Sidarta Gautama
| Sidarta Gautama Buda | |
|---|---|
Escultura do século V de Sarnath: o gesto do ensino e a roda entre cervos evocam o primeiro sermão atribuído a Buda. | |
| Outros nomes | Buda Gautama; Shakyamuni |
| Conhecido(a) por | Fundação do budismo |
| Nascimento | c. 563 ou 480 a.C. |
| Morte | c. 483 ou 400 a.C. (aos 80 anos)[1] Kushinagar, território dos mallas (segundo a tradição budista) |
| Progenitores | Mãe: Maya Pai: Sudodana |
| Cônjuge | Yasodhara |
| Filho(a)(s) | Rahula |
| Religião | budismo |
Sidarta Gautama, também chamado Buda ("o desperto"),[2] foi um mestre religioso itinerante, ou śramaṇa, que viveu nas planícies indo-gangéticas orientais no século VI ou V a.C. e fundou o budismo.[3] Segundo as narrativas budistas, nasceu em Lumbini, no atual Nepal, em uma família do clã Shakya, e deixou a vida doméstica para viver como asceta itinerante.[4] Depois de mendigar, praticar o ascetismo e meditar, alcançou o nirvana em Bodh Gaya, no atual estado indiano de Biar. Percorreu então a planície indo-gangética, ensinando e formando uma comunidade monástica, a sanga. A tradição budista situa sua morte em Kushinagar, no atual estado de Uttar Pradesh, na Índia, e a descreve como o parinirvana, a libertação final da existência condicionada.[5]
Na tradição budista, Buda ensinou um Caminho do Meio entre a busca dos prazeres sensuais e o ascetismo rigoroso,[6] pelo qual se alcançaria a libertação da ignorância, do desejo, do renascimento e do sofrimento. As Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo resumem esses ensinamentos. O caminho envolve conduta ética e bondade para com os outros, além de práticas meditativas como o domínio dos sentidos, a atenção plena e dhyana. Os cinco agregados e a originação dependente também ocupam lugar central nos ensinamentos atribuídos a Buda: processos físicos e mentais surgem e cessam conforme suas condições, e nenhum dos cinco agregados constitui um eu permanente.[7]
Nos nicaias, Buda costuma referir-se a si mesmo como Tathāgata. O título "Buda", que pode ser traduzido como "desperto" ou "iluminado", está documentado desde o século III a.C.[8] A comunidade budista reuniu regras de disciplina monástica no Vinaya Piṭaka e discursos atribuídos a ele no Sutta Piṭaka. Esses textos foram transmitidos oralmente em línguas indo-arianas médias.[9] Gerações posteriores compuseram tratados conhecidos como Abhidharma, biografias, narrativas de vidas anteriores chamadas jātakas e novos discursos, entre eles os sūtras mahāyāna.[10]
O budismo deu origem a tradições como o teravada, o maaiana e o vajrayana, e se espalhou para além do subcontinente indiano. Na Índia, seus mosteiros permaneceram ativos durante a Idade Média, mas a maioria foi abandonada no século XIII; a tradição também se difundiu pelo Sudeste Asiático e pela Ásia Oriental.[11]
Etimologia, nomes e títulos
[editar | editar código]Sidarta Gautama e Buda Shakyamuni
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Na China, na Coreia, no Japão e no Tibete, ele costumava ser conhecido como Buda ou Sakyamuni; no Sri Lanka e no Sudeste Asiático, como Gotama Buda ou Samana Gotama ("o asceta Gotama").[nota 1][12]
Buda significa "desperto" ou "iluminado".[13][nota 2] O termo vem da raiz sânscrita budh (बुध्), que pode significar acordar, perceber, aprender ou tomar consciência.[14] A raiz também permite a imagem de "abrir-se", como uma flor.[15] Assim, Buda é um título, e não um nome pessoal: designa alguém que alcançou bodhi, o despertar.[16] Buddhi, a faculdade de formar conceitos, raciocinar, discernir e compreender,[14] permite distinguir o verdadeiro (satya) do falso.
| Parte de uma série sobre |
| Budismo |
|---|
Gautama (Gotama em páli) era o nome de sua linhagem familiar (gotra); os shakyas eram a comunidade à qual pertencia. Seu nome próprio, Siddhārtha em sânscrito e Siddhattha em páli, significa "aquele que alcança seu objetivo"; as formas registradas em tibetano, chinês, japonês e coreano são, respectivamente, Dhondup, Xidaduo, Shiddatta ou Shittatta e Siltalta.[17] O nome Gautama significa "descendente de Gotama". Entre as interpretações de Gotama estão "aquele que tem mais luz"[18] e "aquele que possui mais vacas". A adoção, por clãs xátrias, dos nomes de seus sacerdotes domésticos também foi proposta para explicar esse nome.[19][20]
Embora Buda apareça nos āgamas e no Cânone Páli, seus testemunhos escritos preservados mais antigos datam de meados do século III a.C., nos Éditos de Asoca.[21] A inscrição do pilar de Lumbini registra a visita de Asoca ao local que identificou como o lugar de nascimento de Buda e emprega a expressão Bu-dha Sa-kya-mu-nī em escrita brami.[22] Śākyamuni, também grafado Sakyamuni ou Shakyamuni (em sânscrito: शाक्यमुनि; [nota 3]), significa "sábio dos shakyas".[23]
Tathāgata
[editar | editar código]Tathāgata ([tɐˈtʰaːɡɐtɐ]) é um termo pelo qual Buda se refere a si mesmo e a outros budas no Cânone Páli.[24] Seu sentido exato é debatido. Pode significar "aquele que assim se foi" (tathā-gata), "aquele que assim veio" (tathā-āgata) ou "aquele que assim não se foi" (tathā-agata). Uma interpretação relaciona o título a alguém que transcendeu o vir e o ir e os fenômenos transitórios.[25] Também é descrito como "imensurável", "inescrutável", "difícil de compreender" e "inapreensível".[26]
Outros epítetos
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Entre os títulos que os discursos antigos atribuem a Buda estão:[27]
- Bhagavato (Bhagavan) — "o Bem-aventurado", um dos epítetos mais frequentes, ao lado de tathāgata.[28]
- Sammāsambuddho — "perfeitamente desperto por si mesmo".
- Vijjā-caraṇa-sampanno — dotado de conhecimento superior e conduta exemplar.
- Sugata — "aquele que bem se foi" ou "aquele que bem falou".
- Lokavidū — conhecedor dos muitos mundos da cosmologia budista.
- Anuttaro purisa-damma-sārathi — instrutor incomparável das pessoas que precisam de orientação.
- Satthā deva-manussānaṃ — mestre dos devas e dos seres humanos.
- Araham — digno de homenagem; relaciona-se a arhat, aquele que superou as impurezas e alcançou a libertação.
- Jina — "vencedor"; embora o termo seja especialmente comum no jainismo, também é um título de Buda.[29]
O Cânone Páli compara a proclamação do darma por Buda ao rugido de um leão; um verso o chama de “rei do darma” (Dhammarāja).[30][31] Em inscrições, a expressão mahāśramaṇa (“grande asceta”) também se refere a Buda.[32]
Fontes
[editar | editar código]Fontes históricas
[editar | editar código]Suttas em páli
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Com base em indícios filológicos,[nota 4] o indólogo Oskar von Hinüber considera que alguns discursos páli preservam topônimos, construções linguísticas e informações históricas muito antigos. Ele situa a composição do Mahāparinibbāṇa Sutta, que descreve os últimos dias de Buda, possivelmente entre 350 e 320 a.C.; nessa hipótese, parte do relato poderia guardar memória de acontecimentos anteriores.[33][34]
John S. Strong considera que alguns fragmentos biográficos dos textos canônicos em páli e de seus paralelos chineses, tibetanos e sânscritos[nota 5] pertencem à camada mais antiga. Entre eles está o Ariyapariyesanā Sutta (Discurso sobre a busca nobre).[35]
Inscrições em pilares e rochas
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Não se conhece registro escrito contemporâneo de Gautama.[nota 6] A partir de meados do século III a.C., porém, os éditos de Asoca mencionam Buda e a comunidade budista. A inscrição do pilar de Lumbini registra a visita do imperador ao lugar identificado como o nascimento de Buda e o chama de Shakyamuni, “sábio dos shakyas”.[37] Outros éditos tratam de lugares e práticas associados ao budismo.[38][nota 7]
O nome Sakamuni aparece também numa inscrição do relevo de Bharhut associado à árvore da bodhi e ao despertar: Bhagavato Sakamunino Bodho, "o despertar do venerável Sakamuni".[39][40]
Manuscritos mais antigos preservados
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Entre os mais antigos manuscritos budistas preservados estão os textos de Gandara, escritos em gandari e datados aproximadamente entre o século I a.C. e o III d.C. Foram encontrados numa região que hoje abrange partes do Paquistão e do Afeganistão.[nota 8][41][42]
Fontes biográficas
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Textos canônicos como o Ariyapariyesanā Sutta (MN 26)[nota 9], o Mahāparinibbāṇa Sutta (DN 16), o Mahāsaccaka Sutta (MN 36), o Mahāpadāna Sutta (DN 14) e o Acchariyabbhuta Sutta (MN 123) narram episódios da vida de Buda, mas não constituem biografias completas. Os jātakas relatam vidas anteriores do bodisatva; parte desse material pode ser antiga.[43]
Versões diferentes da vida de Buda foram reunidas posteriormente em biografias completas, entre elas o Buddhacarita, o Lalitavistara Sūtra, o Mahāvastu e o Nidānakathā. O Buddhacarita, poema de Aśvaghoṣa do século I ou II d.C., é uma das primeiras biografias extensas preservadas; o Lalitavistara é associado à tradição maaiana.[nota 10][44][45][46]
O Mahāvastu, da escola Mahāsāṃghika-Lokottaravāda, foi composto ao longo de um período que pode ter se estendido até o século IV. A tradição Dharmaguptaka preservou uma biografia extensa conhecida como Abhiniṣkramaṇa, transmitida em traduções chinesas. O Nidānakathā, da tradição teravada do Sri Lanka, é atribuído a uma compilação do século V.[47]
A figura histórica
[editar | editar código]Estudo da figura histórica
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Embora muitos detalhes da vida histórica de Buda permaneçam incertos, é geralmente aceito que ele viveu e ensinou na época dos Mahajanapadas, fundou uma comunidade monástica e foi aproximadamente contemporâneo de Bimbisara e Ajātaśatru, governantes de Mágada, e de Mahavira, mestre do jainismo.[nota 11][49]
Ao adaptar as biografias budistas, que combinam lembranças históricas com elementos lendários e sobrenaturais, alguns autores do século XIX eliminaram esses elementos para compor a imagem de um mestre estritamente racional. Pesquisadores posteriores criticaram essa seleção por projetar no passado expectativas modernas e também questionaram a possibilidade de reconstituir uma biografia segura em todos os seus pormenores.[50][51][52]
Rupert Gethin observa que a narrativa tradicional da vida de Buda foi transmitida sobretudo como exemplo de ensinamentos religiosos, e não como uma cronologia histórica no sentido moderno.[53]
Datação
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As datas do nascimento e da morte de Gautama são incertas. Algumas tradições do leste asiático situavam sua morte em 949 a.C.; o sistema Ka-tan, ligado à tradição Kalachakra, a situava por volta de 833 a.C. Essas datas tradicionais não correspondem às cronologias históricas mais usadas atualmente.[54][55]
Na "cronologia longa" preservada em crônicas do Sri Lanka, Buda viveu oitenta anos e morreu 218 anos antes da coroação de Asoca. Ao datar essa coroação de 326 a.C., a tradição situa sua vida entre 624 e 544 a.C., datas ainda usadas em partes do Sri Lanka e do Sudeste Asiático. Se a coroação for situada por volta de 268 a.C., como indicam outras evidências, a mesma contagem resultaria em cerca de 566 a 486 a.C.[nota 12][56]
A "cronologia curta", baseada em outras fontes indianas e em traduções chinesas e tibetanas, situa a morte de Buda cerca de cem anos antes da coroação de Asoca. Com a coroação estimada em 268 a.C. e uma vida de oitenta anos, o cálculo aponta aproximadamente para 448 a 368 a.C.[57]
No início do século XX, muitos historiadores adotavam as datas aproximadas de 563 a 483 a.C. Pesquisas posteriores frequentemente situaram a morte mais perto de 400 a.C.[58] Num encontro acadêmico realizado em 1988, a maioria das propostas ficou no intervalo de cerca de vinte anos antes ou depois dessa data. Não há consenso definitivo.[59][nota 13][61][62][nota 14]
