Genderqueer

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A bandeira genderqueer.

Genderqueer (GQ; ou não-binário) é um "termo guarda-chuva" (termo que, neste caso, embarca várias identidades diferentes dentro de si) para identidades de gênero que não sejam exclusivamente homem nem mulher, estando portanto fora do binário de gênero e da cisnormatividade.[1] Pessoas que se identificam como genderqueer podem ter variadas identidades de género, entre as quais:

  • tanto homem quanto mulher (pessoa bigênera, trigênera, pangênera/multigénera)
  • parcialmente homem ou mulher (pessoa demigénera)
  • nem homem, nem mulher (pessoa sem gênero, agênera)
  • fluida entre os gêneros (gênero fluido)[2]
  • terceiro gênero ou outro-gênero; incluindo pessoas que não nomeiam seu gênero[3]

Diferença entre género, expressão de género e sexo biológico[editar | editar código-fonte]

O sexo biológico relaciona-se com o corpo, e é designado à nascença por médicos com base nas genitálias independentemente do género com que os bebés se possam vir a identificar mais tarde. Há 3 sexos: masculino, feminino e intersexo.

O género é uma questão de auto-percepção e não se prende com fatores externos. Uma pessoa pode ser cis (identifica-se com o género designado à nascença) ou trans (pode ser transsexual - passa por tratamento médico para se assemelhar ao que a sociedade percepciona como o género com que ela se identifica - ou pode ser transgénero - não passando por tratamento médico, devido a razões pessoais, económicas ou outras). Sendo trans, pode identificar-se com um género binário (homem ou mulher) ou não-binário (ver adiante).

Expressão de género resulta de uma combinação entre comportamento social e maneirismos, com aparência (penteado, roupas...), e é geralmente encarada como feminina ou masculina. Considera-se que quem não exibe um alinhamento entre o que se considera feminino ou masculino é andrógino ou género não-conformativo.

Termos de género[editar | editar código-fonte]

Geral[editar | editar código-fonte]

Algumas pessoas genderqueer preferem utilizar pronomes neutros, tais como "one", "ze", "sie", "hir", "co", "ey" ou a versão singular de "they", "their" and "them", enquanto outros preferem os pronomes binários convencionais "ela" ou "ele". Há ainda pessoas genderqueer que preferem que sejam referidas por pronomes alternados, variando por exemplo entre "ele" e "ela", e outras preferem não usar pronomes de todo. [4] Muitas pessoas genderqueer preferem o uso de uma linguagem neutra adicional, tal como (em Inglês) o título "Mx" em vez de Mr. ou Ms.

Genderqueer foi uma das 56 opções de identidade de género adicionadas ao Facebook em Fevereiro de 2014.[5]

Ao contrário do que se possa pensar, a identificação com géneros não-binários não tem qualquer correlação com o facto de alguém ser, ou não, intersexo.

Género fluido[editar | editar código-fonte]

O género com que a pessoa se identifica varia através do tempo: às vezes sente-se cis, outras vezes trans binário, outras vezes trans não-binário, noutras identifica-se com vários géneros, ou com nenhum. A velocidade com que o género muda varia de pessoa para pessoa, e para alguém se considerar género fluido, não tem de experienciar identificar-se com todos os géneros. Além disso, género fluido não é uma mistura de identidades – é uma identidade própria.

Agénero e Neutrois[editar | editar código-fonte]

Apesar de tenderem a confundir-se, e de várias pessoas aplicarem a si mesmas ambos os termos, implicam coisas diferentes: o primeiro associa-se à negação de uma identificação, enquanto que o segundo é uma identificação-própria, relativamente aos géneros binários.

  • Agénero: Significa “sem género”, e quer dizer que a pessoa não se identifica com nenhum género, nem mesmo o fluido.
  • Neutrois: Identifica-se como sendo género neutro. É diferente de não ter género.

