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Gavião-papa-lagartos

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaGavião-papa-lagartos


Chamado gravado em Kitale, Quênia
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Aves
Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Subfamília: Accipitrinae
Género: Kaupifalco
Bonaparte, 1854
Espécie: K. monogrammicus
Nome binomial
Kaupifalco monogrammicus
(Temminck, 1824)
Subespécies
  • K. m. meridionalis
  • K. m. monogrammicus

O gavião-papa-lagartos[2][3] (Kaupifalco monogrammicus), também conhecido como mioto-papa-lagartos,[4] é uma espécie de ave accipitriforme pertencente à família Accipitridae, sendo o único representante do gênero Kaupifalco. Sua distribuição ocorre nas regiões da África subsaariana.

Taxonomia

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Estudos de filogenia molecular demonstraram que o gavião-papa-lagartos não possui relação próxima com os bútios do gênero Buteo, mas sim com os gaviões do gênero Accipiter.[5] Essa relação também se reflete em características morfológicas, como as asas curtas e pontiagudas da ave.[6] Embora esta espécie seja nativa da África, análises filogenéticas apontam que seus parentes mais próximos são dois gaviões do gênero Microspizias, encontrados na América Central e do Sul.[7]

Características

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Indivíduo no Parque Nacional Kruger, África do Sul

É uma pequena e robusta ave de rapina, medindo entre 35 e 37 cm de comprimento e com uma envergadura de aproximadamente 79 cm. Os machos têm um peso médio de 246 g, enquanto as fêmeas pesam cerca de 304 g. Suas partes superiores, assim como a cabeça e o peito, apresentam coloração cinza. Uma linha preta vertical na garganta branca é uma característica que diferencia esta espécie de outras aves de rapina. A barriga é branca com finas barras escuras, e as asas inferiores também são brancas, mas com pontas escuras. A cauda, por sua vez, é preta com uma ponta branca e inclui uma única faixa na mesma cor. Os olhos variam de marrom-avermelhado-escuro a preto, enquanto a cera e as pernas exibem tons que vão do vermelho ao vermelho-alaranjado. Machos e fêmeas possuem aparência semelhante. O padrão de voo desta ave lembra o movimento ondulante de um tordo. Os indivíduos jovens são muito parecidos com os adultos, distinguindo-se apenas por uma leve tonalidade marrom nas asas e cera e pernas em amarelo-alaranjado.[8]

Distribuição e habitat

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O gavião-papa-lagartos está amplamente distribuído na África subsaariana, abrangendo desde a Eritreia até o nordeste da África do Sul. A espécie permanece comum em regiões como África Ocidental, Zimbabwe, Moçambique e partes do nordeste da Namíbia, Botswana e África do Sul.[9][10] Seu habitat preferido inclui florestas densas e úmidas de savana, principalmente as florestas de miombo, além de bordas de florestas e margens arborizadas de rios.[10] Durante o inverno, também pode ser encontrado em espinheiros áridos das savanas na África Oriental e Central.[8][9]

São aves de rapina solitárias e reservadas, exceto no início da época de reprodução, entre setembro e outubro, quando emitem um assobio claro, melodioso e característico, descrito como klu-klu-klu.[8] São residentes locais que defendem seu território com autoridade contra intrusos. Seu voo planado é bastante restrito, acontecendo principalmente durante exibições de cortejo ou ocasionalmente em períodos fora da reprodução, geralmente no final da manhã.[10]

