Garotas do Radium

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Pintoras de indicadores de Radium trabalhando em uma fábrica.

As Garotas do Radium foram operárias que contraíram envenenamento por radiação por pintarem mostradores de relógio com tinta auto-luminosa na fábrica United States Radium em Orange, Nova Jérsei, em torno do ano de 1917. As mulheres, às quais foi dito que a tinta era inofensiva, ingeriram quantias mortais de radium ao lamberem seus pinceis para dar-lhes pontas finas; algumas também pintaram suas unhas e dentes com esta substância brilhante.

Cinco destas mulheres desafiaram seu empregador em um caso judicial que estabeleceu (por ser o regime common law) o direito de trabalhadores individuais processarem seus empregadores em caso de contração de doenças ocupacionais.

Propaganda de 1921 sobre a "Undark" (desescura), nome comercial da tinta radioativa.

Exposição à radiação[editar | editar código-fonte]

A Corporação U.S. Radium contratou aproximadamente 70 mulheres para desempenharem variadas tarefas, incluindo o manejo do radium, enquanto os donos e cientistas, familiares com os efeitos do radium, cuidadosamente evitaram quaisquer contatos para si; os químicos da instalação usavam telas de chumbo, máscaras e pinças.[1]

Estimados 4 mil trabalhadores foram contratados por corporações nos EUA e Canadá para pintar faces de relógio com radium. Estas pessoas misturavam cola, água e pó de radium, e então usavam pinceis de pelos para aplicar a tintura brilhante nos mostradores. A então taxa-corrente de pagamento, para pintar 250 mostradores por dia, era de 1,5 pêni/indicador, o equivalente a US$0,277 em 2015.

Devido aos pinceis perderem seu formato após poucos usos, os supervisores da U.S. Radium encorajaram suas trabalhadoras a apontá-los com seus lábios, ou usar suas línguas para mantê-los "afiados". Por diversão, as Garotas do Radium pintaram suas unhas, dentes e faces com a tinta mortal produzida na fábrica.[2] Muitas das trabalhadoras ficaram doentes. É desconhecida a quantia de mortos pela exposição a esta radiação.

Doença por radiação[editar | editar código-fonte]

Muitas das mulheres depois começaram a sofrer de anemia, fratura dos ossos e necrose da mandíbula, uma condição conhecida como mandíbula de radium. Acredita-se que as máquinas de raios-X usadas pelos médicos-investigadores podem ter contribuído para a piora do quadro das trabalhadoras doentes, por submetê-las a mais radiação. Descobriu-se que ao menos um exame foi fraudulento, parte de uma campanha de desinformação iniciada pelo contratante defensor.[1]

A U.S. Radium e outras companhias de mostradores de relógio rejeitaram as afirmações de que as trabalhadoras estavam a sofrer de exposição a radium. Por algum tempo, doutores, dentistas e pesquisadores cumpriram às solicitações das companhias para que os dados não fossem divulgados. Por insistência destas empresas, médicos profissionais atribuíram as mortes a outras causas; sífilis, uma DST notória na época, foi frequentemente citada, em tentativas de manchar a reputação das mulheres.[3]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b http://www.damninteresting.com/?p=660
  2. Grady, Denise (6 de outubro de 1998). «A Glow in the Dark, and a Lesson in Scientific Peril». The New York Times. Consultado em 25 de novembro de 2009 
  3. Mullner, R. (1999). Deadly Glow: The Radium Dial Worker Tragedy. [S.l.]: American Public Health Association. ISBN 9780875532455