Garotos Podres

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Garotos Podres
Informação geral
Origem Mauá
São Paulo
País  Brasil
Gênero(s) Punk rock
Período em atividade 1982 - Atual
Integrantes Mao (vocalista)
Cacá Saffiotti(guitarrista)
Uel (contrabaixista)
Shu (baterista)
Ex-integrantes Godô (Baixista)
Maurício (Baterista)
Português (Baterista)
Mauro (guitarrista)
Michel Stamatopoulos(sukata) (baixista)
Leandro Nunes (Capitão Caverna) (baterista)
Página oficial https://www.facebook.com/garotospodresofficial/

Garotos Podres é uma banda brasileira de punk rock, formada no final de 1982 na cidade de Mauá, no ABC paulista que é o maior pólo industrial do Brasil. Suas maiores influências são as bandas punks do final dos anos 70 e começo dos anos 80. Era o auge do movimento punk em São Paulo e várias bandas surgiam principalmente nos grandes centros urbanos. A primeira apresentação dos Garotos aconteceu em 1983 na cidade de Santo André num evento que reuniu vários grupos de vários estilos musicais em prol do Fundo de Greve dos Metalúrgicos do ABC.[1] [2] [3] [4]

História[editar | editar código-fonte]

Início e auge[editar | editar código-fonte]

Entraram em estúdio em 1985 para gravar o que seria uma demo-tape. Foram gravadas e mixadas catorze músicas em doze horas num estúdio de oito canais, e o resultado foi considerado tão bom para os padrões da época que onze destas músicas acabaram se tornando o primeiro álbum da banda, intitulado "Mais Podres do que Nunca", editado pelo extinto selo Rocker e no ano seguinte pelo selo Lup-Som. Esse disco, chegou a marca das 50.000 cópias vendidas, um recorde de vendagem de discos independentes na época e continua sendo distribuído em CD até hoje, ultrapassando a marca das 70.000 cópias.

Estando em plena ditadura militar, era necessário enviar cópias das letras das músicas para o Departamento de Censura Federal. Deste álbum, a música "Johnny" e “Vou Fazer Cocô” foram censuradas, sendo proibida a sua execução bem como as músicas: "Papai-Noel Filho da Puta" ( Papai-Noel Velho Batuta ) e "Maldita Polícia" (Maldita Preguiça) tiveram suas letras mudadas propositalmente pelos Garotos para burlar a censura.

A partir daí a banda se popularizou, abrangendo não apenas a cena punk mas também o mais variado tipo de público, tornando-se a primeira banda punk do Brasil a ter suas músicas veiculadas na programação normal de algumas rádios. Isso permitiu ao grupo a realização de vários shows pelo país, o que também colaborou na aceitação de outras bandas underground pela mídia.

Lançam em 1988 o seu segundo álbum, "Pior que Antes" pela gravadora Continental, que teve a música "Batman" censurada, sendo proibida sua execução pelos meios de comunicação. A música "Subúrbio Operário" foi incluída no curta metragem, premiado no Festival de Cinema de Nova York e no Festival de Cinema de Brasília, "Rota ABC" do cineasta Francisco César Filho em 1990, onde a banda faz uma participação.

Após ficarem cinco anos sem lançar nenhum álbum, em 1993 o selo Radical Records edita o quarto trabalho dos Garotos, Canções para Ninar, emplacando nas rádios "rock" as faixas: "Fernandinho Veadinho", "Oi! Tudo bem?" e "Rock de Subúrbio" (primeiro vídeo-clip da banda) enquanto são ameaçados de serem processados por uma certa pessoa que se sentiu ofendida com a faixa "Fernandinho Veadinho".

A essa altura a fama dos Garotos já havia ultrapassado os limites nacionais. Passam a manter contatos com selos da Europa, principalmente Portugal e Alemanha, o que resultou no lançamento de vários trabalhos na Alemanha, França, Portugal e Estados Unidos. Em 1995 realizam uma tour pela Europa junto com a banda portuguesa Mata-Ratos.

No final de 1997 lançam o seu quarto álbum pela gravadora Paradoxx Music, "Com a Corda Toda" , tendo a música "O Mundo não pára de Girar" uma das mais executadas na rádio rock 89FM (São Paulo). A música "Mancha" foi escolhida para ser o segundo vídeo-clip da banda que contou com a participação do popular Pedro de Lara. "… é que eles descobriram que eu também sou podre e foram me procurar."
"Um dos ex-jurados mais famosos de Silvio Santos, ele afirma que aceitou o convite porque os Garotos Podres, como ele, representam uma libertação dos preconceitos para o povo."
(Pedro de Lara , Diário Popular outubro/97 - sobre a sua participação no videoclipe "Mancha" )

Em 1999 lançam no Brasil seu primeiro álbum ao vivo “Rock de Subúrbio – Live!”. Editado e lançado inicialmente em Portugal em 1995. Foi gravado num pequeno show em um bar, na cidade de Mauá SP em 1995. Em 2001 lançam o seu segundo álbum ao vivo “Live in Rio”, gravado no Ballroom, Rio de Janeiro em outubro de 2000 e editado pela própria banda.

Novamente, em 2003 suas músicas servem de inspiração para outra curta metragem; “Os Últimos Dias De Papai-Noel” produzido pelo cineasta Eduardo Aguilar, que tem como tema a música “Papai-Noel Filho da Puta”, que foi exibido com sucesso na Mostra do Audiovisual Paulista deste mesmo ano. Além da música “Papai-Noel Filho da Puta” também foi incluído neste curta as músicas “Miseráveis Ovelhas” e Liberdade (“ Onde esta“?)”.