Esses gaviões caçam a partir de poleiros situados entre 6 e 10 metros de altura, mergulhando ou deslizando sobre suas presas na grama. Sua estratégia de caça é caracterizada por uma baixa taxa de ataque, realizando buscas de maneira passiva. Embora esse método seja energeticamente eficiente, é relativamente demorado.[10] Raramente capturam presas em pleno voo. Com asas pontiagudas e mais curtas (proporção entre o comprimento da asa e a altura do corpo de 0,76),[10] são adaptados para voos rápidos em áreas de floresta, sugerindo uma especialização na captura de presas em vegetação densa.[6] Sua dieta é diversificada, incluindo invertebrados, répteis e mamíferos. Em quantidade, gafanhotos e cupins dominam as presas mais comuns, enquanto roedores são os mais representativos em termos de biomassa. Entre os répteis preferidos estão lagartos dos gêneros Mabuya e Agama, além de sapos e cobras.[10]

Reprodução

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A reprodução dos gaviões-papa-lagartos ocorre entre os meses de setembro e novembro. São aves monogâmicas, formando pares estáveis ou permanentes. Os dois sexos participam na construção do ninho, que é pequeno e compacto, feito com gravetos e localizado na subcopa de árvores nativas ou exóticas, geralmente próximo ao tronco principal. O interior é revestido com grama seca, folhas verdes ou líquen.[6][8]

Como acontece com algumas espécies de aves de rapina, os gaviões-papa-lagartos também reutilizam ninhos pré-existentes.[11] Embora prefiram posicionar seus próprios ninhos no subdossel, podem ocupar ninhos localizados no dossel quando necessário. Além disso, competem por ninhos disponíveis com os gaviões-chicras (Tachyspiza badia),[11] já que ambas as espécies apresentam semelhanças em tamanho, preferências de habitat e distribuição.[8]

A postura de ovos normalmente é composta por 1 a 3 ovos brancos, incubados pela fêmea durante um período de 32 a 34 dias.[8] Enquanto isso, o macho assume a tarefa de alimentar a fêmea, e após a eclosão, os filhotes recebem cuidados de ambos os pais por cerca de 40 dias. A completa independência dos filhotes é alcançada quando atingem aproximadamente 90 dias de vida.[8]

Conservação

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A distribuição desta espécie é bastante ampla, não atingindo os critérios de vulnerabilidade relacionados à extensão territorial. A população aparenta manter-se estável e também está longe dos limiares que indicam risco. Com números populacionais elevados, a espécie é considerada como "pouco preocupante" em termos de conservação. Porém, na África, especialmente nas regiões Ocidental e Meridional, observam-se reduções significativas entre algumas espécies de aves de rapina.[11][12][13] Esses declínios são amplamente atribuídos ao crescimento acelerado da população humana, que intensifica a sobrexploração da terra e resulta na perda de biodiversidade e diminuição na diversidade de espécies.[11][13][14]

Na África Ocidental, a redução da população de aves de rapina está associada à destruição de florestas e de locais de nidificação, uso crescente de pesticidas, práticas agrícolas intensivas — especialmente na produção de algodão — e perturbação dos ninhos.[12][14] Por outro lado, na África Meridional, fatores como envenenamento, eletrocussões causadas por linhas elétricas, destruição de habitats naturais e afogamento em reservatórios agrícolas estão entre as causas principais dos declínios registrados.[11][13][15]

Apesar de todas essas atividades humanas intensas, nem todas as espécies de aves de rapina foram severamente impactadas. Algumas delas, particularmente oportunistas generalistas e espécies migratórias, registraram aumentos populacionais. Na África Ocidental, houve crescimento nos números e na distribuição do bútio-dos-gafanhotos, do milhafre-preto e do abutre-de-capuz.[14] De forma semelhante, na região do Cabo Ocidental, na África do Sul, observou-se ampliação no alcance e aumento populacional da águia-de-asa-redonda, do peneireiro-das-torres e do milhafre-de-bico-amarelo.[13]

Quanto ao gavião-papa-lagartos, os dados disponíveis ainda são insuficientes para avaliar como ele tem respondido às mudanças no uso da terra promovidas pelos seres humanos. Permanecem incertas as adaptações dessa espécie frente à perda de seu habitat natural e de locais específicos para nidificação. No entanto, suas presas habituais — insetos, lagartos e roedores — continuam abundantes na maioria das áreas modificadas pela ação humana, o que pode estar contribuindo para sua sobrevivência atual.

