Futebol feminino

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Maria Pia Gomez e Emilia Mendietal durante partida entre Boca Juniors e River Plate em 2011

O futebol feminino é a modalidade do futebol praticado com equipes compostas somente por mulheres. Apesar de em alguns países terem predominância na prática com homens, diversos países tem equipes profissionais e amadores de mulheres, sendo um esporte com liga profissional.

Quanto as regras, elas são as mesmas do futebol masculino. O que pouca gente sabe, porém, é que as regras do futebol permitem ajustes para partidas entre mulheres (e também para deficientes físicos, jogadores com menos de 16 anos, mais de 35 [veteranos]). Não só o tamanho do campo e as dimensões da baliza podem ser modificadas, como peso e circunferência da bola e duração do jogo, cabendo apenas a quem organiza os jogos encontrar o padrão mais adequado.[1]

Em 2015, Nadine Keßler, da Alemanha, foi considerada a melhor jogadora de futebol feminino.[2]

A História do Futebol[editar | editar código-fonte]

As mulheres tem sido importante para o desenvolvimento e evolução do futebol até hoje. Os primeiros indícios datam desde o tempo da Dinastia Han (206 a.C. - 220 d.C.) em que elas jogavam uma variação do antigo jogo chamado TSU Chu. Há outros relatos que indicam que, no décimo segundo século, era usual que as mulheres desempenham jogos de bola, especialmente na França e na Escócia. Em 1863, foram definidas regras para prevenir a violência no jogo, enquanto que era socialmente aceitável para as mulheres. Em 1892, na cidade de Glasgow, Escócia, houve o primeiro jogo de futebol entre as mulheres. Uma competição anual, em Lothian, Escócia durante a década de 1790 é relatado, também.[3][4]

O documento mais conhecido sobre os inícios do futebol feminino remonta a 1894 quando Nettie Honeyball, um ativista dos direitos da mulher, fundou o primeiro clube desportivo britânico chamado o Ladies Football Club. Honeyball, convicta de sua causa declarou que pretendia demonstrar que as mulheres poderiam alcançar a emancipação e ter um lugar importante na sociedade.

Lady Florence Dixie desempenhou um papel fundamental na criação do jogo, organizando jogos de exposição para caridade, e em 1895 ela se tornou presidente da British Ladies' Football Club, estipulando que "as jovens devem entrar no espírito do jogo com o coração e a alma." Ela providenciou uma turnê para a Escócia da equipe de futebol de Londres .

A Primeira Guerra Mundial, foram a chave para a superlotação de futebol feminino na Inglaterra. Porque muitos homens foram para o campo de batalha,já a mulher foi introduzida na força trabalhadora. Muitas fábricas tiveram suas próprias equipes de futebol que até então eram privilégio de homens. A mais exitosa destas equipes existe foi Dick, Kerr's Ladies of Preston, Inglaterra. A equipe foi bem sucedida, atingindo resultados como os de um jogo contra uma equipe escocesa que levou um "chocolate" de-0.

No entanto, no final da guerra, a FA não reconheceu o futebol feminino, apesar do sucesso e popularidade. Isto levou à formação da English Ladies Football Association (Associação Inglesa de Futebol Feminino) cujo início foi difícil devido ao boicote da FA que levou mesmo a mulheres a jogarem em estádios de Rugby.

Após a Copa do Mundo 1966, o interesse dos amadores cresceu de tal forma que a FA decidiu voltar atrás e em 1969 criou o ramo feminino da FA. Em 1971, a UEFA instruiu seus respectivos parceiros a gerir e promover o futebol feminino e na Europa ele foi consolidado nos anos seguintes. Assim, países como a Itália, E.U.A. e o Japão têm ligas profissionais cuja popularidade não inveja o que é atingido pelos seus similares do sexo masculino.