Desde o início da banda o que mais chamou a atenção da mídia e do público, foram suas letras "politizadas", irônicas, carregadas de sarcasmo e humor negro e as vezes até ingênuas que muitas vezes foram incompreendidas, e que causaram em algumas cabeças menos privilegiadas uma série de preconceitos em relação aos Garotos e várias tentativas frustradas de rotular o grupo.

Apesar de estarem na estrada há tanto tempo, os Garotos Podres nunca sobreviveram da música, todos os integrantes tem outras atividades que lhes garantem o sustento e a sobrevivência da banda. Isto lhes deu a liberdade de criarem o seu próprio estilo musical e realmente só tocarem o que gostam.

É inegável a importância e a influência dos Garotos Podres no cenário do rock alternativo brasileiro, a prova disso é o CD “Tributo Garotos Podres – 20 anos de Podridão”, coletânea lançada em 2002 pelo selo independente Rotten Records em comemoração aos 20 anos da banda, onde 23 bandas de diferentes estilos e nacionalidades como: Inocentes, Ratos de Porão, Ultraje a Rigor, Tihuana, Devotos, Acromaniacos (Portugal), Muerte Lenta (Argentina), Kães Vadius, Underboys, Lambrusco Kids, Muzzarelas, etc., interpretam suas músicas.

Em 2003 lançaram o seu último trabalho utilizando o nome “Garotos Podres”: “Garotozil de Podrezepam – 100mg”, novamente os Garotos Podres roubam a cena, nos mostrando que a luz no fim do túnel... É apenas mais um trem. (Garotos Podres).

Paralisação[editar | editar código-fonte]

Depois do lançamento do “Garotozil de Podrezempam – 100 mg”, os Garotos Podres ficaram muitos anos sem gravar. A razão desta “paralisação criativa” foi decorrente do fato de alguns integrantes terem assumido posições políticas cada vez mais conservadoras. Em outras palavras, parte dos integrantes da banda - de maneira oportunista - estavam mais “antenados” à crescente “onda conservadora” que começou a varrer o país, e que deu origem aos atuais “coxinhas”. Personalidades de outras bandas também aderiram a esta “onda conservadora”.

Seguramente Mao e Cacá Saffiotti (guitarra) são pessoas totalmente démodés. Em pleno vigor da onda “coxinha” insistiam em manter os seus princípios e queriam continuar tocando músicas politicamente engajadas como “A Internacional”, “Fuzilados da CSN”, etc.. O descompasso e o distanciamento ideológico entre “duas metades da banda” acabou por gerar um inevitável rompimento em 2012.

Inicialmente Mao e Cacá Saffiotti pretendiam dar continuidade às suas carreiras musicais, utilizando-se do nome “Garotos Podres”, uma vez que o vocalista – Mao – era o único remanescente da formação original, além de ser autor e compositor da maior parte das músicas da banda. Apesar disto, em função de uma série de ameaças que a “metade coxinha” dirigiu contra Mao e Cacá, estes resolveram criar um “codinome secreto” para o grupo, enquanto a questão jurídica criada pelos “coxinhas” não se resolve: Surgiu, assim, “O Satânico Dr. Mao e os Espiões Secretos”. Os fiéis continuadores do verdadeiro espírito dos “Garotos Podres”.

Em outubro de 2014 “O Satânico Dr. Mao e os Espiões Secretos” lançaram o seu álbum de estreia, intitulado “Contra os Coxinhas Renegados Inimigos do Povo”. Antes que uma ruptura, este álbum representa uma linha de continuidade do trabalho que Mao e Cacá Saffiotti realizavam nos Garotos Podres. Desta forma este álbum revela uma linguagem punk, direta, com diversas influências, devido a cada integrante possuir uma história no meio musical, que agregam ao som da banda uma sonoridade única e peculiar. Para o historiador da USP Lincoln Secco, "o CD do Satânico Dr. Mao não rompe com seu passado, mas se compromete com as lutas do presente."[5]

Integrantes[editar | editar código-fonte]

  • Mao (Vocalista)
  • Cacá Saffiotti (Guitarrista)
  • Uel (baixista)
  • Shu (baterista)

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns[editar | editar código-fonte]

Ao Vivo[editar | editar código-fonte]

Compilações[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira (Data desconhecida). «Garotos Podres». sítio oficial. Consultado em 15 de Fevereiro de 2013. 
  2. Marcelo Moreira (15 de Maio de 2013). «Briga praticamente põe fim aos Garotos Podres». Estadão/Blogs. Consultado em 06 de Junho de 2014.  Parâmetro desconhecido |acessoano= ignorado (|acessodata=) (Ajuda)
  3. Mário Barra (22 de Maio de 2013). «Vocalista do Garotos Podres briga com integrantes e bloqueia uso do nome da banda». UOL entretenimento música. Consultado em 4 de junho de 2014.  Parâmetro desconhecido |acessoano= ignorado (|acessodata=) (Ajuda)
  4. Eduardo Ribeiro (13 de março de 2014). «O SATÂNICO DR. MAO CONTRA OS COXINHAS PODRES: VOCALISTA FALA SOBRE O DESTINO DOS GAROTOS PODRES». Noisey Music by Vice. Consultado em 6 de junho de 2014. 
  5. Lincoln Secco (10.10.2014). «O som de junho». Blog da Boitempo. Consultado em 29.04.2015.