Os reinados de Bimbisara e Ajātaśatru também recebem datas diferentes conforme a cronologia adotada: na longa, Bimbisara teria reinado aproximadamente entre 558 e 492 a.C., seguido por Ajātaśatru; na curta, os reinados são situados mais tarde. K. T. S. Sarao, que defende uma vida de Buda aproximadamente entre 477 e 397 a.C., propõe para Bimbisara cerca de 457 a 405 a.C. e para Ajātaśatru cerca de 405 a 373 a.C.[65][nota 15][66][67]
Evidências arqueológicas
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A Estupa das relíquias de Vaishali, em Biar, pode ter origem no século V a.C. Seu núcleo de argila foi revestido e ampliado em tijolos em fases posteriores. A relação entre a construção e uma coluna mauria do século III a.C., bem como a remoção de relíquias ali depositadas, foi comparada à tradição de que Asoca redistribuiu relíquias atribuídas a Buda. A datação e a interpretação do sítio dependem da análise arqueológica.[nota 16][68]
Em escavações realizadas em 2011 e 2012 no templo de Maya Devi, em Lumbini, arqueólogos encontraram vestígios de uma estrutura de madeira e de raízes. Uma publicação de 2013 apresentou datações que podem situar fases do local no século VI a.C. A interpretação dessas evidências como testemunho de um santuário budista tão antigo permanece discutida.[nota 17][69][70]
Contexto histórico
[editar | editar código]Shakyas
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Segundo a tradição, Shakyamuni pertencia aos shakyas, comunidade estabelecida perto do Himalaia, na região entre o atual Nepal e a Índia. Sua organização política é descrita por alguns estudiosos como uma pequena república oligárquica,[nota 18] na qual o pai de Gautama exercia uma função de chefia. Os shakyas ocupavam uma posição periférica em relação aos centros bramânicos do período, e suas origens continuam debatidas.[nota 19][nota 20][71][72][73] Alguns pesquisadores relacionam práticas religiosas dos shakyas, como a veneração de árvores e bosques e o culto a espíritos yaksha e seres serpentinos naga, a elementos presentes no budismo posterior. Estupas e árvores da bodhi também se tornaram importantes na devoção budista.[72]
Shramanas
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A vida de Buda coincidiu com a atuação de diversas correntes de ascetas itinerantes[nota 21] (śramaṇa), entre elas os ājīvikas, os cārvākas, os jainistas e os ajñānas. Textos budistas mencionam debates com mestres como Mahavira, Purana Kassapa, Makkhali Gosala, Ajita Kesakambali, Pakudha Kaccayana e Sanjaya Belatthaputta. O Brahmajāla Sutta reúne numerosas posições filosóficas atribuídas ao período.[74][75][76][nota 22]
Sāriputta e Moggallāna, futuros discípulos destacados de Buda, são descritos como antigos seguidores de Sañjaya Belaṭṭhiputta. Os discursos páli frequentemente narram debates entre Buda e outras escolas. Indícios filológicos sugerem que seus mestres Āḷāra Kālāma e Uddaka Rāmaputta podem ter sido pessoas históricas que lhe ensinaram práticas meditativas. Nesse ambiente, Buda foi um dos diversos mestres śramaṇa, embora seus ensinamentos também criticassem formas extremas de ascetismo.[78]
Jainistas e budistas usavam estupas, enquanto santuários associados a árvores ocorriam também em práticas hindus.[79]
Ambiente urbano e igualitarismo
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O surgimento do budismo coincidiu com a chamada Segunda urbanização da Índia, período de crescimento das cidades e dos estados na bacia do Ganges. Para Romila Thapar, os ensinamentos de Buda também responderam a essas transformações. Embora os mendicantes[nota 23] renunciassem à vida doméstica, dependiam de doações de moradores de aldeias e centros urbanos.[80]
A ocupação da bacia do Ganges avançou de diferentes direções, com expansão agrícola e desmatamento. A região do médio Ganges, onde se situava Pataliputra, diferia culturalmente das áreas a oeste mais fortemente associadas à tradição védica. Budistas e jainistas questionaram hierarquias de nascimento e encontraram apoio nos centros urbanos e entre grupos ligados ao comércio.[81]
Biografia semilendária
[editar | editar código]Natureza das representações tradicionais
[editar | editar código]Nos primeiros textos budistas, os nikāyas e os āgamas, Buda rejeita a afirmação de que possuía um conhecimento total e ininterrupto[nota 24]. Segundo Bhikkhu Anālayo, a atribuição de onisciência em sentido mais forte ganhou espaço em textos e comentários posteriores.[85][86][87][88]
As biografias tradicionais de Gautama relatam numerosos milagres, presságios e acontecimentos sobrenaturais.[nota 25] Nelas, Buda frequentemente aparece como um ser transcendente (lokottara), livre das limitações comuns. O Mahāvastu atribui-lhe, ao longo de vidas sucessivas, poderes extraordinários, como um nascimento sem dor e a capacidade de andar imediatamente após nascer.[89]
Os textos budistas oferecem mais detalhes sobre os ensinamentos atribuídos a Gautama do que sobre a cronologia de sua vida. Também descrevem a cultura e o cotidiano da Índia antiga; alguns desses elementos encontram paralelos nos textos jainistas.[90]
Vidas anteriores
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Biografias lendárias como o Buddhavaṃsa, em páli, e o Jātakamālā, em sânscrito, descrevem centenas de vidas do futuro Buda, chamado então de bodisatva. Muitas dessas vidas são narradas nos jātakas, histórias que relacionam acontecimentos do presente a uma vida anterior.[nota 26][91][92][93]
Os jātakas atribuem ao passado do bodisatva uma longa trajetória cármica[nota 27] e explicam seu caminho até o despertar. O Buddhavaṃsa apresenta esse percurso como árduo, estendido por quatro períodos incalculáveis (asaṃkheyyas).[94]
Nessas narrativas, o bodisatva renasce muitas vezes como ser humano ou animal. Depois de encontrar budas anteriores, faz votos[nota 28] (praṇidhāna) de tornar-se um buda e recebe previsões sobre seu futuro despertar. Uma história conhecida relata o encontro com Dīpaṅkara, que lhe faz essa previsão.[95]
O comentário páli aos jātakas e o Jātakamālā também descrevem as perfeições (pāramitā) cultivadas pelo futuro Buda. Algumas histórias atribuem dificuldades de sua última vida às ações negativas de vidas anteriores.[96]
Na sucessão de budas descrita nos discursos páli, Buda Kassapa precede Gautama; a tradição também anuncia o futuro aparecimento de Maitreia (Metteyya em páli).[97][98]
Nascimento e infância
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Segundo a tradição budista, Gautama nasceu em Lumbini, no atual Nepal, e cresceu em Kapilavastu. A localização exata da antiga Kapilavastu é incerta: entre as possibilidades estão Piprahwa, na Índia, e Tilaurakot, no Nepal, separadas por cerca de 24 quilômetros. Ambas se situavam no território dos shakyas.[nota 19][99][100][nota 29][101][nota 30][102][nota 19]

Em meados do século III a.C., o imperador Asoca visitou Lumbini e mandou erguer um pilar cuja inscrição identifica o lugar como o nascimento de Buda, o sábio dos shakyas.[103]
Biografias posteriores, como o Mahāvastu e o Lalitavistara, apresentam Maya, esposa de Sudodana, como uma princesa de Devadaha, capital dos koliyas. Segundo a lenda, ela sonhou que um elefante branco de seis presas entrava pelo lado direito de seu corpo antes de conceber Sidarta.[104]
A tradição situa o nascimento de Sidarta durante uma viagem de Maya, sob uma árvore no jardim de Lumbini. Os textos budistas mais antigos o apresentam como membro de uma família kshatriya[nota 31] do clã Gautama, pertencente aos shakyas, cuja região ficava perto da atual fronteira entre Índia e Nepal. Seu pai, Sudodana, teria sido um chefe eleito da comunidade, cuja capital era Kapilavastu.[105][nota 32][106]
Embora os textos mais antigos digam pouco sobre a infância de Gautama, biografias posteriores o retratam como um príncipe que, apesar da vida protegida no palácio, passou a questionar a condição humana. Elas descrevem Sudodana como monarca hereditário da dinastia solar; essa representação é considerada improvável por estudiosos que interpretam a organização política dos shakyas como uma oligarquia.[107][nota 33][108]
O nascimento, o despertar e a morte de Buda são lembrados na festa de Vesak em vários países teravada. No Nepal, em Bangladesh e na Índia, a comemoração do nascimento também é chamada de Buddha Purnima e ocorre na lua cheia.[109][110]
Segundo biografias tardias, o eremita Asita examinou o recém-nascido e reconheceu nele os trinta e dois sinais de um grande homem. Predisse que a criança se tornaria um soberano universal[nota 34] (chakravartin) ou um grande mestre religioso. Numa cerimônia realizada no quinto dia, brâmanes convidados por Sudodana teriam feito previsões semelhantes.[111]
Os primeiros textos sugerem que Gautama iniciou sua busca espiritual ao refletir sobre a velhice, a doença e a morte. Fontes de diferentes escolas budistas e relatos posteriores dizem que teve uma esposa, Yasodhara, e um filho, Rahula.[112]
Biografias lendárias como o Lalitavistara também lhe atribuem grande habilidade marcial, demonstrada em competições com outros jovens shakyas.[113]
Renúncia
[editar | editar código]Gautama deixa a vida doméstica em busca de um objetivo espiritual nos textos mais antigos; biografias posteriores apresentam uma narrativa mais extensa e dramática de sua renúncia.[nota 35][114]
Entre os relatos mais antigos dessa busca estão o Ariyapariyesanā Sutta (MN 26) e um texto paralelo preservado em chinês. Gautama explica que, estando sujeito à velhice, à doença e à morte, procurou uma condição livre desses males. Os textos também o apresentam como um jovem que saiu de casa apesar do sofrimento dos pais.[115][116][117]

Nas biografias lendárias, Gautama conhece o mundo exterior após uma juventude protegida no palácio. Ao encontrar um idoso, um doente, um cadáver e um asceta, toma consciência do sofrimento e da possibilidade de uma vida de renúncia. Esses encontros são conhecidos como os quatro encontros.[118]
Segundo essas narrativas, pouco depois de ver os quatro encontros, Gautama acordou à noite e encontrou as criadas adormecidas em posições que lhe lembraram cadáveres. A cena reforçou sua percepção da impermanência[nota 36] e sua decisão de partir.[119]
Acompanhado por Chandaka e montado no cavalo Kanthaka, Gautama teria deixado o palácio, a esposa e o filho. Chegou ao rio Anomā, cortou o cabelo e despediu-se do servo e do cavalo. Algumas versões dizem que vestiu ali o manto de asceta, recebido de uma divindade.[120]
Segundo as biografias lendárias, Gautama foi a Rājagaha mendigar alimentos. O rei Bimbisara, de Mágada, ofereceu-lhe parte de seu reino. Gautama recusou, mas prometeu visitá-lo depois de alcançar seu objetivo espiritual.[121]
Vida ascética e despertar
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O Majjhima Nikāya 4 relata que Gautama viveu em florestas remotas e assustadoras durante sua busca espiritual, aprendendo a superar o medo. Outros textos dizem que estudou meditação com dois mestres. Segundo o Ariyapariyesanā Sutta (MN 26) e um texto chinês paralelo, dominou os ensinamentos de Āḷāra Kālāma, mas julgou que eles não conduziam à libertação.[122]
Gautama tornou-se então discípulo de Uddaka Rāmaputta, com quem alcançou um estado meditativo chamado esfera de nem percepção nem não percepção.[nota 37] Também considerou esse resultado insuficiente para pôr fim ao sofrimento e prosseguiu a busca.[123]
Depois de deixar seus mestres, Gautama praticou austeridades intensas,[nota 38] segundo alguns sutras. Os relatos mencionam exercícios de controle da respiração e uma restrição alimentar que o deixou extremamente magro. Por fim, abandonou essas práticas ao concluir que não o levariam ao despertar.[124][nota 39][125][126]
Segundo o relato, seus cinco companheiros o deixaram quando ele abandonou o ascetismo rigoroso. Gautama recordou então uma experiência meditativa da infância, sob uma árvore enquanto seu pai trabalhava, e passou a considerar dhyāna[nota 40] um caminho para a libertação.[nota 41][127][nota 42][129][130][nota 43]
O Dhammacakkappavattana Sutta (SN 56) atribui ao Tathāgata a descoberta do Caminho do Meio, distante tanto da entrega aos prazeres quanto da mortificação do corpo. Esse caminho é apresentado como o Nobre Caminho Óctuplo. Em textos posteriores, Gautama aparece cada vez mais sob o título de Buda, "o desperto".[131][132][133]