Futebol Feminino no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, existem registros de partidas mistas, com homens e mulheres juntos, em 1908 e 1909.[5]

Em 1913, houve um evento beneficente, que foi considerado por muitos anos como a primeira partida de futebol feminino no Brasil. Anos depois, porém, foi descoberto que, na verdade, o time “feminino” era formado por jogadores do Sport Club Americano, campeão paulista daquele ano, vestidos de mulher, misturados a “senhoritas da sociedade”.[5]

Desta forma, considera-se que a primeira partida de futebol feminino no Brasil ocorreu em 1921, entre senhoritas dos bairros Tremembé e Cantareira, na zona norte de São Paulo, conforme noticiado pelo jornal A Gazeta.[5]

Em 1941, aconteceu o primeiro jogo masculino apitado por uma mulher, num amistoso entre o Serrano de Petrópolis contra o América do Rio. Na ocasião, o árbitro passou mal e uma atleta da partida preliminar ao amistoso assumiu o apito.[5]

Em 4 de Abril de 1941, durante a presidência de Getúlio Vargas, foi-se criado o Decreto-Lei 3199, proibindo a “prática de esportes incompatíveis com a natureza feminina”, entre eles o futebol.[6] Este decreto só seria revogado em 1979.[7]

O Araguari Atlético Clube é considerado o primeiro clube do Brasil a formar um time feminino, que em meados de 1958, selecionou 22 meninas para um jogo benificiente em dezembro deste mesmo ano.[7] O sucesso desta partida foi grande que a revista "O Cruzeiro" fez matéria de capa sobre o acontecimento, pois até então, partidas femininas só ocorriam em circos ou jogos de futsal. Com esta divulgação, houve, nos meses seguintes, vários jogos do time feminino do Araguari em cidades de Minas Gerais (Belo Horizonte inclusive) e também em Goiânia e Salvador. Em meados de 1959 a equipe feminina do Araguari foi desfeita, por pressão dos religiosos de Minas Gerais.[8][9]

Em 1967, Asaléa de Campos Micheli, mais conhecida por Léa Campos, foi a primeira mulher a terminar um curso de arbitragem. O Decreto Lei proibia as mulheres apenas de jogarem, mas não faziam menção sobre arbitragem. Essa brecha foi o que garantiu a Léa o direito de participar do curso de árbitros em Minas Gerais, feito no Departamento de Futebol Amador da Federação Estadual. Em entrevista ao programa Esporte Espetacular, da Rede Globo, em 2007, ela informou que não pode participar sequer da formatura do curso, por represálias machistas.[10]

A primeira seleção Brasileira de futebol feminino foi convocada pela CBF em 1988, para disputar - e vencer - o “Women’s Cup of Spain”.[5]

Referências

  1. espn.uol.com.br/ Olímpicas 2: goleiras "sabotam" o futebol feminino. Regra permite campo e balizas menores
  2. Wood, Dave (12 de janeiro de 2015). «Nadine Kessler wins FIFA Women's Player of the Year award». Daily Mail (em inglês). Daily Mail and General Trust. Consultado em 29 de julho de 2016. 
  3. The Scottish FA - "A Brief History of Women’s Football"
  4. "Football history: Winning ways of wedded women"
  5. a b c d e ultimadivisao.com.br/ Futebol Feminino no Brasil – A História
  6. espnw.espn.uol.com.br/ Será que Marta conseguirá aproveitar o momento e tirar o máximo de proveito em solo nacional?
  7. a b globoesporte.globo.com/ Pioneiras do esporte proibido: histórias do início do futebol feminino no Brasil
  8. Primeiro time feminino brasileiro é reativado em Minas Folha de S.Paulo - (edição de 12/6/2011) - consultado em 11 de agosto de 2011
  9. Nos anos 50, futebol feminino tinha gracejos, fãs e talento Folha de S.Paulo - (edição de 12/6/2011 por Lucas Reias) - consultado em 11 de agosto de 2011
  10. ocuriosodofutebol.com.br/ Léa Campos - a primeira árbitra do futebol brasileiro

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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