Flor do Mar (nau)

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Flor de la Mar
Réplica da Flor de la Mar, Museu Maritímo de Malaca
Carreira   Bandeira da marinha que serviu
Construção Lisboa
Lançamento 1502
Período de serviço 1502 - 1511
Fatalidade Naufrágio a 20 de novembro de 1511
Características gerais
Deslocamento 400 toneladas
Comprimento 36m
Boca 8m

A Flor do Mar também referida como Flor de la Mar (em língua portuguesa "Flor do Mar") e Frol de la Mar (crónicas portuguesas do século XVI) foi uma nau portuguesa que participou em vários acontecimentos marcantes no oceano Índico até ao seu naufrágio em 1511 no estreito de Malaca. Na ocasião transportava Afonso de Albuquerque, de regresso da conquista de Malaca, com um imenso espólio e tesouros para Manuel I de Portugal, que se perderam ao largo da costa da Sumatra, tornando-a um dos mais míticos e cobiçados tesouros perdidos da História. O Museu Marítimo de Malaca alberga uma réplica da embarcação..

História[editar | editar código-fonte]

A embarcação foi construída nos estaleiros da Ribeira das Naus em Lisboa, em 1502, tendo sido uma das mais avançadas embarcações da sua época. Ela foi construída para a Carreira das Índias. Com 400 toneladas, ela era a maior carraca do seu tempo, com quase o dobro do tamanho das maiores embarcações que tinham ido em carreiras anteriores.

Ela fez sua primeira viagem de Portugal para a Índia em 1502, sob o comando de Estêvão da Gama , primo de Vasco da Gama. No entanto, na sua viagem de volta, em 1503, sob o comando de João da Nova, sofreu um rombo no casco na zona de Moçambique, e encontrou algumas complicações - uma vez carregada de especiarias, seu grande tamanho e peso a tornavam difícil de manobrar, particularmente nas rápidas correntes do Canal de Moçambique (notavelmente ao redor do Cabo Correntes ). Testemunha ocular Thomé Lopes relata os danos no casco do navio e a embarcação é forçada a parar para reparos na Ilha de Moçambique por quase dois meses. Chegou a Portugal no final de 1503.

Ela fez sua primeira viagem de Portugal para a Índia em 1502, sob o comando de Estêvão da Gama , primo de Vasco da Gama. No entanto, na sua viagem de volta, em 1503, sob o comando de João da Nova, sofreu um rombo no casco na zona de Moçambique, e encontrou algumas complicações - uma vez carregada de especiarias, seu grande tamanho e peso a tornavam difícil de manobrar, particularmente nas rápidas correntes do Canal de Moçambique (notavelmente ao redor do Cabo Correntes ). Testemunha ocular Thomé Lopes relata os danos no casco do navio e a embarcação é forçada a parar para reparos na Ilha de Moçambique por quase dois meses. Chegou a Portugal no final de 1503.

A Flor do Mar voltou a sair noutra Carreira da Índia em Março de 1505 sob o comando de João da Nova , como parte da 7ª frota de 22 navios portugueses da Índia , transportando D. Francisco de Almeida como primeiro vice-rei da Índia portuguesa . Na viagem de regresso em 1506, voltou a deparar-se com dificuldades no Canal de Moçambique.Com a entrada de água, ela foi forçada a atracar mais uma vez na ilha de Moçambique para reparos demorados. Desta vez, ela ficaria presa no canal por cerca de dez meses.João da Nova tentou levá-la para fora repetidamente, mas o navio carregado de carga continuou correndo em problemas, forçando-o a voltar para a ilha, reparar e tentar novamente.

O navio e seu capitão frustrado ainda estavam presos em Moçambique quando foram encontrados em fevereiro de 1507 - quase exatamente um ano depois de Flor do Mar ter saído da Índia - pela 8ª armada de saída da Índia sob o comando de Tristão da Cunha . Cunha ordenou que suas tripulações ajudassem a consertar o navio de volta ao mar, descarregando a carga de especiarias do navio em outro transporte com destino a Portugal (sob o comando de António de Saldanha) e anexando a vazia Flor do Mar e seu capitão em seu navio. própria armada ligada à Índia. Ela nunca mais voltaria para Portugal.

Flor do Mar e seu capitão João da Nova participaram da conquista de Socotra por Cunha . Na sequência, para surpresa de João da Nova, Cunha ordenou que ela permanecesse no Mar da Arábia ocidental, integrado ao esquadrão de patrulha de Afonso de Albuquerque .