Textos paralelos antigos relatam que Gautama se sentou decidido a não se levantar antes de alcançar o despertar pleno. O Ariyapariyesanā Sutta, porém, fala da realização do nirvana sem descrever essa decisão. A tradição situa o acontecimento sob uma figueira-da-índia, depois chamada árvore da bodhi, em Bodh Gaya.[134]
Textos do Cânone Páli narram que Buda permaneceu sete dias sob a árvore da bodhi, experimentando a felicidade da libertação. Ainda junto ao rio Nairañjanā, teria meditado sobre a originação dependente, as faculdades espirituais e o sofrimento.[135]
Biografias lendárias como o Mahāvastu, o Nidānakathā e o Lalitavistara narram a tentativa de Māra, senhor do reino do desejo, de impedir o despertar. Ele envia as filhas para seduzir Gautama e um exército para atacá-lo. Gautama resiste e convoca a terra como testemunha.[136]
Primeiro sermão e formação da sanga
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Segundo o MN 26, Buda hesitou em ensinar após o despertar. Considerava difícil transmitir a pessoas dominadas pela ignorância, pela avidez e pela aversão uma verdade sutil e profunda. O deus Brahmā Sahampati o persuadiu, lembrando que alguns seriam capazes de compreendê-la.[137]
Buda pensou primeiro em procurar seus antigos mestres, Āḷāra Kālāma e Uddaka Rāmaputta, mas soube que ambos tinham morrido. Dirigiu-se então aos cinco ascetas que antes o acompanhavam. A caminho de Varanasi, encontrou o asceta Upaka e lhe anunciou sua realização; Upaka não se tornou seu discípulo naquele momento.[138]
Buda encontrou os cinco ascetas no Parque dos Cervos, em Sarnath, perto de Varanasi, e os convenceu de que havia alcançado o despertar. Várias tradições budistas situam ali seu primeiro discurso, sobre o Caminho do Meio e as Quatro Nobres Verdades; o MN 26 apresenta os acontecimentos de modo diferente.[nota 44][139][140][nota 33]
Fontes como o Mahāvastu e diferentes versões do Vinaia também relatam que Buda ensinou aos ascetas a doutrina do não eu. Segundo essas narrativas, os demais integrantes do grupo alcançaram então a condição de arhat.[141][139]
Os textos do Vinaia narram ainda a conversão de Yasa, filho de um chefe de guilda, e de seus amigos e parentes.[nota 45] Também relatam que três irmãos chamados Kassapa se juntaram à comunidade com centenas de antigos ascetas de cabelos emaranhados.[142][139][143][139]
Ao fim da estação chuvosa,[nota 46] a comunidade contava, segundo a tradição, cerca de sessenta monges que haviam alcançado o despertar. Buda os enviou a diferentes lugares para ensinar e admitir novos membros, em benefício das demais pessoas.[144][139]
Viagens e crescimento da sanga
[editar | editar código]Segundo a tradição, Buda passou cerca de quatro décadas e meia viajando pela planície indo-gangética, em regiões hoje pertencentes à Índia e ao Nepal. Ensinou a reis, ascetas, trabalhadores e pessoas de diferentes posições sociais. Entre os personagens de seus relatos estão Angulimala e Āḷavaka.[145][nota 33][146]
Na tradição teravada, Buda ensinava numa língua corrente na região de Mágada.[147][148]
A sanga viajava durante boa parte do ano, mas seus integrantes permaneciam num só lugar durante a estação das chuvas, período chamado vassa. Além das dificuldades da viagem, procuravam evitar danos à vegetação e aos animais. Nessas residências temporárias, os monges podiam conviver com apoiadores leigos.[nota 47][149][150]
A tradição situa a primeira residência da estação chuvosa em Varanasi, quando a sanga se formou. Pouco depois, Buda teria ido a Rājagaha, capital de Mágada, onde o rei Bimbisara doou à comunidade um bosque de bambus.[151]
Durante as viagens da comunidade pelo norte da Índia, os textos narram que Sāriputta e Mahāmoggallāna, antes discípulos do asceta Sañjaya Belaṭṭhiputta, aderiram aos ensinamentos de Buda após encontrar Assaji. Também relatam a entrada de Rahula na ordem monástica durante uma visita de Buda a Kapilavastu.[152]
Entre os primeiros apoiadores leigos citados nos textos está o comerciante Anāthapiṇḍika. Segundo a tradição, ele adquiriu e doou à sanga o bosque de Jeta, conhecido como Jetavana.[153]
Formação da ordem das monjas
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Os textos antigos preservam versões diferentes da criação de uma ordem de monjas (bhikkhunī) durante o crescimento da comunidade budista.[nota 48]
Nas diferentes versões antigas examinadas por Anālayo, Mahāpajāpatī Gotamī, madrasta de Buda, pede para ser ordenada junto com outras mulheres. Buda recusa inicialmente. Elas raspam a cabeça, vestem os mantos e passam a seguir a comunidade. Por intervenção de Ānanda, a ordem das monjas acaba sendo formada; os relatos divergem quanto às condições impostas.[154]
Segundo Anālayo, o argumento comum às versões é que as mulheres podem alcançar todos os estágios do despertar. A autenticidade da lista atual das oito regras chamadas garudhammas[nota 49] é debatida por estudiosos devido a inconsistências entre os relatos.[155]
Anālayo considera que a vulnerabilidade de mulheres viajando sem a proteção de familiares pode ajudar a explicar a hesitação atribuída a Buda. Nessa interpretação, algumas regras visavam associar a nova ordem feminina à comunidade masculina já estabelecida.[156]
Últimos anos
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Segundo John S. Strong, Buda parece ter passado grande parte das últimas décadas de ensino em Śrāvastī, capital de Kosala.[157]
À medida que a sanga cresceu, regras comuns de vida monástica, com preceitos éticos e aspectos cotidianos como o uso de tigelas e mantos, foram reunidas em diferentes versões do Prātimokṣa e recitadas periodicamente pela comunidade.[nota 50][nota 33][158]
Os textos antigos situam Buda em cerimônias promovidas por governantes e membros de seu clã. Também relatam que Ajātaśatru tomou o trono de Mágada de seu pai, Bimbisara, e que a expansão do reino passou a afetar os territórios vizinhos.[159][160]
Durante suas viagens, Buda encontrou integrantes de outras correntes śramaṇa e discutiu seus ensinamentos. O Sāmaññaphala Sutta menciona seis mestres de escolas rivais.[161]
Alguns textos antigos apresentam Buda idoso sofrendo de dores nas costas e confiando parte da instrução aos discípulos para poder descansar. Ele teria continuado a ensinar até os últimos anos.[162]
As fontes antigas narram uma tentativa de Devadatta, primo de Buda, de assumir a liderança da comunidade. Ele saiu da sanga com um grupo de monges e procurou formar uma ordem separada, apoiada, segundo alguns relatos, por Ajātaśatru. Textos páli também lhe atribuem tentativas frustradas de matar Buda.[163]
As versões do Vinaia concordam em apresentar Devadatta como responsável por uma divisão, mas divergem sobre o motivo. As fontes da tradição Sthavira destacam cinco exigências de ascetismo mais rigoroso; o Vinaia Mahāsāṃghika descreve um desacordo mais amplo, que envolve a alteração de discursos e regras.[164]
Na mesma época, segundo os relatos, Mágada, sob Ajātaśatru, entrou em guerra com Kosala, governado pelo já idoso Pasenadi. Ajātaśatru parece ter saído vitorioso; os textos descrevem a reação de Buda ao conflito.[165]
Últimos dias e parinirvana
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O principal relato dos últimos dias, da morte e dos acontecimentos subsequentes é o Mahaparinibbana Sutta (DN 16). Há versões paralelas preservadas em sânscrito, chinês e tibetano.[166]
O Mahāparinibbāṇa Sutta situa os últimos tempos de Buda em meio aos planos de Ajātaśatru de atacar a confederação Vajji; o governante envia um ministro para ouvir Buda. Este enumera condições para a prosperidade dos vajjis e as aplica, em seguida, à preservação da comunidade budista.[167][nota 33]
Buda recomenda à sanga reuniões frequentes e harmoniosas, respeito às regras e aos membros mais antigos, moderação dos desejos, apreço pela vida contemplativa e atenção à própria conduta. Apresenta ainda outras práticas que, segundo o relato, ajudariam a comunidade a perdurar.[168]
Os textos situam a morte dos principais discípulos Sāriputta e Mahāmoggallāna pouco antes da de Buda. O Mahāparinibbāṇa Sutta descreve uma doença da qual Buda se recupera temporariamente. Ao ser perguntado por Ānanda sobre a sucessão, afirma que a comunidade deve ter o darma e a disciplina como orientação.[nota 51][169]
No discurso, Buda diz a Ānanda que ensinou sem reservar uma doutrina secreta e que não designaria alguém para governar a comunidade. Descreve a própria velhice e recomenda que os discípulos encontrem refúgio em si mesmos e no darma.[170]

Buda recebeu sua última refeição de Cunda, um ferreiro, e adoeceu gravemente depois dela. Pediu a Ānanda que não deixasse Cunda sentir-se culpado: oferecer a última refeição a um buda seria, segundo o relato, uma ação de grande mérito.[nota 52] A causa da doença e sua relação com o alimento são debatidas.[nota 53][171][172][173]
Não há consenso sobre o alimento oferecido por Cunda, devido às diferentes tradições textuais e à ambiguidade de um termo páli. Na tradição teravada, costuma-se interpretá-lo como um preparo de porco; outras interpretações o identificam como cogumelos ou trufas. O debate também se relaciona a diferentes posições budistas sobre o consumo de carne.[174][nota 54][175]

Depois da refeição, Buda e seus companheiros seguiram viagem até que ele precisou parar em Kusinārā. Ānanda preparou-lhe um leito entre árvores sāla. Buda anunciou a proximidade do parinirvana e, segundo o relato, admitiu pessoalmente um último discípulo na ordem.[nota 55][176]
Buda entrou em meditação e morreu, alcançando o parinirvana, entendido como a cessação final dos agregados após a morte de uma pessoa liberta.[nota 56] O Mahāparinibbāṇa Sutta descreve a passagem pelos quatro estados de dhyāna e pelas realizações imateriais antes da morte.[177]
Acontecimentos após a morte
[editar | editar código]Segundo o Mahāparinibbāṇa Sutta, os mallas de Kusinārā honraram o corpo de Buda com flores, música e perfumes. A cremação aguardou a chegada do monge Mahākassapa, que lhe prestou homenagem.[178][nota 33][179]
Após a cremação, as relíquias atribuídas a Buda foram divididas entre grupos do norte da Índia, entre eles os de Mágada, dos shakyas e dos koliyas. Foram depositadas em estupas. Séculos depois, segundo a tradição, o imperador Asoca redistribuiu parte delas por novos monumentos de seu império.[180][181][182]
Fontes budistas situam o Primeiro Concílio Budista pouco depois da morte de Buda. Nele, sob a presidência de Mahākassapa, os ensinamentos teriam sido recitados e reunidos para transmissão. A historicidade dos relatos tradicionais sobre esse concílio é debatida.[nota 57][183]
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Cronologia: Desenvolvimento e propagação das tradições budistas (ca. 450 a.C. – ca. 1300 d.C.). | |||||||||||||||||||
| 450 a.C. | 250 a.C. | 100 d.C. | 500 d.C. | 700 d.C. | 800 d.C. | 1200 d.C. | |||||||||||||
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| Escolas iniciais do Budismo | Mahayana | Vajrayana | |||||||||||||||||
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| Budismo Teravada |
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Budismo Tibetano | |||||||||||||||||
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| Chán, Tendai, Terra Pura, Zen, Nichiren | |||||||||||||||||||
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| 450 a.C. | 250 a.C. | 100 d.C. | 500 d.C. | 700 d.C. | 800 d.C. | 1200 d.C. | |||||||||||||
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Locais de peregrinação
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O Mahāparinibbāṇa Sutta recomenda a visita aos lugares do nascimento, do despertar, do primeiro ensinamento e do parinirvana de Buda, sem lhes dar nomes nessa passagem.[185] A tradição identifica esses locais, respectivamente, com Lumbini, Bodh Gaya, Sarnath e Kushinagar.[186] Essa identificação não resolve, por si só, as questões históricas sobre os episódios narrados.
