Fundo de cobertura

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Comparação do investimento de $ 1000 em um fundo de cobertura a longo prazo (LTCM), no índice médio industrial Dow Jones e em títulos do Tesouro americano (US Treasury) com vencimento constante entre 1994 e 1998.

Fundo de cobertura, (fundo multimercado em português brasileiro) tradução do inglês Hedge Fund, é uma forma de investimento alternativa, de altíssimo risco, com poucas restrições e altamente especulativo. Investidores fornecem grandes quantias de dinheiro a uma empresa especializada em economia, para que ela invista como achar melhor e depois reparta os lucros e prejuízos conforme contrato entre as partes.

O gerente do fundo, geralmente um economista ou administrador especializado na área de investimentos, tem liberdade para investir o dinheiro como considerar melhor.[1]

Pode assumir a forma jurídica de uma sociedade limitada, de modo que, quando a empresa for à falência, os credores não podem ir atrás dos investidores, não importando o quanto tenha sido colocado no fundo de cobertura.[2]

Características[editar | editar código-fonte]

Esse conceito foi formulado por Alfred Winslow Jones em 1949, o primeiro a combinar investimentos de curto e longo prazo com o fim de garantir uma cobertura da carteira frente a movimentos do mercado. Existe um debate sobre o escopo da definição, mas as características gerais do Hedge Fund são:

  1. Pouco controle por agências reguladoras;
  2. Informações de performance são publicados de acordo com as regras do próprio fundo;
  3. Permitem investimentos agressivos usualmente proibidas aos demais fundos: vendas descobertas, derivados financeiros, alto grau de alavancamento financeiro;
  4. Não possuem prêmio de liquidez diários;
  5. Não precisam de reservas mínimas de dinheiro, assim podem investir todo o capital disponível;
  6. Podem permitir aumentar os investimentos e retirar certas quantias antes do fim do ano;
  7. Cobram altas comissões em função do capital investido e dos resultados obtidos; assim sendo geralmente restrito a pessoas muito ricas.

Dado o alto nível de risco, os gerentes de Fundos Livres investem diretamente nos mesmos, deste modo aumentam a sua credibilidade. Em 2008, 8000 fundos operaram no mundo, gerando por volta de 1300 bilhões.

Fórmula 2 e 20[editar | editar código-fonte]

Utilizando essa fórmula o gerente de fundos recebe 2% dos ativos e 20% dos lucros a cada ano, sendo o resto dividido pelos investidores e para pagamento de tributos. Esse 2% é chamado de taxa administrativa.[3] Então em uma empresa com 3 investidores, em que A investiu $1000, B investiu $2000 e C investiu $7000 (total $10.000 iniciais) e após um ano teve $20.000 de lucro, o gerente recebe 2% dos ativos ($600 de $30.000) mais 20% dos lucros ($4.000 de $20.000) e os investidores repartem proporcionalmente o restante ($20.000 - $4.600 = 15.400). Assim, nesse ano, A receberia 10% ($1.540), B receberia 20% ($3.080) e C receberia 70% ($10.780).

Entre o primeiro ano e o segundo ano é costume fazer uma reunião com os investidores para decidir quanto será investido dessa vez. Supondo que no segundo ano foram o total de investimentos foi 20.000, mas a empresa teve perdeu tudo, mesmo assim o gerente dos fundos ainda recebe 2% desses 20.000 investidos (400 reais) e os investidores não recebem nada.

Crise[editar | editar código-fonte]

A grave crise internacional registada em 2008 e 2009, levou autoridades de todo o mundo a repensarem os seus modelos de regulação sobre veículos de investimento alternativos como os fundos de cobertura (Hedge Funds). A Comissão Europeia apresentou um conjunto de medidas com o objectivo de limitar e controlar os riscos assumidos por estas entidades, dando especial ênfase à uniformização da regulação em todo o espaço europeu e à limitação de algumas das principais ferramentas utilizadas por estes fundos, como o recurso ao efeito de alavanca financeira.[4]

Com maior controle, é provável que o retorno a médio prazo seja menor, porém esse fundo se torna mais seguro para os envolvidos e fica mais difícil de ser usado para burlar leis como tributações.[4]

Referências

  1. Jaeger, Robert. A. (2003) Mcgraw Hill, All About Hedge Funds "A hedge fund is an actively managed investment fund"
  2. http://www.manutencaoesuprimentos.com.br/conteudo/5337-o-que-e-fundo-de-hedge/
  3. Hulbert, Mark (4 March 2007). "2 + 20, And Other Hedge Math". The New York Times. Retrieved 26 November 2011.
  4. a b http://repositorio-iul.iscte.pt/bitstream/10071/3591/1/Tese_Bruno%20Teixeira_2010.pdf