Nova e o navio participaram da conquista de Albuquerque das cidades de Curiate(Kuryat), Muscatem a julho de 1507, Khor Fakkan , (aceitando também a submissão das cidades de Kalhat e Sohar ) e Ormuz no mesmo ano. Dois anos depois, na Índia , ela foi requisitada para servir como nau-capitânia de D. Francisco de Almeida no ano de 1509 na batalha de Diu . João da Nova faleceu no mesmo ano em Cochim, e Almeida (encerrando seu mandato como vice-rei das índias) planeou trazer Flor do Mar de volta a Portugal, tomando um cuidado especial para repará-la. Mas seu sucessor, Afonso de Albuquerque, proibiu-o e manteve o navio na Índia, dando a Almeida outro navio para levar para casa.

Sob as ordens de Afonso de Albuquerque, Flor do Mar apoiou a conquista de Goa em 1510, bem como a conquista de Malaca em 1511.

A História da Flor de La Mar e João da Nova[editar | editar código-fonte]

Segundo o “Livro de Toda a Fazenda”, a contabilidade pública de então, em 1505, D. Manuel I encarregou o provedor João Serrão de armar oito grandes naus, seis navetas e oito caravelas, além de outros navios, para formarem a armada do Vice-Rei D. Francisco de Almeida.

A Flor de La Mar, capitaneada pelo alcaide menor de Lisboa João da Nova, fazia parte com a Bom Jesus, a S. Gabriel, a S. João, a Espírito Santo, a São Tiago, a São João de Baptista(Botafogo) e a Santa Catarina do lote de 8 naus de 400 toneladas, cuja principal missão era estabelecer o domínio naval português no Índico.

Provavelmente tratava-se da segunda viagem à Índia da nau “Flor de La Mar” com João da Nova como capitão.

Efetivamente, este galego de nação e fidalgo de Portugal fora o capitão-mor da terceira armada enviada por D. Manuel I à Índia. Com três naus, uma delas talvez a Flor de La Mar, apesar da crónica de Goês não citá-la ainda de nome, e uma caravela, João da Nova partiu a 5 de Março de 1501 para chegar a Cananor em Agosto e receber um primeiro carregamento completado depois em Cochim, onde as naus foram calafetadas, reparadas e breadas. Depois de uma batalha que levou ao naufrágio de três paraos de uma grande frota enviada pelo Samorim, João da Nova regressa a Lisboa, tendo entrado na barra Tejo a 11 de Setembro de 1502.[1]

Na segunda viagem de João da Nova, este recebeu ordens para cruzar entre o Cabo Camorim e as Ilhas Maldivas, levando também um alvará real de nomeação para capitão-mor da armada da costa da Índia. A armada de D. Francisco de Almeida com a “Flor de La Mar” largou pois a 5 de Março de 1505, dobrou o Cabo da Boa Esperança em fins de Junho sem grandes percalços.

João da Nova, navegador

           Nos primeiros dias de Agosto, as principais naus da armada com a “capitania” lançaram ferros frente a Mombaça. O Vice-Rei mandou o intrépido João da Nova a terra para comunicar com os habitantes. “Estes receberam-no à pedrada” – escreveu Gaspar Pereira, escrivão da armada. João da Nova dispara dois berços de metal que levava no batel, “com que logo na praia pagou o jogo das pedras”. “Olá dos navios! Ide dizer ao Vice-Rei que venha em terra, que em Mombaça não há de achar as galinhas de Quiloa, mas vinte mil homens que lhe hão de torcer o focinho …… – diziam os naturais na praia da Ilha - continuou Gaspar Correia na sua crónica da viagem.[1]


           Na manhã seguinte, 1300 soldados da armada desembarcaram em Mombaça, distribuídos em duas colunas. Depois de uma peleja encarniçada, o xeque de Mombaça pede a paz e a armada zarpou com os presentes do potentado, agradecido por lhe pouparem a vida e não terem destruído a cidade.  [1]

   A armada chega a Cochim a 1 de Novembro, tomando de imediato conhecimento da existência de uma esquadra de 400 navios e 10 mil homens organizada pelo Samorim de Calecute para enfrentar as forças do Vice-Rei.

          Os navios do Samorim estavam dispostas em regiões muito próximas da costa, logo D.Francisco de Almeida envia as caravelas e galés da Armada porque as naus não podiam chegar-se tanto a terra. [1]

Gravura de Flor de La Mar. Inícios do Século XVI

Numa naveta artilhada, João da Nova comete proezas sem par juntamente com os navios mais pequenos da armada. “Tudo era fogo, fumo e gritos” – escreve Gaspar Correia. As três bombardas e os seis falcões de cada uma das caravelas fizeram uma razia, opondo-se com a sua superioridade aos pelouros e flechas dos mouros.