Ensinamentos e ideias
[editar | editar código]É difícil reconstruir os ensinamentos de Buda e determinar em que medida as doutrinas budistas posteriores remontam a ele. Alguns estudiosos situam a formulação de conceitos centrais, como as Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo, depois de sua vida; também se discute em que medida Buda se dedicou à investigação filosófica. Os primeiros textos preservados já refletem comunidades budistas com tradições próprias.[187][188]
Historicidade
[editar | editar código]Estudos sobre os primeiros ensinamentos
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Para investigar o budismo mais antigo, estudiosos comparam o Cânone Páli a textos preservados de outras escolas, entre elas Sarvastivada, Mulasarvastivada, Mahisasaka e Dharmaguptaka, e aos āgamas chineses. Há divergências sobre a confiabilidade desses materiais e sobre a possibilidade de reconstruir, a partir deles, um núcleo anterior à separação das escolas.[nota 58] Entre as posições sobre esse problema estão:[189][190][191][192]
- A defesa de que uma parte substancial dos primeiros discursos preserve ensinamentos anteriores à separação das escolas.[nota 59]
- O ceticismo quanto à possibilidade de reconstruir com segurança o que o próprio Buda ensinou.[nota 60]
- A reconstrução cautelosa de algumas ideias antigas, sem pressupor que as formulações preservadas sejam as palavras exatas de Buda.[nota 61]
Richard Gombrich, Akira Hirakawa, Alexander Wynne e A. K. Warder consideram possível que parte dos primeiros textos preserve ensinamentos de Buda. Gombrich argumenta que a coerência e a originalidade do conjunto principal de discursos indicam a contribuição decisiva de uma pessoa. Peter Harvey também considera que alguns conteúdos podem remontar ao mestre histórico.[193][116][194][195][196][197]
Outros estudiosos aceitam que os textos antigos contenham ensinamentos de Buda, mas duvidam da autenticidade de passagens específicas. Ainslie Embree observa que muitos discursos atribuídos a ele podem ter sido elaborados por mestres posteriores. Tilmann Vetter propôs que a experiência de libertação por meio da meditação ocupava o centro do ensino mais antigo.[198][199][nota 62][200][nota 63]
Para Vetter, as Quatro Nobres Verdades, o Caminho Óctuplo e a originação dependente teriam sido formulados mais tarde para explicar essa experiência. Lambert Schmithausen também questiona a antiguidade da associação entre as quatro verdades e a percepção libertadora após os quatro estados de dhyāna. Johannes Bronkhorst duvida que as quatro verdades fossem centrais no budismo mais antigo.[201]
Edward Conze considerou especulativas as tentativas de reconstruir os ensinamentos originais de Buda.[202]
Ensinamentos centrais
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Entre os temas recorrentes nos primeiros textos estão os fatores mentais que mantêm os seres no samsara, as seis bases dos sentidos e os cinco agregados, a originação dependente, a impermanência e a ausência de um eu permanente. Os textos também descrevem um caminho de conduta ética, meditação e sabedoria orientado para a libertação. A antiguidade e a interpretação de cada formulação são debatidas.[203]
Os textos páli teravada têm paralelos com o Śālistamba Sūtra, associado à escola Mahāsāṃghika.[204] Há amplas semelhanças doutrinais entre o Majjhima Nikāya teravada e o Madhyama Āgama sarvastivada. Os manuscritos de Gandara também contêm ensinamentos compatíveis com o budismo antigo anterior ao maaiana.[205][206]
Samsara
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Nos discursos páli, a ignorância e o desejo mantêm os seres no samsara, o ciclo de renascimentos. Entre os fatores que o perpetuam estão os grilhões[nota 64] (saṃyojana), as formações (saṅkhāra), as aflições mentais (kleśa) e os influxos (āsava). Os textos descrevem esse ciclo como sem começo discernível.[207]
O samsara é marcado por dukkha, termo frequentemente traduzido como "sofrimento", mas que também expressa insatisfação ou incapacidade de encontrar segurança duradoura. O apego a coisas impermanentes e a busca de satisfação estável nelas contribuem para essa condição. A libertação do ciclo é apresentada como objetivo do caminho budista.[208]
O carma relaciona ações intencionais e suas consequências, sem ser apresentado como a única causa das condições vividas: os textos também mencionam fatores físicos e ambientais.[nota 65] A ênfase de Buda na intenção distingue sua explicação do carma de certas concepções bramânicas e jainistas centradas no ato físico ou ritual.[209]
As seis bases dos sentidos e os cinco agregados
[editar | editar código]As seis bases dos sentidos e os cinco agregados descrevem aspectos da experiência a partir dos quais surgem contato, sensação e apego. As bases compreendem o olho e as formas visíveis, o ouvido e os sons, o nariz e os odores, a língua e os sabores, o corpo e os objetos tangíveis, a mente e os objetos mentais.[nota 66] Os agregados são forma, sensação, percepção, formações mentais e consciência.[nota 67] Nenhum deles, segundo esses ensinamentos, constitui um eu permanente.[210][211][212][213]
Originação dependente
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Nos primeiros textos, a originação dependente explica o surgimento de dukkha por condições relacionadas entre si: a fórmula "quando isto existe, aquilo surge" afirma que um fenômeno depende de outros e cessa quando deixam de existir as condições necessárias.[nota 68][214]
Na explicação da originação dependente, a ignorância leva à identificação dos processos físicos e mentais como "eu" e "meu". Daí surgem desejo e aversão, que reforçam o apego e condicionam novos renascimentos.[215]
Muitos textos desenvolvem a fórmula numa sequência de fatores condicionados, frequentemente apresentada em doze elos, da ignorância à velhice e à morte. Há diferentes análises sobre a formação e o significado histórico dessas listas.[216][nota 69][217][218][219][nota 70][220][221][222][nota 71]
Anatta
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A análise da originação dependente é apresentada como um Caminho do Meio entre o eternalismo,[nota 72] que postula uma essência imutável, e o aniquilacionismo, segundo o qual a pessoa simplesmente deixa de existir na morte. Em vez de uma substância permanente, os textos descrevem uma continuidade causal de processos físicos e mentais mutáveis.[223]
No Anattalakkhaṇa Sutta e em textos paralelos, o argumento contra um eu imutável é desenvolvido a partir dos cinco agregados. Forma, sensação, percepção, formações mentais e consciência mudam e não podem ser controladas de modo absoluto; por isso não devem ser tomados como "eu" ou "meu".[224][225][226][227]
Segundo esses ensinamentos, a identificação com fenômenos mutáveis e a incompreensão de sua natureza alimentam o apego e o sofrimento. Rupert Gethin descreve a pessoa como um fluxo de fenômenos físicos e mentais: sua análise não revela um eu permanente por trás deles.[228]
A doutrina do não eu divergia de teorias contemporâneas que postulavam uma essência pessoal imutável, como o jīva jainista e certas concepções bramânicas de ātman e puruṣa. Ainda assim, a ausência de um eu permanente não elimina, no budismo, a continuidade causal entre ações e resultados, inclusive entre vidas sucessivas.[229]
O caminho para a libertação
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Buda ensinou um caminho (mārga) para abandonar os fatores que prendem ao samsara e alcançar vimutti, a libertação. O Dhammacakkappavattana Sutta o apresenta como um Caminho do Meio entre a busca de prazeres sensuais e a mortificação do corpo.[230]
As Quatro Nobres Verdades são uma apresentação conhecida desse ensinamento e incluem o Nobre Caminho Óctuplo. Outros textos resumem a prática como o abandono dos cinco obstáculos, o cultivo dos quatro fundamentos da atenção plena e o desenvolvimento dos sete fatores do despertar.[231][nota 73][232]
O Samaññaphala Sutta apresenta o treinamento gradual descrito nos nikāyas e āgamas, em que cada prática prepara a seguinte.[nota 74][233][nota 75][234][nota 76]
No caminho, o cultivo (bhāvanā) de qualidades benéficas inclui conduta ética (śīla), contenção dos sentidos, atenção plena (sati), compreensão clara (sampajañña) e meditação (dhyāna). Essas práticas conduzem a estados de maior concentração e equanimidade, apoiados por outras formas de treinamento.[235][nota 77]
Influências jainistas e bramânicas
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Diferentes textos apresentam Buda como discípulo de Āḷāra Kālāma e Uddaka Rāmaputta. Alexander Wynne vê nesses mestres praticantes de ioga bramânica com ideias próximas às das Upanixades. Johannes Bronkhorst relaciona algumas austeridades atribuídas a Gautama a práticas existentes entre outros ascetas da época.[236]
Para Richard Gombrich, os ensinamentos budistas sobre carma e renascimento reelaboram ideias anteriores presentes em fontes jainistas e bramânicas, como a Brihadaranyaka Upanishad. A concepção de samsara e a busca da libertação também circulavam em outros meios religiosos. Entre as formulações budistas estão a impermanência, a insatisfação e a ausência de um eu permanente.[237][nota 78]
K. R. Norman considera possível que o termo brahmavihāra, empregado para designar práticas de cultivo de benevolência, compaixão, alegria pelo bem alheio e equanimidade, tenha uma origem bramânica. O budismo o empregou em seu próprio contexto de prática.[238]
Vida errante
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Os primeiros textos apresentam a vida errante, celibatária[nota 79] e sem propriedade como ideal para os monges (bhikkhus). Segundo as regras, eles deveriam possuir apenas os objetos necessários, como a tigela de esmolas e os mantos, e depender de doações para viver.[239]
As regras da vida monástica atribuídas a Buda foram preservadas nas coleções do Vinaia de diferentes escolas budistas antigas.[240]
Monges e monjas deveriam obter alimentos por esmola e seguir restrições sobre seu armazenamento, o horário das refeições e a posse de ouro, prata ou outros objetos de valor. As regras específicas variam entre as coleções do Vinaia.[241][242]
Sociedade
[editar | editar código]Crítica ao bramanismo
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Johannes Bronkhorst observa que os brâmanes não exerciam posição dominante na região em que Buda ensinava. Os primeiros textos, contudo, mostram Buda em diálogo com concepções e práticas bramânicas, que ele por vezes reinterpretava ou criticava.[243][nota 80]
Na tradição bramânica, os Vedas eram considerados revelação de autoridade permanente (śruti).[nota 81] Buda não aceitou que sua autoridade ou eficácia espiritual decorresse de uma origem divina.[244]
Buda também questionou a capacidade de ritos bramânicos de produzir libertação. No Udāna, contrapôs a pureza decorrente da verdade e da conduta moral àquela atribuída ao banho ritual. Os textos registram críticas aos sacrifícios de animais e apresentam o darma como ensinamento aberto.[nota 82][244][nota 83]
Buda contestou ainda a superioridade espiritual baseada no nascimento e a ideia de que determinados grupos fossem intrinsecamente puros ou impuros.[244]