Galeria de imagens

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Referências

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  1. BirdLife International (2016). «Kaupifalco monogrammicus». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas (em inglês). 2016. doi:10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22695421A93508702.enAcessível livremente. Consultado em 19 de novembro de 2021 
  2. «Kaupifalco monogrammicus (gavião-papa-lagartos)». Avibase. Consultado em 6 de outubro de 2025 
  3. Paixão, Paulo (Verão de 2021). «Os Nomes Portugueses das Aves de Todo o Mundo» (PDF) 2.ª ed. A Folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias. ISSN 1830-7809. Consultado em 13 de janeiro de 2022 
  4. «mioto-papa-lagartos». eBird 
  5. Lerner, Heather (29 de março de 2016). «Molecular Phylogenetics of the Buteonine Birds of Prey». The Auk (em inglês). 125 (2). pp. 304–315. doi:10.1525/auk.2008.06161Acessível livremente 
  6. a b c Carnaby, Trevor (2009). Jacana Media (Pty) Ltd., ed. Beat About the Bush Birds (em inglês). Joanesburgo, África do Sul: [s.n.] p. 548 
  7. Sangster, George; Kirwan, Guy M.; Fuchs, Jérôme; Dickinson, Edward C.; Elliott, Andy; Gregory, Steven M. S. (8 de fevereiro de 2021). «A new genus for the tiny hawk Accipiter superciliosus and semicollared hawk A. collaris (Aves: Accipitridae), with comments on the generic name for the crested goshawk A. trivirgatus and Sulawesi goshawk A. griseiceps». Vertebrate Zoology (em inglês). 71. pp. 419–424. ISSN 2625-8498. doi:10.3897/vz.71.e67501Acessível livremente 
  8. a b c d e f g Oberprieler, Ulrich (2012). Craft International, ed. The Raptor Guide of Southern Africa (em inglês). Singapura: [s.n.] p. 170. ISBN 978-0-9921701-0-3 
  9. a b Hockey, Dean (4 de março de 2010). Iziko museum of Cape Town, ed. «Kaupifalco monogrammicus». Biodiversity Explorer (em inglês). Consultado em 2 de abril de 2016 
  10. a b c d e f Thiollay, J.M. (15 de junho de 1988). «Comparative foraging adaptations of small raptors in a dense African savanna». Ibis (em inglês). 132. pp. 42–47. doi:10.1111/j.1474-919x.1990.tb01015.x 
  11. a b c d e Malan, Gerard (2009). BRIZA PUBLICATIONS, ed. Raptor survey and monitoring (em inglês). Pretora, África do Sul: [s.n.] p. 58. ISBN 978-1-920146-03-0 
  12. a b Thiollay, Jean-Marc (3 de julho de 2007). «Raptor declines in West Africa:comparison between protected, buffer and cultivated areas». Oryx (em inglês). 41 (3). pp. 322–329. doi:10.1017/S0030605307000809Acessível livremente 
  13. a b c d Herremans, M (12 de novembro de 2009). «Roadside abundance of raptors in the Western Cape Province, South Africa:a three-decade comparison». Ostrich (em inglês). 72 (1–2). pp. 96–100. doi:10.2989/00306520109485291 
  14. a b c Buij, Ralph (2 de agosto de 2012). «The role of breeding range, diet, mobility and body size in associations of raptor communities and land-use in a West African savanna». Biological Conservation (em inglês). 166. pp. 231–246. doi:10.1016/j.biocon.2013.06.028 
  15. Anderson, Mark (11 de outubro de 2010). «Raptor drowning in farm reservoirs in South Africa». Ostrich (em inglês). 70 (2). pp. 139–144. doi:10.1080/00306525.1999.9634530 

Ligações externas

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