           Em Fevereiro de 1506, a Flor de La Mar com a nau S. Gabriel, capitaneada por Vasco Gomes de Abreu, recebe ordens para largar âncora de Cochim rumo a Portugal.

Além do valioso carregamento de especiarias levavam um pequeno elefante. Na viagem de retorno, sob o comando de João da Nova, sofreu um rombo no casco na região do cabo da Boa Esperança, recolhendo-se à ilha de Moçambique para reparos. Aí foi encontrada pela Armada de Tristão da Cunha, que fez tudo para a salvar. Ainda sob o comando de João da Nova, retornou para a Índia com a Armada de Afonso de Albuquerque.[1]

Gaspar Correia cita a “Flor de La Mar” ainda sob o comando de João da Nova nas duas armadas de Tristão da Cunha e Afonso de Albuquerque saídas de Lisboa para a Índia a 5 e 7 de Abril de 1506. [1]

No entanto, a “Flor de La Mar” não poderia chegar a Lisboa nessa data e outros arquivos históricos dizem-nos que nunca chegou a sulcar novamente as águas do Tejo, pois na viagem de regresso a Portugal arribou à Ilha de Moçambique devido a um rombo no casco. Ficou no canal entre a Ilha e a Cabaceira, a zona de abastecimento das naus com água potável. Aí é que a armada de Tristão da Cunha encontrou João da Nova com a sua “Flor de La Mar”. [1]


Sendo amigo e compadre de João da Nova, Tristão da Cunha fez tudo para salvar a”Flor de La Mar”. Comprou uma nau comercial de Lagos que vinha na sua armada para transbordar toda a mercadoria que vinha na “Flor de La Mar”, a fim de a “pôr a monte” para os consertos necessários. Assim feito, João da Nova e a sua nau foram mandados de novo para a Índia integrados na armada de Afonso de Albuquerque, mas João da Nova devido ao Vice-Rei D.Francisco de Almeida não ter aceite o seu alvará de capitão-mor, acompanha Albuquerque nas suas campanhas da Índia. [1]

Tal como a sua nau, também João da Nova nunca mais veria as águas do Tejo.[1]

           Apesar de insatisfeito, o alcaide menor de Lisboa mostrou-se tremendamente eficaz em todas as tarefas em que se meteu. Logo em Abril de 1507, João da Nova acompanha Afonso de Albuquerque com 300 homens no ataque à fortaleza de Socotorá, defendida por centena e meia de “fartaquins”, pondo-os todos em fuga. Reconstruiu-se a fortaleza; Portugal controlava agora a estratégica entrada para o Mar Vermelho.

Réplica da nau "Flor de la Mar" no Museu Marítimo da Malásia

           Em carta não datada, mas provavelmente de 1506, dirigida a D. Francisco de Almeida, D. Manuel I ordena o envio de navios a Malaca e nomeia João da Nova capitão-mor de uma armada de uma nau, um navio e uma caravela que ficará aí. Ao mesmo tempo, El-Rei ordenou que a “Flor de La Mar regresse a Portugal sob o comando de Francisco de Távora, enquanto João da Nova deveria ser o capitão da nau “Rei Grande”, anteriormente do Távora. Não foram cumpridas estas ordens de D. Manuel I; era demasiado cedo para ir a Malaca sem ter previamente estabelecido o domínio do Índico.[1]

Com capacidade para 400 toneladas, era considerada uma das mais avançadas em sua época. Lançada ao mar nesse mesmo ano, zarpou para a Índia na Armada sob o comando de Estêvão da Gama, primo de Vasco da Gama.

Em 25 de Março de 1505 zarpou uma vez mais de Lisboa para a Índia na Armada de 16 naus e 6 caravelas para instalar o primeiro Vice-rei, D. Francisco de Almeida. Nesse mesmo ano (1505), na viagem de retorno, sob o comando de João da Nova, sofreu um rombo no casco na altura do cabo da Boa Esperança, recolhendo-se à ilha de Moçambique para reparos. Aí foi encontrada pela Armada de Tristão da Cunha, que fez tudo para a salvar. Ainda sob o comando de João da Nova, retornou para a Índia com a Armada de Afonso de Albuquerque.

Participou na conquista de Ormuz sob o comando de Afonso de Albuquerque (1507), foi o navio-almirante na batalha de Diu, travada pelo então vice-rei da Índia D. Francisco de Almeida (1509), participou nas conquistas de Goa (1510) e de Malaca (1511), num notável exemplo de longevidade de uma nau do primeiro quartel do século XVI.