No Vāseṭṭha Sutta, as diferenças sociais entre pessoas são associadas às ações e ocupações, não a uma natureza determinada pelo nascimento.[nota 84] Nessa perspectiva, a palavra "brâmane" pode designar alguém que cultivou a virtude, independentemente de sua origem familiar.[245][nota 85][244]
O Aggañña Sutta afirma que pessoas de qualquer classe podem agir bem ou mal e propõe uma narrativa social para a formação das classes, em desacordo com explicações que as atribuíam a uma ordem divina. A interpretação política e o alcance histórico dessas passagens são discutidos por estudiosos.[246][247][244][248][249]
Ensinamentos sociais e políticos
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Embora a libertação espiritual seja seu objetivo principal, os primeiros textos também apresentam relatos em que a autoridade política surge da necessidade de resolver conflitos e os governantes são avaliados por sua conduta ética.[250]
O Aggañña Sutta descreve a escolha de um governante pela comunidade e explica socialmente o surgimento das classes. Matthew J. Moore compara essa narrativa a uma teoria de contrato social, ressalvadas as diferenças de contexto e finalidade.[251]
Textos como o Cakkavatti-Sīhanāda Sutta e o Mahāsudassana Sutta apresentam o governante ideal, o cakkavatti, cuja legitimidade depende da conduta moral e da proteção de seus súditos segundo o darma.[251][nota 86]
No Mahāparinibbāṇa Sutta, Buda enumera práticas que, segundo o relato, favoreceriam a prosperidade dos vajjis: reuniões frequentes, decisões harmoniosas e respeito às instituições. Recomenda princípios semelhantes à comunidade monástica.[251]
Felicidade na vida cotidiana
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Além da libertação final, os discursos páli tratam da felicidade e da organização da vida cotidiana dos leigos (sukha).[nota 87][252]
O Sigālovāda Sutta (DN 31) apresenta deveres recíprocos em seis tipos de relação: pais e filhos, professores e alunos, cônjuges, amigos, empregadores e trabalhadores, e leigos e religiosos. O texto liga o bem-estar pessoal à responsabilidade para com outras pessoas.[253][254][255]
No Dīghajāṇu Sutta (AN 8.54), Buda associa o bem-estar nesta vida ao esforço no trabalho, à proteção do que se adquiriu, às boas amizades e ao equilíbrio entre ganhos e gastos. Outros discursos também recomendam uma vida familiar sustentada por trabalho honesto e generosidade.[256]
O mesmo discurso relaciona o bem-estar em vidas futuras à confiança nos ensinamentos, à conduta ética, à generosidade e à sabedoria, entendida como compreensão da impermanência dos fenômenos.[257]
Nos discursos, um renascimento favorável é associado a ações hábeis (kusala) e ao abandono de ações prejudiciais (akusala). O MN 41, por exemplo, apresenta dez modalidades de conduta ligadas ao corpo, à fala e à mente.[258]
Os textos chamam a ação benéfica de mérito (puñña) e enumeram entre suas bases a generosidade, a conduta moral e a meditação.[259]
Características físicas
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No Ariyapariyesanā Sutta (MN 26), Buda conta que raspou cabelo e barba ao deixar a vida doméstica; o Dīgha Nikāya também o apresenta com a cabeça raspada, como outros monges.[260][261]
Alguns textos o apresentam como belo e de aparência luminosa na juventude, mas com o corpo curvado e marcado por rugas e fraqueza na velhice.[262]
Outras fontes budistas lhe atribuem características extraordinárias conhecidas como os trinta e dois sinais de um grande homem (mahāpuruṣa lakṣaṇa).[263]
Segundo Anālayo, nos primeiros relatos esses sinais não eram necessariamente perceptíveis a qualquer pessoa e exigiam conhecimento para ser reconhecidos. Em textos posteriores, passaram a ser apresentados como claramente visíveis e capazes de despertar admiração.[264]
O Dīgha Nikāya contém uma descrição dos trinta e dois sinais.[265]
Buda Shakyamuni no budismo maaiana
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No maaiana, Shakyamuni permanece o Buda histórico que ensinou na Índia antiga, mas sua natureza e suas atividades recebem novas interpretações. Alguns textos o apresentam também numa dimensão cósmica, para além dos limites de uma única vida humana.[266][267]
Em muitos sutras maaiana, Shakyamuni transmite ensinamentos a bodisatvas avançados. Em comparação com os relatos dos nikāyas e āgamas, essas obras dão maior destaque à amplitude de seu conhecimento, a seus poderes e à continuidade de sua atividade em diferentes mundos.[266]
A cosmologia maaiana apresenta numerosos budas e terras búdicas, como no Avataṃsaka Sūtra. Shakyamuni é o buda associado ao nosso mundo, chamado Sahā, e convive nesses textos com outros budas, sem perder sua importância para as tradições que o veneram.[268][269]

O Sutra do Lótus apresenta Shakyamuni como alguém que alcançou o despertar em um passado inconcebivelmente remoto. Nessa leitura, o despertar sob a árvore da bodhi é uma manifestação destinada a orientar os seres.[270][271]
A doutrina do trikāya distingue três corpos de um buda: o nirmāṇakāya, sua manifestação no mundo; o saṃbhogakāya, corpo de fruição associado a uma dimensão gloriosa; e o dharmakāya, relacionado à realidade última e ao darma. As escolas maaiana interpretam essa estrutura de maneiras diferentes.[nota 88][272][273]
Em outras religiões
[editar | editar código]Hinduísmo
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Com a formação das tradições hindus posteriores, Buda passou a ser incluído em algumas listas dos avatares de Vixnu, frequentemente como o nono. Essa incorporação ocorreu num contexto de intercâmbio e disputa entre comunidades religiosas indianas; os sentidos atribuídos a ela variam entre os textos hindus.[274][184][275][nota 89][277][278]
Os ensinamentos budistas não reconhecem a autoridade dos Vedas nem a concepção bramânica de Brahman-Ātman. Por isso, o budismo costuma ser classificado, na terminologia filosófica indiana, como uma escola nāstika, em contraste com escolas que aceitam a autoridade védica.[nota 90][279][280][281][nota 91][284][285][286]
Cristianismo
[editar | editar código]A história cristã de Barlaão e Josafá deriva de narrativas sobre a vida de Buda transmitidas por diversas línguas e culturas. O nome Josafá remonta a bodisatva por intermédio de formas árabes e georgianas. Josafá chegou a figurar em edições do Martirológio Romano;[nota 92] sua origem narrativa budista foi reconhecida posteriormente.[287]
Islã
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A presença budista na Transoxiana e no Coração, regiões da Ásia Central que mais tarde integraram o mundo islâmico, deixou referências a suas doutrinas e comunidades em obras de autores muçulmanos.[288][289]
Fontes islâmicas mencionam Buda sob diferentes nomes, entre eles Budd e Shakyamuni. Autores como Al-Jahiz, Al-Masudi, Albiruni e Al-Shahrastani trataram de seus seguidores e de suas crenças, com graus variados de precisão.[290][291]
Ao situar Buda em suas próprias classificações religiosas, Ibn Hazm e outros autores muçulmanos apresentaram relatos nem sempre compatíveis com as doutrinas budistas, sinal da transmissão indireta dessas informações.[290][292][293]
Rashid al-Din Hamadani dedicou parte do Jāmiʿ al-tawārīkh às crenças budistas no contexto do Ilcanato. Em sua interpretação, identificou Shakyamuni como um profeta monoteísta.[294][295]
No século XX, Muhammad Hamidullah sugeriu que a figueira mencionada na sura 95 do Alcorão aludiria ao local do despertar de Buda e permitiria interpretá-lo como profeta. Essa leitura é uma hipótese particular, não uma identificação expressa no texto corânico.[nota 93][296][293]
Outras religiões
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Na Fé bahá'í, Buda é reconhecido como uma das manifestações de Deus.[297]
Algumas tradições chinesas de contato entre taoismo e budismo identificaram Buda com Lao Zi ou narraram que ele seria sua reencarnação.[298]
No maniqueísmo, Buda figura entre os mestres religiosos anteriores a Mani.[299]
Na tradição siquista, o Chaubis Avtar, obra incluída no Dasam Granth e tradicionalmente atribuída a Guru Gobind Singh, menciona Buda entre as encarnações de Vixnu. A autoria de partes dessa coleção é debatida.[300]
Recepção no mundo lusófono
[editar | editar código]Portugal
[editar | editar código]Uma versão portuguesa do século XIV da história de Barlaão e Josafá, intitulada Vida do honrado infante Josaphate filho del rey Avenir, transformou elementos da biografia de Buda numa narrativa cristã. Trata-se de uma transmissão indireta de sua história, não de um registro de prática budista no Portugal medieval.[301]
Nas cartas sobre as disputas de Yamaguchi de 1551 e 1552, missionários cristãos ligados à expansão portuguesa descreveram debates com monges japoneses; essas descrições repercutiram em crônicas portuguesas dos séculos XVI e XVII. São testemunhos do encontro e das interpretações dos missionários, não exposições neutras dos ensinamentos budistas.[nota 94][302] A figura de Buda também foi interpretada na literatura portuguesa moderna: Miguel Real examina sua presença em A Correspondência de Fradique Mendes, de Eça de Queirós, distinguindo a perspectiva do personagem literário de uma adesão do escritor ao budismo.[303]
Em Portugal, o mestre zen Taisen Deshimaru visitou o país em 1971 e 1972; posteriormente, escolas zen e tibetanas se estabeleceram e a União Budista Portuguesa foi criada em 1997 para reunir grupos de diferentes tradições. Desse modo, o estudo e a prática dos ensinamentos atribuídos a Buda passaram a integrar a vida religiosa do país por vias distintas das antigas narrativas cristãs e missionárias.[304]
Brasil
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Com a imigração japonesa iniciada em 1908, imigrantes e seus descendentes mantiveram tradições religiosas diferentes, entre elas o budismo da Terra Pura, o zen e correntes ligadas a Nitiren. Ao longo do século XX, também se desenvolveram grupos frequentados por pessoas sem ascendência japonesa. Pesquisadores distinguem, para compreender essas trajetórias, o budismo ligado à imigração daquele ligado à adesão de novos praticantes.[305][nota 95]
Em comunidades budistas de origem japonesa no Brasil, manter atividades no idioma dos imigrantes tornou-se difícil quando muitos descendentes já não o falavam; líderes religiosos também apontaram a necessidade de traduzir textos para o português. A continuidade das instituições e o número de adeptos declarados variavam entre as vertentes budistas, e a visibilidade de Buda na cultura brasileira não indica crescimento uniforme de todas as comunidades.[306][305]
Representações artísticas
[editar | editar código]As primeiras representações artísticas associadas a Buda em Bharhut e Sanchi frequentemente são simbólicas: um trono vazio, pegadas, a roda do darma, uma árvore da bodhi ou um cavalo sem cavaleiro indicam episódios de sua vida sem mostrar sua figura humana. A interpretação desse repertório como um período inteiramente "anicônico"[nota 96] é debatida.[307]
Representações humanas de Buda de pé, sentado com as pernas cruzadas ou deitado tornaram-se frequentes a partir dos primeiros séculos da era comum, sobretudo nas tradições artísticas de Gandara e Mathura, e se difundiram por diferentes regiões da Ásia.[308]
Galeria de representações de Buda
[editar | editar código]- Trono vazio de Bharhut.
