Fronteira Brasil–França

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Fronteira Brasil–França
A fronteira Brasil-França e o traçado aproximado da estrada transfronteiriça que deverá ligar Caiena a Macapá.
Delimita:  Brasil
 França
Comprimento: 730 km
Posição: 121
Criação: 1713
Traçado atual: 1900
Tratados: Tratado de Utrecht (1713)

A fronteira entre Brasil e França é a linha que limita os territórios do Brasil e França. Sua extensão é de 730,4 km, dos quais 427,2 km são por rios e 303,2 km por divisor de águas,[1] no que constitui a segunda menor fronteira terrestre do Brasil.[2]

- Essa fronteira é a única ligação terrestre entre o Mercosul e a União Europeia (via Ponte Binacional Franco-Brasileira).

Características[editar | editar código-fonte]

A fronteira ao nível do salto Maripá no rio Oiapoque.

A fronteira franco-brasileira começa no planalto das Guianas numa tríplice fronteira onde se encontram a fronteira Brasil-Suriname e a fronteira França-Suriname. Esse ponto é chamado "Koulimapopann" nos mapas ido Instituto Geográfico Nacional Francês[3], e fica em 2°20'15,2" N, 54°26'04,4" W.

Deste ponto, corre ao longo de 303,2 km[4], nos montes Tumuc-Humac ao longo da divisória de águas entre a bacia do rio Amazonas e os rios da Guiana que desaguam no oceano Atlântico. Bordeja o limite das comunas de Maripasoula e Camopi frente ao município brasileiro de Laranjal do Jari. Toma a direcção do rio Oiapoque, que corre para norte na floresta equatorial, e que serve de fronteira por 427,2 km[4] entre os territórios de Camopi e Saint-Georges de um lado e outro do rio.

Chega à foz do rio a oeste do cabo Orange em 4°30'30"N, 51°38'12"W. Deste ponto, situado na baía de Oiapoque, prolonga-se por uma fronteira marítima que separa as águas territoriais dos dois países. Alguns marcos de fronteira materializam esta fronteira[4].

História[editar | editar código-fonte]

As bases desta fronteira remontam ao Tratado de Utrecht de 1713 entre a França e Portugal, mas diversas interpretações quanto ao traçado da fronteira existem hoje. Embora a França considere que o rio Japoque mencionado no texto corresponda ao rio Araguari, o Brasil considera que corresponde ao rio Oiapoque[5]. O litígio decorreu durante dois séculos, e a França e o Brasil independente instalaram postos militares e missões religiosas no que seria conhecido como Questão do Amapá[5], com acusações mútuas sobre a sua integridade territorial respectiva. Finalmente, uma arbitragem internacional feita pela Suíça deu razão ao Brasil em 1900: bem preparada, a delegação brasileira chefiada pelo barão de Rio Branco, que já tinha obtido uma arbitragem favorável em litígio contra a Argentina, ganhou o arbítrio enquanto a França secundarizou a preparação dos documentos pois estava mais preocupada com a colonização em África, enviando diplomatas com pouco conhecimento da questão: como resultado, 260 000 km² de territórios que teriam multiplicado por quatro a superfície do território da Guiana passaram a estar sob soberania do Brasil[5].

Como vestígio cultural desse período, ainda existem hoje no Amapá pequenas comunidades ameríndias que falam um antigo crioulo guianês.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «BRASIL: Fronteiras Terrestres» (PDF). FUNAG. 8 de março de 2015. Consultado em 14 de janeiro de 2018 
  2. «Guiana Francesa: onde o Brasil faz fronteira com a Europa». Deutsche Welle. 15 de março de 2010 
  3. Segundo informa o Géoportail.
  4. a b c «FRONTEIRA BRASIL / GUIANA FRANCESA». 4 de novembro de 2005. Consultado em 26 de janeiro de 2007 
  5. a b c (em francês) Marc-Emmanuel Privat (Junho de 2003). terresdeguyane.fr, ed. «Frontières de Guyane, Guyane des frontières». Consultado em 18 de outubro de 2007. Arquivado do original em 11 de abril de 2012 
Ícone de esboço Este artigo sobre fronteiras é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.