Capacidade[editar | editar código-fonte]

A longevidade da Flor do Mar foi notável. Numa época em que os navios da índia eram construídos por apenas três ou quatro anos de serviço útil, a Flor do Mar era um dos navios de maior duração da Carreira da Índia.

No entanto, seu serviço como navio de carga deixou muito a desejar. Perigosamente insalubre e muito pouco manobrável quando totalmente carregada, ela completou apenas uma viagem completa da Índia a Portugal, e com bastantes dificuldades. No entanto, muito foi aprendido com a experiência do navio.

Embora vários navios maiores - 600t, 900t, 1500t - tivessem sido ocasionalmente construídos, a média da Índia nau na altura pairaria em torno de 400-450t.

Como tal, a Flor do Mar pode ser considerada o protótipo do que se tornaria a típica nau da Carreira das Índias do início e meados do século XVI.

A experiência do navio e da sua tripulação também levou à institucionalização da "rota externa", isto é, os capitães de grandes embarcações carregadas de carga tiveram que evitar o retorno através do rápido Canal de Moçambique, mas, em vez disso, seguiram por um curso mais calmo a leste de Madagascar.

Naufrágio[editar | editar código-fonte]

Frol de la Mar (gravura no "Roteiro de Malaca", século XVI)

Apesar de já ser considerado insegura na altura, a Flor do Mar serviu para apoiar a conquista de Malaca, então o maior centro comercial das Índias Orientais . Dada a sua grande capacidade, Afonso de Albuquerque decidiu usar o navio para transportar o vasto tesouro saqueado do palácio do sultão de Malaca de volta a Portugal.

Quando Flor do Mar saiu de Malaca no final de 1511 e navegou ao longo do estado de Pasé, no nordeste de Sumatra, no Estreito de Malaca, ela foi pega em uma tempestade e naufragou em alguns cardumes, causando numerosas baixas. O navio não sobreviveu à tempestade e afundou durante a noite de 20 de novembro de 1511, perto de Timia Point no Reino de Aru, Sumatra.

Afonso de Albuquerque foi salvo nas condições mais difíceis, usando uma jangada improvisada, mas a carga estava irremediavelmente perdida. Flor de la Mar ainda permanece desconhecida no fundo do mar.

Tentativas de localizar e salvar o naufrágio causaram polêmica. Portugal, Indonésia e Malásia reivindicam direitos de salvamento. Uma réplica da Flor do Mar está alojada no Museu Marítimo de Malaca .

Algumas pesquisas mais recentes, informam que a embarcação partiu-se em duas e que, como estava em águas rasas(Tenga Reef), teve muito de sua carga resgatada pelos nativos de Sumatra, na própria época do naufrágio.

A nau, que transportava D. Afonso de Albuquerque, após este ter conquistado Malaca, à época o maior centro comercial do Oriente, naufragou com tesouro roubado, incluindo 60 toneladas de ouro do sultanato, e tornou-se num dos mais míticos e cobiçados tesouros perdidos da História.

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

https://www.tsf.pt/vida/interior/drones-subaquaticos-encontram-navio-portugues-flor-do-mar-naufragado-em-1511-3803998.html

http://www.naufragios.com.br/flordomar.htm

https://naval.blogs.sapo.pt/41071.html

https://www.publico.pt/2014/04/09/culturaipsilon/noticia/navio-dos-descobrimentos-portugueses-encontrado-na-indonesia-1631613

http://ensina.rtp.pt/artigo/naufragio-da-nau-flor-de-la-mar-no-estreito-de-malaca/


Notas[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e f g h i j DELLINGER, Dieter (1989). REVISTA DA MARINHA. Portugal: [s.n.] 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Dieter Dellinger, Texto publicado na REVISTA DE MARINHA em Abril de 1989 [1]
  • Sérgio Luís de Carvalho, A flor de la mar: 1510 - 1515 com Albuquerque na Índia, Texto Ed., 1993, ISBN 972470422X
  • Diffie, Bailey W. and George D. Winius (1977). Foundations of the Portuguese Empire, 1415–1580. Minneapolis: University of Minnesota Press. ISBN 0816607826.
  • Albuquerque, Braz de (1774). Commentarios do grande Afonso Dalboquerque. Lisbon: Na Regia Officina Typografica. Available in English as The Commentaries of the Great Afonso Dalboquerque, Second Viceroy of India. Laurier Books Ltd. /AES 2000. ISBN 978-8120615144

Ver também[editar | editar código-fonte]