- Árvore da bodhi em Bharhut.
- Descida celeste em Sanchi.
- Milagre de Kapilavastu em Sanchi.
- Trono vazio em Rājagaha.
- Renúncia em Amaravati.
- Ataque de Māra em Amaravati.
- Indra e Buda em Mathura.
- Sermão no céu Tuṣita, Amaravati.
- Buda em pé de Gandara.
- Buda sentado de Gandara.
- Buda de Berenice Troglodítica.
- Buda e Vajrapani em Gandara.
- Tríade budista cuxana.
- Estátua de Buda em Sanchi.
- Nascimento de Buda em Gandara.
- Banho de Buda em Gandara.
- Halo e mandorla em Gandara.
- Buda na caverna 6 de Ajanta.
- Bodisatva de Mathura.[310]
- Buda em pé de Mathura.
- Buda de Mathura, século V.
- Buda de Sarnath, século V.
- Buda sentado, período gupta.
- Buda de Gal Vihara, Sri Lanka.
- Estela chinesa, dinastia Wei.
- Buda de Asuka-dera, Japão.
- Um dos Budas de Bamiã.
- Buda de Palembang, Indonésia.
- Buda de Seokguram, Coreia.
- Tríade de Mendut, Java.
- Buda na estupa de Borobudur.
- Vairocana de Srivijaya.
- Shakyamuni do período Heian.
- Māra em Dunhuang, século X.
- Buda e Mucalinda, Camboja.
- Buda do Reino de Sucotai.
- Buda caminhando, Sucotai.
- Shakyamuni chinês, c. 1600.
- Buda da montanha nevada, Vietnã.
- Shakyamuni tibetano, século XIX.
- Buda no templo de Bodh Gaya.
- Buda do templo Shanyuan, China.
- Buda no pagode Shwedagon.
- Buda de Ravangla, Siquim.
- Buda sentado de Hadda.
- Buda do vale do Swat.
Em outras mídias
[editar | editar código]Cinema
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- Buddha Dev (Vida do Senhor Buda), filme mudo indiano de 1923 de Dadasaheb Phalke, com Bhaurao Datar no papel de Buda.
- Prem Sanyas (A Luz da Ásia), filme mudo de 1925 dirigido por Franz Osten e Himansu Rai, baseado no poema de Edwin Arnold; Rai interpreta Buda.
- Dedication of the Great Buddha (Daibutsu Kaigen), filme japonês de 1952 sobre a vida de Buda.[312]
- Gotoma the Buddha, documentário indiano de 1957 dirigido por Rajbans Khanna e produzido por Bimal Roy.[312]
- Siddhartha, filme de 1972 dirigido por Conrad Rooks, adaptação do romance de Hermann Hesse, com Shashi Kapoor no papel de Sidarta, personagem contemporâneo de Buda.
- Pequeno Buda, filme de 1993 dirigido por Bernardo Bertolucci, com Keanu Reeves no papel do príncipe Sidarta.[312][313]
- The Legend of Buddha, filme indiano de animação de 2004 dirigido por Shamboo Falke.
- Buddha (2011) e Buddha 2 (2014), longas-metragens japoneses de animação baseados no mangá de Osamu Tezuka, que acompanham a juventude de Sidarta.[314][315]
- Buddha's Life, filme tailandês de animação produzido entre 2003 e 2011 com base em textos páli e comentários budistas.[312]
- The Life of Buddha (Prawat Phra Phuttajao), animação tailandesa sobre a vida de Buda baseada no Tipitaka.
- Tathagatha Buddha, filme indiano de 2008 dirigido por Allani Sridhar.[316]
- Sri Siddhartha Gautama, filme biográfico cingalês de 2013.
- A Journey of Samyak Buddha, filme indiano de 2013 dirigido por Praveen Damle, inspirado em The Buddha and His Dhamma, de B. R. Ambedkar, com Abhishek Urade no papel principal.[312]
Televisão
[editar | editar código]- Buddha, série indiana exibida pela Sony TV em 1996, com Arun Govil no papel principal.
- La Vie de Bouddha (2003), documentário dirigido por Martin Meissonnier e coproduzido pela ARTE France, que percorre locais associados à vida de Buda.[317]
- The Buddha, documentário de 2010 produzido para a PBS por David Grubin, com narração de Richard Gere; reconstitui a vida de Buda com obras de arte e imagens do norte da Índia.[318]
- Buddha, série dramática indiana exibida pela Zee TV em 2013, com Himanshu Soni no papel principal.[312]
Literatura e música
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- The Light of Asia, poema épico de Edwin Arnold, publicado em 1879.
- The Buddha and His Dhamma, obra de B. R. Ambedkar sobre a vida e os ensinamentos de Buda.
- Before He Was Buddha: The Life of Siddhartha, livro de Hammalawa Saddhatissa.
- Buda, série de mangá de Osamu Tezuka publicada entre 1972 e 1983, recria a trajetória de Gautama com episódios e personagens ficcionais.[319]
- Siddhartha, romance de Hermann Hesse publicado em alemão em 1922. O protagonista homônimo encontra Gautama, mas é uma personagem distinta dele.[320]
- Saint Young Men, mangá de Hikaru Nakamura que apresenta Buda e Jesus dividindo um apartamento na Tóquio contemporânea.[321]
- Lord of Light, romance de Roger Zelazny sobre um homem numa colônia humana distante que assume o nome e alguns ensinamentos de Buda.
- Creation, romance de 1981 de Gore Vidal em que o protagonista encontra Buda e outros mestres religiosos.
- The Light of Asia, oratório de 1886 de Dudley Buck, baseado no poema de Arnold.
- Karuna Nadee, oratório de 2010 de Dinesh Subasinghe.
- Buddha Passion (2018), oratório em seis atos de Tan Dun, inspirado nos relatos budistas associados às Grutas de Mogao.[322]
Ver também
[editar | editar código]- Quatro Nobres Verdades, formulação central dos ensinamentos atribuídos a Buda
- Nobre Caminho Óctuplo, caminho de prática descrito nos discursos budistas
- Caminho do Meio, alternativa entre indulgência e austeridade extrema
- Nirvana, libertação buscada na tradição budista
- Játaca, narrativas sobre vidas anteriores de Buda
- Arte budista, tradições visuais que representam Buda
- Lumbini, local tradicional do nascimento de Buda
- Templo de Mahabodhi, complexo no local tradicional do despertar
- Budismo, tradições religiosas e filosóficas associadas aos ensinamentos de Buda
- Meditação budista, práticas contemplativas nas diversas tradições budistas
- Cânone Pāli, coleção de escrituras da tradição teravada
- Sanga, comunidade monástica e de praticantes fundada segundo a tradição por Buda
Notas e referências
Notas
- ↑ A mesma pessoa aparece com nomes diferentes porque esses relatos circularam em várias línguas. Gotama é a forma páli de Gautama; Shakyamuni o identifica como sábio dos shakyas.
- ↑ Bodhi costuma ser traduzido por "despertar" ou "iluminação". A preferência de muitos tradutores por "despertar" ressalta a relação com a raiz sânscrita budh. K. R. Norman questionou a associação implícita de "iluminação" à ideia de luz. Bhikkhu Bodhi observa, porém, que verbos derivados da mesma raiz podem significar conhecer, compreender ou reconhecer, e que nenhuma tradução única esgota seus usos. Buddhadasa também registra "aquele que conhece" entre as interpretações de Buda na Tailândia. (Cohen 2006, p. 9); Bodhi 2020; Abrahams 2021; Gimello (2003, p. entry "Bodhi (awakening)"); Norman (1997, p. 29); Bodhi 2020; Abrahams 2021; Buddhadasa (2017, p. 5)
- ↑ [ɕɑːkjəmuni]
- ↑ Filologia é o estudo de textos e línguas ao longo do tempo. Mudanças nas palavras e nos nomes de lugares podem dar pistas sobre a idade de um relato.
- ↑ Um texto paralelo conta algo parecido em outra língua ou coleção. Comparar as versões ajuda a perceber o que elas compartilham e em que pontos diferem.
- ↑ Contemporâneo, aqui, quer dizer escrito durante a vida dele. Os documentos que chegaram até nós são posteriores, por isso não funcionam como um relato feito por uma testemunha direta.
- ↑ No Pequeno Édito Rupestre 3, Asoca recomenda a monges, monjas e leigos o estudo de determinados textos religiosos. As identificações propostas entre os títulos da inscrição e os discursos páli preservados são discutidas. Dhammika 1993
- ↑ A data de um manuscrito é a idade da cópia que sobreviveu, não necessariamente a data em que o texto foi criado. Ele pode ter circulado antes, inclusive pela transmissão oral.
- ↑ MN abrevia Majjhima Nikāya, uma coleção de discursos. O número identifica o discurso dentro dela; DN, usado logo adiante, indica outra coleção, o Dīgha Nikāya.
- ↑ Essas obras contam uma vida contínua, do nascimento à morte. Os discursos mais antigos costumam narrar episódios separados; uma biografia posterior não é um diário escrito na época de Buda.
- ↑ Há duas perguntas diferentes: se existiu um mestre por trás da tradição e se cada cena narrada sobre ele aconteceu como os relatos descrevem. As fontes permitem responder à primeira com mais segurança do que à segunda.
- ↑ O cálculo usa a coroação de Asoca como ponto de referência. Se a data dessa coroação muda, as datas calculadas para Buda também mudam, mesmo mantendo o intervalo tradicional de 218 anos.
- ↑ Entre as propostas de datação para a morte de Buda estão 411–400 a.C. (Dundas), cerca de 405 a.C. (Gombrich) e aproximadamente 400 a.C. (vários autores). K. R. Norman considerou plausível uma vida entre cerca de 480 e 400 a.C., enquanto Michael Witzel propôs aproximadamente 460–380 a.C. As estimativas dependem da interpretação dos textos e das evidências arqueológicas. (Dundas 2002, p. 24); Gombrich 1992; Narain 1993, pp. 187–201; Gombrich 2000; (Narain 2003); Norman 1997, p. 39[60]
- ↑ Escavações no templo de Maya Devi, em Lumbini, identificaram uma estrutura de madeira que os pesquisadores relacionaram, de forma provisória, a uma fase do século VI a.C. Ela não prova por si só que Buda tenha nascido nesse período nem que o local já fosse budista. A veneração de árvores antecedia o budismo e também aparece em santuários de yakshas. Richard Gombrich contestou a tentativa de derivar uma data de nascimento da descoberta; Geoffrey Samuel destacou a continuidade e a transformação de práticas religiosas anteriores.[63]Gombrich 2013[64]Samuel 2010, pp. 140–152
- ↑ John Keay situa o encontro narrado entre Buda e Bimbisara por volta de 400 a.C. quando emprega a cronologia curta. Keay 2011
- ↑ É possível investigar a idade das camadas de uma construção sem concluir, por isso, que uma relíquia pertenceu a uma pessoa específica. São perguntas diferentes feitas às mesmas ruínas.
- ↑ Uma construção antiga em Lumbini mostra que o lugar já era usado naquele período. Saber quem o frequentava e que sentido religioso tinha para essas pessoas exige outras evidências.
