício realizado no Pavilhão dos Desportos em que apela "à unidade dos democratas e anti-fascistas".

A 19 de Agosto, o Presidente da República, Costa Gomes reúne com os subscritores do "Documento dos Nove" e com Otelo Saraiva de Carvalho a este é apresentado o Plano Político do MFA, elaborado pelos "Nove" e Otelo Saraiva de Carvalho, deste modo o Presidente decide encetar o processo de consultas para formação de um VI Governo Provisório. No dia seguinte Otelo Saraiva de Carvalho consuma a ruptura com Vasco Gonçalves, em carta pessoal este proíbe Vasco Gonçalves de visitar as unidades militares integradas no COPCON e pede ao general que "descanse, repouse, serene, medite e leia".

Em 24 de Agosto é apresentado do elenco do VI Governo Provisório que deveria ser chefiado por Carlos Fabião, este recusa no dia seguinte, sendo Pinheiro de Azevedo indigitado para formar o VI Governo Provisório. Vasco Gonçalves será nomeado CEMGFA.

Duração Fugaz[editar | editar código-fonte]

Depois de ter sido criado o Conselho da Revolução, sentindo-se legitimado pelo Presidente da República General Costa Gomes, suspende a 5.ª Divisão, de linha pró-Frente de Unidade Revolucionária e ligada ao Vasco Gonçalves sendo encerradas dia 27 de Agosto por uma força militar chefiada por Jaime Neves, nesse dia a Frente de Unidade Revolucionária promove, junto ao Palácio de Belém em Lisboa, uma manifestação de apoio a Vasco Gonçalves e a Costa Gomes, ambos recebem os manifestantes com discursos mas, mais uma vez, são notórias as diferenças de tom e de conteúdo utilizados pelos oradores.

A 28 de Agosto o PCP, em conferência de imprensa, propõe um encontro a nível militar e civil para clarificar a situação e abandona a FUP, que passa a designar-se FUR.

No dia 31 de Agosto, o coronel Jaime Neves e outros oficiais do Regimento de Comandos da Amadora são proibidos de entrar na unidade, nesse dia Pinheiro de Azevedo inicia as primeiras diligências para a formação do VI Governo Provisório, tendo o PS e o PPD opondo-se publicamente à nomeação de Vasco Gonçalves para CEMGFA.

No primeiro dia de Setembro de 1975, Pinheiro de Azevedo pretende a constituição de uma plataforma comum entre o PS, o PPD/PSD e o PCP.

Dois dias depois, numa Conferência de imprensa, o PCP e o MDP/CDE, alertando para a "ofensiva reaccionária", acusam o PPD/PSD, o CDS - Centro Democrático Social e o PCTP/MRPP da onda de violência e o PS da passividade e cumplicidade.

Uma Assembleia geral do MFA em Tancos modifica a composição do Conselho da Revolução e afasta Vasco Gonçalves do cargo de CEMGFA, no dia seguinte a 6 de Setembro o V Governo Provisório demite-se.

Tendo sido criada para apoiar o V Governo Provisório que se demite, a Frente de Unidade Revolucionária deixa de ter sentido e extingue-se.

Figuras e principais dirigentes[editar | editar código-fonte]

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas e Fontes[editar | editar código-fonte]

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