Gútios

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Gutium

Gútios

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c.2 300 a.C.2 100 a.C. 
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Near East topographic map with toponyms 3000bc-en.svg
Mapa do Oriente Médio durante a Idade do Bronze.
Região Mesopotâmia
Capital Gutium
País atual Turquia
Atualmente parte de Curdos

Língua oficial Língua gútia
Religião Mitologia suméria

Forma de governo Governo e Monarquia
• fl. c.2 135 a.C.2 129 a.C.
(curta)
  Inquisus (primeiro)
• fl. c.2 055 a.C.
(curta)
  Tirigã (último)

História  
• c.2 300 a.C.  Governo nas montanhas gútias
• 2 193 a.C.  Derrota de Sarcalisarri para os gútios e a queda do Império Acádio
• 2 100 a.C.  Derrota dos gútios para Utuegal de Uruque.

Os gútios (em sumério: 𒄖𒌅𒌝𒆠 ou 𒄖𒋾𒌝𒆠; romaniz.: Gu-tu-um ou Gu-ti-um) foram um povo antigo da Mesopotâmia que eram provenientes do leste, dos montes Zagros, e sua terra era Gutium. Um império efêmero que sucedeu a um período de descentralização e de domínio de estrangeiros. Foi a terceira dinastia de Ur e existiu entre 2 112 e 2 004 a.C. Marcou o período pelo controle econômico. A princípio abrangeu toda a Mesopotâmia e um pouco além dela mas desintegrou-se cedo.[1][2]

História[editar | editar código-fonte]

Rei Anubanini de Lulubi, segurando um machado e um arco, pisoteando um inimigo. Relevo rochoso de Anubanini, por volta de 2 300-2 000 a.C.. Sar-e Pol, Irã.[3] Os gútios "eram vizinhos próximos, dificilmente distinguíveis" dos lulúbios.[4]

Os gútios aparecem em textos de cópias da Antiga Babilônia de inscrições atribuídas a Lugalanemundu (fl. c.século XXV a.C.) de Adabe como uma das nações que prestam homenagem ao seu império. Essas inscrições as localizam entre Subartu, no norte, e Marasi e Elão, no sul. Eles eram uma tribo nômade proeminente que vivia nas montanhas Zagros na época do Império Acádio.

Sargão, o Grande (r. 2340–2284 a.C.) também os menciona entre suas terras súditas, listando-os entre as terras dos lulúbios, armânios e acádios ao norte; Nicu e Der ao sul. De acordo com a estela de Narã-Sim, o exército da Acádia de 360.000 soldados derrotou o rei gútio Gulaã, apesar de ter 90.000 mortos pelos gútios. A épica Lenda Cuteana de Narã-Sim reivindica Gutium entre as terras invadidas por Anubanini de Lulubi durante o reinado de Narã-Sim (r. 2254–2218 a.C.).[5]

Os gútios possuiam uma forte força política ao longo dos terceiro e segundo milênio a.C., principalmente quando derrubaram o Império Acádio, governado possivelmente por Sarcalisarri (r. 2217–2193 a.C.), por volta de 2 230 a.C.[6] ou 2 150 a.C..[7]

Dinastia gútia[editar | editar código-fonte]

Os gútios atacando uma cidade babilônica (possivelmente a Acádia), enquanto os acádios recuam. Ilustração de H. L. Bacon, no século XIX.

À medida que os acádios entraram em declínio, os gútios começaram uma campanha, décadas de ataques e ataques contra a Mesopotâmia. Seus ataques prejudicaram a economia da Suméria. Viajar se tornou inseguro, assim como o trabalho no campo, resultando em fome. Os gútios acabaram invadindo Acádia e, como nos diz a Lista de Reis, seu exército também subjugou Uruque pela hegemonia da Suméria, por volta de 2 147-2 050 a.C.. No entanto, parece que governantes autônomos logo surgiram novamente em várias cidades-estado, notadamente em Gudea de Lagas.

Os gútios também parecem ter invadido Elão brevemente por volta da mesma época, no final do reinado de Cutique-Insusinaque (c.2 100 a.C.).[8] Em uma estátua do rei gútio Eridupizir em Nipur, uma inscrição imita seus predecessores acádios, denominando-o "Rei de Gutium, Rei dos Quatro Quartos".

A dinastia gútia terminou por volta de 2 130 a.C. quando Utuegal (r. 2116–2110 a.C.) de Uruque derrotou Tirigã, o último rei dos gútios. Embora os gútios, de sua casa nos Zagros, continuassem a ameaçar as dinastias e reinos subsequentes, eles nunca mais foram capazes de assumir o controle do sul da Mesopotâmia.[6]

Posteriormente[editar | editar código-fonte]

Os gútios foram atribuídos posteriormente por muitos estudiosos como os curdos, cujo povo habita no leste da Turquia.[9]

Referências

  1. ETCSL. The Sumerian King List Arquivado em 2010-08-30 no Wayback Machine.. Accessed 19 Dec 2010.
  2. ETCSL. The Cursing of Agade Accessed 18 Dec 2010.
  3. Osborne, James F. (24 de outubro de 2014). Approaching Monumentality in Archaeology (em inglês). [S.l.]: SUNY Press 
  4. Edwards, I. E. S.; Gadd, C. J.; Hammond, N. G. L. (31 de outubro de 1971). The Cambridge Ancient History (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press 
  5. Ebeling, Erich; Meissner, Bruno; Weidner, Ernst; Edzard, Dietz Otto (1928). Reallexikon der Assyriologie und Vorderasiatischen Archäologie (em alemão). [S.l.]: W. de Gruyter 
  6. a b Editores 1998.
  7. Moreira 2017, pp. 7-8.
  8. Martin Sicker (2000). The Pre-Islamic Middle East. p. 19.
  9. Incorporated, Facts On File (2009). Encyclopedia of the Peoples of Africa and the Middle East (em inglês). [S.l.]: Infobase Publishing 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Moreira, Anselmo Antônio (2017). Civilização. Joinville: Clube de Autores 
  • Editores (1998). «Guti». Britânica Online. Consultado em 17 de novembro de 2020 
  • Parte do texto baseado na tradução do artigo «Gutian people» na Wikipédia em inglês.