- ↑ Nesse contexto, "república" indica que a chefia não passava automaticamente de pai para filho; "oligárquica" lembra que poucas famílias participavam das decisões. Não se tratava de uma democracia moderna.
- 1 2 3 4 A inscrição do pilar de Asoca identifica Lumbini como lugar de nascimento de Buda. Já a antiga Kapilavastu, onde ele teria crescido, pode ter ficado em uma de duas localidades próximas, hoje situadas em países diferentes.[99]
- ↑ A tradição situa Buda no território dos shakyas, associado à antiga Kapilavastu e à região da fronteira atual entre o Nepal e a Índia. Warder descreve a comunidade como uma pequena república. Walshe observa que Sudodana teria sido seu chefe eleito, embora o título rāja seja por vezes traduzido como "rei". A posição dos shakyas em relação a Kosala e a localização exata da antiga capital são questões históricas distintas. Warder 2000, p. 45; Walshe 1995, p. 20
- ↑ Esses religiosos deixavam a vida doméstica e viajavam em busca de libertação espiritual. Costumavam viver com poucos bens e receber alimento de outras pessoas.
- ↑ Alexander Berzin caracteriza o budismo antigo como uma corrente śramaṇa que manteve a doutrina do renascimento e do carma, mas rejeitou uma alma permanente. Na interpretação do autor, Buda combinou conduta ética e investigação racional com um caminho que evitava o ascetismo extremo.[77]
- ↑ Mendicante é quem depende das doações de outras pessoas para comer e viver. Para esses grupos, receber alimentos fazia parte de uma vida religiosa sem propriedade.
- ↑ Nesse debate, "onisciência" quer dizer conhecer tudo a todo momento. Os textos antigos atribuem a Buda conhecimentos extraordinários, mas não essa capacidade sem limites.
- ↑ Essas cenas ajudam a compreender como as comunidades budistas imaginaram Buda, mesmo quando não podem ser verificadas como episódios da vida dele.
- ↑ Uma história de vida anterior pode transmitir uma lição por meio de seus personagens; ela não funciona como registro histórico verificável de outra existência.
- ↑ Nas histórias de vidas anteriores, as escolhas de uma existência têm consequências nas seguintes. É essa ligação entre ações e resultados que a expressão resume.
- ↑ O voto é um compromisso espiritual assumido pelo personagem: ele promete seguir praticando até chegar ao despertar, mesmo que isso leve muitas vidas.
- ↑ Alguns autores propuseram identificar a antiga Lumbini com Kapileswar, em Odisha, com base numa inscrição local. Hartmann e Sircar consideraram essa inscrição espúria e provavelmente copiada de uma reprodução do pilar de Lumbini pouco antes de 1928. Mahāpātra 1977; Mohāpātra 2000, p. 114; Tripathy 2014; Hartmann 1991, pp. 38–39
- ↑ Gethin afirma que fontes budistas antigas situam o nascimento do futuro Buda na região de Kapilavastu, mas não apresenta nessa passagem uma referência textual específica. Outras fontes distinguem o local de nascimento, Lumbini, da região em que ele cresceu. Gethin 1998, p. 14
- ↑ Na organização social descrita nos textos indianos, kshatriya era a posição ligada a governantes e guerreiros. O termo ajuda a entender como a tradição situava a família de Gautama.
- ↑ Geoffrey Samuel descreve os shakyas como um grupo kshatriya numa região de contato entre tradições védicas e outras práticas locais. As interpretações sobre a posição cultural do clã variam entre os estudiosos. Samuel 2010; Hiltebeitel 2013; Samuel 2010
- 1 2 3 4 5 6 No Upaḍḍha Sutta (SN 45.2), Buda apresenta a amizade com bons companheiros como essencial à prática do caminho: quem dispõe dessas relações pode desenvolver o Nobre Caminho Óctuplo.
- ↑ É a figura ideal de um governante justo que, nas narrativas indianas, exerce domínio sobre o mundo conhecido. A previsão apresenta dois destinos extraordinários para a criança.
- ↑ Buswell e Lopez remetem ao Ariyapariyesanā Sutta (MN 26), no qual Gautama recorda ter cortado cabelo e barba e deixado a vida doméstica enquanto seus pais choravam. Observam que muitos episódios conhecidos das biografias posteriores não aparecem nessa narrativa antiga. Buswell & Lopez 2014, p. entry "Sakyamuni"
- ↑ Impermanência é o fato de que pessoas, situações e sensações mudam. Na história, perceber isso ajuda a explicar por que Sidarta decidiu deixar a vida protegida do palácio.
- ↑ A expressão dá nome a um estado meditativo muito sutil. Não significa simplesmente estar acordado ou inconsciente; os textos o apresentam como uma experiência que Gautama ainda julgou insuficiente.
- ↑ Austeridade, aqui, é uma privação voluntária do corpo, como comer muito pouco. Gautama teria experimentado essas práticas antes de rejeitar seus excessos.
- ↑ As austeridades atribuídas a Gautama são narradas no Mahāsaccaka Sutta (MN 36), em versões chinesas e em fragmentos sânscritos paralelos, além de obras biográficas posteriores como o Lalitavistara e o Mahāvastu. Anālayo 2011, pp. 234–235
- ↑ O termo designa estados de meditação com concentração profunda. No relato, Gautama passa a ver essa prática como parte de uma busca que não exige ferir o próprio corpo.
- ↑ O relato também consta de uma tradução chinesa do Mahāsīhanāda Sutta.
- ↑ Alguns relatos antigos atribuem ao despertar de Buda três conhecimentos: a lembrança de vidas anteriores; a percepção dos renascimentos de outros seres segundo suas ações; e o fim dos influxos mentais (āsava), associado à libertação do samsara. Os textos diferem na ordem e na apresentação desses acontecimentos. Anālayo 2011, p. 236[128]
- ↑ Os relatos antigos não descrevem de maneira uniforme o despertar de Buda e o caminho que levou a ele. Essas diferenças são parte do debate acadêmico sobre a formação dos discursos budistas. (Bareau 1963); (Schmithausen 1981); (Norman 2003); (Vetter 1988); (Gombrich 2006a, Chapter 4); (Bronkhorst 1993, Chapter 7); (Anderson 1999)
- ↑ A escultura mostra Buda sentado na posição de lótus e fazendo com as mãos o gesto do ensino (dharmacakra mudrā). Uma roda na base simboliza a exposição do darma; dois cervos remetem ao Parque dos Cervos, onde a tradição situa o primeiro sermão. A obra foi estudada por Sahni, Eck e Mani. Sahni (1914, pp. 70–71, chapter B (b) 181); Eck (1982, p. 63); Mani (2012, pp. 66–67)
- ↑ Uma guilda era uma associação ligada a um ofício ou ao comércio. Esse detalhe situa parte dos relatos em famílias e atividades urbanas, além dos círculos de ascetas.
- ↑ As chuvas tornavam as viagens difíceis na região. Por isso, os religiosos passavam essa época reunidos num lugar e voltavam a circular depois.
- ↑ Leigos são os seguidores que não pertencem à ordem de monges ou monjas. Eles podiam oferecer comida, abrigo e outros recursos à comunidade.
- ↑ Anālayo compara sete testemunhos antigos sobre a criação da ordem feminina: o Vinaia dharmaguptaka em chinês; o Vinayamātṛkā chinês, por vezes associado à escola haimavata; o Vinaia mahāsāṃghika-lokottaravada em sânscrito; o Vinaia mahīśāsaka em chinês; as versões chinesa, tibetana e fragmentária sânscrita do Vinaia mūlasarvāstivada; um discurso do Madhyama Āgama, possivelmente sarvastivada; e uma passagem do Aṅguttara Nikāya páli, também preservada no Vinaia teravada. Anālayo 2016, pp. 40–41
- ↑ O nome costuma ser entendido como "regras de peso". A lista trata das relações entre as ordens feminina e masculina, mas sua origem e sua forma antiga são discutidas.
- ↑ A recitação conjunta ajudava a comunidade a lembrar suas regras. Como escolas diferentes preservaram coleções próprias, as redações que chegaram até nós nem sempre coincidem.
- ↑ No relato, os ensinamentos e as regras da vida monástica serviriam de guia comum, em vez de uma pessoa escolhida para substituir Buda.
- ↑ Mérito é uma maneira de falar do valor atribuído a ações benéficas. Não se trata de uma pontuação numérica medida pelo texto.
- ↑ O relato apresenta a doença depois da refeição, mas essa sequência não estabelece, por si só, sua causa médica. Identificar o prato também não resolve a questão.
- ↑ Arthur Waley reuniu interpretações botânicas para sūkaramaddava, termo empregado no relato da última refeição. Entre as possibilidades estão uma planta procurada por porcos e um alimento preparado a partir dela. Nenhuma identificação é consensual.
- ↑ O Mahāparinibbāṇa Sutta situa a morte de Gautama em Kusinārā, identificada com a atual Kushinagar, em Uttar Pradesh, Índia.
- ↑ No parinirvana, a vida de uma pessoa liberta chega ao fim sem novo renascimento; deixam de surgir os agregados físicos e mentais que a constituíam. Gethin 1998, p. 76
- ↑ A tradição usa essa reunião para explicar a preservação dos ensinamentos. A pergunta histórica é se houve uma assembleia como a narrada e o que poderia ter sido recitado nela.
- ↑ Quando versões de escolas diferentes coincidem, elas podem apontar para material compartilhado mais antigo. A comparação, porém, não recupera automaticamente as palavras exatas de Buda.
- ↑ A. K. Warder e Richard Gombrich defendem que uma parte substancial dos primeiros discursos e regras monásticas pode remontar ao período anterior à divisão das escolas budistas. Warder ressalva que a atribuição direta a Buda não pode ser demonstrada; Gombrich sustenta que a unidade do conjunto principal sugere uma contribuição individual decisiva. Warder 2000, inside flap; Gombrich 1997
- ↑ Ronald Davidson é mais cético quanto à possibilidade de recuperar as palavras do Buda histórico. Para ele, mesmo que uma comunidade antiga tenha transmitido um conjunto de textos, a distância entre essa transmissão e a redação preservada limita a certeza histórica. Davidson 2003, p. 147
- ↑ J. W. de Jong e Johannes Bronkhorst admitem uma reconstrução cautelosa: algumas ideias dos textos canônicos podem remontar a Buda, mas foram transmitidas e formuladas pelos discípulos. Donald Lopez ressalta a dificuldade de recuperar os ensinamentos originais de uma pessoa histórica a partir dessas fontes. Jong 1993, p. 25; Bronkhorst 1993, p. vii; Lopez 1995, p. 4
- ↑ Entre as análises relevantes estão os estudos de Lambert Schmithausen sobre a percepção libertadora, de Tilmann Vetter sobre o budismo antigo, de K. R. Norman sobre as quatro verdades, de Richard Gombrich sobre os discursos e de Johannes Bronkhorst sobre práticas de meditação. Schmithausen 1981; Vetter 1988; Norman 2003; Gombrich 1997; Bronkhorst 1993
- ↑ Tilmann Vetter considera que a meditação dhyāna, especialmente seus estágios mais avançados, ocupava o centro da formulação antiga do Caminho do Meio; as demais práticas teriam preparado a concentração correta. Vetter 1988, p. xxx
- ↑ "Grilhões" é uma imagem para hábitos e ideias que, segundo esses discursos, mantêm a pessoa presa ao ciclo de renascimentos.
- ↑ Carma, aqui, diz respeito a ações intencionais; não é uma explicação para toda doença, acidente ou dificuldade. Os discursos também levam em conta outras condições.
- ↑ A mente conta como uma sexta base porque pensamentos, lembranças e ideias também podem ser percebidos e influenciar a experiência.
