Fundamentalismo cristão

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Fundamentalismo cristão começou nos finais do século XIX e início do século XX entre os protestantes britânicos e estadunidenses[1][2] como uma reação ao liberalismo teológico e ao modernismo cultural. Os fundamentalistas argumentam que os teólogos modernistas do século XIX haviam interpretado errado ou rejeitado certas doutrinas, especialmente a inerrância bíblica, que consideravam os fundamentos da fé cristã.[3] Os fundamentalistas são quase sempre descritos como tendo uma interpretação literal da Bíblia. Poucos estudiosos consideram os católicos que rejeitam a teologia moderna a favor de doutrinas mais tradicionais como fundamentalistas.[4] Acadêmicos divergem sobre o quanto os termos "evangélico" e "fundamentalista" são sinônimos.[5] De acordo com as doutrinas cristãs tradicionais em relação à interpretação bíblica, o papel que Jesus Cristo desempenha na Bíblia e o papel da igreja na sociedade, os fundamentalistas geralmente acreditam em um núcleo de crenças cristãs que incluem uma suposta precisão histórica da Bíblia e a segunda vinda de Cristo.[6]

As interpretações do fundamentalismo cristão mudaram ao longo do tempo.[7] O fundamentalismo enquanto um movimento manifestado em várias denominações, como o pentecostalismo ou o catolicismo romano, em vez de uma única denominação ou teologia sistemática. Tornou-se ativo na década de 1910 após o lançamento de Os Fundamentos, um conjunto de ensaios de doze volumes, apologético e polêmico, escrito por teólogos protestantes conservadores para defender o que eles entendia como a ortodoxia protestante. O movimento tornou-se mais organizado na década de 1920 dentro das igrejas protestantes dos Estados Unidos, especialmente a Batista e a Presbiteriana. Muitas dessas igrejas adotaram um "estilo de luta" e combinaram a teologia de Princeton com o dispensacionalismo.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Depois da publicação da A Origem das Espécies de Charles Darwin em 1859, o desenvolvimento da Alta Crítica alemã e o surgimento da Teologia Liberal, vários grupos cristãos reagiram temendo que a razão afetasse a fé cristã.

No início do século XX foi publicado Os Fundamentos, livro que foi patrocinado por empresários e escrito por vários escritores conservadores da época (recentemente uma tradução desse livro foi publicada no Brasil pela Editora Hagnos).

Preocupados com o avanço do modernismo, os fundamentalistas começaram a organizar-se. Entre 1878–1897 realizaram a Conferência Bíblica de Niagara, que estabeleceu os pontos básicos do fundamentalismo.

Desde 1925, quando o professor elementar John T. Scopes foi condenado por ensinar a Teoria da Evolução nas escolas públicas, o fundamentalismo perdeu sua popularidade entre os protestantes conservadores.

A partir da década de 1940 ganhou força outro movimento conservador protestante, porém mais aberto à sociedade em geral e à ciência: o Evangelicalismo.

Doutrinas[editar | editar código-fonte]

Possui como doutrinas e práticas básicas:

Críticas[editar | editar código-fonte]

A interpretação literal dos fundamentalistas da Bíblia foi acusada por críticos por não levarem em conta as circunstâncias nas quais a Bíblia cristã foi escrita e afirmam que essa "interpretação literal" não está em consonância com a mensagem que a escritura pretendia transmitir quando foi criada.[8]

Além disso, eles foram acusados ​​de "armarem a Bíblia" para fins políticos apresentando a Deus "mais como um Deus de julgamento e punição do que como Deus de amor e misericórdia".[9][10]

Os fundamentalistas continuam a tentar ensinar o design inteligente (uma hipótese que usa como base o criacionismo, ao invés da evolução), nas escolas públicas, como no caso judicial federal do distrito escolar Kitzmiller v. Dover Area, que culminou na classificação do ensino do design inteligente como algo inconstitucional devido às raízes religiosas do conceito.[11]

Na década de 1930, o fundamentalismo era visto por muitos como um "último suspiro" de algo passado.[12]

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Fundamentalism at merriam-webster.com. Accessed 2011-07-28.
  2. a b Marsden (1980), pp. 55–62, 118–23.
  3. Sandeen (1970), p. 6
  4. Hill, Brennan; Knitter, Paul F.; Madges, William. Faith, Religion & Theology: A Contemporary Introduction. [S.l.]: Twenty-Third Publications 
  5. Roger E. Olson (2004). The Westminster Handbook to Evangelical Theology. [S.l.]: Westminster John Knox Press. pp. 3–6 
  6. «Britannica Academic». academic.eb.com. Consultado em 9 de dezembro de 2016 
  7. Reid, D. G., Linder, R. D., Shelley, B. L., & Stout, H. S. (1990). In Dictionary of Christianity in America. Downers Grove, IL: InterVarsity Press. Entry on Fundamentalism
  8. «A Critique of Fundamentalism». infidels.org (em inglês). Consultado em 2 de fevereiro de 2017 
  9. Brennan Hill; Paul F. Knitter; William Madges. Faith, Religion & Theology: A Contemporary Introduction. [S.l.]: Twenty-Third Publications. In fundamentalists circles, both Catholic and Protestant, God is often presented more as a God of judgement and punishment than as a God of love and mercy. 
  10. McElwee, Sean (5 de fevereiro de 2014). «The Simple Truth About Biblical Literalism and the Fundamentalists Who Promote It». AlterNet. Consultado em 2 de fevereiro de 2017 
  11. «Victory in the Challenge to Intelligent Design». ACLU. Consultado em 23 de abril de 2017 
  12. Parent, Mark (1998). Spirit Scapes: Mapping the Spiritual & Scientific Terrain at the Dawn of the New Millennium. [S.l.]: Wood Lake Publishing Inc. p. 161. ISBN 9781770642959. Consultado em 22 de julho de 2013 

Bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • Marsden; George M. (1980). Fundamentalism and American Culture. Oxford: Oxford University Press. ISBN 0-19-502758-2; the standard scholarly history; excerpt and text search
  • Sandeen, Ernest Robert (1970). The Roots of Fundamentalism: British and American Millenarianism, 1800–1930, Chicago: University of Chicago Press, ISBN 0-226-73467-6

Ligações externas[editar | editar código-fonte]