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Gainas

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Disambig grey.svg Nota: Para o oficial do século VI, veja Gainas (duque).
Gainas
Nascimento
Norte do Danúbio
Morte 400
Norte do Danúbio
Nacionalidade Império Bizantino
Etnia Ostrogótica
Ocupação Oficial militar
Principais trabalhos
  • Comando de contingentes bárbaros contra Eugênio
  • Investida contra Tribigildo
  • Maquinações na corte
Título

Gainas (em grego: Γαινας; m. 400) foi um ambicioso líder gótico que serviu o Império Romano do Oriente durante os reinados de Teodósio I (r. 378–395) e Arcádio (r. 395–408). Inicialmente um mero soldado de infantaria, durante usurpação de Eugênio esteve entre os comandantes das tropas bárbaras que travaram batalha contra ele em 394. No ano seguinte, combinou forças com Estilicão e Eutrópio para derrubar Rufino, conseguindo como recompensa sua nomeação como conde dos assuntos militares (comes rei militaris). Em 399, após sua nomeação como mestre dos soldados da Trácia, marchou contra o rebelde gótico Tribigildo na Ásia Menor.

Claramente envolvido com Tribigildo, Gainas arquitetou um encontro do imperador Arcádio com o rebelde na Calcedônia, onde conseguir ser nomeado como mestre dos dois exércitos. Nesta posição provocou o exílio de vários oficiais do partido pró-romano e tentou tomar o controle de Constantinopla para si, porém isso causou um massacre de suas tropas em 12 de julho de 400. Temoroso por sua vida, reuniu o restante de suas tropas e tentou fugir em direção à Ásia, porém foi impedido por Fravita. Assim, marchou em direção ao Danúbio na tentativa de fugir, porém foi preso e morto pelos hunos de Uldes (r. 390–411) e sua cabeça foi enviada a Arcádio.

Biografia[editar | editar código-fonte]

De origem gótica, Gainas foi originário do Norte do Danúbio. Começou sua carreira militar como um soldado de infantaria e esteve entre os comandantes que lideraram as tropas bárbaras de Teodósio I contra o usurpador Eugênio em 394. No ano seguinte, combinou suas forças com as de Estilicão e Eutrópio para provocar a queda de Rufino e tornou-se conde das tropas (395–399). Em 399, ao ser nomeado mestre dos soldados da Trácia (magister militum per Thracias)[1] por Eutrópio, foi ordenado a marchar, junto de Leão, contra o comandante gótico Tribigildo, que havia se rebelado na Ásia Menor.[2] Ele deveria proteger a Trácia e Helesponto enquanto Leão cruzava em direção a Ásia. Quando Leão provou-se um comandante ineficiente, Gainas recebeu o comando total das tropas, porém permaneceu inativo enquanto encorajou Tribigildo a continuar a rebelião.[3]

Soldo de Teodósio I (r. 378–395)
Soldo de Arcádio (r. 395–408)

Gainas então dirigiu-se ao imperador Arcádio, afirmando que também era incapaz de suprimir a revolta, exceto de certas condições fossem cumpridas primeiro, dentre as quais a demissão de Eutrópio. Ele logo entrou em termos com Tribigildo e conseguir organizar um encontro com o imperador na Calcedônia.[3] Durante o encontro, ocorrido ainda em 399, Gainas foi nomeado mestre dos dois exércitos (399–400). Nesta posição, assegurou o exílio de Aureliano, Saturnino e João e começou a instalar suas forças em Constantinopla. Na cidade, tentou cooptar o Igreja para os arianos, porém foi impedido por João Crisóstomo,[4] que inclusive evitou que os oficiais exilados fossem executados.[5] Além disso, pretendeu tomar para si o dinheiros dos banqueiros e ocupar o palácio imperial, porém foi mal-sucedido.[4]

Embora um comandante militar competente, Gainas era manifestamente incapaz de controlar a maior cidade habitada de seu tempo, cuja população greco-romana ressentiu intensamente os godos. Em 12 de julho de 400, com a aprovação pública do imperador, 7 000 de suas tropas e suas famílias estacionadas em Constantinopla foram massacradas pelas multidões da cidade. O partido-romano conseguiu restabelecer-se na capital e ele tornou-se um inimigo público. Em resposta, Gainas e suas forças tentaram fugir para o outro lado do Helesponto, mas sua frota foi atingida e destruída por um godo a serviço imperial, Fravita.[5][4]

Depois desta batalha, ele fugiu através do Danúbio e foi capturado pelos hunos sob Uldes (r. 390–411) que o mataram e enviaram sua cabeça para Arcádio como um tributo diplomático.[5][4] Um ano após sua morte, Arcádio comemorou a derrota do general fazendo erigir uma coluna triunfal na capital, a Coluna de Arcádio.[2] As maquinações de Gainas foram citadas por vários autores bizantinos, dentro os quais o mais proeminente foi Sinésio de Cirene que mencionou-o em seu Sobre o Governo Imperial.[6] Um ariano, foi claramente casado, com uma bárbara, e teve alguns filhos.[4]

Referências

  1. Burns 1994, p. 155.
  2. a b Kazhdan 1991, p. 814.
  3. a b Martindale 1980, p. 379.
  4. a b c d e Martindale 1980, p. 380.
  5. a b c Friell 1999, p. 11-12.
  6. «On Imperial Rule» (em inglês). Consultado em 15 de outubro de 2012 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Burns, Thomas S. (1994). Barbarians Within the Gates of Rome: A Study of Roman Military Policy and the Barbarians, Ca. 375-425 A.D. (em inglês). Bloomington: Indiana University Press. ISBN 0253312884 
  • Friell, J. G. P.; Stephen Joseph Williams (1999). The Rome that did not fall: the survival of the East in the fifth century (em inglês). Nova Iorque: Routledge. ISBN 0-415-15403-0 
  • Kazhdan, Alexander Petrovich (1991). The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press. ISBN 0-19-504652-8 
  • Martindale, J. R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1980). The prosopography of the later Roman Empire - Volume 2. A. D. 395 - 527. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press