- ↑ Os cinco agregados são modos de analisar o que se vive, não cinco partes anatômicas separadas de uma pessoa.
- ↑ A ideia não exige uma causa única para tudo. Ela convida a observar de quais condições uma experiência depende e o que muda quando elas deixam de atuar.
- ↑ Uma apresentação frequente da originação dependente enumera doze fatores em sequência: ignorância, formações, consciência, nome e forma, seis bases sensoriais, contato, sensação, desejo, apego, existência ou vir a ser, nascimento, e velhice e morte. Os textos e os pesquisadores divergem quanto à história e à interpretação de cada elo. Gethin 1998, pp. 141–142
- ↑ Eviatar Shulman remete ao estudo de Lambert Schmithausen sobre a fórmula dos doze elos da originação dependente, publicado em Hōrin: Vergleichende Studien zur japanischen Kultur, volume 7 (2000).
- ↑ Gombrich considera plausível que a sequência original se concentrasse nos sentidos, no contato, na sensação e no desejo. A inclusão de elos anteriores teria produzido dificuldades interpretativas na formulação inversa, que descreve a cessação do processo. Gombrich 2009, p. 138
- ↑ O debate opõe duas respostas extremas: imaginar um eu que nunca muda ou pensar que a pessoa simplesmente desaparece na morte. O texto apresenta uma via diferente das duas.
- ↑ Os oito elementos do caminho são visão correta, intenção correta, fala correta, ação correta, meio de vida correto, esforço correto, atenção plena correta e concentração correta. Gethin 1998, p. 164
- ↑ O discurso organiza o aprendizado em etapas que se apoiam. Assim, a conduta, a atenção e a meditação fazem parte de um mesmo percurso, em vez de aparecerem como técnicas isoladas.
- ↑ O treinamento gradual aparece em discursos como o Cūḷahatthipadopama Sutta (MN 27) e o Tevijja Sutta (DN 13), também preservados em textos paralelos chineses e, em parte, sânscritos. A estrutura foi retomada e adaptada por manuais posteriores, entre eles o Visuddhimagga. Bucknell 1984; Anālayo 2011, p. 189; Anālayo 2015; Gethin 1998, p. 165
- ↑ Gethin observa que uma formulação antiga também descreve uma sequência favorável: a experiência de sofrimento pode condicionar confiança, alegria, tranquilidade, felicidade, concentração, conhecimento, desencantamento, desapego e libertação. Assim, a dependência condicional não se limita à explicação da continuidade do sofrimento. Gethin 1998, p. 157
- ↑ Para um levantamento comparativo de Satipatthana nas fontes pali, tibetana e chinesa, ver: Anālayo (2014). Perspectives on Satipatthana. [S.l.: s.n.]. Para um inquérito comparativo de Anapanasati, ver: Dhammajoti, K.L. (2008). «Sixteen-mode Mindfulness of Breathing». JCBSSL. VI.
- ↑ A impermanência (anicca), a insatisfação (dukkha) e a ausência de um eu permanente (anattā) são três características recorrentes na análise budista da experiência. Seu reconhecimento é associado ao desapego.
- ↑ Nessa forma de vida monástica, celibato significa não manter relações sexuais. Era uma das renúncias assumidas por quem entrava para a comunidade.
- ↑ A expressão páli aggihuttamukhā yaññā sāvittī chandaso mukham apresenta o rito agnihotra como principal entre os sacrifícios e o verso Sāvitrī como principal entre os metros védicos. Shults 2014, p. 119
- ↑ A palavra significa, literalmente, "aquilo que foi ouvido". Na tradição bramânica, designa textos recebidos como revelação e transmitidos por gerações.
- ↑ No Udāna, a pureza espiritual é associada à verdade e à conduta ética, em vez de ser atribuída ao banho ritual.[244]
- ↑ O discurso AN 3.129 contrapõe práticas conduzidas em segredo à lua, ao sol e ao darma e à disciplina proclamados abertamente pelo Tathāgata. A enumeração da primeira parte varia conforme a tradução. Bodhi 2005, pp. 33–34
- ↑ O argumento questiona a ideia de que o valor espiritual seja herdado. Isso não significa que todas as hierarquias sociais da época tivessem desaparecido.
- ↑ Uma estrofe do cânone páli contrapõe a posição social dos kshatriyas à superioridade espiritual daquele que possui conhecimento e boa conduta, independentemente do nascimento.[244]
- ↑ O Cakkavatti-Sīhanāda Sutta relaciona a falta de apoio aos necessitados ao aumento da pobreza e, em sequência, do roubo, da violência e da redução da longevidade humana. Trata-se de uma narrativa moral do texto, e não de uma cronologia histórica.[251]
- ↑ Aqui, a conversa sobre uma vida boa também inclui família, amizades, trabalho e uso do dinheiro. Ela não se limita à experiência de quem vive num mosteiro.
- ↑ A palavra “corpo” não indica aqui três organismos físicos. Ela distingue maneiras de compreender a presença e a atividade de um buda.
- ↑ A identificação de Buda como avatar de Vixnu não é uniforme. Algumas tradições incluem Balarama no lugar normalmente atribuído a Buda; textos e intérpretes hindus também divergem sobre o sentido da incorporação do mestre budista entre os avatares.[276]
- ↑ Nesse uso, nāstika classifica tradições pela aceitação ou rejeição da autoridade dos Vedas. Não equivale, por si só, a dizer que seus seguidores negam a existência de seres divinos.
- ↑ Na filosofia indiana, āstika designa geralmente as escolas que reconhecem a autoridade dos Vedas, enquanto nāstika designa as que não a reconhecem. O termo não equivale simplesmente a "teísta" ou "ateísta" no sentido moderno.[282][283]
- ↑ O martirológio é uma lista usada pela Igreja Católica para lembrar santos e outras pessoas veneradas em datas do calendário. A presença de Josafá nela mostra até onde a narrativa viajou.
- ↑ Uma sura é um capítulo do Alcorão. A passagem citada menciona a figueira, mas não nomeia Buda; a ligação entre os dois é uma interpretação posterior.
- ↑ As cartas foram escritas por missionários envolvidos nos debates. Elas ajudam a estudar o encontro, mas as falas dos monges chegam até nós pelo olhar de quem as registrou.
- ↑ Essa distinção descreve caminhos de chegada à religião, não tipos diferentes de Buda. Uma pessoa pode receber práticas da família, conhecê-las num centro budista ou combinar as duas experiências.
- ↑ Anicônico quer dizer "sem figura humana". Um trono vazio ou uma árvore podem indicar a presença de Buda sem retratá-lo como pessoa.
Referências
- ↑ Cousins 1996, pp. 57–63; Norman 1997, p. 33; Prebish 2008
- ↑ Laumakis, Stephen J. (2023). An Introduction to Buddhist Philosophy. [S.l.]: Cambridge University Press. p. xii. ISBN 978-1-009-33708-3.
Pelo que sabemos, o homem que veio a ser chamado de Buda, ou Desperto, não era cético nem adepto de uma fé cega em questões religiosas e filosóficas.
; Seager, Richard Hughes (2012). Buddhism in America. [S.l.]: Columbia University Press. p. 19. ISBN 978-0-231-15973-9.Em decorrência de suas descobertas, Sidarta ficou conhecido como Buda, "o desperto" ou "o iluminado".
; Davis, Richard H. (2020). «Religions of India in Practice». In: Lopez, Donald S. Asian Religions in Practice: An Introduction. [S.l.]: Princeton University Press. p. 22. ISBN 978-0-691-21478-8.Os budistas seguem o caminho dos budas, seres que despertaram plenamente para a natureza das coisas. Na era histórica atual, o Desperto foi o kshatriya Sidarta Gautama, nascido perto do Himalaia por volta de 566 a.C.
- ↑ Gethin 1998, pp. 5, 9, 10, 14; Strong 2001, p. 1; Warder 2000, p. 45
- ↑ Buswell & Lopez 2014, p. entry "Sakyamuni"
- ↑ Bodhi 2005a, p. 51
- ↑ Laumakis 2008, p. 4
- ↑ Siderits, Mark (2023). «Buddha». Stanford Encyclopedia of Philosophy. Metaphysics Research Lab, Stanford University
- ↑ Bary 2011, p. 8; Fogelin 2015; Gethin 1998, p. 8
- ↑ Gethin 1998, pp. 40–41; Warder 2000, pp. 4–7, 44
- ↑ Warder 2000, p. 4; Cox 2003, p. 1–7
- ↑ Fogelin 2015, cap. 7
- ↑ Donald Lopez Jr., The Scientific Buddha: His Short and Happy Life, Yale University Press, p.24
- ↑ Gethin 1998, p. 8; Buswell & Lopez 2014, p. 398
- 1 2 Sir Monier Monier-Williams; Ernst Leumann; Carl Cappeller (2002). A Sanskrit-English Dictionary: Etymologically and Philologically Arranged with Special Reference to Cognate Indo-European Languages. [S.l.]: Motilal Banarsidass. p. 733. ISBN 978-81-208-3105-6. Consultado em 23 de outubro de 2022. Cópia arquivada em 11 de janeiro de 2023
- ↑ Keown 2003, p. 42; Buswell & Lopez 2014, p. 398, entry "Buddha"
- ↑ Keown 2003, p. 42
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Ligações externas
[editar | editar código]- Recursos em português
- Índice de discursos do cânone páli – Acesso ao Insight.
- Dhammacakkappavattana Sutta (SN 56.11) – tradução portuguesa do primeiro discurso.
- A vida de Buda segundo os discursos – Acesso ao Insight.
- Mahāsudassana Sutta (DN 17) – discurso relacionado aos últimos dias de Buda.
- Estupa – artigo em português sobre os monumentos ligados às relíquias budistas.
- Cronologia tradicional teravada – Acesso ao Insight.
- Dhammapada em tradução portuguesa – Acesso ao Insight (PDF).
- Ariyapariyesanā Sutta (MN 26) – relato da busca espiritual.
- Mahāsaccaka Sutta (MN 36) – relato das austeridades e da busca espiritual.
- Dīghajāṇu Sutta (AN 8.54) – recomendações para a vida leiga.
- Mahāparinibbāṇa Sutta (DN 16) – relato dos últimos dias.
- Sigālovāda Sutta (DN 31) – ensinamentos dirigidos aos leigos.
- Discursos do Saṃyutta Nikāya – inclui o primeiro sermão.
- Introdução à leitura dos discursos – Acesso ao Insight.
- Sidarta Gautama – World History Encyclopedia.
- As Quatro Nobres Verdades – World History Encyclopedia.
- Buda ensinando o darma – Museu Metropolitano de Arte.
- Buda com Avalokiteshvara e Vajrapani – Museu Metropolitano de Arte.
- História das escolas budistas – World History Encyclopedia.
- Textos digitais e arquivos
- Obras atribuídas a Buda – Projeto Gutenberg.
- Obras catalogadas sob Buda – Internet Archive.
- Obras catalogadas sob Siddhārtha Gautama – Internet Archive.
- Obras catalogadas sob Shakyamuni – Internet Archive.
- Enciclopédias e recursos acadêmicos
- Buda – Stanford Encyclopedia of Philosophy (em inglês).
- «Buddha». Internet Encyclopedia of Philosophy. Consultado em 1 de outubro de 2026
- Buda – Encyclopædia Britannica (em inglês).
- Buda – Oxford Reference (em inglês)
- Introdução à vida e aos ensinamentos de Buda – revista Tricycle (em inglês).
- Áudio e mídia
- Buddha – In Our Time, BBC Radio 4 (em inglês).
- Museus e instituições culturais
- Budismo na coleção do Museu Metropolitano de Arte (em inglês).
- Budismo no Museu Nacional de Arte Asiática do Smithsonian (em inglês).
- Fontes canônicas e históricas
- SuttaCentral – textos budistas antigos em várias línguas.
- Access to Insight – textos teravada (em inglês).
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