Demigénero[editar | editar código-fonte]

Implica uma conexão parcial em relação a um certo género, sendo um termo guarda-chuva que engloba, por exemplo, demiboy (alguém que se identifica parcialmente com o género masculino) ou demigirl…

Multigénero[editar | editar código-fonte]

Identificação simultânea (mas com graus de identificação variáveis) com 2 ou mais géneros. Ver também: pangénero.

História[editar | editar código-fonte]

A palavra genderqueer tem origem nos anos 90, e começou por ser chamada "Gender Queer" antes que se tornasse uma única palavra. O significado original era literalmente "queer gender", traduzido para Português como "género estranho".

O uso mais antigo da palavra é atribuído a Riki Anne Wilchins, ativista dos direitos LGBT+, que utilizou o conceito na primavera de 1995 na newsletter In Your Face.

A bandeira genderqueer[editar | editar código-fonte]

Criada por Marilyn Roxie em 2011, a bandeira de orgulho genderqueer e não-binário consiste em três riscas horizontais e foi criada para complementar as atuais bandeiras de género e sexualidade.

A risca roxa, mistura de azul e rosa (cores tradicionalmente associadas com homens e mulheres, respetivamente), representa a androginia e "queerness". O branco simboliza agênero, reflentido o uso de branco na bandeira trans para géneros neutros, e o verde representa todos cuja identidade está fora do género binário.

Em 2013, Roxie clarificou que a semelhança entre as cores desta bandeira e a da "Women's Social and Political Union", uma organização de sufrágio baseada no Reino Unido, não era intencional.

Pessoas genderqueer notáveis[editar | editar código-fonte]

  • Angel Haze, rapper de origem norte-americana, identifica-se como agender, tendo revelado a sua identidade de género publicamente em Fevereiro de 2015. O seu pronome pessoal de escolha é o "singular they".[6]
  • Ruby Rose, atriz, modelo e DJ australiana, identifica-se como genero fluido. O seu pronome pessoal de escolha é "ela".

Discriminação[editar | editar código-fonte]

Estados Unidos da América (E.U.A.)[editar | editar código-fonte]

A maioria dos interrogados no questionário "National Transgender Discrimination Survey" escolheu a opção "Um género não listado aqui". 90% dos interrogados Q3GNLH ("Question 3 Gender Not Listed Here") reportaram testemunhar preconceitos anti-trans no local de trabalho e 43% reportaram ter tentado cometer suicídio. [7]

Estado legal[editar | editar código-fonte]

Austrália[editar | editar código-fonte]

Opção "X" no passaporte[editar | editar código-fonte]

Desde 2003 que os cidadãos Australianos podem escolher "X" como o seu género. [8]

Japão[editar | editar código-fonte]

No Japão, o "X-gender" é um terceiro género e identidade genderqueer conhecida como Xジェンダー.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Usher, Raven, : (2006). North American Lexicon of Transgender Terms (San Francisco [s.n.]). ISBN 9781879194625. OCLC 184841392. 
  2. Winter, Claire Ruth (2010). Understanding Transgender Diversity: A Sensible Explanation of Sexual and Gender Identities CreateSpace [S.l.] ISBN 9781456314903. OCLC 703235508. 
  3. Beemyn, Brett Genny (2008). «Genderqueer». glbtq: An Encyclopedia of Gay, Lesbian, Bisexual, Transgender, and Queer Culture. Chicago: glbtq, Inc. Consultado em 3 May 2012. 
  4. Feinberg, Leslie (1996). Transgender Warriors: Making History from Joan of Arc to Dennis Rodman [S.l.: s.n.] 
  5. Peter Weber (21 de Fevereiro, 2014). «Confused by All the New Facebook Genders? Here's What They Mean.». 
  6. «Twitter de Angel Haze». 14 de Fevereiro de 2015. 
  7. Jack Harrison, Jaime Grant e Jody L. Herman. «A Gender Not Listed Here: Genderqueers, Gender Rebels, and OtherWise in the National Transgender Discrimination Survey» (PDF). 
  8. «Ten years of ‘X’ passports, and no protection from discrimination». 12 de Janeiro de 2013.